sexta-feira, 11 de agosto de 2017

AUMENTA A CONFIANÇA DO BRASILEIRO NAS PESSOAS
Régis Varão/¹

O nível de confiança dos brasileiros aumenta quanto mais próximo da convivência diária é o grupo avaliado, cresce entre familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho e, por último, nas pessoas em geral, afirma a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira-RBS, da Confederação Nacional da Indústria-CNI. Enquanto 91% dos entrevistados afirmam ter muita ou alguma confiança em pessoas da família, 78% confiam muito nos amigos, 67% nos vizinhos, 67% nos colegas de trabalho/escola e apenas 59% na maioria das pessoas. A confiança aumentou nos últimos cinco anos, principalmente para os grupos sociais mais distantes, como maioria das pessoas e colegas de trabalho e escola, afirma a pesquisa.

Cabe observar que a melhoria na confiança em colegas de trabalho ajuda a desenvolver trabalho em grupo e o aumento da confiança nas pessoas em geral pode, no longo prazo, contribuir para diminuir a burocracia, com a queda da necessidade de comprovações e garantias, afirma a pesquisa.

Segundo o relatório da CNI, “Apesar da melhora da confiança em grupos sociais definidos, a grande maioria dos brasileiros (91%) acredita que a maioria das pessoas querem tirar vantagem ao invés de agir de maneira correta. Essa percepção aumentou entre 2012 e 2017, provavelmente influenciada pelos seguidos escândalos de corrupção”.

De acordo com a pesquisa, a confiança dos brasileiros é maior nas pessoas que pertencem a grupos sociais mais próximos:

(a) Com relação a família: 55% afirmam ter muita confiança e 36% alguma confiança (total de 91%);
(b) Com relação a amigos:  25% tem muita confiança e 53% alguma confiança (78%);
(c) Com relação a vizinhos: 15% tem muita confiança e 52% alguma confiança (67%);
(d) Com relação a colegas de trabalho/escola: 14% tem muita confiança e 53% alguma confiança (67%); e
(e) Com relação a maioria das pessoas: 6% tem muita confiança e 53% tem alguma confiança (total de 59%).

Nos últimos cinco anos, entre 2012 e 2017, a confiança dos brasileiros aumentou para a maioria dos grupos sociais avaliados. O único grupo em que se verifica declínio da confiança é o de pessoas da família, para o qual o percentual de muita confiança caiu 18 p.p., de 73% para 55% naquele período:

(a) Com relação a família: o indicador muita confiança decresceu de 73% em 2012 para 55% em 2017, -18 p.p.;
(b) Com relação a amigos: o indicador muita confiança subiu de 18% em 2012 para 25% em 2017, +7 p.p.;
(c) Com relação a vizinhos: o indicador cresceu de 11% em 2012 para 15% em 2017, +4 p.p.;
(d) Com relação a colegas de trabalho/escola: subiu de 9% em 2012 para 14% em 2017, +5 p.p.; e
(e) Com relação a maioria das pessoas: o indicador muita confiança manteve-se estável em 6% em 2012 e 2017.

Entre os brasileiros, a pesquisa afirma - dados de mar/17 - que 91% acreditam que a maioria das pessoas quer tirar vantagem, ao invés de agir de maneira correta, apenas 7%. Em set/12, o percentual que acreditava que a maioria das pessoas quer tirar vantagem estava em 82%, enquanto 16% agiam de maneira correta. A resposta sobre a forma de agir do brasileiro pode estar sendo influenciada pelos escândalos de corrupção nos últimos anos, que atingem pessoas do governo, parlamentares e empresas públicas e privadas.

As regiões Norte/Centro-oeste, que em 2012 apresentavam maior percentual de entrevistados que acreditava que a maioria das pessoas age de maneira correta, caiu 17 p.p., passando de 26% para 9% na atual pesquisa. Com essa retração, essas regiões empatam com as demais regiões do país, quando considerada a margem de erro da pesquisa.

