sábado, 31 de janeiro de 2015

ATVIDADE INDUSTRIAL EM BAIXA
Régis Varão/¹

A publicação Sondagem Industrial (SI), de dez/14, publicada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) finaliza o ano apontando baixa atividade industrial, frágeis expectativas, precárias condições financeiras e o setor empresarial preocupado com a elevada carga tributária, com o declínio da demanda e uma concorrência cada vez mais forte. A pesquisa abrange uma amostra de 2.146 empresas, sendo 846 pequenas, 778 médias e 522 grandes.

A SI apresenta novo indicador, o Índice de Intenção de Investimento (III), que mede a disposição do empresário em investir nos próximos seis meses. O III em jan/15 atingiu 52 pontos, 0,4 ponto abaixo do observado em dez/14 (52,4) e 9,5 pontos inferior ao verificado em jan/14 com 61,5 pontos, mês em que foi registrado a maior intenção de investimento em 2014. O índice varia de 0 a 100 pontos e quanto mais próximo estiver de 100 pontos, maior será a propensão do empresário a investir na indústria.

O declínio da produção de dez/14, embora esperada devido aos aspectos sazonais do mês, foi mais forte que a verificada nos anos anteriores. Quanto à utilização da capacidade instalada é a mais baixa observada para dezembro desde 2011 quando iniciou a série. O emprego segue em queda. Com relação aos aspectos positivos, os dados de dez/14 apresentam ajuste dos estoques, próximos ao planejado. Por outro lado, dez setores permanecem com elevado nível de estoques.

A Sondagem Industrial de dez/14 registrou forte contração da atividade industrial naquele mês. O índice de evolução de produção de dez/14 registra 38,3 pontos, número muito distante da linha média de 50 pontos do índice que varia de 0 a 100 e é o menor da série mensal, iniciada em jan/10. A intensidade do decréscimo do setor industrial entre novembro e dez/14 foi a maior da série. O emprego também apresentou declínio e o índice de evolução do número de empregados de 44,2 pontos é o menor da série mensal.

Cabe ressaltar que o fraco desempenho do setor fica patente ao analisarmos o percentual médio da utilização da capacidade instalada na indústria (UCI). A UCI média de dez/14 atingiu 68%, sendo a mais baixa para o mês desde o início da série em 2001. A UCI em dez/11 atingiu 71%, em dez/12 e dez/13 ficou em 70%, respectivamente.

Quanto aos estoques de produtos finais o índice foi de 47,5 pontos, abaixo da linha média de 50 pontos, o que demonstra queda dos estoques. O índice é o menor da série mensal e significa que a redução dos estoques no período nov-dez/14 foi a maior verificada desde jan/11. Os estoques da indústria voltaram ao nível planejado Segundo a SI, “Dez setores mostram excesso de estoques (índices acima de 51 pontos), enquanto doze mostram nível efetivo abaixo do planejado (índices abaixo dos 49 pontos)”.

Com relação às condições financeiras das empresas, a satisfação com o lucro operacional e a facilidade de acesso ao crédito pioraram no último trimestre de 2014, enquanto a satisfação com a situação financeira ficou praticamente estável quando comparada ao trimestre anterior e a evolução dos preços de matérias-primas vem apresentando elevação nos últimos trimestres.

A satisfação com o lucro operacional passou de 44,9 pontos no 4º trimestre de 2012 (4T12) para 45,1 em igual trimestre de 2013, caindo para 40,6 no 4T14 e abaixo do observado no 3T14 com 41,2 pontos. A satisfação com a situação financeira também permaneceu insatisfatória, subindo para 46 pontos no 4T14, de 45,9 no trimestre anterior, que ficou acima do 2T14 (44,6), e inferior ao 4T12 (50,2) e ao 4T13 com 49,2 pontos. A facilidade de acesso ao crédito tem declinado desde o 4T13 (42,2 pontos) chegando no último trimestre de 2014 com 36,8 pontos, de 37,6 pontos observados no 3T14. A evolução dos preços de matérias-primas vem apresentando elevação desde o 2T14 quando ficou em 58,9 pontos, passou para 61,6 no trimestre seguinte e fechou o 4T14 com 63 pontos.

Repetindo o comportamento das pesquisas anteriores, a elevada carga tributária liderou os problemas enfrentados pelas empresas brasileiras no 4T14, e o problema ganhou relevância pelo segundo trimestre consecutivo e foi indicado por 59,7% das empresas industriais. Os dois itens mais ligados aos problemas que a indústria enfrenta para vender seus produtos, falta de demanda e competição acirrada de mercado, permanecem alternando em posições. A falta de demanda ficou em segundo lugar com 38,5% no 4T14, enquanto a competição acirrada de mercado com 34% ficou em terceiro lugar. No último trimestre de 2014, ganharam mais importância entre os principais problemas o alto custo da matéria-prima (29,4%) e as taxas de juros elevadas com 25,4% das indicações.

Quanto às expectativas dos empresários em jan/15 mostraram-se mais otimistas, ainda que permaneçam baixas. Todos os índices mostram melhora das expectativas na comparação com dez/14, mas ainda abaixo do observado em jan/14. Há expectativa de aumento modesto da demanda, de estabilidade da quantidade exportada e das compras de matérias-primas, ante expectativa de declínio, nos três itens, no mês anterior. As perspectivas quanto ao número de empregados nos próximos seis meses seguem negativas.

Observa-se que o Boletim Focus de 23.1.15, com as expectativas do mercado divulgadas semanalmente pelo Banco Central, reduziu o crescimento da indústria para 0,69% em 2015, ante 0,71% publicada na semana anterior, mostrando o fraco desempenho nas expectativas do mercado para o setor industrial neste ano. Já para 2016, o Focus trabalha com um crescimento de 2,50%, ante +2,65% de elevação na projeção divulgada na semana anterior.

