domingo, 6 de agosto de 2017

AUMENTA O MEDO DO DESEMPREGO
Régis Varão/¹

Os brasileiros continuam preocupados com o desemprego, ou melhor com medo de perderem o emprego, o que pode ser explicado pelo contingente de 13,5 milhões de desempregados no País, que associado à inadimplência e ao elevado endividamento das famílias tendem a fortalecer essa percepção.

O Índice de Medo do Desemprego-IMD subiu entre março e jul/17, o quarto maior valor da série histórica, e caiu quando comparado a jun/16, enquanto o Índice de Satisfação com a Vida-ISV cresceu em ambas as bases de comparação, segundo a pesquisa Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria-CNI.

O Índice de Medo do Desemprego-IMD apresentou incremento de 1,8 ponto entre março e jul/17, e decresceu 1,8 ponto frente a jun/16. As mulheres apresentaram maior crescimento de medo do desemprego ao subir 2,5 pontos entre março e jul/17, enquanto do sexo masculino, em igual período, subiu 1,4 ponto.

Por faixa de idade, o medo do desemprego apresentou o seguinte comportamento entre março e jul/17: (a) Faixa de 16 a 24 anos: subiu 3,5 pontos; (b) 25 a 34 anos: caiu 0,5 ponto; (c) 35 a 44 anos:  decresceu 2,2 pontos; (d) 45 a 54 anos: subiu 3,4 pontos; e (e) 55 anos ou mais: cresceu 5,3 pontos.

Com relação as regiões pesquisadas, a alta mais expressiva do medo do desemprego se verificou nas regiões Norte/Centro-Oeste, onde o medo do desemprego subiu de 57,3 pontos em mar/17, para 66,9 pontos em jul/17, alta de 9,6 pontos. A única região no país em que o medo do desemprego em jul/17 é maior que o verificado em jun/16. O IMD caiu 4,4 pontos no Nordeste, embora tenha apresentado variação positiva nas regiões Sudeste (+2,9 pontos) e Sul (+2 pontos), entre março e jul/17.

Analisando o IMD quanto a renda familiar, aferida em Salários Mínimos (SM), no período entre março e jul/17, temos: (a) Mais de 5 SM: subiu 1,6 ponto; (b) Mais de 2 a 5 SM: cresceu 0,6 ponto; (c) Mais de 1 a 2 SM: mais 1 ponto; e (d) até 1 SM: variação positiva de 0,9 ponto.

O Índice de Satisfação com a Vida-ISV apresentou elevação de 0,3 ponto em jul/17 ante mar/17, e registrou variação positiva de 1,4 ponto frente a jun/16. Pessoas do sexo masculino apresentaram elevação de 1,1 ponto com o nível de satisfação com a vida entre março e jul/17, enquanto as do sexo feminino registraram queda de 0,3 ponto naquele período. O comportamento do ISV quanto ao sexo, talvez possa ser explicado pelo fato do sexo masculino apresentar crescimento menor com relação ao medo do desemprego (+1,4 pontos) e o feminino tenha subido 2,5 pontos no período entre março e jul/17.

Por faixa de idade, a satisfação com a vida apresentou o seguinte desempenho entre março e jul/17: (a) Faixa de 16 a 24 anos: caiu 0,3 ponto; (b) 25 a 34 anos: decresceu 1 ponto; (c) 35 a 44 anos: subiu 1,1 ponto; (d) 45 a 54 anos: cresceu 1,5 ponto; e (e) 55 anos ou mais: alta de 0,2 ponto.

Quanto as regiões pesquisadas, no período entre março e jul/17, a região Sul apresentou o melhor desempenho quando cresceu 2,4 pontos e subiu 3 pontos na comparação com jun/16. A região Nordeste registrou o segundo lugar ao crescer 1,1 ponto entre março e jul/17. As regiões Norte/Centro-Oeste (-0,7 pontos) e Sudeste com -0,4 ponto apresentaram declínio naquele período.

Avaliando o desempenho da satisfação com a vida no quesito renda familiar, aferida em Salários Mínimos (SM), no período entre março e jul/17, temos: (a) Mais de 5 SM: subiu 2,3 pontos; (b) Mais de 2 a 5 SM: cresceu 1,1 ponto; (c) Mais de 1 a 2 SM: registrou elevação de 0,9 ponto; e (d) até 1 SM: variação negativa de 0,5 ponto.

Portanto, o medo de perder o emprego é mais forte entre trabalhadores do sexo feminino, faixa de idade acima de 55 anos, enquanto a região Norte/Centro-Oeste se destaca com alto percentual de trabalhadores com medo do desemprego e com renda familiar até 5 SM. Por outro lado, o índice de satisfação com a vida reforça o comportamento das estatísticas de medo do desemprego,  ao indicar os trabalhadores do sexo masculino com maior nível de satisfação com a vida no período analisado.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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