sexta-feira, 15 de agosto de 2014

PESQUISA MENSAL DE COMÉRCIO - JUNHO DE 2014
Consultor Régis Varão/¹

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), produz indicadores que permitem acompanhar o desempenho do comércio varejista e seus principais segmentos no mês. A pesquisa trabalha com uma amostra de 5.700 empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas, e abrange dez grupos de atividades.

Em jun/14, o comércio varejista apresentou declínios de 0,7% para o volume de vendas e 0,2% para a receita nominal, ante o mês anterior, com ajuste sazonal. Na série referente ao volume de vendas, o resultado volta a ser negativo após incremento observado em mai/14. Quanto à receita de vendas temos registrado o primeiro mês negativo desde mai/12.

Nas demais comparações, tiradas das séries originais, sem ajuste sazonal, o setor varejista obteve, em termos de volume de vendas, acréscimos de aproximadamente 0,8% sobre jun/13, e de 4,2% e 4,9% no acumulado do período jan-jun/14 e dos últimos 12 meses, respectivamente. Para os mesmos indicadores, a receita nominal de vendas registrou variações positivas de 7,4%, 10,5% e de 11,4%, respectivamente.

Com relação ao comércio varejista ampliado, que contempla o varejo e as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, registrou, pelo segundo mês consecutivo, variação negativa tanto para o volume de vendas com -3,6%, quanto para a receita nominal com -3,4%, ambas as taxas em relação a mai/14, com ajuste sazonal. Comparando com jun/13, apresentou declínios de 6,1% para o volume de vendas e de 0,1% na receita nominal de vendas. Quanto às taxas acumuladas, as altas foram de 0,1% no período jan-jun/14 e de 1,9% nos últimos 12 meses, para o volume de vendas, e de 5,7% e 7,4% para a receita nominal, respectivamente.

Comparando o segundo trimestre de 2014 (2ºTri14) com o 1ºTri, observa-se redução no setor varejista, com a taxa passando de 4,5% para 4,0% e queda no varejo ampliado, de 2,1% para -1,8%. Das dez atividades, duas apresentaram resultado superior ao do trimestre anterior: Outros artigos de uso pessoal e doméstico passaram de 7,5% para 11,7% e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo de 2,6% para 4,4%. As outras atividades registraram variações inferiores ao trimestre anterior: Material de construção de 7,2% para -2,9%; Veículos, motos, partes, peças de -3,7% para -11,7%; Combustíveis, lubrificantes de 8,1% para 0,3%; Livros, jornais, revistas e papelaria de -3,7% para -8,7%; Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria passou de 12,6% para 7,8%; Equipamentos, material para escritório, informática e comunicação de -0,7% para -5,0%; Móveis e eletrodomésticos de 6,5% para 3,8% e Tecidos, vestuário e calçados de 0,4% para -1,7%.

O primeiro semestre de 2014 (1ºSem14) apresentou um crescimento de 4,2% em relação ao 1ºSem13, mas inferior ao do 2ºSem13, que atingiu +5,4%. Parte desse desempenho deve-se à redução no ritmo de crédito e as alíquotas de IPI mais elevadas incidentes em alguns produtos.

Em Jun/14, nove entre as dez atividades pesquisadas apresentaram decréscimos para o volume de vendas, com ajuste sazonal. Em ordem de relevância de taxas: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo +0,6%; Outros artigos de uso pessoal e doméstico -0,5%; Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos -0,9%; Tecidos, vestuário e calçados -1,0%; Móveis e eletrodomésticos -2,0%; Combustíveis e lubrificantes -2,3%; Material de construção -3,9%; Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação -4,2%; Livros, jornais, revistas e papelaria -5,3%; e Veículos e motos, partes e peças com -12,9%.

