quinta-feira, 3 de agosto de 2017

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS AUMENTA EM JULHO
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas subiu em julho de 2017, e apresentou queda na comparação anual. Com relação ao percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso houve decréscimo na comparação mensal, após cinco meses consecutivos de incremento, e subiu frente a jul/16. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso decresceu ante jun/17 e subiu frente a jul/16, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

De acordo com Bruno Fernandes, da CNC, “Apesar de ter aumentado em julho, o percentual de famílias com dívidas registrou queda na comparação com o mesmo período do ano anterior, apontando um ritmo ainda fraco de concessão de empréstimos e financiamentos para as famílias, mesmo após o processo de queda das taxas de juros.”

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro passou de 56,4% em jun/17 para 57,1% no mês seguinte, e caiu 0,6 p.p. quando comparado a jul//16.

A elevação do endividamento foi observada em ambas as faixas de renda, na comparação mensal. Na comparação anual, as famílias com rendimento acima de dez salários mínimos (>10 SM) apresentaram declínio, enquanto houve estabilidade nas famílias com renda até 10 salários mínimos (<10 SM). Para as famílias com renda <10 SM, o endividamento atingiu 59% em jul/17, ante 58,7% em jun/17 e 59% em jul/16. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de endividamento passou de 45,5% em jun/17 para 48,4% no mês seguinte. O percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda atingiu 50,5% em jul/16.

Apesar da elevação do endividamento das famílias em jul/17, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu entre junho (24,3%) e jul/17 (24,2%), mas subindo 1,3 p.p. com relação a jul/16.

O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendência distinta entre os dois grupos de renda. Na comparação mensal, houve queda nos dois grupos pesquisados, mas apenas a parcela >10 SM apresentou queda na comparação anual. Na faixa <10 SM, o percentual de famílias com contas/dívidas em atraso caiu de 27,6% em jun/17 para 27,5% no mês seguinte. Em jul/16, 25,5% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso, enquanto no grupo com renda >10 SM, a inadimplência atingiu 10,3% em jul/17, ante 10,8% observado em jun/17 e 11,6% em jul/16.

O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e, permaneceriam inadimplentes, apresentou redução na comparação mensal quando passou de 9,6% em jun/17 para 9,4% em jul/17, mas na comparação anual subiu 0,7 p.p.

O percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas em atraso também mostrou tendência distinta entre os grupos de renda pesquisados. Na faixa >10 SM, o indicador chegou a 3,2% em jul/17, ante 3,5% no mês anterior. Em jul/16, o indicador alcançou 3,9%. Para o grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos declinou de 11,2% em jun/17 para 10,9% no mês seguinte. Em relação a jul/16, houve alta de 1,1 p.p.

O percentual das famílias que se declararam muito endividadas registrou alta nos meses de jun/17 (13,8%) a jul/17 (14%). Já na comparação anual, entretanto, houve queda de 0,7 p.p. Na comparação entre jul/16 e jul/17, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada subiu de 20,2% para 21,2%, e a parcela pouco endividada caiu de 22,8% para 21,9% do total de famílias.

O cartão de crédito foi apontado como um dos principais tipos de dívida por 76,8% das famílias endividadas, seguido de carnês de lojas (15,4%), crédito pessoal (11%), financiamento de carro (10,1%),  financiamento de casa (8%), cheque especial (6,4%), crédito consignado (5,7%) e cheque pré-datado (1,3%).

Duas características a serem observações: a liderança do cartão de crédito, onde são praticados os juros mais elevados do setor bancário, e a baixa preferência das famílias pelo crédito consignado que pratica as menores taxas do mercado, mostram o completo desconhecimento dos rudimentos básicos de finanças pessoais pelas famílias brasileiras.

Portanto, embora o endividamento das famílias tenha aumentado em jul/17, na comparação mensal, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso e as sem condições de pagar suas contas registrou declínio. A grande dificuldade em manter as contas em dia e a perspectiva pouco animadora quanto à capacidade de pagamento das famílias no curto prazo, podem estar atreladas ao elevado custo do crédito e aos 13,5 milhões de desempregados.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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