Portanto, em cinco anos, temos uma piora da percepção em relação à forma de agir do brasileiro e quanto à confiança do brasileiro para grupos sociais, ressaltando, no entanto, que embora a pesquisa indique melhora da confiança em grupos sociais definidos, um percentual elevadíssimo de 91% acredita que a maioria das pessoas querem tirar vantagem ao invés de agir de maneira correta.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO DO COMÉRCIO CAI EM JULHO
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), apurado e divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), atingiu 101,5 pontos em jul/17, registrando declínio de 0,4% ante o mês anterior, e subiu 16,7% na comparação anual. O ICEC detecta as tendências do setor, do ponto de vista do empresário. A amostra utilizada na pesquisa é composta por cerca de 6.000 empresas situadas nas capitais do País, e os índices, apurados mensalmente, apresentam dispersões que variam de 0 a 200 pontos.

Segundo Izis Ferreira, da CNC, “O acirramento da crise política reduziu a confiança dos comerciantes nos dois últimos meses, uma vez que predominam incertezas quanto à velocidade do ajuste fiscal. Sinais de retomada gradual das vendas do varejo no curto prazo, no entanto, fortalecem o cenário de um desempenho mais favorável do comércio em 2017”.

O indicador que mede a percepção dos comerciantes sobre as condições correntes atingiu 72 pontos, aumento de 0,2% entre junho e jul/17, na série com ajuste sazonal. Na comparação anual registrou expressivo incremento de 67,7%.

Após cinco meses de crescimento, a percepção dos varejistas quanto às condições atuais da economia (-1,1%) e do desempenho do setor no comércio (-0,6%) piorou em jul/17. Na comparação com jul/16, no entanto, as avaliações desses dois itens seguem subindo de forma significativa, com 95,6% e 49,1%, respectivamente.

Ainda de acordo com Izis Ferreira, da CNC, “O desempenho mais favorável das vendas do comércio na base de comparação anual segue sustentando a melhora das avaliações correntes no ano. Esse movimento tem sido influenciado pela queda dos preços do varejo e pela redução dos juros e do custo do crédito para os consumidores.

O único item superior aos 100 pontos do corte de indiferença, foi o que afere as expectativas do empresário do comércio, que cresceu 1,1% em jul/17 ante o mês anterior e subiu 4,9% na comparação anual. As expectativas para o curto prazo quanto ao desempenho da economia com +1,3%, do comércio com +1,3% e da própria empresa com +0,8% apresentaram melhora em jul/17, mesmo considerando as incertezas na política. Na comparação com jul/16, as expectativas também subiram (+4,9%). Para 75,8% dos entrevistados, a economia vai melhorar nos meses futuros. Em jun/17, esse percentual atingiu 77,8%, e 81,4% em maio.

O subíndice que mede as intenções de investimento do comércio registrou nova queda em jul/17, -1,2% com ajuste sazonal, chegando a 87,7 pontos. Nessa base de comparação, destacou-se o desempenho negativo da intenção de contratar funcionários com -2,1%. Na comparação anual, o indicador cresceu 9,7%, pressionado pelas intenções de investimento nas empresas (14,6%), contratação de funcionários (7,8%) e em estoques (1,8%).

Para 29,4% dos comerciantes consultados em jul/17, o nível dos estoques está acima das expectativas de vendas, mesma proporção do mês anterior. Segundo a CNC, “sinais de retomada gradual das vendas do varejo no curto prazo fortalecem o cenário de um desempenho mais favorável neste ano”. Apesar dos impactos positivos da liberação antecipada dos recursos do FGTS ser temporário, a CNC estima um volume de vendas maior em 2017, cerca de +1,6%.

Portanto, as condições econômicas atuais (57,1% das famílias endividadas, segundo a PEIC de jul/17) e o aumento da crise política contribuíram para a queda na confiança dos empresários do comércio nos últimos meses. Por outro lado, a liberação dos depósitos do FGTS possibilitou uma pequena folga para o setor, que ainda aguarda medidas de ajustes na área fiscal.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

CONSUMIDOR BRASILEIRO MENOS CONFIANTE EM JULHO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) reflete o sentimento dos consumidores com relação à situação atual e as expectativas para os próximos meses.

O nível de confiança do consumidor registrou 99,5 pontos em julho, distante da média histórica de 108,4 pontos do INEC. É o menor valor observado desde dez/16. O valor de jul/17 encontra-se 8,21% abaixo da média histórica do índice, mostrando que a confiança do consumidor continua em patamar muito baixo.