Portanto, a contração da atividade no final de 2014 foi mais intensa que em anos anteriores e tudo indica que não haverá mudanças substanciais - positivas - para os próximos meses. Vários problemas foram detectados e confirmam os grandes gargalos existentes segundo percepção do setor como elevada carga tributária, taxas de juros elevadas, dificuldade de acesso ao crédito e falta de financiamento de longo prazo, alto custo da matéria-prima em baixa utilização da capacidade instalada entre outros.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.
INDICADORES DA SOCIEDADE BRASILEIRA
Régis Varão/¹

A publicação Retratos da Sociedade Brasileira (RSB) divulgada mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aborda temas/problemas brasileiros relevantes como drogas, violência, corrupção, saúde, inflação, impunidade, desmatamento das florestas, burocracia, desemprego, pobreza, poluição, saneamento básico entre outros. A pesquisa é realizada pelo Ibope Inteligência com 2002 entrevistados em 142 municípios.

Segundo a pesquisa RSB de jan/15, entre 2012 e 2014, os problemas e prioridades do brasileiro apresentaram significativas alterações, sendo destaques as questões de cunho econômico enquanto os setores social e ambiental perderam espaço. Em 2012 a inflação que aparecia em 17ª posição entre os problemas considerados extremamente graves subiu para o 5º lugar em 2014, subiu 12 posições. Entre as prioridades relacionadas pela população o controle da inflação ocupava a 10ª posição em dez/12 passando para a 2ª posição em dez/14.

Por outro lado, a corrupção também ganhou em preferência e destacou-se entre os diversos problemas elencados na pesquisa. Entre 2012 e 2014 o percentual de brasileiros que a considera um problema extremamente grave passou de 58% para 62% e o percentual que a escolheu como uma das três principais prioridades subiu de 17% para 24%, saindo da 8ª posição em 2012 para a 5ª colocação dois anos depois.

O período 2012-14 não houve alteração no ranking das quatro principais prioridades relacionadas na publicação RSB de jan/15: drogas em 1º lugar nos dois anos, violência em 2º lugar no mesmo período, corrupção que saiu da 4ª posição em 2012 para 3ª em 2014 e saúde que passou do 3º lugar para o 4º naqueles anos, respectivamente.

Cabe ressaltar que a grande mudança na lista dos problemas relacionados pela população entre aqueles anos é o caso da inflação que saiu da 17ª posição em 2012 para a 5ª posição nas prioridades elencadas em 2014. Segundo a publicação de jan/15, o percentual da população que considera o problema da inflação extremamente grave subiu de 29% (2012) para 48% dois anos depois. Outro problema considerado extremamente grave é o baixo crescimento econômico que apresentou forte mudança nas prioridades do brasileiro, saindo de 26% para 32% e passando da 19ª posição para 11ª posição na mesma base de comparação.

Todavia, itens como corrupção, impostos elevados, baixo crescimento da economia, lentidão da justiça/impunidade e burocracia receberam maior número de indicações em “extremamente grave” por pesquisados de maior escolaridade e grau de instrução. O indicador que registrou o maior índice de indicações ou assinalações foi corrupção que contava com 54 indicações para pessoas até a 4ª série do ensino fundamental, passando para 65 no ensino médio e atingindo 70 para os de curso superior. Os impostos elevados passaram de 32 para 43 e chegaram a 48 naquela base de comparação. O baixo crescimento da economia saiu de 29 assinalações para pessoas até a 4ª série, chegou a 35 no ensino médio e atingiu 36 no superior. A lentidão da justiça/impunidade passou de 39 para 51 e chegou a 56 naqueles níveis de educação, enquanto a burocracia passou de 30 na 4ª série para 36 no ensino médio e registrou 40 indicações por brasileiros de nível superior.

Quanto ao tamanho do município pesquisado, a violência e as drogas lideraram as indicações com 70 para os municípios com mais de 100 mil habitantes (ha), sendo que as drogas foram indicadas 62 vezes em municípios com até 20 mil ha e a violência com 58 indicações naquele tamanho de município. A saúde passou de 53 assinalações em municípios com até 20 mil ha para 61 para os com mais de 100 mil habitantes.

Com relação às prioridades para o segundo mandato presidencial, os brasileiros continuam a defender a melhoria dos serviços de saúde como prioridade do governo, que foi selecionada por 51% dos entrevistados indicando como uma das três principais prioridades para o novo mandato. Segundo a pesquisa, “Ainda que o percentual tenha se reduzido na comparação com o apurado em dezembro de 2012, essa ação mantém-se como a mais citada, sendo a única escolhida por mais da metade da população”.

