sexta-feira, 16 de junho de 2017

MELHORA CONFIANÇA DAS FAMÍLIAS
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) calculado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) atingiu 77,7 pontos em mai/17, em uma escala de 0 a 200, o que indica insatisfação com a situação atual. O ICF é um indicador antecedente que objetiva antecipar o potencial de vendas do comércio, afere a avaliação que os consumidores fazem da capacidade e qualidade de consumo atual e futuro, o nível de renda doméstica, as condições de crédito e segurança no emprego.

O ICF apresentou declínio de 0,13% em mai/17, ante o mês anterior, e elevação de 11,2% na comparação anual. O aumento em relação a mai/16 (69,9 pontos) é a terceira variação positiva consecutiva, fato que não ocorria desde 2012. O nível de confiança das famílias com renda <10 salário mínimo (SM) mostrou piora de 1% na avaliação mensal, enquanto daquelas com renda >10 SM registrou aumento de 3,2%. Por outro lado, o índice das famílias mais ricas está em 89,5 pontos, e o das demais em 75,4 pontos.

De acordo com Juliana Serapio, da CNC, “A confiança das famílias segue em trajetória positiva apesar da pequena queda mensal nos meses de abril e maio. A melhora nas expectativas das famílias se dá, principalmente, pelas notícias favoráveis à retomada da economia, como a desaceleração da inflação, a queda dos juros e a liberação de recursos de contas inativas do FGTS.”

Na comparação regional, duas regiões apresentaram variação mensal positiva, ficando a região Sul na liderança com melhora de 1,5% na intenção de consumo, e o pior resultado ficou com a região Centro-Oeste, registrando decréscimo de 1,3%.

Segundo a pesquisa ICF-CNC, a intenção de consumo das famílias segue em recuperação lenta, porém progressiva. A seguir, uma rápida análise dos diversos componentes do indicador:

Emprego Atual: embora acima da zona de indiferença (100 pontos), com 108,5 pontos, esse componente apresentou queda de 0,1% em mai/17, ante o mês anterior. Já na comparação anual registrou elevação de 8,4%. O percentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao Emprego Atual é de 31,8%, ante 31,6% observado em abr/17. A pesquisa ICF afirma que “houve fechamento de 63,3 mil empregos formais em março e o comércio foi o setor que registrou maior retração no mês. No mesmo mês do ano passado, a retração foi de 118 mil postos de trabalho. Tradicionalmente, os resultados de março sofrem muita influência de fatores sazonais negativos. Um exemplo é o próprio comércio varejista, que apresenta retração nesse mês mesmo em anos de crescimento econômico”. Com relação as regiões, o Centro-Oeste, Norte e Sul são as mais confiantes em relação ao Emprego Atual, com respectivamente 135,7 pontos, 123,6 e 112,8 pontos, com variações de -2,3%, +4,1% e -1,3%, nessa ordem. Já o Nordeste com 107,8 pontos e o Sudeste com 99,1 pontos apresentaram os menores níveis de confiança.

Nível de Consumo Atual: esse componente apresentou incremento de 1,9% em mai/17 (52,2 pontos) ante o mês anterior e crescimento de 16,6% na comparação anual. De acordo com o relatório, “a maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor do que o do ano passado (60,2% ante 60,7% em abril)”;

Acesso ao Crédito (Compra a Prazo): esse componente registrou queda de 0,14% em mai/17 na comparação mensal e elevação de 5,3% em relação a abr/16 (66,5 pontos). O crédito, ainda restrito e caro para os consumidores, impactou os resultados dos componentes ligados às compras a prazo;

Momento para Duráveis: o índice alcançou 51,6 pontos em mai/17, um aumento de 1,6% na comparação mensal, após duas quedas consecutivas. Na comparação anual esse componente apresentou crescimento de 20,3%, o sexto consecutivo. Por outro lado, o indicador segue abaixo da zona de indiferença;

Renda Atual: as famílias com renda <10 SM registraram elevação de 1,4% no item Momento para Duráveis na comparação mensal, e as com renda >10 SM registraram decréscimo de 7,1%. Em termos regionais, o indicador apresentou forte variação, 70,9 pontos no Sul ante 29,6 pontos no Norte do País;

