quarta-feira, 2 de agosto de 2017

PERDEU O EMPREGO, OBSERVE ESSAS DICAS!
Régis Varão/¹

O Brasil enfrenta a maior crise sócio-político-econômica das últimas décadas, com 13,5 milhões de pessoas desocupadas, taxa de desocupação em 13%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, inadimplência e endividamento das famílias elevados, e com perspectivas nada promissoras no curto prazo.

O endividamento das famílias brasileiras apontado na Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), de jun/17, atinge 56,4%, enquanto o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso está em 24,3%. O cartão de crédito lidera o endividamento das famílias com 76,9% das preferências, seguido por carnês de loja (15,2%), crédito pessoal (11,1%) e financiamento de carro (10,1%). Embora os juros do crédito rotativo do cartão de crédito sejam os mais elevados juros do setor financeiro, a falta de educação financeira do brasileiro leva a esse absurdo tipo de preferência. Sob qualquer critério de análise, os juros praticados pelo setor bancário nacional para os devedores de cartão de crédito e cheque especial, são elevadíssimos. Sem exagero é quase uma agiotagem permitida, tendo em vista que os bancos têm liberdade para cobrar essas taxas.

A perda do emprego, além de ser uma situação inesperada, elimina a principal fonte de renda das famílias, com reflexos negativos no emocional do desempregado, exige mudança de hábitos e mais que isso obriga quem perde o emprego a repensar sua vida, isto é sua estrutura de gastos, e como resolverá os problemas financeiros decorrentes do desemprego, como aluguel, empréstimos e financiamentos bancários, despesas com educação de filhos, compras de supermercado, água, luz, transporte etc.

É importante conversar com a família, inclusive os filhos, e pensar no que será feito nos meses seguintes, de modo que os recursos recebidos pela demissão sejam priorizados para dívidas - se endividado - com juros mais elevados, e planeje os gastos para os próximos meses, sempre priorizando prestação da casa, água, luz, supermercado, educação e outras despesas realmente importantes.

Planeje os próximos meses de maneira que os recursos durem no máximo até obter outro emprego, que segundo as estatísticas apontam que o prazo de obtenção de recolocação no mercado é de seis meses em média. Os recursos recebidos quando da demissão podem dar uma noção errada de ter muito dinheiro, mas tenha muito cuidado, todos os meses existem contas a pagar.

É importante observar as dicas relacionadas a seguir, que poderão ser úteis para que os recursos financeiros recebidos pela rescisão do contrato de trabalho dure o maior tempo possível:

1. Reúna a família, inclusive os filhos menores, e discuta os ajustes no orçamento considerando a nova realidade. A receita nesse caso já está disponível, então relacione todas as despesas fixas e as variáveis e após conhecer melhor a estrutura de despesas, reduza o que puder e faça cortes quando necessário;

2. Você e sua família devem mudar alguns hábitos e tenham consciência de que a mudança será temporária. Internalize essa nova atitude, quanto maior for o esforço de cada um, maiores serão os resultados;

3. Procure novas alternativas de renda para suprir a falta do emprego. Reveja e discuta com sua família as suas habilidades e pesquise diversas opções para ganhar dinheiro. Nesse momento atual de sua vida, uma renda extra é importante. Comece por atividades que estejam vinculadas às suas aptidões e habilidades, aquilo que você faz de melhor e gosta de fazer. As mulheres têm preferência por venda de roupas, bijuterias, sapatos, artesanato, comidas, cosméticos e outros itens de catálogo. Já os homens costumam oferecer serviços quando buscam uma renda extra, dar aulas, consertar coisas, ajudar em mudanças, serviços de carpintaria, pedreiro, jardinagem e pintura, e os que tem hobby como fotografia e música, podem trabalhar em casamento, festas etc;

4. Faça um planejamento para as dívidas em atraso, e além de priorizar as mais caras (cartão de crédito e cheque especial) tente renegociar com os credores para evitar o acúmulo de parcelas vencidas e os efeitos da incidência de juros. Veja também como estão os débitos com carnês de lojas, financiamento imobiliário, empréstimos bancários e descarte rapidamente a utilização do que for desnecessário;

5. Elimine as compras por impulso e antes de “tentar” comprar algo utilize a regra dos 3 SIM’s que leva a pessoa a se fazer três perguntas: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Apenas uma resposta negativa já é suficiente para não adquirir o bem ou serviço, e por último, fuja de promoções e supérfluos;

6. Muitos cometem equívocos ao pensar que pequenos valores não são importantes no total das despesas mensais. Um simples café expresso de R$6,00, tomado todo dia custa R$180,00 ao mês, e atinge R$2.160,00 no ano, um lanche diário de R$9,00 custa R$270,00 ao mês e R$3.240,00 no ano. Junte-se a eles o cigarro, a cerveja com os amigos, o cinema e temos um valor elevado que pode fazer falta para comprar produtos necessários;

7. Ao sair de casa saia alimentado, nunca vá a supermercado com fome, evite que o medo e a ansiedade o façam tomar decisões equivocadas que podem levá-lo ao endividamento. Programe suas compras, restrinja-se ao orçamento e evite promoções. Observando isso tudo você evita que seu nome seja negativado.

Portanto, faça planejamento financeiro, fique atento aos juros cobrados em empréstimos e financiamentos bancários, não pague o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, negocie o mais rápido possível suas dívidas, busque alternativas fora do setor bancário para quitar as dívidas, como reduzir gastos, economize todos os dias e seja um consumidor consciente e não se lamente nunca, o desemprego pode bater na porta de qualquer pessoa, logo, vá em frente e tente conseguir uma nova colocação. Se ficar em casa descansando o emprego não vai a tua procura. Seja ativo e nunca desista.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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