ENDIVIDAMENTO FAMILIAR CONTINUA ELEVADO
Consultor Régis Varão/¹
O percentual de famílias brasileiras endividadas
apresentou declínio pelo terceiro mês consecutivo, passando de 63,1% em set/14
para 60,2 no mês seguinte e atingindo 59,2% em novembro deste ano, quando foi
observada a menor taxa desde nov/13, segundo a Pesquisa Nacional de
Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), com dados coletados em todas as capitais
brasileiras e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores.
Embora, tenha apresentado declínio no nível de
endividamento das famílias nos últimos três meses, o percentual de famílias com
dívidas ou contas em atraso subiu de 17,8% em out/14 para 18% em novembro, mas
quando comparado a nov/13 (21,2%) registrou queda. O total de famílias que
declararam não ter condições de pagar suas dívidas em atraso, isto é,
continuaram inadimplentes, passou de 5,4% em out/14 para 5,5% no mês seguinte,
embora abaixo do percentual observado em nov/13 (6,6%).
Cabe ressaltar, que a redução do número de famílias
endividadas entre outubro e nov/14 foi observada nas duas faixas de renda - até
10 Salários Mínimos (SM) e acima de 10 SM. Na comparação anual também houve
recuo nas duas faixas de renda. Para as famílias que recebem até 10 SM, o
percentual do endividamento ficou em 60,7% em nov/14, ante 61,9% no mês
anterior e 65,2% em nov/13. Já para o grupo de renda maior, o percentual de famílias
endividadas caiu de 52,4% em out/14 para 52,1% no mês seguinte, enquanto em
novembro de 2013 era 53,4%.
O percentual de famílias com contas em atraso
apresentou tendências diversas entre os dois grupos de renda. Na comparação
mensal, houve elevação do indicador apenas na faixa inferior a 10 SM, enquanto
na de maior renda caiu. Na comparação anual foi observado retração apenas na
faixa até 10 SM. Nessa faixa de renda, o percentual de famílias com dívidas em
atraso passou de 19,7% em out/14, para 20,1% no mês seguinte, enquanto em
nov/13 era 24,2%. Na faixa acima de 10 SM, o percentual caiu de 9,4% em out/14
para 9% em novembro, ante 8,7% registrada em nov/13.
Na comparação anual, com relação ao percentual de
famílias que declararam sem condições de pagar suas contas, houve decréscimo
nas duas faixas de renda. Acima de 10 SM o indicador atingiu 2% em nov/14, ante
2,5% do mês anterior e 2,2% em nov/13. No grupo até 10 SM o percentual de
famílias sem condições de pagar suas dívidas subiu de 6,1% em out/14 para 6,5% em
novembro, e em nov/13 estava em 7,8%.
Na categoria muito endividado, a proporção de
famílias que se declararam dessa forma caiu de 11% em out/14 para 10,8% no mês
seguinte, e estava em 12,1% em nov/13. As famílias que se declararam mais ou
menos endividadas caiu de 23% em outubro para 22,4% em nov/14, ante 22,9% em
nov/13. A parcela que se declarou pouco endividada caiu de 26,3% em out/14 para
26% no mês seguinte, ante 28,1% observado em nov/13. As famílias que se
declararam não terem dívidas passou de 39,3% em out/14 para 40,2% em novembro,
ante 36,5% em nov/13. O percentual que declarou desconhecer suas dívidas ficou
estável entre outubro e nov/14 com 0,4% frente a 0,2% em nov/13.
Ao longo dos últimos meses o cartão de crédito tem
sido apontado como a principal fonte de endividamento, mantendo-se estável em 74,7%
entre out/14 e novembro, ante 75,1% observado em set/14. Ainda com relação a
nov/14, esse tipo de dívida continua distante do segundo colocado, carnês de
loja com 17,3%, seguido de financiamento de carro (14,2%), crédito pessoal com 9,1%,
financiamento de casa (8,1%), cheque especial (6,2%), crédito consignado com 4,6%,
outras dívidas (1,7%) e cheque pré-datado com 1,6%. Cabe ressaltar, que nos
últimos meses essa ordem de classificação manteve-se inalterada.
Segundo a PEIC/CNC, o “endividamento das famílias brasileiras
seguiu apresentando tendência de queda em novembro de 2014. Houve não apenas
diminuição da proporção de endividados, mas também melhora da percepção acerca
do endividamento, com menos famílias relatando estar muito endividadas.” Em nov/14,
“a cautela das famílias em relação ao consumo, observada nos índices de confiança
e de intenção de consumo, adicionada à proximidade das festas de fim de ano, faz
com que mais consumidores quitem suas dívidas.” Ainda segundo a CNC, “entre as
famílias com dívidas, o comprometimento da renda com o pagamento destas
aumentou, acompanhando o custo elevado do crédito.”
A pesquisa confirma o cartão de crédito na
liderança com 74,7%, enquanto o crédito consignado, uma modalidade mais barata
é utilizada por cerca de 5% das famílias endividadas. Ao longo dos últimos
anos, a preferência tem recaído no cartão de crédito, uma péssima escolha,
tendo em vista que os encargos pagos por atraso atingem normalmente três
dígitos ao ano.
Portanto, o desconhecimento de noções básicas de
economia e finanças pessoais, leva o brasileiro a escolher a modalidade de
crédito mais cara praticada no mercado bancário nacional.
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