Comparando jun/14 contra igual período de 2013, na série sem ajuste sazonal, quatro das oito atividades do setor varejista apresentaram crescimentos. Os resultados, por ordem de relevância foram: +7,9% para Outros artigos de uso pessoal e doméstico; +7,7% para Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria; +0,5% para Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; +0,1% para Móveis e eletrodomésticos; -12,1% para Livros, jornais, revistas e papelaria; -7,0% para Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação; -2,5% para Tecidos, vestuário e calçados; e -3,0% para Combustíveis e lubrificantes.

Outros artigos de uso pessoal e doméstico exerceram o maior impacto na formação da taxa do varejo, com variação de 7,9% no volume de vendas em relação a jun/13. Em termos acumulados, a taxa para o 1ºSem14 foi da ordem de 9,6% e para os últimos 12 meses, de 10,2%. Esta atividade, por englobar os segmentos de lojas de departamentos, ótica, joalheria, artigos esportivos, brinquedos etc, foi menos impactada pela redução da carga horária decorrente da Copa do Mundo. Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, ficou com a segunda maior participação na taxa geral do varejo, cresceu 7,7% ante jun/13, e taxas acumuladas de 10,1% no semestre e de 10,8% nos últimos 12 meses. O comportamento dos preços dos produtos farmacêuticos, que em 12 meses subiu 4,1% contra 6,5% do índice geral, segundo IPCA, são um dos principais fatores explicativos do desempenho positivo do segmento.

Em jun/14, o comércio varejista ampliado registrou em relação a mai/14 variação de -3,6% para o volume de vendas ajustados sazonalmente e de -6,1% ante jun/13. Este desempenho reflete, sobretudo, o comportamento das vendas de Veículos, motos, partes e peças, que apresentou redução de -12,9% ante mai/14 com ajuste sazonal, e -18,7% ante jun/13. A taxas acumuladas da atividade foram de -7,9% no período jan-jun/14 e -4,3% nos últimos 12 meses. Além da redução do número de dias úteis, o desempenho da atividade também foi influenciado pelo menor ritmo do crédito e pelo comprometimento da renda das famílias, provocando desaceleração do consumo.

Entre as 27 Unidades da Federação 17 apresentaram resultados positivos ante jun/13. Os destaques em variações positivas do volume de vendas: Acre +15,0%; Rondônia +9,9%; Roraima +9,1%; Paraíba +7,4%; e Ceará +7,2%. Quanto à participação na taxa geral do Comércio Varejista, destacaram-se: Rio de Janeiro +4,4%; Ceará +7,2%; Bahia +2,7%; Paraíba +7,4% e Maranhão com +6,2%.

Quanto ao varejo ampliado, entre as 27 Unidades da Federação 6 registraram desempenho positivos. As maiores variações no volume de vendas foram: Acre +5,1%, Paraíba +4,9%, Rondônia +4,2%; Minas Gerais +3,4% e Ceará com +2,8%. Em termos de impacto no resultado do setor, os destaques foram: Minas Gerais +3,4%; Ceará +2,8%; Paraíba +4,9%; Rondônia +4,2% e Acre com +5,1%. Ainda por estado, os resultados com ajuste sazonal para o volume de vendas indicam cinco estados com incrementos, na comparação mês/mês anterior: Paraíba +3,9%; Maranhão +1,6%; Rio de Janeiro +0,5%; Rondônia +0,2% e Roraima com +0,1%.

Portanto, o setor varejista caiu 0,7% em jun/14 nas vendas e 0,2% na receita ante o mês anterior, e apresentou o primeiro mês negativo desde mai/12, enquanto o varejo ampliado registrou declínios de 3,6% e 3,4% para vendas e receitas, na mesma base de comparação. Segmentos como Veículos, motos, partes e peças e Material de construção foram importantes para o desempenho negativo do varejo em jun/14, o que pode estar associado à elevação da taxa de juros e aumento da inadimplência nos últimos meses. O comportamento do varejo pode estar refletindo o desempenho da economia brasileira, o que pode ser observado nas consecutivas reduções semanais das expectativas de crescimento do PIB por parte do mercado, Boletim Focus do BCB, para 2014 e com projeção de fraco desempenho do indicador para o próximo ano.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

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