ATVIDADE INDUSTRIAL
EM BAIXA
Régis
Varão/¹
A publicação Sondagem Industrial (SI), de dez/14, publicada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) finaliza o
ano apontando baixa atividade industrial, frágeis expectativas, precárias condições
financeiras e o setor empresarial preocupado com a elevada carga tributária, com
o declínio da demanda e uma concorrência cada vez mais forte. A pesquisa abrange
uma amostra de 2.146 empresas, sendo 846 pequenas, 778 médias e 522 grandes.
A SI apresenta novo indicador, o Índice de Intenção
de Investimento (III), que mede a disposição do empresário em investir nos
próximos seis meses. O III em jan/15 atingiu 52 pontos, 0,4 ponto abaixo do observado
em dez/14 (52,4) e 9,5 pontos inferior ao verificado em jan/14 com 61,5 pontos,
mês em que foi registrado a maior intenção de investimento em 2014. O índice
varia de 0 a 100 pontos e quanto mais próximo estiver de 100 pontos, maior será
a propensão do empresário a investir na indústria.
O declínio da produção de dez/14, embora esperada devido
aos aspectos sazonais do mês, foi mais forte que a verificada nos anos
anteriores. Quanto à utilização da capacidade instalada é a mais baixa observada
para dezembro desde 2011 quando iniciou a série. O emprego segue em queda. Com
relação aos aspectos positivos, os dados de dez/14 apresentam ajuste dos
estoques, próximos ao planejado. Por outro lado, dez setores permanecem com elevado
nível de estoques.
A Sondagem Industrial de dez/14 registrou forte
contração da atividade industrial naquele mês. O índice de evolução de produção
de dez/14 registra 38,3 pontos, número muito distante da linha média de 50
pontos do índice que varia de 0 a 100 e é o menor da série mensal, iniciada em
jan/10. A intensidade do decréscimo do setor industrial entre novembro e dez/14
foi a maior da série. O emprego também apresentou declínio e o índice de
evolução do número de empregados de 44,2 pontos é o menor da série mensal.
Cabe ressaltar que o fraco desempenho do setor fica
patente ao analisarmos o percentual médio da utilização da capacidade instalada
na indústria (UCI). A UCI média de dez/14 atingiu 68%, sendo a mais baixa para
o mês desde o início da série em 2001. A UCI em dez/11 atingiu 71%, em dez/12 e
dez/13 ficou em 70%, respectivamente.
Quanto aos estoques de produtos finais o índice foi
de 47,5 pontos, abaixo da linha média de 50 pontos, o que demonstra queda dos
estoques. O índice é o menor da série mensal e significa que a redução dos estoques
no período nov-dez/14 foi a maior verificada desde jan/11. Os estoques da
indústria voltaram ao nível planejado Segundo a SI, “Dez setores mostram
excesso de estoques (índices acima de 51 pontos), enquanto doze mostram nível
efetivo abaixo do planejado (índices abaixo dos 49 pontos)”.
Com relação às condições financeiras das empresas,
a satisfação com o lucro operacional e a facilidade de acesso ao crédito
pioraram no último trimestre de 2014, enquanto a satisfação com a situação
financeira ficou praticamente estável quando comparada ao trimestre anterior e
a evolução dos preços de matérias-primas vem apresentando elevação nos últimos
trimestres.
A satisfação
com o lucro operacional passou de 44,9 pontos no 4º trimestre de 2012 (4T12)
para 45,1 em igual trimestre de 2013, caindo para 40,6 no 4T14 e abaixo do
observado no 3T14 com 41,2 pontos. A satisfação
com a situação financeira também permaneceu insatisfatória, subindo para 46
pontos no 4T14, de 45,9 no trimestre anterior, que ficou acima do 2T14 (44,6), e
inferior ao 4T12 (50,2) e ao 4T13 com 49,2 pontos. A facilidade de acesso ao
crédito tem declinado desde o 4T13 (42,2 pontos) chegando no último trimestre
de 2014 com 36,8 pontos, de 37,6 pontos observados no 3T14. A evolução dos preços de matérias-primas
vem apresentando elevação desde o 2T14 quando ficou em 58,9 pontos, passou para
61,6 no trimestre seguinte e fechou o 4T14 com 63 pontos.
Repetindo o comportamento das pesquisas anteriores,
a elevada carga tributária liderou
os problemas enfrentados pelas empresas brasileiras no 4T14, e o problema
ganhou relevância pelo segundo trimestre consecutivo e foi indicado por 59,7%
das empresas industriais. Os dois itens mais ligados aos problemas que a
indústria enfrenta para vender seus produtos, falta de demanda e competição
acirrada de mercado, permanecem alternando em posições. A falta de demanda ficou em segundo lugar com 38,5% no 4T14, enquanto
a competição acirrada de mercado com
34% ficou em terceiro lugar. No último trimestre de 2014, ganharam mais
importância entre os principais problemas o alto custo da matéria-prima (29,4%)
e as taxas de juros elevadas com 25,4% das indicações.
Quanto às expectativas dos empresários em jan/15
mostraram-se mais otimistas, ainda que permaneçam baixas. Todos os índices
mostram melhora das expectativas na comparação com dez/14, mas ainda abaixo do observado
em jan/14. Há expectativa de aumento modesto da demanda, de estabilidade da
quantidade exportada e das compras de matérias-primas, ante expectativa de declínio,
nos três itens, no mês anterior. As perspectivas quanto ao número de empregados
nos próximos seis meses seguem negativas.
Observa-se que o Boletim Focus de 23.1.15, com as expectativas do mercado divulgadas
semanalmente pelo Banco Central, reduziu o
crescimento da indústria para 0,69% em 2015, ante 0,71% publicada na semana
anterior, mostrando o fraco desempenho nas expectativas do mercado para o setor
industrial neste ano. Já para 2016, o Focus trabalha com um crescimento de 2,50%,
ante +2,65% de elevação na projeção divulgada na semana anterior.
Portanto, a contração da atividade no final de 2014
foi mais intensa que em anos anteriores e tudo indica que não haverá mudanças
substanciais - positivas - para os próximos meses. Vários problemas foram
detectados e confirmam os grandes gargalos existentes segundo percepção do setor
como elevada carga tributária, taxas de juros elevadas, dificuldade de acesso
ao crédito e falta de financiamento de longo prazo, alto custo da matéria-prima
em baixa utilização da capacidade instalada entre outros.
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