domingo, 3 de agosto de 2014

PRODUÇÃO INDUSTRIAL DE JUNHO
Consultor Régis Varão/¹

A produção industrial em jun/14 recuou 1,4% ante o mês anterior, na série sem ajuste sazonal, configurando o quarto mês consecutivo de queda, acumulando perda de 3,4% no período. Na série sem ajuste sazonal a produção caiu 6,9% quando comparada a igual período de 2013, a quarta taxa consecutiva e a mais elevada desde set/09, quando registrou queda de 7,4%. Os indicadores da indústria foram negativos tanto para o período abr-jun/14 (-5,4%), como para o acumulado no semestre jan-jun/14 (-2,6%), quando comparadas a igual período do ano anterior, respectivamente, segundo pesquisa mensal de produção industrial elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O declínio de 1,4% da atividade industrial no bimestre mai-jun/14 teve predomínio de resultados negativos, alcançando as quatro grandes categorias econômicas e 18 dos 24 ramos pesquisados. Os principais impactos negativos foram observados em veículos automotores, reboques e carrocerias (-12,1%), apresentando o quarto recuo consecutivo com queda acumulada de 22,6% e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-29,6%), com a maior queda desde o início da série histórica, e perda acumulada de 36,7% no bimestre. Esses dois setores fora pressionados nesse mês por paralisações em diversas unidades produtivas, tendo em vista as reduções de jornadas de trabalho e concessão de férias coletivas.

Outras contribuições negativas importantes vieram de: outros equipamentos de transporte (-12,3%), confecção de artigos de vestuário e acessórios (-10,0%), máquinas e equipamentos (-9,4%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-7,4%), produtos têxteis (-6,7%), produtos de borracha e de material plástico (-5,6%), produtos de minerais não-metálicos (-3,4%) e perfumaria, sabões, detergentes, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-3,1%). Dos seis ramos que aumentaram a produção em junho, os de melhores desempenhos foram: coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,6%), produtos alimentícios (2,1%) e bebidas (2,5%).

Quanto às grandes categorias econômicas, ante mai/14, bens de consumo duráveis, ao cair 24,9%, assinalou a maior queda desde o início da série e apresentou o quarto declínio consecutivo nessa base de comparação, acumulando queda de 33,3% no período. Os bens de capital (-9,7%), também mostraram forte declínio, e apontou o quarto mês de queda na produção, com perda de 17,9% no acumulado do período. O setor produtor de bens de consumo semi e não duráveis declinou 1,3%, e anulou o incremento de 1,1% acumulada no período abr-mai/14. Os bens intermediários (-0,1%) registraram o terceiro mês consecutivo de declínio na produção, acumulando queda de 1,2% no período.

Em jun/14 na comparação com igual período de 2013, o setor industrial mostrou queda de 6,9%. Entre as atividades, veículos automotores, reboques e carrocerias (-36,3%), com a maior influência negativa na formação da média da indústria, pressionada em parte pela redução na fabricação de automóveis, caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, autopeças e veículos para transporte de mercadorias. Outras contribuições negativas relevantes vieram da redução na produção de máquinas e equipamentos (-14,2%), metalurgia (-12,7%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-25,1%), de produtos de metal (-15,6%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-18,4%), de produtos de borracha e de material plástico (-10,4%), de outros produtos químicos (-6,3%) e de outros equipamentos de transporte (-21,2%). Por outro lado, ante jun/13, entre as cinco atividades que elevaram a produção, os principais impactos vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (9,9%), produtos alimentícios (7,4%), indústrias extrativas (2,9%) e bebidas (9,4%).

Ainda na comparação com jun/13, bens de consumo duráveis (-34,3%) e bens de capital (-21,1%) apresentaram as maiores quedas em jun/14, os maiores recuos entre as grandes categorias econômicas. Os segmentos de bens de consumo semi e não-duráveis (-3,0%) e de bens intermediários (-2,9%) também registraram resultados negativos nesse mês, mas em intensidade menor do que a média nacional (-6,9%).

Os bens de capital, ao recuarem 21,1% em jun/14, registraram o quarto resultado negativo consecutivo no índice mensal, mostrando a queda mais fonte desde ago/09, quando caiu 22,4%. A produção industrial em junho foi influenciada pela redução observada na maior parte dos seus grupamentos, com destaque para o declínio de 31,6% em bens de capital para equipamentos de transporte, pressionado basicamente pela menor fabricação de caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, veículos para transporte de mercadorias, reboques e semirreboques e vagões de passageiros. As outras taxas negativas vieram de bens de capital para fins industriais (-11,8%), agrícola (-15,5%), de uso misto (-8,5%) e para construção (-16,3%), enquanto bens de capital para energia elétrica (8,4%) apontou o único resultado positivo em jun/14.

Na análise trimestral, a indústria recuou 5,4% no segundo trimestre (2T) de 2014, registrando a queda mais forte desde o 3T de 2009 (-8,1%) e reverteu o resultado positivo assinalado no 1T do ano (0,4%), todas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis, que passou de 3,5% no período jan-mar/14 para -19,3% no trimestre seguinte, e bens de capital (de -1,0% para -15,0%) mostraram as principais perdas entre os dois períodos e os resultados negativos mais intensos no 2T de 2014. Já com relação ao primeiro semestre (1S) de 2014, frente a igual período de 2013, o setor industrial apresentou queda de 2,6%. O principal impacto negativo foi observado em veículos automotores, reboques e carrocerias (-16,9%).

Portanto, o desempenho negativo na atividade industrial brasileira ao longo dos últimos meses de 2014, deverá contribuir negativamente para o fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. Por outro lado, a preocupação é que o fraco desempenho do setor industrial não contamine o comércio e o setor agrícola, o que poderia comprometer ainda mais o desempenho do PIB.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

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