Portanto, as drogas, a violência, a corrupção, a saúde e problemas econômicos, estes, liderados pela inflação e baixo crescimento econômico servem para mostrar o que realmente preocupa a população carente de gestores responsáveis e comprometidos com a sociedade brasileira. A pesquisa reflete as carências existentes nas políticas públicas adotadas tanto na esfera federal quanto estaduais, podendo ser uma boa indicação e leitura para os novos governantes.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

MERCADO MAIS PESSIMISTA
Régis Varão/¹

As estimativas elaboradas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicos divulgadas no Boletim Focus de 23.1.15, do Banco Central, apresentaram algumas alterações para 2015 e 2016, com destaque para a redução das expectativas de crescimento do PIB. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições bancárias e consultorias:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 23.1.15 elevou para 6,99% a expectativa do IPCA para 2015, ante 6,67% observada na semana anterior e 6,53% há quatro semanas, enquanto o boletim de 24.1.14 aponta para 5,70%. Para 2016, a pesquisa divulgada ontem reduz para 5,60% a estimativa do índice, de 5,70% verificada nas três semanas anteriores;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa divulgada ontem elevou para 5,64% a projeção do índice para 2015, frente a 5,60% da semana anterior e 5,67% erificada há um mês, enquanto o boletim de 24.1.14 indica 5,50%. O último Focus aponta projeção de 5,50% para 2016;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): a pesquisa de 23.1.15 mantém o câmbio em R$/U$2,80 para 2015, ante igual valor divulgado nas semanas anteriores, enquanto o Focus de 24.1.14 mantém em R$/U$2,50. Para 2016, a expectativa foi elevada para R$/U$2,90, de R$/U$2,85 observada na semana anterior e R$/U$2,78 há quatro semanas;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 23.1.15 mantém inalterada a projeção da Selic em 12,50% a.a. para 2015, enquanto a pesquisa de 24.1.14 aponta taxa de 11,50% a.a. O boletim de 23.1.15 estima em 11,50% a.a. os juros para o próximo ano;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a pesquisa divulgada ontem apresentou declínio para o crescimento do PIB (+0,13%) em 2015, ante +0,38% observada na semana anterior e +0,55% há um mês, enquanto a pesquisa de 24.1.14 indica redução para +2,20%, ante +2,50% registrada na semana anterior. Com relação a 2016, o mercado corrigiu para baixo o crescimento do indicador (+1,54%), ante +1,80% divulgado na semana anterior;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de ontem reduziu o crescimento da indústria para 0,69% em 2015, ante 0,71% divulgado na semana anterior, enquanto a pesquisa de 24.1.14 estima o desempenho da indústria em +2,95, de +2,89% divulgado na semana anterior e +2,95% há quatro semanas. Para 2016, o boletim de ontem projeta o crescimento da indústria em +2,50%, ante +2,65% divulgada na semana anterior;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa de 23.1.15 reduz o superávit da balança comercial para U$4,50 bilhões em 2015, enquanto o Focus de 24.1.14 aponta superávit de U$12 bilhões. Para o próximo ano, o Focus divulgado ontem reduz o superávit para U$10,02 bilhões, ante U$13 bi da semana anterior e U$15 bi há trinta dias;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): o Focus desta semana corrigiu para cima a estimativa do IED (U$60 bilhões), ante U$58,20 bi da semana anterior, enquanto a pesquisa de 24.1.14 trabalha com U$60 bilhões. O boletim desta semana mantém inalterada em U$60 bi a estimativa do IED para 2016.

Portanto, as medidas adotadas pela nova equipe econômica não surtirão efeitos significativos no curto prazo. Por outro lado, a possibilidade de racionamento de água e energia elétrica, caso se verifique, pode pressionar negativamente o desempenho da atividade econômica e com isso elevar o desemprego.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 24 de janeiro de 2015

ARMADILHAS FINANCEIRAS
Régis Varão/¹

O setor bancário está repleto de pegadinhas financeiras, a começar pelas contas correntes que incluem inúmeras tarifas, muitas vezes impossíveis de serem entendidas pelo cidadão que não dispõe de conhecimentos em finanças pessoais, matemática financeira e economia. Os juros praticados internamente pelos bancos nacionais e pelo Banco Central (Taxa Selic) estão entre os mais elevados do mundo, e segundo a consultoria Moneyou é a mais elevada taxa de juros reais (descontado a inflação) entre quarenta economias pesquisados.

Os juros praticados no Brasil são elevadíssimos e torna o crédito concedido internamente o mais caro do mundo, o que já é suficiente para que o cidadão evite as modalidades cartão de crédito, cheque especial, crédito direto ao consumidor, carnês de lojas, compras parcelas etc. Nas muitas artimanhas do setor bancário temos a generosa oferta de títulos de capitalização e consórcios que praticamente só são vendidos no Brasil e são considerados excelentes negócios apenas para o sistema bancário e bons quando o consumidor é sorteado.

Pensando no bolso do consumidor resolvi alertá-los a respeito das mais frequentes armadilhas. Do dicionário Michaelis tiramos duas definições de armadilha, que ilustra minha preocupação: “qualquer artifício com que se apanha a caça” e “meio ardiloso de enganar alguém.” Simples de verificar a relação, a caça nesse caso é o cliente, o consumidor de produtos bancários ou melhor o tomador de crédito.

As linhas de crédito mais comuns utilizadas pelos consumidores são: cartão de crédito, cheque especial, cartões de lojas e compras a prazo. Existem inúmeras maneiras do cidadão se endividar, mas vamos mostrar o que causa mais problemas nos orçamentos das famílias e são motivos frequentes de descontroles financeiros e endividamento:

