ENDIVIDAMENTO
DAS FAMÍLIAS AUMENTA EM JULHO
Régis
Varão/¹
O total de
famílias brasileiras endividadas subiu em julho de 2017, e apresentou queda na
comparação anual. Com relação ao percentual de famílias com contas ou dívidas
em atraso houve decréscimo na comparação mensal, após cinco meses consecutivos
de incremento, e subiu frente a jul/16. O percentual de famílias sem condições
de pagar suas contas em atraso decresceu ante jun/17 e subiu frente a jul/16, segundo
a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo (CNC).
De acordo
com Bruno Fernandes, da CNC, “Apesar de ter aumentado em julho, o percentual de
famílias com dívidas registrou queda na comparação com o mesmo período do ano
anterior, apontando um ritmo ainda fraco de concessão de empréstimos e
financiamentos para as famílias, mesmo após o processo de queda das taxas de
juros.”
O percentual
de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito,
cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro
passou de 56,4% em jun/17 para 57,1% no mês seguinte, e caiu 0,6 p.p. quando comparado
a jul//16.
A elevação
do endividamento foi observada em ambas as faixas de renda, na comparação
mensal. Na comparação anual, as famílias com rendimento acima de dez salários
mínimos (>10 SM) apresentaram declínio, enquanto houve estabilidade nas
famílias com renda até 10 salários mínimos (<10 SM). Para as famílias com
renda <10 SM, o endividamento atingiu 59% em jul/17, ante 58,7% em jun/17 e
59% em jul/16. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de endividamento
passou de 45,5% em jun/17 para 48,4% no mês seguinte. O percentual de famílias
com dívidas nesse grupo de renda atingiu 50,5% em jul/16.
Apesar da elevação
do endividamento das famílias em jul/17, o percentual de famílias com dívidas
ou contas em atraso caiu entre junho (24,3%) e jul/17 (24,2%), mas subindo 1,3
p.p. com relação a jul/16.
O percentual
de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendência distinta entre os
dois grupos de renda. Na comparação mensal, houve queda nos dois grupos
pesquisados, mas apenas a parcela >10 SM apresentou queda na comparação
anual. Na faixa <10 SM, o percentual de famílias com contas/dívidas em
atraso caiu de 27,6% em jun/17 para 27,5% no mês seguinte. Em jul/16, 25,5% das
famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso, enquanto no
grupo com renda >10 SM, a inadimplência atingiu 10,3% em jul/17, ante 10,8% observado
em jun/17 e 11,6% em jul/16.
O percentual
de famílias sem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e, permaneceriam
inadimplentes, apresentou redução na comparação mensal quando passou de 9,6% em
jun/17 para 9,4% em jul/17, mas na comparação anual subiu 0,7 p.p.
O percentual
de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas em atraso também
mostrou tendência distinta entre os grupos de renda pesquisados. Na faixa >10
SM, o indicador chegou a 3,2% em jul/17, ante 3,5% no mês anterior. Em jul/16,
o indicador alcançou 3,9%. Para o grupo com renda <10 SM, o percentual de
famílias sem condições de quitar seus débitos declinou de 11,2% em jun/17 para
10,9% no mês seguinte. Em relação a jul/16, houve alta de 1,1 p.p.
O percentual
das famílias que se declararam muito endividadas registrou alta nos meses de
jun/17 (13,8%) a jul/17 (14%). Já na comparação anual, entretanto, houve queda
de 0,7 p.p. Na comparação entre jul/16 e jul/17, a parcela que declarou estar
mais ou menos endividada subiu de 20,2% para 21,2%, e a parcela pouco
endividada caiu de 22,8% para 21,9% do total de famílias.
O cartão de
crédito foi apontado como um dos principais tipos de dívida por 76,8% das
famílias endividadas, seguido de carnês de lojas (15,4%), crédito pessoal (11%),
financiamento de carro (10,1%),
financiamento de casa (8%), cheque especial (6,4%), crédito consignado
(5,7%) e cheque pré-datado (1,3%).
Duas características
a serem observações: a liderança do cartão de crédito, onde são praticados os
juros mais elevados do setor bancário, e a baixa preferência das famílias pelo crédito
consignado que pratica as menores taxas do mercado, mostram o completo
desconhecimento dos rudimentos básicos de finanças pessoais pelas famílias
brasileiras.
Portanto, embora
o endividamento das famílias tenha aumentado em jul/17, na comparação mensal, o
percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso e as sem condições de
pagar suas contas registrou declínio. A grande dificuldade em manter as contas
em dia e a perspectiva pouco animadora quanto à capacidade de pagamento das
famílias no curto prazo, podem estar atreladas ao elevado custo do crédito e aos
13,5 milhões de desempregados.
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