sexta-feira, 1 de agosto de 2014

EXPECTATIVA DO CONSUMIDOR MELHOR EM JULHO
Consultor Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de jul/14, atingiu 109,5 pontos, ante 106,3 pontos observados em jun/14, próximo ao de jul/13 (110 pontos), mas ainda inferior ao registrado em janeiro deste ano (113,9 pontos). No período jun-jul/14, o indicador INEC registrou crescimento de 3%, enquanto jul/14 comparado a jan/14 declinou 3,9%.

O incremento apresentado no indicador de julho, ante junho, reverteu em parte, o declínio observado ao longo de 2014, embora ainda inferior aos patamares registrados em anos anteriores. De acordo com o relatório da CNI, “Excluindo os valores dos primeiros seis meses de 2014, o INEC é o menor desde março de 2009.

Os resultados observados no primeiro semestre deste ano mostram declínio na percepção do comportamento do consumidor brasileiro com relação aos indicadores de inflação, desemprego, renda pessoal e endividamento, enquanto a melhora do INEC em jul/14 é explicada, principalmente, pelas expectativas de inflação, desemprego e na evolução da renda pessoal. As expectativas quanto ao endividamento mantiveram-se estáveis no bimestre jun-jul/14, enquanto compras de bens de maior valor apresenta declínio de 3,3% nas expectativas.

Os fatores que mais contribuíram para a avaliação positiva da população em julho são:

(a) Expectativa de Renda Pessoal: chegou a 110,7 pontos em jul/14, ante 102,8 pontos verificados em jun/14, um aumento de 7,7%, embora tenha atingido 115,8 pontos em jan/14, com queda de 4,4% no período. Esse componente do INEC apresentou o melhor desempenho em jul/14;

(b) Expectativa de Inflação: em jul/14 atingiu 104,2 pontos, ante 97,3 observados no mês anterior, uma elevação de 7,1% no bimestre, com melhora na percepção dos consumidores quanto à esse indicador nos próximos seis meses ante seis meses anteriores;

(c) Expectativa de Desemprego: atingiu 116,6 pontos em jul/14, ante 108,9 registrados no mês anterior, uma alta de 7,1% no período, mas apresentando declínio de 11,6% quando comparada a jan/14 (131,9 pontos), e atingindo o mesmo nível de abr/14 (116,5 pontos);

(d) Situação Financeira: o indicador atingiu 109,9 pontos em jul/14, de 104,4 pontos observados em jun/14 (+5,3%), mostrando elevação das expectativas positivas para os próximos três meses ante os três meses anteriores. As expectativas para a situação financeira do consumidor está mais favorável em jul/14 do que no mês anterior, mas abaixo do índice registrado em jan/14 (113,4), quando apresentou declínio de 3,1%. Segundo a pesquisa a maior avaliação desse indicador também contribuiu para a melhora do INEC em julho, refletindo um menor número de consumidores que perceberam piora na sua situação financeira nos últimos três meses;

(e) Endividamento: esse indicador manteve-se estável no bimestre jun-jul/14, quando atinge 105,1 pontos, e apresenta declínio de 2,3% ante jan/14 (107,6 pontos). O resultado indica que um maior número de pessoas afirmou estar menos endividada em julho do que nos últimos três meses;

(f) Compras de bens de maior valor: diferentemente dos demais componentes do INEC esse indicador atinge 110,2 pontos em jul/14,  ante 114 pontos em jun/14, e apresenta declínio de 3,3% no bimestre, o que aponta redução na expectativa de consumo desses bens para os próximos seis meses com relação aos seis meses anteriores.

Devemos ficar atentos às avaliações quanto ao comportamento futuro dos componentes do INEC, principalmente dos indicadores de compras de bens de maior valor e de endividamento das famílias. Por outro lado, o mês de julho ajudou a reverter temporariamente queda do INEC nos primeiros seis meses do ano, embora não possa configurar mudança de tendência.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

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