quarta-feira, 26 de agosto de 2015

AS PROJEÇÕES DO MERCADO PIORAM A CADA DIA
Régis Varão/¹

As estimativas do Boletim Focus de 21.8.15, do Banco Central (BCB), para as principais variáveis macroeconômicos continuam apresentando alterações para este ano e 2016 na maioria das variáveis pesquisadas, exceto juros, saldo da balança comercial e IED em 2015, e IGP-DI, taxa de câmbio, produção industrial e IED em 2016. A pesquisa é semanal, contempla cerca de 100 instituições financeiras e consultorias, e não reflete posicionamento da Autoridade Monetária. Este relatório analisa oito entre treze variáveis pesquisadas:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 21.8.15 corrigiu para baixo, pela primeira vez nos últimos meses, a estimativa do IPCA para 2015, passando de 9,32% na pesquisa anterior para 9,29% no boletim desta semana, e acima dos 9,23% observado há quatro semanas. A pesquisa de 22.8.14 corrigiu a estimativa do índice para 6,28%, ante 6,25% da semana anterior para aquele ano. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana elevou a estimativa para 5,50%, de 5,44% do boletim anterior, e de 5,40% há trinta dias;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa de 21.8.15 elevou a estimativa do índice para 7,69%, em 2015, ante 7,67% da semana anterior, e 7,69% há quatro semanas. O Focus de 22.8.14 manteve em 5,50%, valor observado nas últimas semanas. Em doze meses a variação nas projeções do IGP-DI ficou em +2,19 p.p. O boletim de 21.8.15 manteve a estimativa do IGP-DI para 2016 em 5,50%, valor observado nos últimos doze meses;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 21.8.15 corrige o câmbio para R$/U$3,50, de R$/U$3,48 divulgado na pesquisa anterior, e R$/U$3,25 há trinta dias, para o final de 2015. O boletim de 22.8.14 manteve em R$/U$2,50 a estimativa do câmbio para 2015. Para 2016, a pesquisa Focus desta semana manteve o câmbio em R$/U$3,60, ante R$/U$3,40 há trinta dias. O câmbio vem apresentando grandes correções altistas nos últimos meses, o que tende a impactar fortemente os índices de preços;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 21.8.15 manteve em 14,25% a.a. a projeção da Taxa Selic para o final deste ano, valor observado nas últimas cinco semanas. O boletim de 22.8.14 eleva para 12% a.a., de 11,75% a.a. divulgado na semana anterior. Para 2016, o Focus desta semana eleva a projeção do mercado para 12% a.a., de 11,88% a.a. observada na pesquisa anterior;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 21.8.15 corrige para baixo (-2,06%), o desempenho do PIB para 2015, ante -2,01% do boletim anterior e -1,76% há quatro semanas, enquanto o Focus de 22.8.14 manteve estável a projeção de crescimento do PIB em +1,20% para este ano. Com relação a 2016, pela segunda vez a pesquisa desta semana reduz o desempenho do PIB para valor negativo (-0,24%), ante declínio de 0,15% observado no Focus anterior, e variação positiva de 0,20% divulgada há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana estima em -5,20% o declínio da indústria para 2015, ante -5% dos últimos boletins, enquanto a pesquisa de 22.8.14 manteve pela quinta semana consecutiva a estimativa de crescimento da atividade industrial em +1,70% para este ano. Para 2016, a pesquisa de 21.8.15 manteve o crescimento da indústria em +1%, de +1,30% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 21.8.15 manteve inalterado o superávit da balança comercial em U$8 bilhões para 2015, ante U$6,40 bi registrados há trinta dias, enquanto o boletim de 22.8.14 manteve o superávit em U$8 bilhões, de U$9,40 bi há quatro semanas. Para 2016, o Focus desta semana eleva o superávit para U$16,80 bilhões, ante U$ 15,19 bi da semana anterior e U$ 14,89 bi observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 21.8.15 manteve a estimativa do IED em U$65 bilhões para 2015, de U$65,70 bi há trinta dias, enquanto o Focus de 22.8.14 registrava U$56 bilhões. A pesquisa desta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas treze semanas.