Perspectiva de Consumo: esse componente apresentou elevação de 0,4% em mai/17 (70,4 pontos) ante o mês anterior. Na comparação anual, o índice apresentou elevação de 28,2%, a nona variação anual positiva desde ago/14. Já na comparação mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram declínio de 0,8%, e aquelas com renda >10 SM apresentaram elevação de 5,9%;

Perspectiva Profissional: a preocupação das famílias em relação ao mercado de trabalho aparece no componente Perspectiva Profissional, que registrou 98,8 pontos em mai/17, com declínio de 1,6% na comparação mensal. Em relação a mai/16 (93 pontos) apresentou incremento de 6,3%.

Portanto, embora em maio deste ano a confiança tenha caído, ela continua em trajetória positiva, decorrendo em grande parte da melhora das expectativas, bem como de notícias favoráveis à retomada da economia, como queda da inflação, dos juros e juntos à liberação dos recursos - de contas inativas - do FGTS, tem contribuído para uma melhora mais consistente das variáveis que aferem a situação dos consumidores brasileiros nos próximos meses.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS RECUA EM MAIO!
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas decresceu em mai/17, após três meses consecutivos de elevação. Houve declínio na comparação mensal e anual. Por outro lado, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso cresceu na comparação mensal e anual. O percentual de família que relatou sem condições de pagar suas contas em atraso caiu na comparação mensal, mas registrou incremento na comparação anual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), apurada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), desde jan/10.

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 57,6% em mai/17, com queda de 1,3 p.p. em relação a abr/17. Na comparação anual declinou 1,1 p.p. A redução do número de famílias endividadas, na comparação mensal foi observada em ambas as faixas de renda - até 10 salários mínimos (SM) e acima de 10 SM -, mesmo fenômeno se repetindo na comparação anual. Para as famílias que ganham <10 SM, o percentual de famílias com dívidas atingiu 59,6% em mai/17, ante 60,7% observado no mês anterior e 60,3% em mai/16. Já para as famílias com renda >10 SM, o percentual de endividadas caiu de 50,4% em abr/17 para 47,6% no mês seguinte, e registrou 50,8% em mai/16.

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu de 23,7% em mai/16 para 24,2% em mai/17. Na comparação mensal subiu 0,1 p.p., mantendo-se praticamente estável. Entre as famílias com contas ou dívidas em atraso, o tempo médio de atraso chegou a 62,6 dias em mai/17, igual valor observado em mai/16.

Quanto ao percentual de famílias sem condições de pagar suas contas, e continuam inadimplentes, cresceu de 9% em mai/16 para 9,5% em igual período deste ano, e caiu 0,2 p.p. na comparação mensal.

A proporção das famílias que se declararam muito endividadas decresceu de 14,9% em mai/16 para 13,7% em mai/ 17, e apresentou queda no período abr-mai/17 (-0,6 p.p.). A parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou de 20,8% em mai/16 para 22% em mai/17, e permaneceu estável em 22% no período abr-mai/17. A parcela de famílias que declararam pouco endividadas caiu de 23% em mai/16 para 21,9% em igual período do na o seguinte.

Os dados de mai/17 indicam o cartão de crédito como um dos principais tipos de dívida por 77% das famílias endividadas, seguido por carnês de lojas por 15,6%, financiamento de carro (10,4%), crédito pessoal (10,4%), financiamento de casa (8,1%), cheque especial (7,4%), crédito consignado (5,6%) e cheque pré-datado por 1,3%.

Para as famílias com renda <10 SM, o cartão de crédito (77,8%), carnês de loja (16,8%) e crédito pessoal (10,2%), são os principais tipos de dívidas apontados. Por outro lado, entre as famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida observados em mai/17 foram o cartão de crédito por 73,7%, financiamento de carro (21%) e financiamento de casa (18,5%).