1. CARTÃO DE CRÉDITO: esse prático e moderno meio de pagamento de plástico - para cada 10 brasileiros existem 8 cartões de crédito, pode deixar muita gente em dificuldade ao facilitar a aquisição rápida de bens e serviços diretamente com o vendedor/fornecedor ou pela internet. Pague a fatura integral, não pague o valor mínimo, pois os juros incidentes sobre o saldo devedor é o mais elevado do mercado, pode chegar a dois dígitos ao mês e no ano atingir três dígitos. Utilize essa linha de crédito a seu favor, cadastre-o em programas de milhagem/fidelidade (Tam, Gol entre outras) que podem ajudar a adquirir passagens nacionais e internacionais gratuitamente entre outros benefícios. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), cerca de 75% dos consumidores brasileiros têm se endividado com cartão de crédito, ao invés de buscarem outras modalidades mais baratas como o crédito consignado.  Utilizando a Calculadora do cidadão no site do Banco Central vamos fazer algumas simulações do custo do crédito rotativo do cartão de crédito. Uma dívida no cartão de crédito - rotativo - de R$1.000,00, em 12 meses e juros de 7,80% a.m. totaliza R$2.462,78 e os juros atingem 146,28% a.a. Estamos utilizando uma taxa de juros de 7,80% a.m. para cliente preferencial de uma grande instituição bancária nacional, sendo que taxas praticadas fora dessa categoria podem atingir até 12% a.m. o que anualizado fica em 289,60% a.a. e o valor sobe para R$3.895,98. Se as compras forem realizadas fora do País, em outra moeda estrangeira, existe a incidência (fora a conversão cambial) de uma alíquota de 6,38% de IOF, um presente dado no final de dez/13 aos que viajam para fora do País. Assim, liquide a fatura integralmente todo mês para não ficar endividado e evite quando fora do Brasil compras com cartão de crédito. Não contribua para aumentar os lucros do setor bancário;

2. CHEQUE ESPECIAL: os juros são calculados diariamente com base em uma taxa prefixada e definida mensalmente por cada instituição financeira, variando de acordo com o risco de cada cliente. A cobrança dos juros pela utilização do cheque especial é feita normalmente no primeiro dia útil do mês, sendo debitada diretamente na conta corrente. Assim, cada cliente pagará uma taxa de juros específica. Os juros do cheque especial atingiram, em set/14, o maior nível em 15 anos, movimentando nos nove primeiros meses de 2014 o montante de R$ 23 bilhões. Juntamente com o cartão de crédito é uma das modalidades mais caras de linhas de crédito. Segundo estatísticas divulgadas no site da revista Exame, entre 27 instituições pesquisadas, os juros variaram de 27,80% a.a. (Banco Sofisa S.A) a 322,99% a.a. (Banco Santander Brasil S.A). Os dois maiores bancos públicos brasileiros, Caixa Econômica Federal com 117,83% a.a. e Banco do Brasil S.A com 164,76% a.a. ficaram em 16ª e 17ª posição, respectivamente, enquanto o BRB-Banco de Brasília S.A (107,65% a.a.) ficou em 15º lugar. Fique atento ao utilizar o cheque especial e caso aconteça procure liquidar o mais rápido possível para evitar a incidência dessa massacrante taxa de juros;

3. COMPRAS PARCELADAS: a compra a prazo é aquela em que se divide o valor do bem ou serviço adquirido em parcelas ou prestações. Antes de decidir pelo parcelamento pense em suas contas mensais, em prestações já existentes, em seu orçamento, em sua reserva financeira e na necessidade de fazer aquela compra, pois durante meses haverá o compromisso de pagar as novas aquisições, muitas vezes desnecessárias, e quando somadas a outras parcelas já existentes se transformam em grandes valores, podendo prejudicar compromissos importantes e levar a dificuldades financeiras. Parte das compras realizadas vem associada ao fator impulso que termina levando o consumidor ao endividamento. Se não tiver dinheiro para comprar a vista não compre, deixe para o próximo mês, semestre etc ou simplesmente não compre. Muitas vezes a compra parcelada ou a prazo é uma opção razoável e até boa quando o consumidor não dispõe de reserva suficiente para pagar o produto à vista, desde que não afete o orçamento mensal do consumidor e atenda ao princípio da necessidade. Muitos são tentados pelos parcelamentos em cartão de crédito, o que tem elevado fortemente o nível de endividamento das pessoas. Anote cada nova prestação em uma planilha ou caderno e some com as já existentes, para verificar como ficará o pagamento dessa nova dívida e se haverá risco de endividamento. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Com uma resposta negativa a qualquer uma das perguntas, não compre. Se as respostas forem positivas, assim mesmo antes de comprar peça desconto;

4. CARNÊS DE LOJAS: esse é outro tipo de endividamento que tem aumentado nos últimos anos, tendo em vista o aumento da oferta: Lojas Americanas, Lojas Renner, C&A, Lojas Riachuelo, Lojas Pernambucanas, Magazine Luiza, Ricardo Eletro, Fast Shop, Lojas Cem, Lojas Colombo, Casas Bahia e inúmeras outras espalhadas pelo País. De acordo com a CNC, ao longo dos últimos meses o cartão de crédito tem sido apontado como a principal fonte de endividamento do brasileiro, mantendo-se estável em cerca de 75% entre out/14 e novembro deste ano. No entanto, o segundo colocado na preferência do consumidor brasileiro é o carnê de loja com 17,3%. Observo que nos últimos meses essa ordem de classificação manteve-se inalterada. Os juros cobrados são elevados e chegam a ultrapassar 5% a.m., o que sobe para cerca de 80% a.a. Logo uma opção pouco aconselhável. O pior é que existe consumidor que tem pelo menos cinco desses carnês, o que compromete fortemente a saúde financeira das pessoas. Lojas de mesma característica como Renner, C&A, Riachuelo e Magazine Luiza praticamente oferecem o mesmo produto - vestuário, cama, mesa e banho. Nesse caso o consumidor pode escolher suas compras em apenas uma loja e não em quatro. Escolha a que oferece produtos de melhor qualidade e variedade e opte apenas por uma dessas lojas. Não há necessidade de comprar parcelado e pagar juros elevados nas quatro lojas. O mesmo pode ser observado em outros segmentos do varejo.

