quinta-feira, 10 de agosto de 2017

CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO DO COMÉRCIO CAI EM JULHO
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), apurado e divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), atingiu 101,5 pontos em jul/17, registrando declínio de 0,4% ante o mês anterior, e subiu 16,7% na comparação anual. O ICEC detecta as tendências do setor, do ponto de vista do empresário. A amostra utilizada na pesquisa é composta por cerca de 6.000 empresas situadas nas capitais do País, e os índices, apurados mensalmente, apresentam dispersões que variam de 0 a 200 pontos.

Segundo Izis Ferreira, da CNC, “O acirramento da crise política reduziu a confiança dos comerciantes nos dois últimos meses, uma vez que predominam incertezas quanto à velocidade do ajuste fiscal. Sinais de retomada gradual das vendas do varejo no curto prazo, no entanto, fortalecem o cenário de um desempenho mais favorável do comércio em 2017”.

O indicador que mede a percepção dos comerciantes sobre as condições correntes atingiu 72 pontos, aumento de 0,2% entre junho e jul/17, na série com ajuste sazonal. Na comparação anual registrou expressivo incremento de 67,7%.

Após cinco meses de crescimento, a percepção dos varejistas quanto às condições atuais da economia (-1,1%) e do desempenho do setor no comércio (-0,6%) piorou em jul/17. Na comparação com jul/16, no entanto, as avaliações desses dois itens seguem subindo de forma significativa, com 95,6% e 49,1%, respectivamente.

Ainda de acordo com Izis Ferreira, da CNC, “O desempenho mais favorável das vendas do comércio na base de comparação anual segue sustentando a melhora das avaliações correntes no ano. Esse movimento tem sido influenciado pela queda dos preços do varejo e pela redução dos juros e do custo do crédito para os consumidores.

O único item superior aos 100 pontos do corte de indiferença, foi o que afere as expectativas do empresário do comércio, que cresceu 1,1% em jul/17 ante o mês anterior e subiu 4,9% na comparação anual. As expectativas para o curto prazo quanto ao desempenho da economia com +1,3%, do comércio com +1,3% e da própria empresa com +0,8% apresentaram melhora em jul/17, mesmo considerando as incertezas na política. Na comparação com jul/16, as expectativas também subiram (+4,9%). Para 75,8% dos entrevistados, a economia vai melhorar nos meses futuros. Em jun/17, esse percentual atingiu 77,8%, e 81,4% em maio.

O subíndice que mede as intenções de investimento do comércio registrou nova queda em jul/17, -1,2% com ajuste sazonal, chegando a 87,7 pontos. Nessa base de comparação, destacou-se o desempenho negativo da intenção de contratar funcionários com -2,1%. Na comparação anual, o indicador cresceu 9,7%, pressionado pelas intenções de investimento nas empresas (14,6%), contratação de funcionários (7,8%) e em estoques (1,8%).

Para 29,4% dos comerciantes consultados em jul/17, o nível dos estoques está acima das expectativas de vendas, mesma proporção do mês anterior. Segundo a CNC, “sinais de retomada gradual das vendas do varejo no curto prazo fortalecem o cenário de um desempenho mais favorável neste ano”. Apesar dos impactos positivos da liberação antecipada dos recursos do FGTS ser temporário, a CNC estima um volume de vendas maior em 2017, cerca de +1,6%.

Portanto, as condições econômicas atuais (57,1% das famílias endividadas, segundo a PEIC de jul/17) e o aumento da crise política contribuíram para a queda na confiança dos empresários do comércio nos últimos meses. Por outro lado, a liberação dos depósitos do FGTS possibilitou uma pequena folga para o setor, que ainda aguarda medidas de ajustes na área fiscal.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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