Diversos fatores têm contribuído para a elevação do pessimismo do mercado, entre eles: retração da atividade econômica, desemprego e juros em alta, queda nas vendas do comércio, elevação da inadimplência, declínio da atividade industrial, correções no câmbio, redução nos índices de confiança dos empresários e consumidores entre outros.

Portanto, associado aos fatores descritos, podemos considerar os problemas políticos, em especial as CPIs em instalação no Congresso Nacional (BNDES e fundos de pensão) e as dificuldades enfrentadas pelo governo com sua base de sustentação, que indiretamente têm contaminado fortemente a economia como um todo, e afetado as expectativas do mercado.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

domingo, 23 de agosto de 2015

INTENÇÃO DE CONSUMO ATINGE MÍNIMA HISTÓRICA
Régis Varão/¹

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), é um indicador antecedente que objetiva antecipar o potencial de vendas do comércio, e mensura a avaliação que os consumidores fazem da capacidade de consumo atual e de curto prazo, do nível de renda doméstico, das condições de crédito, segurança no emprego e da qualidade de consumo presente e futuro.

Os resultados do ICF podem ser avaliados considerando o grau de satisfação e insatisfação dos consumidores. Uma análise mensal feita com 18 mil questionários mostra os indicadores de compra a prazo, nível de consumo atual, perspectiva de consumo e momento para bens duráveis. Índice inferior a 100 pontos indica insatisfação, enquanto acima (limitado em 200 pontos), indica o grau de satisfação com seu emprego, renda e capacidade de consumo.

O ICF em ago/15 atingiu 81,8 pontos, ante 86,9 observado no mês anterior e 120,8 em agosto de 2014, em uma escala entre 0 e 200. O indicador antecedente ICF registrou queda de 32,3% em relação a ago/14, atingindo, pelo sétimo mês seguido, seu valor mais baixo em toda a série histórica.

A percepção das condições atuais do mercado de trabalho pelas famílias recuou 22,1% em relação ao nível de um ano atrás. Essa queda é proveniente de uma deterioração mais acentuada na avaliação do nível de renda corrente (-26,6%). Para cerca de 32% dos entrevistados o nível de renda atual (100,2 pontos em ago/15) é considerado insatisfatório, nível recorde na série histórica. Em ago/14 (136,5 pontos), 15% registravam insatisfação, segundo esse componente do índice. Entre as regiões, o Sudeste registrou a maior retração (-34,3%), ante ago/14, situando-se, ao contrário dos demais índices, abaixo dos 100 pontos (84,6).

Segundo análise da CNC, “A combinação entre a perda no ritmo de atividade econômica e o atual nível de inflação tem contribuído para reduzir a probabilidade de reversão desse quadro no médio prazo. Segundo o IBC-Br – proxy mensal do Banco Central para o Produto Interno Bruto –, a economia brasileira acumula queda de 1,7% nos doze meses encerrados em maio – maior variação negativa desse Satisfação com a Renda Atual 2 indicador desde o final de 2009. Além disso, o IPCA vem registrando aceleração anual desde fevereiro deste ano, alcançando, no último mês de julho, seu patamar mais elevado (+9,56%) desde novembro de 2003 (+11,0%).”

A despeito da menor inflação nos duráveis (+3,3% nos doze meses finalizados em jul/15, segundo o IPCA), o índice que mede a percepção para o consumo de bens duráveis caiu 49,5% no período. “Sete em cada dez entrevistados (69,2%) provavelmente não percebem o momento atual como favorável ao consumo de bens duráveis. Há um ano essa era a avaliação realizada por cerca de 41% das famílias. As duas regiões com as piores avaliações nesse quesito do ICF são a Norte e a Sudeste, ambas com 44,5 pontos.”

Os dois subíndices referentes às expectativas apresentaram declínio médio de 32,0% em relação ao nível de igual período de 2014. Esse decréscimo foi particularmente influenciado pela deterioração nas perspectivas de consumo no período (-46,7%). Considerando faixas de renda, ante o índice observado em ago/14, a maior queda deu-se entre as famílias com rendimento acima de dez salários mínimos (-12,4%).