Portanto, o endividamento das famílias registrou em maio deste ano uma redução na comparação anual, enquanto as dívidas ou contas em atraso e as famílias sem condições de pagarem suas dívidas apresentaram comportamento inverso nessa base de comparação.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com pós-graduação stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharelado em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 30 de maio de 2017

EDUCAÇÃO FINANCEIRA NO BRASIL E NO MUNDO
Régis Varão/¹

A Educação Financeira (EF) ajuda pessoas e instituições a compreender a necessidade do planejamento financeiro e seus benefícios ao país, aos setores produtivos, às famílias e à sociedade em geral. Vários segmentos dos setores financeiro e produtivo, além do governo brasileiro, estão direcionando algumas ações voltadas para a prática da EF, como uma possibilidade de ajudar a evitar possíveis descontroles futuros, endividamento por parte das empresas e famílias, com reflexos em toda sociedade.

Enquanto uma parte dos brasileiros declara saber cuidar de seu dinheiro, outra afirma utilizar algum tipo de controle mensal de receitas e despesas, mas na prática, apenas uma pequena minoria retira parte de sua renda ou um percentual para formar uma reserve financeira e até mesmo fazer aplicações financeiras. Pesquisas apontam que aproximadamente 90% das famílias brasileiras não têm controle de orçamento pessoal ou familiar, e de R$ 3,00 em cada R$ 10,00 que ganham vão direto para o pagamento de dívidas e consumo.

O total de famílias brasileiras endividadas subiu em abr/17, ante o mês anterior, a terceira elevação consecutiva, embora tenha caído frente a abr/16. O total de famílias com contas ou dívidas em atraso também registrou elevação em abr/17 na comparação mensal e anual. O percentual de famílias sem condições de pagar as contas em atraso apresentou pequeno decréscimo em abr/17, ante o mês anterior, mas registrou incremento na comparação annual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 58,9% em abr/17, com alta de 1 p.p. em relação a mar/17, mas ficando abaixo do observado em abr/16 (59,6%), segundo a PEIC.

Ainda segundo a PEIC, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu de 23,7% em mar/17 para 24,1% no mês seguinte, e registrou crescimento de 0,9 p.p. frente a abr/16. Quanto ao percentual de famílias sem condições de pagar suas contas, e continuam inadimplentes, caiu para 9,7% em abr/17, ante 9,9% do mês anterior, e cresceu 1,5 p.p. ante abr/16 (8,2%).

Pesquisa do IBOPE e Serasa realizada em 142 cidades, com maiores de 16 anos e de diversas classes sociais, descobriu que 7 em cada 10 brasileiros não têm o hábito de poupar. Afirma, ainda, que metade da população desconhece as vantagens de se fazer poupança. Contudo, a pesquisa “aponta que 35% dos brasileiros sentem mais prazer em gastar rapidamente do que poupar”.

O nível de endividamento das famílias brasileiras tem aumentando nos últimos meses, segundo informa a pesquisa PEIC-CNC. Logo, não sobra dinheiro para o lazer, educação, poupança, e muito menos para aplicações no mercado financeiro. Quando sobra algum dinheiro, as pessoas não sabem o que fazer, onde e em que aplicar, e tais dificuldades naturalmente as direcionam para o consumo. Pesquisa do Ibope descobriu que só 2% da população declara ter plano de previdência.

Nas últimas décadas a Educação Financeira vem ganhando espaço e já é tema relevante na maioria dos países, mesmo antes da crise financeira internacional de 2008. Os prejuízos que governos, empresas e famílias sofrem com essas crises, fazem da EF uma prioridade para governos, organismos internacionais, empresas, instituições financeiras e famílias. Há décadas, a EF já vem sendo praticada em países como os EUA, o Reino Unido, a Espanha, o México entre outros, chegando finalmente ao Brasil na década passada.