Entre os componentes do INEC, as variáveis de tendência futura, que avaliam as expectativas para os próximos seis meses, apresentaram declínio em jul/17 ante o mês anterior, com destaque para o índice de expectativa de desemprego. No caso específico, quanto menor o índice, maior a expectativa de aumento do desemprego.

Os índices de expectativa de compras de bens de maior valor, inflação e renda pessoal recuaram em jul/17, ante junho. No sentido inverso, as variáveis que aferem a situação atual, isto é, que comparam o presente com os três meses anteriores, apresentaram incremento.

O índice que mede o endividamento cresceu em jul/17, e o que afere a situação financeira avançou em jul/17 ante o mês anterior. Nesse caso, quanto maior o índice, melhor a situação financeira e menor o endividamento.

O INEC revela que a confiança do consumidor oscilou nos últimos oito meses, se mantendo em patamar baixo, logo, incapaz de estimular uma recuperação do consumo e impactar positivamente a atividade industrial. No período jan-jul/17 a média do INEC está em 102,03 pontos, -5,9% abaixo do valor da média histórica.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de desemprego: a expectativa de desemprego apresenta declínio em jul/17 (106,5 pontos) de 5,25%, ante o mês anterior, e queda de 5,33% com relação a igual período de 2016 (112,5 pontos). O recorde histórico para um mês de julho é 132,5 pontos observado em jul/10;

(b) Expectativas de Compras de Bens de Maior Valor: quanto ao indicador, houve declínio nas duas bases de comparação, com decréscimo de 1,7% em jul/17 (109,7 pontos) frente ao mês anterior, e queda de 2,58% ante igual período de 2016. O melhor desempenho do indicador para um mês de julho foi em jul/13 quando atingiu 114,1 pontos;

(c) Expectativa de Inflação: o índice registra decréscimo de 1,48% em jul/17 (106,4 pontos) com relação ao mês anterior, e cai 1,3% ante jul/16. O maior valor registrado na série histórica para um mês de julho foi em jul/10 (118,9 pontos);

(d) Expectativa de Renda Pessoal: o índice também apresenta decréscimo de 0,66% em jul/17 (90,8 pontos) ante o mês anterior, e declina 2,05% com relação à jul/16 (92,7 pontos). O valor observado em julho deste ano, continua distante do observado em jul/10 (116,1 pontos), quando foi observado o maior valor para um mês de julho;

(e) Endividamento: o indicador apresenta elevação de 2,05% em jul/17 (94,8 pontos) ante o mês anterior, e redução de 0,32% na comparação anual. O maior valor observado para um mês de julho foi em jul/10 quando registrou 113 pontos;

(f) Situação financeira: a situação financeira dos consumidores apresenta crescimento de 1,14% em jul/17 (88,9 pontos) ante o mês anterior, e declínio de 2,02% com relação a jul/16. Em jul/10 atingiu 116,5 pontos, um recorde desse indicador para um mês de julho.

Portanto, a confiança do consumidor brasileiro continua abaixo do valor observado na série histórica, com impactos no consumo e indiretamente na atividade industrial. Temos um quadro geral desanimador, em especial para as expectativas de desemprego e endividamento do consumidor, com possibilidades remotas de melhora no curto prazo.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