Portanto, todos os componentes do ICF apresentaram declínios relação a ago/14, comportamento observado desde dez/14. Os maiores destaque negativos ficaram para a perspectiva de consumo (-46,7%) e para a percepção corrente para consumo de duráveis (-49,5%), enquanto a queda é generalizada regionalmente, uma vez que as cinco regiões registraram retrações interanuais, verificando-se, pela primeira vez na pesquisa, índices abaixo de cem pontos em todos os subíndices. A falta de educação financeira tem contribuído para o brasileiro fazer escolhas inadequadas na hora do endividamento, e caindo sempre em armadilhas financeiras.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e educação corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

PESSIMISMO DO CONSUMIDOR CAI SEGUNDO A CNI
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) divulgado mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, atingiu 97,9 pontos em jul/15, ante 96,2 observados no mês anterior e 109,2 em dez/14.

O INEC subiu 1,8% em julho na comparação com o mês anterior, o que revela melhora na confiança do consumidor. O resultado também pode ser entendido como declínio do pessimismo, tendo em vista que o índice de jul/15 é o segundo menor da série histórica iniciada em jun/01.

Uma melhora relevante foi verificada no índice que mede a expectativa da renda pessoal, com alta de 5,5%, ao passar de 87,3 pontos em jun/15 para 92,1 no mês seguinte. A variação positiva mostra que em julho deste ano os brasileiros estão com perspectiva mais positiva para a renda dos próximos seis meses do que estavam no mês anterior.

O índice que mede a expectativa de desemprego, o segundo melhor desempenho, subiu 4,3% entre junho e jul/15, o que sinaliza melhora nas finanças dos consumidores de acordo com a própria avaliação deles. O terceiro melhor desempenho ficou com o índice de expectativa de desemprego que apresentou crescimento de 3,1% no período jun-jul/15, indicando que no período mais pessoas passaram a acreditar na redução futura da taxa de desemprego.

O quarto melhor desempenho ficou com o índice que mede a expectativa de inflação, que passou de 91,9 pontos para 93,5 no período jun-jul/15. O quinto índice a apresentar variação positiva foi o endividamento do consumidor, que passou de 91,8 pontos em jun/15 para 93 pontos no mês seguinte.

Com exceção da expectativa de consumo de bens de maior valor, que decresceu de 114,6 pontos em jun/15 para 112,2 em julho, queda de 2,1%, todos os índices que compõem o INEC avançaram no período jun-jul/15.

Segundo relatório da CNI/INEC, “Vale lembrar que os índices que cresceram na passagem de junho para julho ainda estão bastante abaixo do nível registrado em julho de 2014. Tal comportamento revela que, de forma geral, os consumidores estão atualmente menos satisfeitos do que estavam há 12 meses e também enxergam o futuro próximo – horizonte de seis meses – com menos confiança do que enxergavam em julho do ano passado.”

Portanto, embora os indicadores tenham apresentado desempenhos positivos no bimestre jun-jul/15 (+1,8%), os valores ainda estão abaixo do nível registrado em dez/14 (109,2) e jul/14 (109,5). O desempenho do INEC no bimestre mostra que os consumidores estão mais insatisfeitos do que estavam em igual período do ano anterior e enxergam os próximos seis meses com menor grau de confiança do que viam há um ano.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e educação corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