Portanto, está comprovado que indivíduos com elevado endividamento são mais descuidados, faltam mais ao trabalho, vão mais a médicos e hospitais, se utilizam mais de atestados médicos, se irritam facilmente, se desentendem com mais frequência com familiares e colegas de trabalho, o que reduz substancialmente a produtividade no trabalho com reflexos negativos na produtividade das empresas.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
DEFENDENDO O CONSUMIDOR!
Régis Varão/¹

Para defender o consumidor da possibilidade de abuso, foi promulgada a Lei n° 8.078, de 11.9.90, denominada Código de Defesa do Consumidor-CDC, que estabelece normas de relações entre consumidores e fornecedores de produtos e serviços, e define responsabilidades, padrões de conduta, prazos, danos etc.

CDC conceitua os termos consumidor, fornecedor, produto e serviço, mas que não serão aqui descritos. Mais detalhes podem ser consultados no próprio texto do CDC, ajudando a sanar eventuais dúvidas.

A obra Descomplicando o CDC, da Ed. BestSeller, relaciona algumas práticas abusivas, tais como:

01. As cláusulas que livrem, total ou parcialmente, a responsabilidade do fornecedor quanto a defeitos, e obriguem o consumidor a desistir de seus direitos;

02. Obriguem o consumidor a transferir seus direitos para o fornecedor ou para terceiros, e as que permitem ao fornecedor transferir suas responsabilidades para outras pessoas;

03. Retiram do consumidor o direito de receber de volta a quantia já paga, nos casos previstos no CDC;

04. Estabeleçam obrigações abusivas para o consumidor, deixando-o em desvantagem;

05. Obrigam o consumidor a provar que o produto ou serviço está defeituoso, que foi enganado, ou vítima de omissão;

06. Imponham ao consumidor que, em caso de desacordo entre as partes, será escolhida outra pessoa para dizer quem está certo;

07. Obriguem que outra pessoa represente ao consumidor para concluir ou realizar negócio em seu nome, sem sua aprovação;

08. Estabeleçam que o consumidor terá de cumprir o contrato, e desobrigue o fornecedor de cumpri-lo;

09. Determinem que o fornecedor possa alterar o preço, sem a concordância do consumidor;

10. Instituem que o fornecedor poderá cancelar o contrato, e não assegurem ao consumidor igual direito, e as que autorizem o fornecedor a modificar o contrato após a sua celebração;

11. Obriguem o consumidor a pagar as despesas que o fornecedor tiver para cobrar as prestações em atraso;

12. Infrinjam ou possibilitem a violação de normas ambientais;

13. Conste que o fornecedor não se obrigue a obedecer ao regime de preços administrados, tabelados ou controlados pelo estado;

14. Eximem o fornecedor de assegurar a reposição de peças por período razoável de tempo, nunca inferior à vida útil do produto ou serviço;

15. Estipulem em contrato a perda total das prestações pagas, em benefício do fornecedor, e as cláusulas que proíbam o consumidor de pleitear a extinção do contrato, quando não podem continuar a pagar o combinado;

16. Impeçam o consumidor o direito de liquidar antecipadamente o débito, total ou parcial, mediante redução proporcional dos juros, encargos entre outros, e aquelas que constem a aplicação de índices em desacordo com o que seja legal ou contratualmente permitido;

17. Dificultem a troca de produto impróprio, inadequado, ou de menor valor, por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso, ou a restituição imediata da quantia paga, devidamente corrigida, ou fazer abatimento proporcional do preço, a critério do consumidor;

18. Determinem que o fornecedor não se obriga a reexecutar o serviço, quando cabível, sem custo adicional;

19. Estabeleçam que o fornecedor não tem prazo determinado para iniciar o cumprimento do que combinou ou que não tem prazo certo para concluir o combinado.

Duas outras infrações comuns que são praticadas contra os consumidores:

(a) venda casada, que se dá quando na compra de um produto ou serviço A, o consumidor se vê obrigado a adquirir o produto ou serviço B. Exemplo: cliente só receberá o crédito do banco R&V se adquirir um título de capitalização da instituição;

(b)  a remessa por parte de alguns bancos e lojas de departamento, de produtos e serviços sem a solicitação do consumidor.
Dado a complexidade do tema, o texto aborda apenas uma parte das infrações cometidas contra os consumidores, e que causam grandes desconfortos, quase sempre passíveis de penalidades.