PIB COM CRESCIMENTO ESTÁVEL EM 2017 E 2018
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada hoje pelo Banco Central-BCB manteve inalterada a projeção de quatro variáveis para 2017 e seis para 2018, de um total de quinze. A seguir, os principais indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o relatório Focus de 4.8.17 elevou a estimativa do índice para 3,45% em 2017, abaixo da meta de inflação (Res. nº 4.419), ante 3,38% observado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 5.8.16 apontava 5,14% para este ano. O relatório de 4.8.17 indica variação positiva do IPCA de 4,20% para 2018, enquanto o boletim de 5.8.16 não relaciona as expectativas do mercado para aquele ano;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 4.8.17 reduz para -0,87% a projeção do índice para este ano, de -0,36% registrada há um mês, enquanto o relatório de  5.8.16 reduziu a expectativa do mercado para 5,53% para 2017. O boletim de 4.8.17 aponta variação positiva de 4,50% do IGP-DI para 2018, valor observado nas últimas dezesseis semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 4.8.17, divulgado hoje, reduz a expectativa do mercado para R$/U$3,25, ante R$/U$3,35 há trinta dias, para o final de 2017. Para 2018, o relatório divulgado hoje aponta câmbio de R$/U$3,40. Há um ano, a projeção do mercado indicava uma taxa de câmbio de R$/U$3,50 para 2017, R$/U$0,25 acima do divulgado no boletim desta semana;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o relatório Focus de 4.8.17 reduz a estimativa da taxa de juros para 7,50% a.a. para o final de 2017, de 8,25% a.a. observado há um mês. O boletim de  5.8.16 indicava juros de 11% a.a. para 2017, um significativo decréscimo 3,50 p.p. em 12 meses. Já para 2018, o boletim divulgado hoje indica 7,50% a.a. frente a 8% a.a. registrado há quatro semanas. Ao longo das últimas semanas o mercado vem reduzindo suas expectativas quanto ao comportamento dos juros para 2017 e 2018;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa Focus de 4.8.17 mantém estável em +0,34%, nas últimas 4 semanas, o crescimento do PIB para este ano, enquanto a pesquisa de  5.8.16 trabalhava com crescimento de 1,10% para 2017. Para o final de 2018, a pesquisa divulgada hoje projeta crescimento de 2%, mantendo esse percentual nas últimas cinco semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado hoje reduz a estimativa da atividade industrial para 0,81%, de +0,84% para 2017, observado há quatro semanas. Com relação à pesquisa de  5.8.16 a projeção para a indústria em 2017 estava em +0,50%. Para 2018, o Focus de 4.8.17 reduz o crescimento da indústria para +2,06%, de +2,30% registrado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 4.8.17 mantém a projeção do superávit comercial em U$60 bilhões para 2017, de U$59,50 bilhões divulgado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de  5.8.16 estimava superávit de U$50 bilhões. Para 2018, o Focus divulgado hoje eleva a projeção do mercado para U$47,61 bilhões, de U$46,50 bi registrados há quatro semanas;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): boletim de 4.8.17 mantém a estimativa do IDP em U$75 bilhões para 2017, valor observado nas últimas seis semanas, enquanto o relatório de  5.8.16 apontava estimativa de U$65 bilhões para 2017. A pesquisa de 4.8.17 mantém em U$75 bilhões a projeção do IDP para 2018, valor observado nas últimas seis semanas.

Portanto, a gradual queda da inflação e dos juros, o declínio do desemprego e a queda da taxa de câmbio ainda não são suficientes para melhorar as condições de curto prazo da economia brasileira. A rejeição da denúncia contra o presidente da república pela Câmara dos Deputados, deu alívio momentâneo ao governo, que agora trabalha para aprovar a reforma da previdência. O governo está pressionado pela gravíssima situação fiscal, uma bomba a explodir a qualquer hora e com graves reflexos nos diversos setores da economia. O elevado preço do ajuste será pago por todos.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

domingo, 6 de agosto de 2017

AUMENTA O MEDO DO DESEMPREGO
Régis Varão/¹

Os brasileiros continuam preocupados com o desemprego, ou melhor com medo de perderem o emprego, o que pode ser explicado pelo contingente de 13,5 milhões de desempregados no País, que associado à inadimplência e ao elevado endividamento das famílias tendem a fortalecer essa percepção.

O Índice de Medo do Desemprego-IMD subiu entre março e jul/17, o quarto maior valor da série histórica, e caiu quando comparado a jun/16, enquanto o Índice de Satisfação com a Vida-ISV cresceu em ambas as bases de comparação, segundo a pesquisa Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria-CNI.

O Índice de Medo do Desemprego-IMD apresentou incremento de 1,8 ponto entre março e jul/17, e decresceu 1,8 ponto frente a jun/16. As mulheres apresentaram maior crescimento de medo do desemprego ao subir 2,5 pontos entre março e jul/17, enquanto do sexo masculino, em igual período, subiu 1,4 ponto.

Por faixa de idade, o medo do desemprego apresentou o seguinte comportamento entre março e jul/17: (a) Faixa de 16 a 24 anos: subiu 3,5 pontos; (b) 25 a 34 anos: caiu 0,5 ponto; (c) 35 a 44 anos:  decresceu 2,2 pontos; (d) 45 a 54 anos: subiu 3,4 pontos; e (e) 55 anos ou mais: cresceu 5,3 pontos.

