quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

PRODUÇÃO INDUSTRIAL DE NOVEMBRO DE 2014
Régis Varão/¹

A redução no ritmo de crescimento verificada na produção industrial nacional no período out-nov/14, na série com ajuste sazonal, foi acompanhada por sete dos quatorze estados pesquisados, com destaque para os declínios mais acentuados no Amazonas (-4,0%), Minas Gerais (-2,6%), São Paulo (-2,3%) e Santa Catarina (-1,9%). Com os resultados de nov/14, o primeiro reverteu a alta de 1,3% de outubro; o segundo registrou a segunda taxa negativa consecutiva, acumulando no período decréscimo de 6,0%; o terceiro recua após elevação de 0,6% no mês anterior; e o último eliminou parte do aumento de 6,4% acumulado no período jul-out/14, segundo a pesquisa mensal de produção industrial elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os estados do Ceará (-1,2%) e Rio Grande do Sul (-0,9%) registraram quedas mais fortes do que a média nacional de -0,7%, e Goiás com -0,1% completou o grupo de estados com índices negativos em nov/14. Por outro lado, Pernambuco (5,3%), Rio de Janeiro (2,5%) e Espírito Santo (1,7%) apresentaram os maiores crescimentos em nov/14, enquanto a Região Nordeste com 1,0%, Paraná com 0,9%, Pará com 0,8% e Bahia com 0,6% apontaram expansões moderadas.

Na comparação com nov/13, a indústria decresceu 5,8% em nov/14, com onze dos quinze estados da federação acompanhando o movimento de queda na produção. Em nov/14, os declínios mais intensos foram observados nos estados do AM (-16,9%), SP (-9,9%), MG (-8,5%) e PR (-8,0%), pressionados, em grande parte, pela redução na produção dos setores de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (televisores), bebidas e outros equipamentos de transporte (motocicletas/peças e acessórios), no primeiro local; de produtos alimentícios (açúcar cristal, VHP e refinado), veículos automotores, reboques e carrocerias, máquinas e equipamentos e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, no segundo; de produtos alimentícios, máquinas e equipamentos e veículos automotores, reboques e carrocerias (automóveis), no terceiro; e de veículos automotores, reboques e carrocerias, produtos alimentícios e máquinas e equipamentos, no último.

Já os estados do CE (-6,8%) e RS (-6,5%) apontaram quedas mais acentuadas que a média nacional (-5,8%), enquanto RJ (-3,6%), SC (-3,4%), PE (-2,2%), Região Nordeste (-0,9%) e BA (-0,5%) completaram o total de estados com taxas negativas em nov/14. Por outro lado, ES com 11,7% registrou o avanço mais forte no mês, devido, em grande parte, ao comportamento positivo do setor extrativo (minérios de ferro pelotizados e óleos brutos de petróleo). Os demais resultados positivos foram observados em GO (7,4%), PA (7,0%) e MT (6,3%).

No acumulado jan-nov/14, frente a jan-nov/13, a queda na produção nacional atingiu dez dos quinze estados, com quatro recuando com intensidade superior à da média da indústria (-3,2%): PR (-6,2%), SP (-6,0%), RS (-4,8%) e AM (-3,8%). Os demais com resultados negativos no período jan-nov/14 foram: RJ (-3,2%), CE (-3,2%), BA (-2,9%), MG (-2,8%) e SC (-2,0%). Nesses estados, o menor dinamismo foi influenciado por fatores relacionados à redução na fabricação de bens de capital, bens intermediários e bens de consumo duráveis. Os estados do PA (8,8%) e ES (5,0%) registraram as expansões mais fortes, pressionados em grande parte pelo desempenho positivo vindo do setor extrativo (minérios de ferro). Por outro lado, MG (2,9%), GO (2,3%) e PE (1,1%) também indicaram taxas positivas no período jan-nov/14, enquanto a Região Nordeste (0,0%) repetiu o comportamento de jan-nov/13.

Quanto à taxa anualizada, acumulado em 12 meses, com o recuo de 3,2% em nov/14, a trajetória declinante iniciada em mar/14 (2,0%) se manteve e assinalou o resultado negativo mais intenso desde jan/10 (-4,8%). Em termos regionais, dez dos quinze estados pesquisados mostraram taxas negativas em nov/14 e onze apontaram menor desempenho frente ao índice de out/14. As principais perdas no período out-nov/14 foram verificadas nos estados do AM (de -0,9% para -3,1%), PR (de -4,7% p/ -5,9%), CE (de -1,4% para -2,6%), RS (de -3,4% p/ -4,4%) e SP (de -5,0% para -5,9%), enquanto GO (de 3,0% p/ 3,6%) e ES (de 3,8% para 4,3%) mostraram os maiores avanços no período out-nov/14.

Portanto, a queda da produção de bens intermediários puxou para baixo o desempenho da indústria em nov/14, enquanto no acumulado jan-nov/14, o declínio na indústria atingiu dez dos quinze estados pesquisados. Um desempenho medíocre com forte impacto negativo na atividade econômica como um todo.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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