Portanto, aos consumidores, recomenda-se que quando ficarem insatisfeitos com o produto ou serviço adquirido, tentem inicialmente resolver o problema junto ao fornecedor. Não conseguindo acordo, deve-se registrar uma reclamação junto ao PROCON e as associações de defesa do consumidor, podendo, inclusive apelar para o Poder Judiciário como última instância.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 16 de maio de 2017

ATENÇÃO COM SEU DINHEIRO!
Régis Varão/¹

Estamos com 14,2 milhões de desempregados, uma taxa de desocupação de 13,7% em mar/17, segundo o IBGE. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC de abr/17, da Confederação Nacional do Comércio-CNC, estamos com 58,9% das famílias brasileiras endividadas, 24,1% estão com contas ou dívidas em atraso, e 9,7% das famílias não terão condições de pagar suas contas. Por outro lado, embora a inflação e os juros estejam em declínio, as compras em supermercados não estão baratas, os preços de combustíveis continuam elevados, remédios cada vez mais caros, enfim, atenção aos gastos do dia a dia.

Algumas mudanças de hábitos que podem contribuir para uma vida financeira melhor:

(a) Faça planejamento financeiro, elabore um orçamento com receitas e despesas e não esqueça dos pequenos valor;

(b) Liquide a fatura integral do cartão de crédito. Os juros do crédito rotativo que incidem no saldo devedor continuam elevados, mesmo após a mudança verificada a partir de 3.4.17;

(c) Não tenha mais que um cartão de crédito. Ao sair com o cartão de crédito não leve o talão de cheques;

(d) Evite comprar a prazo e não faça parcelamentos, a não ser em caso de necessidade (remédios, despesas hospitalares etc);

(e) Quando for ao supermercado alimente-se primeiro e só compre o que estiver na lista de compras;

(f) Se tiver dívidas utilize o 13º, bonificações natalinas ou receitas extras periódicas para quitá-las. Evite pagar juros;

(g) Se não estiver endividado guarde parte dos ganhos extras para pagar despesas de início de ano como IPTU, IPVA, matrícula, material escolar etc. Compre a vista;

(h) Peça desconto em tudo que for comprar, negocie antes de pagar um bem ou serviço;

(i) Faça pesquisa de preços, existe uma grande diferença entre os fornecedores;

(j) Faça uma reserva financeira para sua aposentadoria, comece com 10% da sua renda líquida;

(k) Com a reforma da previdência que deverá ser aprovada no Congresso Nacional, uma poupança será fundamental para manter a qualidade de vida futura;

(l) Uma sugestão de como sua receita mensal pode ser distribuída sem perder qualidade de vida: aluguel e prestação da casa própria destine até 25% da renda líquida mensal; educação até 14%; supermercado e alimentação até 14%; saúde/beleza pessoal e da família até 14%; financiamento e despesas com carro até 13%; reserva financeira para aposentadoria 10%; lazer 5% e dívidas em geral 5% (máximo).

Portanto, está na hora de pensarmos a respeito de nossa vida financeira presente e futura. Reserve uma quantia ou um percentual da receita líquida para uma reserva financeira, tenha uma renda extra independente do teto estabelecido pelo INSS para viver com qualidade de vida na aposentadoria. Para termos essa renda extra, economize todos os dias, faça poupança, guarde parte de seus proventos para uma reserva de emergência e você estará garantindo um futuro melhor para você e sua família.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 13 de maio de 2017

AUMENTA O ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS!
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas subiu em abr/17, ante o mês anterior, a terceira elevação consecutiva, embora tenha caído frente a abr/16. O total de famílias com contas ou dívidas em atraso também registrou elevação em abr/17 na comparação mensal e anual. O percentual de famílias sem condições de pagar as contas em atraso apresentou pequeno decréscimo em abr/17, ante o mês anterior, mas registrou incremento na comparação anual.

