AUMENTA O MEDO
DO DESEMPREGO
Régis
Varão/¹
Os
brasileiros continuam preocupados com o desemprego, ou melhor com medo de
perderem o emprego, o que pode ser explicado pelo contingente de 13,5 milhões
de desempregados no País, que associado à inadimplência e ao elevado endividamento
das famílias tendem a fortalecer essa percepção.
O
Índice de Medo do Desemprego-IMD subiu entre março e jul/17, o quarto maior
valor da série histórica, e caiu quando comparado a jun/16, enquanto o Índice
de Satisfação com a Vida-ISV cresceu em ambas as bases de comparação, segundo a
pesquisa Medo do Desemprego e Satisfação
com a Vida, divulgada ontem pela Confederação
Nacional da Indústria-CNI.
O
Índice de Medo do Desemprego-IMD apresentou incremento de 1,8 ponto entre março
e jul/17, e decresceu 1,8 ponto frente a jun/16. As mulheres apresentaram maior
crescimento de medo do desemprego ao subir 2,5 pontos entre março e jul/17,
enquanto do sexo masculino, em igual período, subiu 1,4 ponto.
Por
faixa de idade, o medo do desemprego apresentou o seguinte comportamento entre
março e jul/17: (a) Faixa de 16 a 24 anos: subiu 3,5 pontos; (b) 25 a 34 anos:
caiu 0,5 ponto; (c) 35 a 44 anos:
decresceu 2,2 pontos; (d) 45 a 54 anos: subiu 3,4 pontos; e (e) 55 anos
ou mais: cresceu 5,3 pontos.
Com
relação as regiões pesquisadas, a alta mais expressiva do medo do desemprego se
verificou nas regiões Norte/Centro-Oeste, onde o medo do desemprego subiu de
57,3 pontos em mar/17, para 66,9 pontos em jul/17, alta de 9,6 pontos. A única região
no país em que o medo do desemprego em jul/17 é maior que o verificado em jun/16.
O IMD caiu 4,4 pontos no Nordeste, embora tenha apresentado variação positiva
nas regiões Sudeste (+2,9 pontos) e Sul (+2 pontos), entre março e jul/17.
Analisando
o IMD quanto a renda familiar, aferida em Salários Mínimos (SM), no período
entre março e jul/17, temos: (a) Mais de 5 SM: subiu 1,6 ponto; (b) Mais de 2 a
5 SM: cresceu 0,6 ponto; (c) Mais de 1 a 2 SM: mais 1 ponto; e (d) até 1 SM:
variação positiva de 0,9 ponto.
O
Índice de Satisfação com a Vida-ISV apresentou elevação de 0,3 ponto em jul/17
ante mar/17, e registrou variação positiva de 1,4 ponto frente a jun/16.
Pessoas do sexo masculino apresentaram elevação de 1,1 ponto com o nível de
satisfação com a vida entre março e jul/17, enquanto as do sexo feminino
registraram queda de 0,3 ponto naquele período. O comportamento do ISV quanto
ao sexo, talvez possa ser explicado pelo fato do sexo masculino apresentar
crescimento menor com relação ao medo do desemprego (+1,4 pontos) e o feminino tenha
subido 2,5 pontos no período entre março e jul/17.
Por
faixa de idade, a satisfação com a vida apresentou o seguinte desempenho entre
março e jul/17: (a) Faixa de 16 a 24 anos: caiu 0,3 ponto; (b) 25 a 34 anos:
decresceu 1 ponto; (c) 35 a 44 anos: subiu 1,1 ponto; (d) 45 a 54 anos: cresceu
1,5 ponto; e (e) 55 anos ou mais: alta de 0,2 ponto.
Quanto
as regiões pesquisadas, no período entre março e jul/17, a região Sul
apresentou o melhor desempenho quando cresceu 2,4 pontos e subiu 3 pontos na
comparação com jun/16. A região Nordeste registrou o segundo lugar ao crescer 1,1
ponto entre março e jul/17. As regiões Norte/Centro-Oeste (-0,7 pontos) e
Sudeste com -0,4 ponto apresentaram declínio naquele período.
Avaliando
o desempenho da satisfação com a vida no quesito renda familiar, aferida em
Salários Mínimos (SM), no período entre março e jul/17, temos: (a) Mais de 5
SM: subiu 2,3 pontos; (b) Mais de 2 a 5 SM: cresceu 1,1 ponto; (c) Mais de 1 a
2 SM: registrou elevação de 0,9 ponto; e (d) até 1 SM: variação negativa de 0,5
ponto.
Portanto,
o medo de perder o emprego é mais forte entre trabalhadores do sexo feminino,
faixa de idade acima de 55 anos, enquanto a região Norte/Centro-Oeste se
destaca com alto percentual de trabalhadores com medo do desemprego e com renda
familiar até 5 SM. Por outro lado, o índice de satisfação com a vida reforça o
comportamento das estatísticas de medo do desemprego, ao indicar os trabalhadores do sexo masculino
com maior nível de satisfação com a vida no período analisado.
¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças
pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25
anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais,
liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro
nos últimos 34 anos. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi
professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central
por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
Nenhum comentário:
Postar um comentário