Com relação as regiões pesquisadas, a alta mais expressiva do medo do desemprego se verificou nas regiões Norte/Centro-Oeste, onde o medo do desemprego subiu de 57,3 pontos em mar/17, para 66,9 pontos em jul/17, alta de 9,6 pontos. A única região no país em que o medo do desemprego em jul/17 é maior que o verificado em jun/16. O IMD caiu 4,4 pontos no Nordeste, embora tenha apresentado variação positiva nas regiões Sudeste (+2,9 pontos) e Sul (+2 pontos), entre março e jul/17.

Analisando o IMD quanto a renda familiar, aferida em Salários Mínimos (SM), no período entre março e jul/17, temos: (a) Mais de 5 SM: subiu 1,6 ponto; (b) Mais de 2 a 5 SM: cresceu 0,6 ponto; (c) Mais de 1 a 2 SM: mais 1 ponto; e (d) até 1 SM: variação positiva de 0,9 ponto.

O Índice de Satisfação com a Vida-ISV apresentou elevação de 0,3 ponto em jul/17 ante mar/17, e registrou variação positiva de 1,4 ponto frente a jun/16. Pessoas do sexo masculino apresentaram elevação de 1,1 ponto com o nível de satisfação com a vida entre março e jul/17, enquanto as do sexo feminino registraram queda de 0,3 ponto naquele período. O comportamento do ISV quanto ao sexo, talvez possa ser explicado pelo fato do sexo masculino apresentar crescimento menor com relação ao medo do desemprego (+1,4 pontos) e o feminino tenha subido 2,5 pontos no período entre março e jul/17.

Por faixa de idade, a satisfação com a vida apresentou o seguinte desempenho entre março e jul/17: (a) Faixa de 16 a 24 anos: caiu 0,3 ponto; (b) 25 a 34 anos: decresceu 1 ponto; (c) 35 a 44 anos: subiu 1,1 ponto; (d) 45 a 54 anos: cresceu 1,5 ponto; e (e) 55 anos ou mais: alta de 0,2 ponto.

Quanto as regiões pesquisadas, no período entre março e jul/17, a região Sul apresentou o melhor desempenho quando cresceu 2,4 pontos e subiu 3 pontos na comparação com jun/16. A região Nordeste registrou o segundo lugar ao crescer 1,1 ponto entre março e jul/17. As regiões Norte/Centro-Oeste (-0,7 pontos) e Sudeste com -0,4 ponto apresentaram declínio naquele período.

Avaliando o desempenho da satisfação com a vida no quesito renda familiar, aferida em Salários Mínimos (SM), no período entre março e jul/17, temos: (a) Mais de 5 SM: subiu 2,3 pontos; (b) Mais de 2 a 5 SM: cresceu 1,1 ponto; (c) Mais de 1 a 2 SM: registrou elevação de 0,9 ponto; e (d) até 1 SM: variação negativa de 0,5 ponto.

Portanto, o medo de perder o emprego é mais forte entre trabalhadores do sexo feminino, faixa de idade acima de 55 anos, enquanto a região Norte/Centro-Oeste se destaca com alto percentual de trabalhadores com medo do desemprego e com renda familiar até 5 SM. Por outro lado, o índice de satisfação com a vida reforça o comportamento das estatísticas de medo do desemprego,  ao indicar os trabalhadores do sexo masculino com maior nível de satisfação com a vida no período analisado.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS AUMENTA EM JULHO
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas subiu em julho de 2017, e apresentou queda na comparação anual. Com relação ao percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso houve decréscimo na comparação mensal, após cinco meses consecutivos de incremento, e subiu frente a jul/16. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso decresceu ante jun/17 e subiu frente a jul/16, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

De acordo com Bruno Fernandes, da CNC, “Apesar de ter aumentado em julho, o percentual de famílias com dívidas registrou queda na comparação com o mesmo período do ano anterior, apontando um ritmo ainda fraco de concessão de empréstimos e financiamentos para as famílias, mesmo após o processo de queda das taxas de juros.”