AS EXPECTATIVAS DO MERCADO PIORAM
Régis Varão/¹

As expectativas do mercado divulgadas no Boletim Focus de 14.8.15, do Banco Central (BCB), para as principais variáveis macroeconômicos, continuam apresentando alterações para 2015 e 2016 na maioria das variáveis pesquisadas, exceto para o IPCA, os juros e IED em 2015, e para o IGP-DI, IPC-Fipe, Dívida Líquida do Setor Público e IED em 2016. A pesquisa é semanal, contempla cerca de 100 instituições financeiras e consultorias, e não reflete posicionamento do BCB. A análise aborda oito entre treze variáveis pesquisadas pelo Boletim Focus:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 14.8.15 manteve estável para 2015, a projeção do índice em 9,32% nas duas últimas semanas, ante estimativa de 9,15% observada há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 15.8.14 manteve estável em 6,25% para aquele ano. Em doze meses a variação nas estimativas, para 2015, ficou inalterada em +3,07 p.p. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana manteve a expectativa praticamente estável em 5,44%, de 5,43% do boletim anterior, e de 5,40% há trinta dias;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 14.8.15 manteve praticamente estável em 7,67% a estimativa do índice para 2015, de 7,66% da semana anterior e 7,64% há trinta dias, enquanto o Focus de 15.8.14 mantém em 5,50%, valor observado nas últimas quatro semanas. Em doze meses a variação nas estimativas do IGP-DI ficou em +2,17 p.p., abaixo do observado no IPCA (+3,07 p.p.) no período. O boletim de 14.8.15 manteve a estimativa do IGP-DI para 2016 em 5,50%, valor observado nos últimos doze meses;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 14.8.15 corrige a projeção do câmbio para R$/U$3,48, de R$/U$3,40 verificada na pesquisa anterior para o final de 2015, enquanto o boletim de 15.8.14 mantém em R$/U$2,50. Para 2016, a última pesquisa Focus corrigiu o câmbio para R$/U$3,60, ante R$/U$3,50 da semana anterior e R$/U$3,40 há trinta dias. O câmbio vem apresentando fortes correções altistas nos últimos meses, devido a instabilidade da economia brasileira;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o boletim de 14.8.15 manteve em 14,25% a.a. a projeção dos juros para o final de 2015, valor observado nas últimas semanas, ante 14,50% a.a. divulgado há quatro semanas, enquanto o boletim de 15.8.14 reduz para 11,75% a.a., de 12% a.a. registrado nas últimas semanas. Para 2016, o Focus desta semana reduz a projeção do mercado para 11,88% a.a.;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 14.8.15 corrige novamente para baixo (-2,01%), o desempenho do PIB para 2015, ante -1,97% do boletim anterior e -1,70% há quatro semanas, enquanto o Focus de 15.8.14 manteve estável a projeção de crescimento do PIB em +1,20% para este ano. Com relação a 2016, pela primeira vez a pesquisa desta semana reduz o desempenho do PIB para valor negativo (-0,15%), ante desempenho nulo observado no Focus anterior, e +0,33% há quatro semanas. A queda nas vendas do comércio e na produção industrial, o aumento do desemprego, da inflação e dos juros, entre outros, contaminam a atividade econômica, elevando o pessimismo do mercado;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana estima em -5% o declínio da atividade industrial para este ano, ante -5,21% do boletim anterior, enquanto a pesquisa de 15.8.14 mantém inalterada a estimativa de crescimento da indústria em +1,70% para 2015. Para 2016, a pesquisa de 14.8.15 reduz o crescimento da indústria para +1%, de +1,15% da semana anterior e +1,50% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 14.8.15 apresentou elevação do superávit da balança comercial para U$8 bilhões para 2015, ante U$7,70 bi registrados há uma semana e U$6,40 bi há trinta dias, enquanto o boletim de 15.8.14 redua a  projeção do superávit para U$8 bilhões, de U$9 bi do boletim anterior, e U$9,80 bilhões há quatro semanas. Para 2016, o Focus desta semana eleva o superávit para U$15,19 bilhões, ante U$ 15 bi da semana anterior e U$ 14 bi observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 14.8.15 manteve a estimativa do IED em U$65 bilhões para 2015, de U$66,25 bi há trinta dias, enquanto o Focus de 15.8.14 projeta U$56 bilhões. A pesquisa desta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas doze semanas.