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 58,9% em abr/17, com alta de 1 p.p. em relação a mar/17, mas ficando abaixo do observado em abr/16 (59,6%), segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu de 23,7% em mar/17 para 24,1% no mês seguinte, e registrou crescimento de 0,9 p.p. frente a abr/16. Quanto ao percentual de famílias sem condições de pagar suas contas, e continuam inadimplentes, caiu para 9,7% em abr/17, ante 9,9% do mês anterior, e cresceu 1,5 p.p. ante abr/16 (8,2%).

O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso registrou tendências distintas entre os grupos de renda analisados, apenas na comparação anual. Já na comparação mensal, houve crescimento em ambos os grupos de renda pesquisados. Na comparação anual, foi registrado incremento apenas no grupo com renda até dez salários mínimos (<10 SM). Nessa faixa de renda, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso passou de 26,9% em mar/17 para 27,4% em abr/17. No grupo com renda acima de 10 salários mínimos (>10 SM), o percentual de inadimplentes atingiu 10,5% em abr/17, ante 10,4% no mês anterior e 11,3% em abr/16.

A proporção de famílias que se declararam muito endividadas ficou praticamente estável entre mar/17 (14,2%) e abr/17 (14,3%), um pouco acima do observado em abr/16 com 14,5%. A parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou de 21,3% em mar/17 para 22% em abr/17. A parcela de famílias que declararam pouco endividadas passou de 22,4% em mar/17 para 22,6% no mês seguinte.

Os dados de abril deste ano continuam apontando o cartão de crédito como a preferência das famílias endividadas, sendo apontado por 76,6% das famílias, seguido por carnês de lojas por 15,3%, financiamento de carro (10,6%), crédito pessoal (9,9%), financiamento de casa (8,1%), cheque especial (7,3%), crédito consignado (5,5%) e cheque pré-datado por 1,6%.

Para as famílias com renda <10 SM, o cartão de crédito (77,7%), carnês de loja (16,6%) e crédito pessoal (9,8%), são os principais tipos de dívidas apontados. Já entre as famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida observados em abr/17 foram o cartão de crédito por 71,7%, financiamento de carro (22,4%) e financiamento de casa (19,6%).

Portanto, o endividamento das famílias registrou em abril deste ano a terceira alta mensal consecutiva, o que pode ser explicado, em parte, pela elevação do nível de desemprego da economia, juros ainda elevados, embora em queda, e alta inadimplência.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

VIVA MAIS E MELHOR!
Régis Varão/¹

A correria do dia-a-dia independe de qual região se vive, mas se a localidade for uma metrópole aí a coisa fica um pouco complexa. Podemos listar ou recomendar algumas regras para viver mais e melhor, e que são fundamentais para uma boa qualidade de vida, pois contribuem para aumentar a longevidade, a qualidade de vida e a tranquilidade das pessoas, e na grande maioria das vezes é praticamente de graça.

Uma reflexão deve ser considerada, é o que se refere à expectativa de vida da população, também chamada de esperança de vida ao nascer, que é um índice que indica quantos anos se espera que um ser humano possa viver ao nascer. Alguns fatores relevantes influenciam o desempenho do indicador: qualidade da saúde, da educação, do saneamento básico, da qualidade de vida da população, da qualidade dos serviços públicos e do índice de criminalidade entre outros.

Considerando tais aspectos verificamos que o Brasil tem sérios problemas em todos aqueles setores acima citados, o que coloca a expectativa de vida do brasileiro distante de países como Japão com cerca de 86 anos, Itália (83,1), Espanha com 82,5, França (82,3), Chile (81,2), Alemanha (81), Portugal e Estados Unidos da América, respectivamente com cerca de 80 anos, Uruguai (77,3), Argentina (76), Venezuela (75), Paraguai (74,7) e Colômbia com 74,6 anos.

Vale observar o que determina uma expectativa de vida elevada, em países como Japão, Itália, Espanha, França e até mesmo de um vizinho próximo, o Chile. As pesquisas apontam para a boa qualidade de vida, alimentação balanceada, sistema de saúde eficiente, escolas de qualidade, baixa criminalidade, pouco desemprego, boa qualidade dos serviços públicos como transportes etc. Em todos esses itens o Brasil perde ponto inclusive para alguns países vizinhos.

