CONSUMIDOR
BRASILEIRO MENOS CONFIANTE EM JULHO
Régis
Varão/¹
O
Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC)
divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) reflete o sentimento dos consumidores com relação
à situação atual e as expectativas para os próximos meses.
O
nível de confiança do consumidor registrou 99,5 pontos em julho, distante da
média histórica de 108,4 pontos do INEC. É o menor valor observado desde dez/16.
O valor de jul/17 encontra-se 8,21% abaixo da média histórica do índice, mostrando
que a confiança do consumidor continua em patamar muito baixo.
Entre
os componentes do INEC, as variáveis de tendência futura, que avaliam as
expectativas para os próximos seis meses, apresentaram declínio em jul/17 ante
o mês anterior, com destaque para o índice de expectativa de desemprego. No
caso específico, quanto menor o índice, maior a expectativa de aumento do
desemprego.
Os
índices de expectativa de compras de bens de maior valor, inflação e renda
pessoal recuaram em jul/17, ante junho. No sentido inverso, as variáveis que
aferem a situação atual, isto é, que comparam o presente com os três meses
anteriores, apresentaram incremento.
O
índice que mede o endividamento cresceu em jul/17, e o que afere a situação
financeira avançou em jul/17 ante o mês anterior. Nesse caso, quanto maior o
índice, melhor a situação financeira e menor o endividamento.
O
INEC
revela que a confiança do consumidor oscilou nos últimos oito meses, se mantendo
em patamar baixo, logo, incapaz de estimular uma recuperação do consumo e
impactar positivamente a atividade industrial. No período jan-jul/17 a média do
INEC está em 102,03 pontos, -5,9% abaixo do valor da média histórica.
Componentes
do INEC:
(a) Expectativa de desemprego: a
expectativa de desemprego apresenta declínio em jul/17 (106,5 pontos) de 5,25%,
ante o mês anterior, e queda de 5,33% com relação a igual período de 2016 (112,5
pontos). O recorde histórico para um mês de julho é 132,5 pontos observado em
jul/10;
(b) Expectativas
de Compras de Bens de Maior Valor:
quanto ao indicador, houve declínio nas duas bases de comparação, com
decréscimo de 1,7% em jul/17 (109,7 pontos) frente ao mês anterior, e queda de 2,58%
ante igual período de 2016. O melhor desempenho do indicador para um mês de julho
foi em jul/13 quando atingiu 114,1 pontos;
(c) Expectativa de Inflação: o índice
registra decréscimo de 1,48% em jul/17 (106,4 pontos) com relação ao mês
anterior, e cai 1,3% ante jul/16. O maior valor registrado na série histórica para
um mês de julho foi em jul/10 (118,9 pontos);
(d) Expectativa de Renda Pessoal: o índice
também apresenta decréscimo de 0,66% em jul/17 (90,8 pontos) ante o mês
anterior, e declina 2,05% com relação à jul/16 (92,7 pontos). O valor observado
em julho deste ano, continua distante do observado em jul/10 (116,1 pontos),
quando foi observado o maior valor para um mês de julho;
(e) Endividamento: o indicador apresenta elevação
de 2,05% em jul/17 (94,8 pontos) ante o mês anterior, e redução de 0,32% na
comparação anual. O maior valor observado para um mês de julho foi em jul/10
quando registrou 113 pontos;
(f) Situação financeira: a situação
financeira dos consumidores apresenta crescimento de 1,14% em jul/17 (88,9
pontos) ante o mês anterior, e declínio de 2,02% com relação a jul/16. Em jul/10
atingiu 116,5 pontos, um recorde desse indicador para um mês de julho.
Portanto,
a confiança do consumidor brasileiro continua abaixo do valor observado na
série histórica, com impactos no consumo e indiretamente na atividade
industrial. Temos um quadro geral desanimador, em especial para as expectativas
de desemprego e endividamento do consumidor, com possibilidades remotas de
melhora no curto prazo.
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