terça-feira, 8 de agosto de 2017

CONSUMIDOR BRASILEIRO MENOS CONFIANTE EM JULHO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) reflete o sentimento dos consumidores com relação à situação atual e as expectativas para os próximos meses.

O nível de confiança do consumidor registrou 99,5 pontos em julho, distante da média histórica de 108,4 pontos do INEC. É o menor valor observado desde dez/16. O valor de jul/17 encontra-se 8,21% abaixo da média histórica do índice, mostrando que a confiança do consumidor continua em patamar muito baixo.

Entre os componentes do INEC, as variáveis de tendência futura, que avaliam as expectativas para os próximos seis meses, apresentaram declínio em jul/17 ante o mês anterior, com destaque para o índice de expectativa de desemprego. No caso específico, quanto menor o índice, maior a expectativa de aumento do desemprego.

Os índices de expectativa de compras de bens de maior valor, inflação e renda pessoal recuaram em jul/17, ante junho. No sentido inverso, as variáveis que aferem a situação atual, isto é, que comparam o presente com os três meses anteriores, apresentaram incremento.

O índice que mede o endividamento cresceu em jul/17, e o que afere a situação financeira avançou em jul/17 ante o mês anterior. Nesse caso, quanto maior o índice, melhor a situação financeira e menor o endividamento.

O INEC revela que a confiança do consumidor oscilou nos últimos oito meses, se mantendo em patamar baixo, logo, incapaz de estimular uma recuperação do consumo e impactar positivamente a atividade industrial. No período jan-jul/17 a média do INEC está em 102,03 pontos, -5,9% abaixo do valor da média histórica.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de desemprego: a expectativa de desemprego apresenta declínio em jul/17 (106,5 pontos) de 5,25%, ante o mês anterior, e queda de 5,33% com relação a igual período de 2016 (112,5 pontos). O recorde histórico para um mês de julho é 132,5 pontos observado em jul/10;

(b) Expectativas de Compras de Bens de Maior Valor: quanto ao indicador, houve declínio nas duas bases de comparação, com decréscimo de 1,7% em jul/17 (109,7 pontos) frente ao mês anterior, e queda de 2,58% ante igual período de 2016. O melhor desempenho do indicador para um mês de julho foi em jul/13 quando atingiu 114,1 pontos;

(c) Expectativa de Inflação: o índice registra decréscimo de 1,48% em jul/17 (106,4 pontos) com relação ao mês anterior, e cai 1,3% ante jul/16. O maior valor registrado na série histórica para um mês de julho foi em jul/10 (118,9 pontos);

(d) Expectativa de Renda Pessoal: o índice também apresenta decréscimo de 0,66% em jul/17 (90,8 pontos) ante o mês anterior, e declina 2,05% com relação à jul/16 (92,7 pontos). O valor observado em julho deste ano, continua distante do observado em jul/10 (116,1 pontos), quando foi observado o maior valor para um mês de julho;

(e) Endividamento: o indicador apresenta elevação de 2,05% em jul/17 (94,8 pontos) ante o mês anterior, e redução de 0,32% na comparação anual. O maior valor observado para um mês de julho foi em jul/10 quando registrou 113 pontos;

(f) Situação financeira: a situação financeira dos consumidores apresenta crescimento de 1,14% em jul/17 (88,9 pontos) ante o mês anterior, e declínio de 2,02% com relação a jul/16. Em jul/10 atingiu 116,5 pontos, um recorde desse indicador para um mês de julho.

Portanto, a confiança do consumidor brasileiro continua abaixo do valor observado na série histórica, com impactos no consumo e indiretamente na atividade industrial. Temos um quadro geral desanimador, em especial para as expectativas de desemprego e endividamento do consumidor, com possibilidades remotas de melhora no curto prazo.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

Nenhum comentário:

Postar um comentário