O ano de 2015 está iniciando e não será fácil para quem está com problemas de endividamento ou deseja adquirir bens ou serviços. Será um ano de arrocho, com cortes nas despesas do governo, aumento de impostos e tarifas públicas, além do já anunciado aumento no preço dos combustíveis. Os juros continuarão elevados ainda no primeiro semestre, o crédito sofrerá restrição para pessoa física e jurídica, a inflação alta continuará a reduzir o poder aquisitivo do consumidor e o nível de desemprego aumentará.

Portanto, procure fazer uma reserva financeira, poupe o máximo que puder todos os meses do ano, postergue compras não necessárias, evite os supérfluos, pense antes de abrir a carteira e conte até 10 para adquirir bens ou serviços. Se precisar comprar (urgência ou necessidade) não parcele as compras, a não ser que seja sem juros, evite usar o cartão de crédito, cheque especial e carnês de lojas, pois essas são as armadilhas mais frequentes que encontramos no dia-a-dia dos endividados. Seja um consumidor consciente e valorize os pequenos números.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com larga experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

PORQUE AS PESSOAS FRACASSAM
Régis Varão/¹

As escolas de negócios espalhadas pelo mundo, inclusive as brasileiras, discutem as qualidades de líderes empresariais bem sucedidos, mas pouco discutem a respeito do que levam as pessoas ao fracasso, isto é, essas escolas com seus MBA’s não debatem o tema fracasso. Essa disciplina não faz parte do currículo desses cursos.

Algumas escolas focam em estudos de casos (case studies), mas trabalham os pontos negativos de uma corporação como defasagem tecnológica, inadequação de produtos, aumento de custos, queda nas vendas, redução do lucro líquido, folha de pagamento crescente, hierarquia excessiva, problemas de concorrência, regulação inadequada, controles internos, falta de governança e outros fatores, mas na realidade a pergunta a ser feita é: Por que as pessoas fracassam? porque as corporações fracassam, todos já sabemos.

Pensando sob essa ótica resolvi apresentar uma descrição das principais causas que levam as pessoas ao fracasso e que estão listadas no livro de maior sucesso no mundo dos negócios “Quem pensa enriquece,” de Napoleon Hill que passou vinte e cinco anos para escrevê-lo por encomenda do milionário norte-americano Andrew Carnegie no início do século passado.

A pesquisa que deu origem ao livro apresentou 31 razões principais para o fracasso e treze princípios por meio dos quais pessoas acumulam fortunas. Considerando o objetivo desta análise, apresento algumas adaptações e observações pessoais, o que me fez selecionar 12 entre os 31 motivos listados na pesquisa de Hill:

01. Ausência de objetivo: não há esperança de sucesso para a pessoa que não tem um propósito, um objetivo definitivo no qual mirar. O artigo saúde financeira afirma: defina com clareza o que deseja fazer, pois, ter objetivo e foco são atitudes importantes na tomada de decisão. Assim, é em nossa vida, nossa família, nosso trabalho, nossa vida financeira, o lazer, a vizinhança, a escola etc. Na maioria das vezes o sucesso considera apenas objetivos comuns. É muito importante decidir o que deseja. Aponte sempre para o futuro, mas decida aonde quer chegar;

02. Falta de ambição: a ambição está diretamente vinculada a aspectos que envolvem superação e a busca por excelência. Não se vê nenhuma esperança para pessoas que são tão indiferentes que não queiram evoluir na vida e que não estejam dispostas a pagar o preço do sucesso. Pessoas com esse perfil normalmente são acomodadas, pouco criativas e têm baixo rendimento, logo, não são escolhas adequadas para corporações modernas;

03. Educação insuficiente: curso superior é apenas uma das diversas maneiras de adquirir conhecimento. Educação consiste não apenas de conhecimentos adquiridos em uma universidade ou fora dela, mas da aplicação desse conhecimento, pois os homens são pagos não meramente pelo que sabem, mas pelo que eles fazem com aquilo que sabem;

04. Falta de autodisciplina: a disciplina está associada ao autocontrole, assim, é necessário controlar todas as qualidades negativas, pois antes que você possa controlar situações, você precisa controlar a si mesmo. Robert Wise falando a respeito de uma declaração de Michael Jordan, “não há atalhos”, afirma que todo o sucesso de Jordan foi conquistado sendo o primeiro a chegar ao treino e o último a sair. Foi treinando muito, repetindo exaustivamente cada fundamento e cuidando da saúde para obter o máximo de desempenho físico em quadra que ele obteve sucesso. Assim deve ser as pessoas de sucesso;

05. Procrastinação: uma das causas frequentes do fracasso e acompanha o homem como uma sombra, aguardando a oportunidade de estragar as chances de sucesso. Pessoas com essa característica normalmente se apoiam numa variedade enorme de desculpas e álibis. A maioria segue pela vida como fracassado, porque fica esperando o tempo certo de começar a fazer algo. Não espere, siga em frente. O tempo nunca será exatamente o mesmo. Comece de onde estiver. Trabalhe com quaisquer ferramentas que estiver ao seu alcance, pois as melhores e mais adequadas ferramentas serão encontradas quando você avançar.

