DESAFIOS DA EQUIPE
ECONÔMICA
Consultor
Régis Varão/¹
A
era dos malabarismos fiscais finalmente chega a um fim melancólico, com o
ministro da fazenda demitido em plena campanha eleitoral, embora ainda
exercendo sua função. Após muita discussão dentro do governo, pressão da mídia e
do mercado, a Presidente Dilma resolveu mudar o perfil da equipe econômica que
tomará posse a partir de jan/15.
Foram anunciados os nomes de Joaquim Vieira
Ferreira Levy para o Ministério da Fazenda (MF), Nelson Barbosa para o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) e Alexandre
Antonio Tombini que continuará na presidência do Banco Central do Brasil
(BCB).
Joaquim
Levy tem formação básica em engenharia naval, com mestrado pela UnB e doutorado
em economia pela Universidade de Chicago. Chefiou em passado recente a
assessoria econômica do MPOG no governo Fernando Henrique Cardoso, e no
primeiro mandato de Lula dirigiu a Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Passou
pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e secretaria de fazenda do Estado
do Rio de Janeiro, e antes da indicação estava como superintendente do Bradesco
Asset Management.
Nelson
Barbosa é graduado em economia pela UFRJ e Ph.D em Economia pela New School for
Social Research. Foi secretário executivo do Ministério da Fazenda no governo
Dilma. Atualmente estava dando aulas na FGV de São Paulo.
Alexandre
Tombini é graduado em economia pela UnB, onde fez mestrado e Ph.D. em Economia
pela Universidade de Illinois. Antes de ingressar no BCB, na década de noventa,
trabalhou nos Ministérios da Fazenda e Planejamento. No BCB passou pelos cargos
de Consultor da Diretoria Colegiada e de Chefe do Departamento de Pesquisa. Chefiou
as diretorias de Estudos Especiais, Assuntos Internacionais e Normas e
Organização do Sistema Financeiro. Entre jul/01 e mai/05 trabalhou no Escritório
da Representação Brasileira do FMI em Washington, e desde jan/11 é Presidente
do Banco Central.
Uma
boa notícia a indicação da equipe econômica, que fora Tombini que está no
governo, os outros já trabalharam no governo Lula e no atual, todos têm
experiência no setor público. A futura equipe terá dificuldade para reduzir
gastos públicos que não estão baixos, mas será preciso para obter superávit
fiscal conforme já anunciado. Um maior controle dos gastos públicos pode ajudar
a conter a taxa de juros, nesse caso o BCB agradece, pois altera tudo o que vem
sendo praticado nos últimos anos.
Portanto,
o cenário econômico atual e para os próximos anos será de contração de gastos
públicos e crédito mais caro, com a equipe econômica precisando de liberdade
para adotar medidas impopulares, o que passa por mais delegação e menos
ingerência presidencial. Não será fácil para essa equipe que assumirá em 2015,
e pior ficará a vida dos brasileiros e de todos que necessitam de crédito
bancário. Teremos um novo ano de fortes ajustes, elevada taxa de juros, menor volume
de crédito, maior controle dos gastos públicos, medidas na área externa e possível
elevação da carga tributária.
¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com
experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com
mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário
e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Veja o site www.ravecofinancas.com.
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