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro passou de 56,4% em jun/17 para 57,1% no mês seguinte, e caiu 0,6 p.p. quando comparado a jul//16.

A elevação do endividamento foi observada em ambas as faixas de renda, na comparação mensal. Na comparação anual, as famílias com rendimento acima de dez salários mínimos (>10 SM) apresentaram declínio, enquanto houve estabilidade nas famílias com renda até 10 salários mínimos (<10 SM). Para as famílias com renda <10 SM, o endividamento atingiu 59% em jul/17, ante 58,7% em jun/17 e 59% em jul/16. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de endividamento passou de 45,5% em jun/17 para 48,4% no mês seguinte. O percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda atingiu 50,5% em jul/16.

Apesar da elevação do endividamento das famílias em jul/17, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu entre junho (24,3%) e jul/17 (24,2%), mas subindo 1,3 p.p. com relação a jul/16.

O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendência distinta entre os dois grupos de renda. Na comparação mensal, houve queda nos dois grupos pesquisados, mas apenas a parcela >10 SM apresentou queda na comparação anual. Na faixa <10 SM, o percentual de famílias com contas/dívidas em atraso caiu de 27,6% em jun/17 para 27,5% no mês seguinte. Em jul/16, 25,5% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso, enquanto no grupo com renda >10 SM, a inadimplência atingiu 10,3% em jul/17, ante 10,8% observado em jun/17 e 11,6% em jul/16.

O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e, permaneceriam inadimplentes, apresentou redução na comparação mensal quando passou de 9,6% em jun/17 para 9,4% em jul/17, mas na comparação anual subiu 0,7 p.p.

O percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas em atraso também mostrou tendência distinta entre os grupos de renda pesquisados. Na faixa >10 SM, o indicador chegou a 3,2% em jul/17, ante 3,5% no mês anterior. Em jul/16, o indicador alcançou 3,9%. Para o grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos declinou de 11,2% em jun/17 para 10,9% no mês seguinte. Em relação a jul/16, houve alta de 1,1 p.p.

O percentual das famílias que se declararam muito endividadas registrou alta nos meses de jun/17 (13,8%) a jul/17 (14%). Já na comparação anual, entretanto, houve queda de 0,7 p.p. Na comparação entre jul/16 e jul/17, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada subiu de 20,2% para 21,2%, e a parcela pouco endividada caiu de 22,8% para 21,9% do total de famílias.

O cartão de crédito foi apontado como um dos principais tipos de dívida por 76,8% das famílias endividadas, seguido de carnês de lojas (15,4%), crédito pessoal (11%), financiamento de carro (10,1%),  financiamento de casa (8%), cheque especial (6,4%), crédito consignado (5,7%) e cheque pré-datado (1,3%).

Duas características a serem observações: a liderança do cartão de crédito, onde são praticados os juros mais elevados do setor bancário, e a baixa preferência das famílias pelo crédito consignado que pratica as menores taxas do mercado, mostram o completo desconhecimento dos rudimentos básicos de finanças pessoais pelas famílias brasileiras.

Portanto, embora o endividamento das famílias tenha aumentado em jul/17, na comparação mensal, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso e as sem condições de pagar suas contas registrou declínio. A grande dificuldade em manter as contas em dia e a perspectiva pouco animadora quanto à capacidade de pagamento das famílias no curto prazo, podem estar atreladas ao elevado custo do crédito e aos 13,5 milhões de desempregados.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

PERDEU O EMPREGO, OBSERVE ESSAS DICAS!
Régis Varão/¹

O Brasil enfrenta a maior crise sócio-político-econômica das últimas décadas, com 13,5 milhões de pessoas desocupadas, taxa de desocupação em 13%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, inadimplência e endividamento das famílias elevados, e com perspectivas nada promissoras no curto prazo.

O endividamento das famílias brasileiras apontado na Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), de jun/17, atinge 56,4%, enquanto o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso está em 24,3%. O cartão de crédito lidera o endividamento das famílias com 76,9% das preferências, seguido por carnês de loja (15,2%), crédito pessoal (11,1%) e financiamento de carro (10,1%). Embora os juros do crédito rotativo do cartão de crédito sejam os mais elevados juros do setor financeiro, a falta de educação financeira do brasileiro leva a esse absurdo tipo de preferência. Sob qualquer critério de análise, os juros praticados pelo setor bancário nacional para os devedores de cartão de crédito e cheque especial, são elevadíssimos. Sem exagero é quase uma agiotagem permitida, tendo em vista que os bancos têm liberdade para cobrar essas taxas.