06. Falta de persistência: a maioria das pessoas são boas iniciadoras, mas não finalizam o que começam, e o que é pior, tendem a desistir nos primeiros sinais de dificuldade. “Não há substituto para a persistência.” A pessoa que faz da persistência o seu lema descobre que o velho amigo fracasso finalmente fica cansado e dá seu adeus, pois o fracasso não consegue conter e nunca vence a persistência;

07. Personalidade negativa: a personalidade negativa é prejudicial sob quaisquer aspectos e ambientes desde o familiar até o profissional. No mundo corporativo alguns profissionais mesmo tendo boa formação acadêmica e experiência em grandes corporações têm carreiras que não avançam, e são esses profissionais que mais reclamam de seu insucesso. A personalidade negativa sempre afirma: não sou escolhido na hora das promoções, isso não vai dar certo, não recebo propostas melhores de emprego, meu negócio não decola e finalmente o que as outras pessoas têm que eu não tenho? Segundo Hill, o sucesso vem com a aplicação de poder, que é adquirido por meio da cooperação de outras pessoas, e uma personalidade negativa não vai levar à cooperação. A pessoa que tem essa característica já acorda de mau humor, reclama de tudo e de todos, e coloca dificuldade em tudo antes de avaliar as possibilidades. Assim, terminam sempre atraindo acontecimentos negativos. O fracasso acompanha como uma sombra as pessoas de personalidade negativa que raramente sobem ao pódio;

08. Cuidado em excesso: a zona de conforto em que nos encontramos na maior parte das vezes é muito perigosa. Robert K. Wise afirma que “Muitos aceitam uma condição para a qual conferem a qualidade de temporária sem perceber a passagem dos anos e o cerco da armadilha que se fecha.” As pessoas se recusam a aceitar novos desafios. Entretanto, é importante para romper com o marasmo e ajudar a nos levar para frente. Arriscar não é agir com irresponsabilidade. A pessoa que não assume riscos geralmente tem que se contentar com o que resta após os outros terminarem suas escolhas. O risco faz parte do nosso dia-a-dia, temos que aceitá-lo e utilizá-lo a nosso favor. No entanto, quem os assume deve conhecê-los, estudá-los, deve saber exatamente quais os benefícios no caso do sucesso, bem como as consequências pelo insucesso. “Excesso de cuidado é tão prejudicial quanto falta de cuidado. Ambos são extremos dos quais devemos nos proteger, pois a vida por si só já está cheia de fatalidades”;

09. Preconceito e intolerância: são formas de ignorância e medo. Pessoas com essas características param de adquirir conhecimento, pois têm a mente fechada para novos assuntos e opiniões, assim, raramente avançam e têm sucesso. Pessoas bem sucedidas mantém a mente aberta a novos desafios. O intolerante não consegue compreender o outro em suas intenções ou observações e interpreta tudo segundo seu código particular de conduta, pois não admite que a outra pessoa - subordinada ou não - possa ter um ponto de vista ou modo de vida diferente do seu parâmetro, e reage a isso de modo agressivo. As mais danosas formas de preconceito e intolerância são aquelas ligadas à religião, política, étnica, problemas raciais e sexo;

10. Hábito de gastar muito: uma pessoa descontrolada financeiramente não pode ser bem sucedida principalmente porque ela permanece eternamente com medo da pobreza. Adquira o hábito de economizar sistematicamente um percentual de sua renda. Segundo Hill, “Dinheiro no banco proporciona uma base encorajadora para barganhar na venda de seus serviços pessoais. Sem dinheiro, você deve aceitar o que for oferecido, e ser grato por isso;”

11. Egoísmo e vaidade: são qualidades que servem como luzes vermelhas de alerta, que advertem os outros a manter distância. O egoísta acredita ser mais importante que os demais mortais e coloca seus interesses, opiniões e necessidades em primeiro lugar, em detrimento das demais pessoas com que se relaciona. O vaidoso tem cuidado exagerado com aparência, pelo prazer ou com o objetivo de atrair a admiração/elogios de terceiros e sente a necessidade de se exibir, de ostentar etc. Egoístas e vaidosos vêm e escutam o que lhes interessa e na maioria das vezes cometem erros graves que poderiam ser evitados. Podem ter sucesso, mas raramente o mantém por muito tempo;

12.  Falta de entusiasmo: segundo Hill sem entusiasmo não se pode ser convincente. Além disso, o entusiasmo pode ser contagioso e aqueles que o possuem são geralmente aceitos em qualquer grupo de pessoas. O homem de negócios bem sucedido é motivado, trabalha com entusiasmo, gosta de desafios, na maioria das vezes gosta do que faz e desempenha suas atividades da melhor maneira possível, assim, atingem o sucesso e o mantém.

Portanto, não é tão fácil evitar os princípios descritos acima para obter e se manter uma pessoa de sucesso seja no mundo empresarial, familiar ou em qualquer outro ramo da atividade humana. Muitos desses princípios já viraram crenças, logo, depende de grande esforço e persistência para alterá-los, mas com tempo e paciência tudo é possível. Se você deseja ser um bom pai de família, um profissional bem sucedido e um membro respeitável da comunidade, dependerá exclusivamente de você. Nunca desista, fique atento as suas atitudes, elas fazem a diferença entre o sucesso e o fracasso.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