A expectativa de vida do brasileiro subiu para 75,2 anos em 2014, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo Santa Catarina o estado com maior índice com 78,4 anos entre os cinco melhores classificados, seguido por Distrito Federal com 77,6 anos, Espírito Santo e São Paulo, respectivamente com 77,5 anos, Rio Grande do Sul (77,2 anos) e Minas Gerais com 76,7 anos. Já os estados da federação com pior desempenho são em ordem decrescente: Rondônia e Roraima com respectivamente 70,9 anos, Alagoas (70,8 anos), Piauí (70,7 anos) e o Maranhão com 70 anos em último lugar, grande coincidência, todos do Nordeste.

É possível tornar esses indicadores melhores, mas para que isso ocorra é importante a população, com ou sem ajuda do estado, considerar e pôr em prática esses mandamentos que podem ajudar a obter uma vida longa e saudável, segundo a lista abaixo:

01. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO

A Educação Financeira ajuda pessoas e instituições a compreender a necessidade do planejamento financeiro e seus benefícios ao país, aos setores produtivos, às famílias e à sociedade em geral. Enquanto uma parte dos brasileiros declara saber cuidar de seu dinheiro, outra afirma utilizar algum tipo de controle mensal de receitas e despesas, mas na prática, uma pequena minoria faz planejamento. Esse problema pode ser sentido no crescente nível de endividamento das famílias brasileiras, que tem aumentado nos últimos meses, chegando a 58,9% em abr/17 ante 57,9% observado no mês anterior, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC. Faça uma poupança desde o primeiro emprego e reserve um percentual do salário, dos proventos, do pró-labore, das gratificações natalinas ou dos bônus para uma reserva financeira, o que pode facilitar a vida após os 50 anos. É importante para o sucesso pessoal e familiar fazer planejamento financeiro desde cedo;

02. ECONOMIZE

Uma das grandes fraquezas do ser humano é a tendência a gastar mais do que ganha. Qualquer pessoa bem sucedida sabe que economizar dinheiro é essencial para o triunfo pessoal e familiar. As pessoas não devem simplesmente guardar dinheiro por guardar. Você pode economizar 10% de seus proventos líquidos e ter boa qualidade de vida. Milhões de pessoas vivem com 90% do que ganham e milhares com até 70%. O segredo está na forma como gastam seus rendimentos. Economizar é uma questão de hábito saudável;

03. PRATIQUE EXERCÍCIOS FÍSICOS

Se o problema for tempo, 30 ou 45 minutos de exercícios físicos diários já são suficientes para ajudar a manter boa forma física, além de melhorar a coordenação, o humor, o sono, controla o peso, reduz a ansiedade e estimula as funções respiratórias e cardiovasculares. Por outro lado, academia tem custo, mas se tiver folga orçamentária encontre tempo para uma caminhada três vezes por semana, é de graça e ajuda a prevenir doenças cardiovasculares entre outras;

04. ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E LONGEVIDADE

Com o passar dos anos, verificam-se alterações fisiológicas e biológicas que afetam a alimentação e a nutrição das pessoas com mais idade. Assim, uma alimentação saudável ajuda a manter o peso corporal adequado e prevenir contra anemias, diabetes, osteoporose etc. Muitos especialistas falam na coloração do prato e fique atento para ingerir muita água e comer frutas, verduras, legumes, grãos e folhas todos os dias. Alimentos grelhados e cozidos são mais saudáveis, fuja das frituras, massas em excesso, carnes vermelhas e gorduras. Carnes vermelhas e brancas devem ser consumidas em iguais proporções e tenha predileção por peixe, que contém Ômega 3, faz bem a saúde e ajuda a reduzir os índices de colesterol;

05. DURMA BEM

Uma boa noite de sono é fonte de saúde, logo, durma o suficiente para ter as energias repostas para o dia seguinte, mas não esqueça que dormir muito não implica em dormir bem. Tem gente que dorme pouco e fica bem, enquanto outros ficam muito tempo na cama e acordam como se tivessem dormido muito pouco. Cada organismo tem a quantidade de sono ideal, mas se ficar muito tempo na cama e acordar com sono, procure um especialista, ele pode ser útil;

