INTENÇÃO DE CONSUMO ATINGE MÍNIMA HISTÓRICA
Régis Varão/¹
O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), é um
indicador antecedente que objetiva antecipar o potencial de vendas do comércio,
e mensura a avaliação que os consumidores fazem da capacidade de consumo atual
e de curto prazo, do nível de renda doméstico, das condições de crédito,
segurança no emprego e da qualidade de consumo presente e futuro.
Os resultados do ICF podem ser avaliados considerando
o grau de satisfação e insatisfação dos consumidores. Uma análise mensal feita com 18 mil questionários mostra os indicadores
de compra a prazo, nível de consumo atual, perspectiva de consumo e momento
para bens duráveis. Índice inferior a 100 pontos indica insatisfação,
enquanto acima (limitado em 200 pontos), indica o grau de satisfação com seu
emprego, renda e capacidade de consumo.
O
ICF em ago/15 atingiu 81,8 pontos, ante 86,9 observado no mês anterior e 120,8
em agosto de 2014, em uma escala entre 0 e 200. O indicador antecedente ICF registrou
queda de 32,3% em relação a ago/14, atingindo, pelo sétimo mês seguido, seu
valor mais baixo em toda a série histórica.
A percepção das condições atuais do
mercado de trabalho pelas famílias recuou 22,1% em relação ao nível de um ano
atrás. Essa queda é proveniente de uma deterioração mais acentuada na avaliação
do nível de renda corrente (-26,6%). Para cerca de 32% dos entrevistados o
nível de renda atual (100,2 pontos em ago/15) é considerado insatisfatório, nível
recorde na série histórica. Em ago/14 (136,5 pontos), 15% registravam
insatisfação, segundo esse componente do índice. Entre as regiões, o Sudeste
registrou a maior retração (-34,3%), ante ago/14, situando-se, ao contrário dos
demais índices, abaixo dos 100 pontos (84,6).
Segundo análise da CNC, “A combinação
entre a perda no ritmo de atividade econômica e o atual nível de inflação tem
contribuído para reduzir a probabilidade de reversão desse quadro no médio
prazo. Segundo o IBC-Br – proxy mensal do Banco Central para o Produto Interno
Bruto –, a economia brasileira acumula queda de 1,7% nos doze meses encerrados
em maio – maior variação negativa desse Satisfação com a Renda Atual 2
indicador desde o final de 2009. Além disso, o IPCA vem registrando aceleração
anual desde fevereiro deste ano, alcançando, no último mês de julho, seu
patamar mais elevado (+9,56%)
desde novembro de 2003 (+11,0%).”
A
despeito da menor inflação nos duráveis (+3,3% nos doze meses finalizados em
jul/15, segundo o IPCA), o índice que mede a percepção para o consumo de bens
duráveis caiu 49,5% no período. “Sete em cada dez
entrevistados (69,2%) provavelmente não percebem o momento atual como favorável
ao consumo de bens duráveis. Há um ano essa era a avaliação realizada por cerca
de 41% das famílias. As duas regiões com as piores avaliações nesse quesito do
ICF são a Norte e a Sudeste, ambas com 44,5 pontos.”
Os
dois subíndices referentes às expectativas apresentaram declínio médio de 32,0%
em relação ao nível de igual período de 2014. Esse decréscimo foi
particularmente influenciado pela deterioração nas perspectivas de consumo no
período (-46,7%). Considerando faixas de renda, ante o índice observado em ago/14,
a maior queda deu-se entre as famílias com rendimento acima de dez salários
mínimos (-12,4%).
Portanto,
todos os componentes do ICF apresentaram declínios relação a ago/14, comportamento
observado desde dez/14. Os maiores destaque negativos ficaram para a perspectiva
de consumo (-46,7%) e para a percepção corrente para consumo de duráveis (-49,5%),
enquanto a queda é generalizada regionalmente, uma vez que as cinco regiões registraram
retrações interanuais, verificando-se, pela primeira vez na pesquisa, índices
abaixo de cem pontos em todos os subíndices. A falta de educação financeira tem
contribuído para o brasileiro fazer escolhas inadequadas na hora do
endividamento, e caindo sempre em armadilhas
financeiras.
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