AUMENTA
A CONFIANÇA DO BRASILEIRO NAS PESSOAS
Régis
Varão/¹
O nível de confiança dos
brasileiros aumenta quanto mais próximo da convivência diária é o grupo
avaliado, cresce entre familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho e,
por último, nas pessoas em geral, afirma a pesquisa Retratos da Sociedade
Brasileira-RBS, da Confederação
Nacional da Indústria-CNI. Enquanto
91% dos entrevistados afirmam ter muita ou alguma confiança em pessoas da
família, 78% confiam muito nos amigos, 67% nos vizinhos, 67% nos colegas de
trabalho/escola e apenas 59% na maioria das pessoas. A confiança aumentou nos
últimos cinco anos, principalmente para os grupos sociais mais distantes, como
maioria das pessoas e colegas de trabalho e escola, afirma a pesquisa.
Cabe observar que a melhoria na
confiança em colegas de trabalho ajuda a desenvolver trabalho em grupo e o
aumento da confiança nas pessoas em geral pode, no longo prazo, contribuir para
diminuir a burocracia, com a queda da necessidade de comprovações e garantias,
afirma a pesquisa.
Segundo o relatório da CNI, “Apesar
da melhora da confiança em grupos sociais definidos, a grande maioria dos
brasileiros (91%) acredita que a maioria das pessoas querem tirar vantagem ao
invés de agir de maneira correta. Essa percepção aumentou entre 2012 e 2017,
provavelmente influenciada pelos seguidos escândalos de corrupção”.
De acordo com a pesquisa, a
confiança dos brasileiros é maior nas pessoas que pertencem a grupos sociais
mais próximos:
(a) Com relação a família: 55%
afirmam ter muita confiança e 36% alguma confiança (total de 91%);
(b) Com relação a amigos: 25% tem muita confiança e 53% alguma
confiança (78%);
(c) Com relação a vizinhos: 15%
tem muita confiança e 52% alguma confiança (67%);
(d) Com relação a colegas de
trabalho/escola: 14% tem muita confiança e 53% alguma confiança (67%); e
(e) Com relação a maioria das
pessoas: 6% tem muita confiança e 53% tem alguma confiança (total de 59%).
Nos últimos cinco anos, entre
2012 e 2017, a confiança dos brasileiros aumentou para a maioria dos grupos
sociais avaliados. O único grupo em que se verifica declínio da confiança é o
de pessoas da família, para o qual o percentual de muita confiança caiu 18
p.p., de 73% para 55% naquele período:
(a) Com relação a família: o
indicador muita confiança decresceu de 73% em 2012 para 55% em 2017, -18 p.p.;
(b) Com relação a amigos: o
indicador muita confiança subiu de 18% em 2012 para 25% em 2017, +7 p.p.;
(c) Com relação a vizinhos: o
indicador cresceu de 11% em 2012 para 15% em 2017, +4 p.p.;
(d) Com relação a colegas de
trabalho/escola: subiu de 9% em 2012 para 14% em 2017, +5 p.p.; e
(e) Com relação a maioria das
pessoas: o indicador muita confiança manteve-se estável em 6% em 2012 e 2017.
Entre os brasileiros, a
pesquisa afirma - dados de mar/17 - que 91% acreditam que a maioria das pessoas
quer tirar vantagem, ao invés de agir de maneira correta, apenas 7%. Em set/12,
o percentual que acreditava que a maioria das pessoas quer tirar vantagem
estava em 82%, enquanto 16% agiam de maneira correta. A resposta sobre a forma
de agir do brasileiro pode estar sendo influenciada pelos escândalos de
corrupção nos últimos anos, que atingem pessoas do governo, parlamentares e
empresas públicas e privadas.
As regiões Norte/Centro-oeste,
que em 2012 apresentavam maior percentual de entrevistados que acreditava que a
maioria das pessoas age de maneira correta, caiu 17 p.p., passando de 26% para
9% na atual pesquisa. Com essa retração, essas regiões empatam com as demais
regiões do país, quando considerada a margem de erro da pesquisa.
Portanto, em cinco anos, temos
uma piora da percepção em relação à forma de agir do brasileiro e quanto à
confiança do brasileiro para grupos sociais, ressaltando, no entanto, que
embora a pesquisa indique melhora da confiança em grupos sociais definidos, um
percentual elevadíssimo de 91% acredita que a maioria das pessoas querem tirar
vantagem ao invés de agir de maneira correta.
¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças
pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25
anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais,
liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro
nos últimos 34 anos. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi
professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central
por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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