terça-feira, 2 de dezembro de 2014

ENDIVIDAMENTO FAMILIAR CONTINUA ELEVADO
Consultor Régis Varão/¹

O percentual de famílias brasileiras endividadas apresentou declínio pelo terceiro mês consecutivo, passando de 63,1% em set/14 para 60,2 no mês seguinte e atingindo 59,2% em novembro deste ano, quando foi observada a menor taxa desde nov/13, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), com dados coletados em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores.

Embora, tenha apresentado declínio no nível de endividamento das famílias nos últimos três meses, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu de 17,8% em out/14 para 18% em novembro, mas quando comparado a nov/13 (21,2%) registrou queda. O total de famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas em atraso, isto é, continuaram inadimplentes, passou de 5,4% em out/14 para 5,5% no mês seguinte, embora abaixo do percentual observado em nov/13 (6,6%).

Cabe ressaltar, que a redução do número de famílias endividadas entre outubro e nov/14 foi observada nas duas faixas de renda - até 10 Salários Mínimos (SM) e acima de 10 SM. Na comparação anual também houve recuo nas duas faixas de renda. Para as famílias que recebem até 10 SM, o percentual do endividamento ficou em 60,7% em nov/14, ante 61,9% no mês anterior e 65,2% em nov/13. Já para o grupo de renda maior, o percentual de famílias endividadas caiu de 52,4% em out/14 para 52,1% no mês seguinte, enquanto em novembro de 2013 era 53,4%.

O percentual de famílias com contas em atraso apresentou tendências diversas entre os dois grupos de renda. Na comparação mensal, houve elevação do indicador apenas na faixa inferior a 10 SM, enquanto na de maior renda caiu. Na comparação anual foi observado retração apenas na faixa até 10 SM. Nessa faixa de renda, o percentual de famílias com dívidas em atraso passou de 19,7% em out/14, para 20,1% no mês seguinte, enquanto em nov/13 era 24,2%. Na faixa acima de 10 SM, o percentual caiu de 9,4% em out/14 para 9% em novembro, ante 8,7% registrada em nov/13.

Na comparação anual, com relação ao percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas, houve decréscimo nas duas faixas de renda. Acima de 10 SM o indicador atingiu 2% em nov/14, ante 2,5% do mês anterior e 2,2% em nov/13. No grupo até 10 SM o percentual de famílias sem condições de pagar suas dívidas subiu de 6,1% em out/14 para 6,5% em novembro, e em nov/13 estava em 7,8%.

Na categoria muito endividado, a proporção de famílias que se declararam dessa forma caiu de 11% em out/14 para 10,8% no mês seguinte, e estava em 12,1% em nov/13. As famílias que se declararam mais ou menos endividadas caiu de 23% em outubro para 22,4% em nov/14, ante 22,9% em nov/13. A parcela que se declarou pouco endividada caiu de 26,3% em out/14 para 26% no mês seguinte, ante 28,1% observado em nov/13. As famílias que se declararam não terem dívidas passou de 39,3% em out/14 para 40,2% em novembro, ante 36,5% em nov/13. O percentual que declarou desconhecer suas dívidas ficou estável entre outubro e nov/14 com 0,4% frente a 0,2% em nov/13.

Ao longo dos últimos meses o cartão de crédito tem sido apontado como a principal fonte de endividamento, mantendo-se estável em 74,7% entre out/14 e novembro, ante 75,1% observado em set/14. Ainda com relação a nov/14, esse tipo de dívida continua distante do segundo colocado, carnês de loja com 17,3%, seguido de financiamento de carro (14,2%), crédito pessoal com 9,1%, financiamento de casa (8,1%), cheque especial (6,2%), crédito consignado com 4,6%, outras dívidas (1,7%) e cheque pré-datado com 1,6%. Cabe ressaltar, que nos últimos meses essa ordem de classificação manteve-se inalterada.

Segundo a PEIC/CNC, o “endividamento das famílias brasileiras seguiu apresentando tendência de queda em novembro de 2014. Houve não apenas diminuição da proporção de endividados, mas também melhora da percepção acerca do endividamento, com menos famílias relatando estar muito endividadas.” Em nov/14, “a cautela das famílias em relação ao consumo, observada nos índices de confiança e de intenção de consumo, adicionada à proximidade das festas de fim de ano, faz com que mais consumidores quitem suas dívidas.” Ainda segundo a CNC, “entre as famílias com dívidas, o comprometimento da renda com o pagamento destas aumentou, acompanhando o custo elevado do crédito.”

A pesquisa confirma o cartão de crédito na liderança com 74,7%, enquanto o crédito consignado, uma modalidade mais barata é utilizada por cerca de 5% das famílias endividadas. Ao longo dos últimos anos, a preferência tem recaído no cartão de crédito, uma péssima escolha, tendo em vista que os encargos pagos por atraso atingem normalmente três dígitos ao ano.

Portanto, o desconhecimento de noções básicas de economia e finanças pessoais, leva o brasileiro a escolher a modalidade de crédito mais cara praticada no mercado bancário nacional.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Ver o site www.ravecofinancas.com.

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