sexta-feira, 11 de agosto de 2017

AUMENTA A CONFIANÇA DO BRASILEIRO NAS PESSOAS
Régis Varão/¹

O nível de confiança dos brasileiros aumenta quanto mais próximo da convivência diária é o grupo avaliado, cresce entre familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho e, por último, nas pessoas em geral, afirma a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira-RBS, da Confederação Nacional da Indústria-CNI. Enquanto 91% dos entrevistados afirmam ter muita ou alguma confiança em pessoas da família, 78% confiam muito nos amigos, 67% nos vizinhos, 67% nos colegas de trabalho/escola e apenas 59% na maioria das pessoas. A confiança aumentou nos últimos cinco anos, principalmente para os grupos sociais mais distantes, como maioria das pessoas e colegas de trabalho e escola, afirma a pesquisa.

Cabe observar que a melhoria na confiança em colegas de trabalho ajuda a desenvolver trabalho em grupo e o aumento da confiança nas pessoas em geral pode, no longo prazo, contribuir para diminuir a burocracia, com a queda da necessidade de comprovações e garantias, afirma a pesquisa.

Segundo o relatório da CNI, “Apesar da melhora da confiança em grupos sociais definidos, a grande maioria dos brasileiros (91%) acredita que a maioria das pessoas querem tirar vantagem ao invés de agir de maneira correta. Essa percepção aumentou entre 2012 e 2017, provavelmente influenciada pelos seguidos escândalos de corrupção”.

De acordo com a pesquisa, a confiança dos brasileiros é maior nas pessoas que pertencem a grupos sociais mais próximos:

(a) Com relação a família: 55% afirmam ter muita confiança e 36% alguma confiança (total de 91%);
(b) Com relação a amigos:  25% tem muita confiança e 53% alguma confiança (78%);
(c) Com relação a vizinhos: 15% tem muita confiança e 52% alguma confiança (67%);
(d) Com relação a colegas de trabalho/escola: 14% tem muita confiança e 53% alguma confiança (67%); e
(e) Com relação a maioria das pessoas: 6% tem muita confiança e 53% tem alguma confiança (total de 59%).

Nos últimos cinco anos, entre 2012 e 2017, a confiança dos brasileiros aumentou para a maioria dos grupos sociais avaliados. O único grupo em que se verifica declínio da confiança é o de pessoas da família, para o qual o percentual de muita confiança caiu 18 p.p., de 73% para 55% naquele período:

(a) Com relação a família: o indicador muita confiança decresceu de 73% em 2012 para 55% em 2017, -18 p.p.;
(b) Com relação a amigos: o indicador muita confiança subiu de 18% em 2012 para 25% em 2017, +7 p.p.;
(c) Com relação a vizinhos: o indicador cresceu de 11% em 2012 para 15% em 2017, +4 p.p.;
(d) Com relação a colegas de trabalho/escola: subiu de 9% em 2012 para 14% em 2017, +5 p.p.; e
(e) Com relação a maioria das pessoas: o indicador muita confiança manteve-se estável em 6% em 2012 e 2017.

Entre os brasileiros, a pesquisa afirma - dados de mar/17 - que 91% acreditam que a maioria das pessoas quer tirar vantagem, ao invés de agir de maneira correta, apenas 7%. Em set/12, o percentual que acreditava que a maioria das pessoas quer tirar vantagem estava em 82%, enquanto 16% agiam de maneira correta. A resposta sobre a forma de agir do brasileiro pode estar sendo influenciada pelos escândalos de corrupção nos últimos anos, que atingem pessoas do governo, parlamentares e empresas públicas e privadas.

As regiões Norte/Centro-oeste, que em 2012 apresentavam maior percentual de entrevistados que acreditava que a maioria das pessoas age de maneira correta, caiu 17 p.p., passando de 26% para 9% na atual pesquisa. Com essa retração, essas regiões empatam com as demais regiões do país, quando considerada a margem de erro da pesquisa.

Portanto, em cinco anos, temos uma piora da percepção em relação à forma de agir do brasileiro e quanto à confiança do brasileiro para grupos sociais, ressaltando, no entanto, que embora a pesquisa indique melhora da confiança em grupos sociais definidos, um percentual elevadíssimo de 91% acredita que a maioria das pessoas querem tirar vantagem ao invés de agir de maneira correta.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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