ESTIMATIVAS DO MERCADO
Régis Varão/¹

As estimativas realizadas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicos publicadas no Boletim Focus de 16.1.15, do Banco Central, apresentaram algumas alterações para 2015 e 2016. A pesquisa é semanal e realizada com cerca de 100 instituições bancárias e consultorias:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 16.1.15 elevou para 6,67% a expectativa do mercado para o IPCA em 2015, ante 6,60% observada na semana anterior e 6,54% há quatro semanas, enquanto o boletim de 17.1.14 aponta para 5,60% este ano. Para 2016, a pesquisa desta semana mantém em 5,70% a estimativa do índice;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa divulgada ontem reduziu para 5,60% a projeção do índice para 2015, frente a 5,66% da semana anterior e 5,67% observada há um mês, enquanto o boletim de 17.1.14 indica 5,50%. A última pesquisa Focus aponta projeção de 5,50% para 2016;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): a pesquisa de 16.1.15 trabalha com um câmbio de R$/U$2,80 para 2015, ante R$/U$2,75 divulgada há quatro semanas, enquanto o Focus de 17.1.14 indica R$/U$2,50. Para 2016, a expectativa foi elevada para R$/U$2,85, de R$/U$2,83 observada na semana anterior e R$/U$2,75 há um mês;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 16.1.15 manteve inalterada a projeção da Selic em 12,50% a.a. para 2015, enquanto a pesquisa de 17.1.14 aponta taxa de 11,50% a.a. O boletim de 16.1.15 estima em 11,50% a.a. os juros para 2016;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a estimativa para 2015 declinou para +0,38%, ante +0,40% observada na semana anterior e +0,55% há um mês, enquanto a pesquisa de 17.1.14 indica +2,50% para aquele ano. Com relação ao próximo ano, o mercado manteve em +1,80% a estimativa de crescimento do PIB;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de ontem reduziu o crescimento da indústria para +0,71% em 2015, de +1,02% registrado nas últimas semanas, enquanto a pesquisa de 17.1.14 estima o desempenho da indústria em +2,89, de +3% na semana anterior. O boletim desta semana projeta o crescimento do setor industrial em +2,65% para 2016, ante a alta de 2,50% divulgada há quatro semanas;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa de 16.1.15 manteve o superávit da balança comercial em U$5 bilhões para 2015, enquanto o Focus de 17.1.14 aponta para superávit de U$12 bilhões. Para 2016, a pesquisa desta semana elevou o superávit para U$13 bilhões, ante U$10 bi da semana anterior e U$13,50 bi apresentada há trinta dias;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): há meses o mercado mantém a estimativa do IED em U$60 bilhões, tendo o Focus de 16.1.15 registrado a primeira alteração nos últimos meses, com queda para 2015, que passou de U$60 bilhões para U$58,20 bi, enquanto para 2016 a estimativa continua inalterada em U$60 bi.

Portanto, o ano está começando com mudanças na política econômica, embora o mercado tenha adiantado possíveis medidas que a nova equipe econômica poderia adotar: corte nas despesas públicas, elevação dos juros, encarecimento do crédito e aumento da carga tributária, com consequente elevação do desemprego.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS CAIU EM 2014
Régis Varão/¹

Na semana passada a Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgou a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) referente a 2014, que mostra uma queda de 0,8% em 2014, ante o ano anterior, atingindo a média anual de 61,9% do total das famílias brasileiras.

O número médio das famílias brasileiras endividadas com cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, crédito pessoal, carnês, financiamento de carro, financiamento de casa, entre outros, decresceu 0,8% em 2014, ante 2013. O percentual desse endividamento no 1T (primeiro trimestre) e no 2T (segundo trimestre) de 2014 ultrapassou o patamar observado em igual período de 2013. Com o declínio mais forte no 4T14, o percentual médio de famílias com dívidas atingiu 61,9% em 2014. Nos últimos cinco anos o endividamento apresentou o seguinte comportamento: 59,1% em 2010, 62,2% em 2011, 58,3% em 2012, 62,5% em 2013 e atingiu 61,9% em 2014, o terceiro menor valor em cinco anos. Quanto a valores absolutos passou de 8.642,6 mil em 2010 para 8.470,6 mil em 2012 e atingiu 9.041,2 mil em 2014, um incremento de 4,6% nos últimos cinco anos.

No período 2010-14, a queda na média anual de famílias com conta em atraso foi 24,7%. As famílias com conta em atraso apresentaram o seguinte desempenho: 25% em 2010, 22,9% no ano seguinte, 21,4% em 2012, 21,2% em 2013 e registrou o menor valor em cinco anos com 19,4% em 2014. Em valores absolutos, passou de 3.766,9 mil em 2010 para 3.039,5 em 2012 e atingiu 2.836,6 mil famílias em 2014.

Com relação às famílias sem condições de pagar as dívidas em atraso, logo, permaneceram inadimplentes, a média anual registrou os seguintes aumentos percentuais: 8,8% em 2010, 8% em 2011, 7,1% em 2012, 6,9% em 2013 e 6,3% em 2014, o menor ante o ano anterior, declinou 1,6% em 2013 frente a 2012, recuou 11,9% naquele ano, ante 2011 e caiu neste último 10,6% ante 2010. Em números absolutos, o total de famílias inadimplentes passou de 1.288,4 mil famílias em 2010 1.015,3 mil em 2012 e atingiu o menor nível em 2014 com 899,9 mil famílias.

Nos últimos cinco anos o cartão de crédito tem liderado como o tipo de dívida mais citada pelas famílias brasileiras. É a principal fonte de endividamento das famílias, além de mais cara, seguido por carnês, financiamento de carro, crédito pessoal, financiamento de casa, cheque especial, crédito consignado, cheque pré-datado e outras dívidas/não sabe/não respondeu em última posição.

Cartão de crédito passou de 70,9% em 2010, para 72,7% no ano seguinte, 73,6% em 2012, e manteve praticamente estável em 2013 com 75,2% e 75,3% em 2014. Nos últimos cinco anos registrou elevação de 4,4 p.p. Cabe observar que essa modalidade de dívida continua na liderança e é a mais cara linha de crédito ofertada pelo sistema bancário, causando prejuízos ao orçamento familiar. Essa linha de crédito está muito distante do segundo colocado.