Portanto, o aumento dos juros, a restrição do crédito, a elevação da inflação e do desemprego, a queda das vendas do comércio e da produção industrial, associados à falta de criatividade do governo para resolver os problemas centrais da economia brasileira, têm contribuído para elevar o pessimismo dos principais agentes econômicos do País, aumentando a desconfiança de investidores nacionais e estrangeiros.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

AUMENTA O PESSIMISTA DO MERCADO
Régis Varão/¹

As estimativas do Boletim Focus de 7.8.15, divulgadas pelo Banco Central (BCB), para as principais variáveis macroeconômicos, continuam apresentando alterações para 2015 e 2016 na maioria das variáveis pesquisadas, exceto para juros em 2015, e índices gerais de preços, juros e IED no próximo ano. A pesquisa é semanal, considera informações de cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, e não reflete posicionamento da Autoridade Monetária:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 7.8.15 elevou para 9,32%, de 9,25% na semana anterior, a expectativa do índice para 2015, ante 9,12% há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 8.8.14 elevou de 6,24% para 6,25%, na mesma base de comparação. Em doze meses, um incremento de 3,07 p.p. nas estimativas do IPCA para 2015. Para 2016, o Focus divulgado segunda-feira corrige a expectativa de 5,40% do boletim anterior para 5,43% no boletim desta semana;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 7.8.15 manteve praticamente estável a expectativa para o IGP-DI em 2015, passando de 7,67% na semana anterior para 7,66% no boletim desta semana, ante 7,51% há trinta dias, enquanto o Focus de 8.8.14 reduz de 5,53% para 5,50% em uma semana. Assim como o IPCA (+3,07 p.p.), o IGP-DI (+2,16 p.p.) apresenta deterioração nas estimativas realizadas nos últimos doze meses para 2015. O Focus de 7.8.15 manteve em 5,50% a estimativa do índice para 2016, valor observado nos últimos doze meses;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 7.8.15 eleva a projeção do câmbio para R$/U$3,40, de R$/U$3,35 verificada na semana anterior, para o final de 2015, enquanto o boletim de 8.8.14 mantém em R$/U$2,50. Para o final de 2016, a pesquisa divulgada nesta semana manteve praticamente estável a projeção do câmbio para 2016, passando de R$/U$3,49 na semana anterior, para R$/U$3,50 na última pesquisa;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o boletim de 7.8.15 mantém em 14,25% a.a. a projeção dos juros para o final deste ano, ante 14,50% a.a. verificada há quatro semanas, enquanto o boletim de 8.8.14 continua com 12% a.a. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana mantém a expectativa do mercado em 12% a.a.;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 7.8.15 corrige fortemente para baixo (-1,97%), o decréscimo do PIB para 2015, ante -1,80% do boletim anterior e -1,50% há quatro semanas, enquanto o Focus de 8.8.14 reduz a projeção de crescimento para +1,20% para 2015, de +1,50% observado nas semanas anteriores. Com relação a 2016, o boletim desta semana estima em 0,0% o desempenho do PIB para aquele ano, ante +0,20% da semana anterior, e +0,50% há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana corrige para baixo (-5,21%) o declínio da atividade industrial para 2015, ante -5% observado nas semanas anteriores, enquanto o boletim de 8.8.14 projeta variação positiva de 1,70%. Para 2016, a pesquisa de 7.8.15 reduz o crescimento da indústria para +1,15%, de +1,30% na pesquisa anterior e +1,40% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 7.8.15 apresentou elevação do superávit da balança comercial para U$7,70 bilhões para 2015, ante U$6,40 bi registrados há uma semana e U$5,50 bi há trinta dias, enquanto o boletim de 8.8.14 eleva a projeção do superávit para U$9 bilhões, de U$8,50 bi do boletim anterior. Para 2016, o último Focus eleva o superávit para U$15 bilhões, ante U$ 14,79 bi da semana anterior e U$ 13 bi observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa Focus de 7.8.15 reduz a estimativa do IED para U$65 bilhões em 2015, de U$66 bi nas semanas anteriores, enquanto a de 8.8.14 projeta U$55 bilhões. A pesquisa divulgada nesta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas onze semanas.