06. BEBA POUCO E NÃO FUME

Dois péssimos hábitos que devem ser combatidos definitivamente ou reduzido substancialmente. No caso das bebidas com álcool, se beber, faça com moderação, já com relação ao cigarro o ideal é parar de vez, segundo alguns médicos, parar de fumar é uma atitude de amor próprio e respeito ao próximo;

07. MANTENHA O PESO SOB CONTROLE

Muitos se enganam pensando que para manter o peso ideal, comer pouco é o correto, mas a regra é comer o bastante, reduzindo a quantidade de sal, e controle do peso, pois os índices de obesidade têm se elevado. Excesso de peso, além dos inconvenientes normais (prejudica joelho, calcanhar etc), é fator de risco à saúde e pode provocar doenças como câncer e hipertensão;

08. FAÇA CHECK-UPS PERIÓDICOS

Tenha um plano de saúde que cubra todas as despesas médicas, odontológicas e hospitalares, assim, faça pelo menos duas vezes ao ano check-ups médicos e odontológicos preventivos. Segundo o site Boa Saúde, antigamente, existiam duas ideias que tentavam explicar a associação entre exercício físico e saúde: a primeira defendia que alguns indivíduos apresentavam uma predisposição genética á prática de exercício físico, já que possuíam boa saúde, vigor físico e disposição mental; a outra dizia que a atividade física representava um estímulo ambiental responsável pela ausência de doenças, saúde mental e boa aptidão física. Na atualidade, sabe-se que os dois conceitos são importantes e se relacionam;

09. UMA TAÇA DE VINHO TINTO

Os estudos científicos têm demonstrado que tomar uma taça de vinho tinto, cerca de 180 ml, por dia traz benefícios ao coração. Alguns gostam de citar os franceses, que embora tenham uma alimentação com muita manteiga e leite, eles têm um dos mais baixos níveis de infarto, devido ao hábito de tomar as refeições acompanhadas de uma taça de vinho tinto, apenas uma taça, não uma garrafa;

10. SEJA OTIMISTA

Ser otimista é quase uma obrigação, pois os efeitos de sentimentos negativos como angústia, rancor, raiva, tristeza e outros, são rejeitados por parte da sociedade, além de não ajudar no crescimento pessoal e profissional. Os impactos dessas emoções na saúde física e emocional são ruins, e aí temos um especialista, o psicólogo norte-americano Martin Seligman, um dos pais da psicologia positiva, que advoga que sentimentos como otimismo, gratidão, generosidade, gentileza e bom humor quando exercidos com frequência ajudam a sensação de bem-estar, que é importante para a qualidade de vida e eleva a longevidade. Quem tem atitudes otimistas é menos propenso a desenvolver doenças;

11. MANTENHA RELAÇÕES SOCIAIS

Uma rede de amigos está comprovada que é saudável e evita muitas doenças. Um expresso ou um vinho no final da tarde, almoço com os amigos pelo menos uma vez por mês ajuda a colocar a conversa em dia. Está comprovado que as pessoas que têm razoável quantidade de amigos e investe em atividades sociais vivem mais e melhor;

12.  APRENDA ALGO NOVO

Isso é válido para todas as idades e uma necessidade para os maiores de cinquenta anos. Ler, fazer cursos, estudar algo novo é muito bom para manter a mente sempre ativa e lúcida. As pessoas com mais idade, seus cérebros tendem a armazenar menor volume de informações, logo, para evitar tais problemas é importante sempre estar aprendendo algo novo. Eu cursei direito aos 50 anos, aposentei-me do serviço público federal e montei uma consultoria de finanças pessoais além de ter feito vários cursos de coaching.

Portanto, se as pessoas se preocuparem em fazer planejamento financeiro, fazer uma reserva para a aposentadoria, praticarem gentileza, pensarem positivo, serem gratas, praticarem exercícios físicos diários, beberem comedidamente, manter contatos sociais frequentes e ter uma alimentação saudável, com certeza terão vida longa, saudável e prazerosa.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.