terça-feira, 2 de dezembro de 2014

DESAFIOS DA EQUIPE ECONÔMICA
Consultor Régis Varão/¹

A era dos malabarismos fiscais finalmente chega a um fim melancólico, com o ministro da fazenda demitido em plena campanha eleitoral, embora ainda exercendo sua função. Após muita discussão dentro do governo, pressão da mídia e do mercado, a Presidente Dilma resolveu mudar o perfil da equipe econômica que tomará posse a partir de jan/15.

Foram anunciados os nomes de Joaquim Vieira Ferreira Levy para o Ministério da Fazenda (MF), Nelson Barbosa para o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) e Alexandre Antonio Tombini que continuará na presidência do Banco Central do Brasil (BCB).

Joaquim Levy tem formação básica em engenharia naval, com mestrado pela UnB e doutorado em economia pela Universidade de Chicago. Chefiou em passado recente a assessoria econômica do MPOG no governo Fernando Henrique Cardoso, e no primeiro mandato de Lula dirigiu a Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Passou pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e secretaria de fazenda do Estado do Rio de Janeiro, e antes da indicação estava como superintendente do Bradesco Asset Management.

Nelson Barbosa é graduado em economia pela UFRJ e Ph.D em Economia pela New School for Social Research. Foi secretário executivo do Ministério da Fazenda no governo Dilma. Atualmente estava dando aulas na FGV de São Paulo.

Alexandre Tombini é graduado em economia pela UnB, onde fez mestrado e Ph.D. em Economia pela Universidade de Illinois. Antes de ingressar no BCB, na década de noventa, trabalhou nos Ministérios da Fazenda e Planejamento. No BCB passou pelos cargos de Consultor da Diretoria Colegiada e de Chefe do Departamento de Pesquisa. Chefiou as diretorias de Estudos Especiais, Assuntos Internacionais e Normas e Organização do Sistema Financeiro. Entre jul/01 e mai/05 trabalhou no Escritório da Representação Brasileira do FMI em Washington, e desde jan/11 é Presidente do Banco Central.

Uma boa notícia a indicação da equipe econômica, que fora Tombini que está no governo, os outros já trabalharam no governo Lula e no atual, todos têm experiência no setor público. A futura equipe terá dificuldade para reduzir gastos públicos que não estão baixos, mas será preciso para obter superávit fiscal conforme já anunciado. Um maior controle dos gastos públicos pode ajudar a conter a taxa de juros, nesse caso o BCB agradece, pois altera tudo o que vem sendo praticado nos últimos anos.

Portanto, o cenário econômico atual e para os próximos anos será de contração de gastos públicos e crédito mais caro, com a equipe econômica precisando de liberdade para adotar medidas impopulares, o que passa por mais delegação e menos ingerência presidencial. Não será fácil para essa equipe que assumirá em 2015, e pior ficará a vida dos brasileiros e de todos que necessitam de crédito bancário. Teremos um novo ano de fortes ajustes, elevada taxa de juros, menor volume de crédito, maior controle dos gastos públicos, medidas na área externa e possível elevação da carga tributária.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Veja o site www.ravecofinancas.com.

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