Portanto, o mercado vem corrigindo semanalmente suas projeções, tendo em vista o agravamento do quadro político e econômico nacional. Os problemas políticos associados ao mau desempenho da economia, com juros, inflação, taxa de câmbio, inadimplência e desemprego crescendo, entre outros, têm contribuído para elevar o pessimismo dos agentes econômicos quanto ao comportamento futuro da economia brasileira, com riscos para a governabilidade.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

MERCADO MAIS PESSIMISTA
Régis Varão/¹

As estimativas divulgadas no Boletim Focus de 31.7.15, do Banco Central (BCB), para os principais indicadores macroeconômicos, continuam apresentando alterações para 2015 na maioria das variáveis, exceto para juros, produção industrial e saldo da balança comercial. A pesquisa é semanal, considera informações de cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, e não reflete posicionamento do BCB:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 31.7.15 elevou de 9,23% para 9,25%, em uma semana, a expectativa do índice para 2015, ante 9,04% observada há quatro semanas, enquanto o de 1.8.14 elevou de 6,21% para 6,24%, na mesma base de comparação, a estimativa para este ano. Um incremento de 3,01 p.p. nas estimativas do IPCA para 2015, em apenas doze meses. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana mantém a projeção em 5,40%, ante 5,45% observada há trinta dias;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa de 31.7.15 corrigiu para 7,67% a projeção do índice para 2015, de 7,69% da semana anterior e 7,42% há um mês, enquanto o Focus de 1.8.14 eleva para 5,53% a expectativa para este ano. Assim como o IPCA (+3,01 p.p.), o IGP-DI (+2,14 p.p.) apresenta deterioração nas estimativas nos últimos doze meses, embora tenha reduzido a taxa de crescimento quando comparada ao boletim anterior. O Focus de 31.7.15 continua projetando variação de 5,50% para 2016, valor mantido nas últimas 52 semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 31.7.15 eleva a projeção da taxa de câmbio para R$/U$3,35, de R$/U$3,25 verificada na semana anterior, para o final de 2015, enquanto a pesquisa de 1.8.14 mantém o câmbio em R$/U$2,50. Para o final de 2016, a pesquisa divulgada no início desta semana, eleva a taxa de câmbio para R$/U$3,49, de R$/U$3,40 observado nas últimas semanas;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o boletim de 31.7.15 mantém em 14,25% a.a. a expectativa dos juros para o final de 2015, ante 14,50% a.a. observada há quatro semanas, enquanto o boletim de 1.8.14 continua estimando em 12% a.a. Para 2016, a pesquisa divulgada nesta segunda-feira mantém a expectativa do mercado em 12% a.a.;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 31.7.15 reduz para -1,80%, o decréscimo do PIB para 2015, ante -1,76% do boletim anterior e -1,50% há quatro semanas, enquanto o Focus de 1.8.14 continua apostando em crescimento de +1,50% para este ano. Com relação ao próximo ano, o boletim divulgado nesta semana mantém em +0,20% o crescimento do PIB, ante +0,50% divulgado há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana mantém em -5% o declínio da atividade industrial para 2015, ante igual projeção observada na semana anterior e -4,72% há trinta dias, enquanto o boletim de 1.8.14 projeta variação positiva de 1,70%. Para 2016, a pesquisa de 31.7.15 mantém o crescimento da indústria em +1,30%, de +1,35% observado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 31.7.15 manteve inalterado o superávit da balança comercial em U$6,40 bilhões para 2015, ante U$5 bi registrados há um mês, enquanto o boletim de 1.8.14 reduz a projeção do superávit para U$8,50 bilhões. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana reduz o superávit para U$14,79 bilhões, ante U$ 14,89 bi da semana anterior e U$ 12,40 bi observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira eleva a estimativa do IED para U$66 bilhões em 2015, de U$65,70 bi há uma semana e U$67 bi há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 1.8.14 projeta U$55 bilhões. A pesquisa desta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas dez semanas.

Portanto, o mercado vem corrigindo semanalmente suas projeções, tendo em vista o agravamento do quadro econômico e político brasileiro. Os problemas políticos associados ao mau desempenho da atividade econômica, à pressão do câmbio e aos juros em alta têm contribuído para elevar o pessimismo dos principais agentes econômicos, pondo em risco a própria governabilidade.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.