A perda do emprego, além de ser uma situação inesperada, elimina a principal fonte de renda das famílias, com reflexos negativos no emocional do desempregado, exige mudança de hábitos e mais que isso obriga quem perde o emprego a repensar sua vida, isto é sua estrutura de gastos, e como resolverá os problemas financeiros decorrentes do desemprego, como aluguel, empréstimos e financiamentos bancários, despesas com educação de filhos, compras de supermercado, água, luz, transporte etc.

É importante conversar com a família, inclusive os filhos, e pensar no que será feito nos meses seguintes, de modo que os recursos recebidos pela demissão sejam priorizados para dívidas - se endividado - com juros mais elevados, e planeje os gastos para os próximos meses, sempre priorizando prestação da casa, água, luz, supermercado, educação e outras despesas realmente importantes.

Planeje os próximos meses de maneira que os recursos durem no máximo até obter outro emprego, que segundo as estatísticas apontam que o prazo de obtenção de recolocação no mercado é de seis meses em média. Os recursos recebidos quando da demissão podem dar uma noção errada de ter muito dinheiro, mas tenha muito cuidado, todos os meses existem contas a pagar.

É importante observar as dicas relacionadas a seguir, que poderão ser úteis para que os recursos financeiros recebidos pela rescisão do contrato de trabalho dure o maior tempo possível:

1. Reúna a família, inclusive os filhos menores, e discuta os ajustes no orçamento considerando a nova realidade. A receita nesse caso já está disponível, então relacione todas as despesas fixas e as variáveis e após conhecer melhor a estrutura de despesas, reduza o que puder e faça cortes quando necessário;

2. Você e sua família devem mudar alguns hábitos e tenham consciência de que a mudança será temporária. Internalize essa nova atitude, quanto maior for o esforço de cada um, maiores serão os resultados;

3. Procure novas alternativas de renda para suprir a falta do emprego. Reveja e discuta com sua família as suas habilidades e pesquise diversas opções para ganhar dinheiro. Nesse momento atual de sua vida, uma renda extra é importante. Comece por atividades que estejam vinculadas às suas aptidões e habilidades, aquilo que você faz de melhor e gosta de fazer. As mulheres têm preferência por venda de roupas, bijuterias, sapatos, artesanato, comidas, cosméticos e outros itens de catálogo. Já os homens costumam oferecer serviços quando buscam uma renda extra, dar aulas, consertar coisas, ajudar em mudanças, serviços de carpintaria, pedreiro, jardinagem e pintura, e os que tem hobby como fotografia e música, podem trabalhar em casamento, festas etc;

4. Faça um planejamento para as dívidas em atraso, e além de priorizar as mais caras (cartão de crédito e cheque especial) tente renegociar com os credores para evitar o acúmulo de parcelas vencidas e os efeitos da incidência de juros. Veja também como estão os débitos com carnês de lojas, financiamento imobiliário, empréstimos bancários e descarte rapidamente a utilização do que for desnecessário;

5. Elimine as compras por impulso e antes de “tentar” comprar algo utilize a regra dos 3 SIM’s que leva a pessoa a se fazer três perguntas: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Apenas uma resposta negativa já é suficiente para não adquirir o bem ou serviço, e por último, fuja de promoções e supérfluos;

6. Muitos cometem equívocos ao pensar que pequenos valores não são importantes no total das despesas mensais. Um simples café expresso de R$6,00, tomado todo dia custa R$180,00 ao mês, e atinge R$2.160,00 no ano, um lanche diário de R$9,00 custa R$270,00 ao mês e R$3.240,00 no ano. Junte-se a eles o cigarro, a cerveja com os amigos, o cinema e temos um valor elevado que pode fazer falta para comprar produtos necessários;

7. Ao sair de casa saia alimentado, nunca vá a supermercado com fome, evite que o medo e a ansiedade o façam tomar decisões equivocadas que podem levá-lo ao endividamento. Programe suas compras, restrinja-se ao orçamento e evite promoções. Observando isso tudo você evita que seu nome seja negativado.

