domingo, 23 de agosto de 2015

INTENÇÃO DE CONSUMO ATINGE MÍNIMA HISTÓRICA
Régis Varão/¹

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), é um indicador antecedente que objetiva antecipar o potencial de vendas do comércio, e mensura a avaliação que os consumidores fazem da capacidade de consumo atual e de curto prazo, do nível de renda doméstico, das condições de crédito, segurança no emprego e da qualidade de consumo presente e futuro.

Os resultados do ICF podem ser avaliados considerando o grau de satisfação e insatisfação dos consumidores. Uma análise mensal feita com 18 mil questionários mostra os indicadores de compra a prazo, nível de consumo atual, perspectiva de consumo e momento para bens duráveis. Índice inferior a 100 pontos indica insatisfação, enquanto acima (limitado em 200 pontos), indica o grau de satisfação com seu emprego, renda e capacidade de consumo.

O ICF em ago/15 atingiu 81,8 pontos, ante 86,9 observado no mês anterior e 120,8 em agosto de 2014, em uma escala entre 0 e 200. O indicador antecedente ICF registrou queda de 32,3% em relação a ago/14, atingindo, pelo sétimo mês seguido, seu valor mais baixo em toda a série histórica.

A percepção das condições atuais do mercado de trabalho pelas famílias recuou 22,1% em relação ao nível de um ano atrás. Essa queda é proveniente de uma deterioração mais acentuada na avaliação do nível de renda corrente (-26,6%). Para cerca de 32% dos entrevistados o nível de renda atual (100,2 pontos em ago/15) é considerado insatisfatório, nível recorde na série histórica. Em ago/14 (136,5 pontos), 15% registravam insatisfação, segundo esse componente do índice. Entre as regiões, o Sudeste registrou a maior retração (-34,3%), ante ago/14, situando-se, ao contrário dos demais índices, abaixo dos 100 pontos (84,6).

Segundo análise da CNC, “A combinação entre a perda no ritmo de atividade econômica e o atual nível de inflação tem contribuído para reduzir a probabilidade de reversão desse quadro no médio prazo. Segundo o IBC-Br – proxy mensal do Banco Central para o Produto Interno Bruto –, a economia brasileira acumula queda de 1,7% nos doze meses encerrados em maio – maior variação negativa desse Satisfação com a Renda Atual 2 indicador desde o final de 2009. Além disso, o IPCA vem registrando aceleração anual desde fevereiro deste ano, alcançando, no último mês de julho, seu patamar mais elevado (+9,56%) desde novembro de 2003 (+11,0%).”

A despeito da menor inflação nos duráveis (+3,3% nos doze meses finalizados em jul/15, segundo o IPCA), o índice que mede a percepção para o consumo de bens duráveis caiu 49,5% no período. “Sete em cada dez entrevistados (69,2%) provavelmente não percebem o momento atual como favorável ao consumo de bens duráveis. Há um ano essa era a avaliação realizada por cerca de 41% das famílias. As duas regiões com as piores avaliações nesse quesito do ICF são a Norte e a Sudeste, ambas com 44,5 pontos.”

Os dois subíndices referentes às expectativas apresentaram declínio médio de 32,0% em relação ao nível de igual período de 2014. Esse decréscimo foi particularmente influenciado pela deterioração nas perspectivas de consumo no período (-46,7%). Considerando faixas de renda, ante o índice observado em ago/14, a maior queda deu-se entre as famílias com rendimento acima de dez salários mínimos (-12,4%).

Portanto, todos os componentes do ICF apresentaram declínios relação a ago/14, comportamento observado desde dez/14. Os maiores destaque negativos ficaram para a perspectiva de consumo (-46,7%) e para a percepção corrente para consumo de duráveis (-49,5%), enquanto a queda é generalizada regionalmente, uma vez que as cinco regiões registraram retrações interanuais, verificando-se, pela primeira vez na pesquisa, índices abaixo de cem pontos em todos os subíndices. A falta de educação financeira tem contribuído para o brasileiro fazer escolhas inadequadas na hora do endividamento, e caindo sempre em armadilhas financeiras.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e educação corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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