Carnês ocupa a segunda posição na preferência das famílias com dívidas, atingindo 25% em 2010, 22% em 2011, 19,8% em 2012, 18,7% em 2013 e finalmente 2014 registrou 17%, o menor percentual ao longo dos últimos cinco anos. Entre 2010 e 2014 apresentou declínio de 8 p.p., a maior queda verificada no período entre os tipos de dívidas pesquisadas.

Financiamento de carro, em terceiro lugar na preferência das famílias, apresentou o seguinte comportamento: 10,3% em 2010 e 10% em 2011, 11,5% em 2012, atingiu 12,2% em 2013 e chegou ao maior valor do período em 2014 com 13,8%. Esse tipo de dívida registrou crescimento de 3,5 p.p. no período. A facilidade concedida pelo setor automobilístico na aquisição de carros novos, a disponibilidade de crédito e prazos mais elásticos contribuíram para o crescimento do financiamento de carros.

Crédito pessoal é o quarto na preferência das famílias passando de 11,3% em 2010 para 10,8% no ano seguinte, subindo para 11,3% em 2012, caindo para 10,5% em 2013 e atingindo o menor valor em 2014 com 9,5%. Esse tipo de dívida apresentou decréscimo de 1,8 p.p. no período.

Financiamento de casa está em quinta posição na preferência das famílias e registra a maior variação positiva no período 2010-14 com 4,6 p.p. Ao longo dos últimos cinco anos, o financiamento de casa começou com 3,2% em 2010, foi para 3,5% no ano seguinte, subiu para 4,5% em 2012 e registrou expressivos aumentos em 2013 (6,1%) e em 2014 com 7,8%. Existe compatibilidade no crescimento desse tipo de dívida com as facilidades existentes na concessão de crédito.

Cheque especial ocupa o sexto lugar por tipo de dívida. Das linhas de crédito ofertadas pelo setor bancário, o cheque especial só perde para o cartão de crédito em termos de custos para o devedor. Uma modalidade dispendiosa para o orçamento das famílias, tendo em vista o montante de juros cobrados pelos bancos quando de sua utilização. A boa notícia é que as famílias vêm reduzindo o endividamento com esse tipo de crédito. Comportamento nos últimos cinco anos: 8,3% em 2010, 6,8% em 2011, 6,2% em 2012 e 2013, respectivamente, e atingindo 5,6% em 2014, o menor valor do período. Nos últimos cinco anos houve declínio de 2,7 p.p. nesse tipo de dívida, tendo registrado o segundo maior declínio entre 2010 e 2014 entre os tipos de dívidas listadas.

Crédito consignado é o sétimo colocado e de mais baixo custo para as famílias. Estava em 3,9% em 2010 e 2011, respectivamente, subiu para 4% em 2012, atingiu 5,2% em 2013 e caiu em 2014 para 4,7%. No período apresentou crescimento de 0,8 p.p. Interessante observar que esse tipo de dívida é a de mais baixo custo entre todas as listadas, mas não tem a simpatia por parte das famílias que preferem modalidades mais caras com o cartão de crédito.

Cheque pré-datado é o oitavo classificado e apresentou o terceiro maior declínio no período 2010-14, com -1,8 p.p. Em 2010 estava em 4%, caiu para 3% no ano seguinte, e continuou caindo em 2012 (2,7%), 2013 (2,2%) e 1,8% em 2014.

Outras dívidas/não sabe ou não respondeu, no conjunto, apresentou pequenas mudanças ao longo dos últimos cinco anos, saindo de 3% em 2010 e chegando a 2,8% em 2012 e 2014, respectivamente.

Embora tenha melhorado o perfil das dívidas das famílias, houve crescimento do nível de comprometimento da renda familiar com pagamento de dívidas.  Os juros elevados pressionaram o custo do crédito, que vem ficando elevado nos últimos meses. Nos últimos cinco anos o aumento do prazo médio de comprometimento da renda familiar apresentou o seguinte comportamento: em 2010 estava em 6,68 meses, ficou praticamente estável em 2011 com 6,69 meses, caiu para 6,53 em 2012, subiu para 6,74 em 2013 e atingiu 6,90 meses em 2014, a mais elevada no período. Já a parcela média da renda mensal familiar comprometida com o pagamento de dívidas ficou em 29,9% em 2010, caiu para 29,6% em 2011, subiu para 30% em 2012, declinou para 29,4% em 2013 e registrou o maior percentual no período com 30,4% em 2014.

Embora tenha havido elevação do comprometimento de renda das famílias, a redução do percentual de famílias brasileiras com dívida e o perfil mais favorável do endividamento familiar ajudou para que as famílias tivessem uma percepção mais favorável em relação ao nível de endividamento. A média anual do percentual de famílias que afirmaram estar muito endividadas atingiu 14% em 2010, 15,9% em 2011, 13% em 2012, 12,4% em 2013 e atingiu no período em análise o menor percentual em 2014 com 11,6%. As famílias que se consideram mais ou menos endividadas passou de 21,1% em 2010 para 20,8% em 2012 e atingiu o maior percentual em 2014 com 23,8%. As famílias pouco endividadas passaram de 24% em 2010, para 23,9% em 2011, subiu para 24,5% em 2012, atingiu o maior percentual em 2013 (27,2%) e fechou 2014 com 26,6%.

Portanto, o nível de endividamento das famílias brasileiras em 2014 diminuiu quando comparado ao ano anterior, tendo o moderado aumento do crédito e um consumo mais modesto contribuído para esse declínio. Embora tenha havido decréscimo do endividamento e da inadimplência, houve aumento do comprometimento de renda das famílias que se declararam endividadas. A alta dos juros elevou o custo do crédito e contribuiu para aumentar o peso do serviço das dívidas na renda das famílias.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.