PRODUÇÃO INDUSTRIAL DE JUNHO
Consultor Régis Varão/¹
A
produção industrial em jun/14 recuou 1,4% ante o mês anterior, na série sem
ajuste sazonal, configurando o quarto mês consecutivo de queda, acumulando perda
de 3,4% no período. Na série sem ajuste sazonal a produção caiu 6,9% quando
comparada a igual período de 2013, a quarta taxa consecutiva e a mais elevada
desde set/09, quando registrou queda de 7,4%. Os indicadores da indústria foram
negativos tanto para o período abr-jun/14 (-5,4%), como para o acumulado no semestre
jan-jun/14 (-2,6%), quando comparadas a igual período do ano anterior, respectivamente,
segundo pesquisa mensal de produção industrial elaborada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O declínio de 1,4% da atividade industrial no
bimestre mai-jun/14 teve predomínio de resultados negativos, alcançando as
quatro grandes categorias econômicas e 18 dos 24 ramos pesquisados. Os
principais impactos negativos foram observados em veículos automotores,
reboques e carrocerias (-12,1%), apresentando o quarto recuo consecutivo com
queda acumulada de 22,6% e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e
ópticos (-29,6%), com a maior queda desde o início da série histórica, e perda
acumulada de 36,7% no bimestre. Esses dois setores fora pressionados nesse mês
por paralisações em diversas unidades produtivas, tendo em vista as reduções de
jornadas de trabalho e concessão de férias coletivas.
Outras contribuições negativas importantes vieram
de: outros equipamentos de transporte (-12,3%), confecção de artigos de
vestuário e acessórios (-10,0%), máquinas e equipamentos (-9,4%), máquinas,
aparelhos e materiais elétricos (-7,4%), produtos têxteis (-6,7%), produtos de borracha
e de material plástico (-5,6%), produtos de minerais não-metálicos (-3,4%) e perfumaria,
sabões, detergentes, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-3,1%). Dos seis
ramos que aumentaram a produção em junho, os de melhores desempenhos foram: coque,
produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,6%), produtos alimentícios
(2,1%) e bebidas (2,5%).
Quanto
às grandes categorias econômicas, ante mai/14,
bens de consumo duráveis, ao cair 24,9%, assinalou a maior queda desde o início
da série e apresentou o quarto declínio consecutivo nessa base de comparação,
acumulando queda de 33,3% no período. Os bens de capital (-9,7%), também mostraram
forte declínio, e apontou o quarto mês de queda na produção, com perda de 17,9%
no acumulado do período. O setor produtor de bens de consumo semi e não duráveis
declinou 1,3%, e anulou o incremento de 1,1% acumulada no período abr-mai/14. Os
bens intermediários (-0,1%) registraram o terceiro mês consecutivo de declínio
na produção, acumulando queda de 1,2% no período.
Em jun/14 na comparação com igual período de
2013, o setor industrial mostrou queda de 6,9%. Entre as atividades, veículos
automotores, reboques e carrocerias (-36,3%), com a maior influência negativa
na formação da média da indústria, pressionada em parte pela redução na
fabricação de automóveis, caminhões, caminhão-trator para reboques e
semirreboques, autopeças e veículos para transporte de mercadorias. Outras contribuições
negativas relevantes vieram da redução na produção de máquinas e equipamentos
(-14,2%), metalurgia (-12,7%), de equipamentos de informática, produtos
eletrônicos e ópticos (-25,1%), de produtos de metal (-15,6%), de máquinas,
aparelhos e materiais elétricos (-18,4%), de produtos de borracha e de material
plástico (-10,4%), de outros produtos químicos (-6,3%) e de outros equipamentos
de transporte (-21,2%). Por outro lado, ante jun/13, entre as cinco atividades
que elevaram a produção, os principais impactos vieram de coque, produtos
derivados do petróleo e biocombustíveis (9,9%), produtos alimentícios (7,4%),
indústrias extrativas (2,9%) e bebidas (9,4%).
Ainda na comparação com jun/13, bens de consumo duráveis
(-34,3%) e bens de capital (-21,1%) apresentaram as maiores quedas em jun/14, os
maiores recuos entre as grandes categorias econômicas. Os segmentos de bens de
consumo semi e não-duráveis (-3,0%) e de bens intermediários (-2,9%) também
registraram resultados negativos nesse mês, mas em intensidade menor do que a
média nacional (-6,9%).
Os bens de capital, ao recuarem 21,1% em jun/14, registraram
o quarto resultado negativo consecutivo no índice mensal, mostrando a queda
mais fonte desde ago/09, quando caiu 22,4%. A produção industrial em junho foi
influenciada pela redução observada na maior parte dos seus grupamentos, com destaque
para o declínio de 31,6% em bens de capital para equipamentos de transporte,
pressionado basicamente pela menor fabricação de caminhões, caminhão-trator
para reboques e semirreboques, veículos para transporte de mercadorias,
reboques e semirreboques e vagões de passageiros. As outras taxas negativas vieram
de bens de capital para fins industriais (-11,8%), agrícola (-15,5%), de uso
misto (-8,5%) e para construção (-16,3%), enquanto bens de capital para energia
elétrica (8,4%) apontou o único resultado positivo em jun/14.
Na análise trimestral, a indústria recuou 5,4% no
segundo trimestre (2T) de 2014, registrando a queda mais forte desde o 3T de
2009 (-8,1%) e reverteu o resultado positivo assinalado no 1T do ano (0,4%),
todas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. Entre as grandes
categorias econômicas, bens de consumo duráveis, que passou de 3,5% no período
jan-mar/14 para -19,3% no trimestre seguinte, e bens de capital (de -1,0% para
-15,0%) mostraram as principais perdas entre os dois períodos e os resultados negativos
mais intensos no 2T de 2014. Já com relação ao primeiro semestre (1S) de 2014, frente
a igual período de 2013, o setor industrial apresentou queda de 2,6%. O principal
impacto negativo foi observado em veículos automotores, reboques e carrocerias
(-16,9%).
Portanto,
o desempenho negativo na atividade industrial brasileira ao longo dos últimos
meses de 2014, deverá contribuir negativamente para o fraco crescimento do
Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. Por outro lado, a preocupação é que
o fraco desempenho do setor industrial não contamine o comércio e o setor
agrícola, o que poderia comprometer ainda mais o desempenho do PIB.
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