Portanto, faça planejamento financeiro, fique atento aos juros cobrados em empréstimos e financiamentos bancários, não pague o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, negocie o mais rápido possível suas dívidas, busque alternativas fora do setor bancário para quitar as dívidas, como reduzir gastos, economize todos os dias e seja um consumidor consciente e não se lamente nunca, o desemprego pode bater na porta de qualquer pessoa, logo, vá em frente e tente conseguir uma nova colocação. Se ficar em casa descansando o emprego não vai a tua procura. Seja ativo e nunca desista.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

CRESCIMENTO DO PIB FICA ESTÁVEL EM 2017
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada no início da semana pelo Banco Central-BCB manteve inalterada a projeção de dez variáveis para 2017 e oito para 2018, de um total de quinze. A seguir, a análise dos principais indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o relatório Focus de 28.7.17 corrige para baixo a estimativa do índice para 3,40% em 2017, abaixo da meta de inflação (Res. nº 4.419, de 25.6.15), ante 3,46% observado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 29.7.16 apontava 5,20% para este ano. O boletim de 29.7.16 não relaciona as expectativas do mercado, para 2018, das variáveis pesquisadas;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 28.7.17 reduz para -0,86% a projeção do índice para este ano, de 0,34% registrada há um mês, enquanto o relatório de 29.7.16 mantém a expectativa do mercado em 5,55% para 2017. O boletim de 28.7.17 aponta variação positiva de 4,50% do IGP-DI para 2018, valor observado nas últimas quinze semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 28.7.17, divulgado nesta segunda-feira, mantém a expectativa do mercado em R$/U$3,30, ante R$/U$3,35 há trinta dias, para o final de 2017. Há um ano, a projeção do mercado indicava uma taxa de câmbio de R$/U$3,50 para 2017, R$/U$0,20 acima do divulgado no boletim desta semana;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o relatório Focus de 28.7.17 mantém a estimativa da taxa de juros em 8% a.a. para o final de 2017, de 8,50% a.a. observada há um mês. O boletim de 29.7.16 indicava juros de 11% a.a. para 2017, um significativo decréscimo 3 p.p. em 12 meses. Já para 2018, o boletim desta semana indica 7,75% a.a. frente a 8,25% registrado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa Focus de 28.7.17 mantém estável em +0,34% o crescimento do PIB para 2017, ante +0,39% observado há trinta dias. A pesquisa de 29.7.16 trabalha com crescimento de 1,10% para 2017. Já para 2018, a pesquisa divulgada nesta semana projeta crescimento de 2% para o final do próximo ano, mantendo esse percentual nas últimas quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado nesta semana mantém estável - duas últimas semanas - em 0,83% o crescimento da atividade industrial para 2017, ante 0,66% divulgado há quatro semanas. Com relação à pesquisa de 29.7.16 a projeção para o crescimento industrial em 2017 estava em +0,75%. Para 2018, o Focus de 28.7.17 reduz o crescimento da indústria para +2,22%, de +2,30% apresentado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 28.7.17 eleva a projeção do superávit comercial para U$60 bilhões em 2017, de U$58,75 bilhões divulgado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 29.7.16 estimava superávit de U$50 bilhões para este ano. Para 2018, o Focus desta semana reduz a projeção do mercado para U$45 bi, de U$46 bilhões registrados há quatro semanas;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): o boletim desta semana mantém a estimativa do IDP em U$75 bilhões para 2017, valor observado nas últimas cinco semanas, enquanto o relatório de 29.7.16 apontava estimativa de U$65 bilhões para este ano. A pesquisa de 28.7.17 mantém em U$75 bilhões a projeção do IDP para o próximo ano, também mantendo esse valor nas últimas cinco semanas.

Portanto, a gradual queda dos juros, o declínio do desemprego e a queda da taxa de câmbio não são suficientes para melhorar as condições atuais da economia brasileira, tendo em vista um déficit público elevadíssimo e um cenário político de curto prazo na expectativa da votação amanhã - 2.8.17 - na Câmara dos Deputados do processo contra o presidente da república.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro, palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu - UFPE e UFV - e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.