quarta-feira, 26 de agosto de 2015

AS PROJEÇÕES DO MERCADO PIORAM A CADA DIA
Régis Varão/¹

As estimativas do Boletim Focus de 21.8.15, do Banco Central (BCB), para as principais variáveis macroeconômicos continuam apresentando alterações para este ano e 2016 na maioria das variáveis pesquisadas, exceto juros, saldo da balança comercial e IED em 2015, e IGP-DI, taxa de câmbio, produção industrial e IED em 2016. A pesquisa é semanal, contempla cerca de 100 instituições financeiras e consultorias, e não reflete posicionamento da Autoridade Monetária. Este relatório analisa oito entre treze variáveis pesquisadas:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 21.8.15 corrigiu para baixo, pela primeira vez nos últimos meses, a estimativa do IPCA para 2015, passando de 9,32% na pesquisa anterior para 9,29% no boletim desta semana, e acima dos 9,23% observado há quatro semanas. A pesquisa de 22.8.14 corrigiu a estimativa do índice para 6,28%, ante 6,25% da semana anterior para aquele ano. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana elevou a estimativa para 5,50%, de 5,44% do boletim anterior, e de 5,40% há trinta dias;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa de 21.8.15 elevou a estimativa do índice para 7,69%, em 2015, ante 7,67% da semana anterior, e 7,69% há quatro semanas. O Focus de 22.8.14 manteve em 5,50%, valor observado nas últimas semanas. Em doze meses a variação nas projeções do IGP-DI ficou em +2,19 p.p. O boletim de 21.8.15 manteve a estimativa do IGP-DI para 2016 em 5,50%, valor observado nos últimos doze meses;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 21.8.15 corrige o câmbio para R$/U$3,50, de R$/U$3,48 divulgado na pesquisa anterior, e R$/U$3,25 há trinta dias, para o final de 2015. O boletim de 22.8.14 manteve em R$/U$2,50 a estimativa do câmbio para 2015. Para 2016, a pesquisa Focus desta semana manteve o câmbio em R$/U$3,60, ante R$/U$3,40 há trinta dias. O câmbio vem apresentando grandes correções altistas nos últimos meses, o que tende a impactar fortemente os índices de preços;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 21.8.15 manteve em 14,25% a.a. a projeção da Taxa Selic para o final deste ano, valor observado nas últimas cinco semanas. O boletim de 22.8.14 eleva para 12% a.a., de 11,75% a.a. divulgado na semana anterior. Para 2016, o Focus desta semana eleva a projeção do mercado para 12% a.a., de 11,88% a.a. observada na pesquisa anterior;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 21.8.15 corrige para baixo (-2,06%), o desempenho do PIB para 2015, ante -2,01% do boletim anterior e -1,76% há quatro semanas, enquanto o Focus de 22.8.14 manteve estável a projeção de crescimento do PIB em +1,20% para este ano. Com relação a 2016, pela segunda vez a pesquisa desta semana reduz o desempenho do PIB para valor negativo (-0,24%), ante declínio de 0,15% observado no Focus anterior, e variação positiva de 0,20% divulgada há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana estima em -5,20% o declínio da indústria para 2015, ante -5% dos últimos boletins, enquanto a pesquisa de 22.8.14 manteve pela quinta semana consecutiva a estimativa de crescimento da atividade industrial em +1,70% para este ano. Para 2016, a pesquisa de 21.8.15 manteve o crescimento da indústria em +1%, de +1,30% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 21.8.15 manteve inalterado o superávit da balança comercial em U$8 bilhões para 2015, ante U$6,40 bi registrados há trinta dias, enquanto o boletim de 22.8.14 manteve o superávit em U$8 bilhões, de U$9,40 bi há quatro semanas. Para 2016, o Focus desta semana eleva o superávit para U$16,80 bilhões, ante U$ 15,19 bi da semana anterior e U$ 14,89 bi observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 21.8.15 manteve a estimativa do IED em U$65 bilhões para 2015, de U$65,70 bi há trinta dias, enquanto o Focus de 22.8.14 registrava U$56 bilhões. A pesquisa desta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas treze semanas.

Diversos fatores têm contribuído para a elevação do pessimismo do mercado, entre eles: retração da atividade econômica, desemprego e juros em alta, queda nas vendas do comércio, elevação da inadimplência, declínio da atividade industrial, correções no câmbio, redução nos índices de confiança dos empresários e consumidores entre outros.

Portanto, associado aos fatores descritos, podemos considerar os problemas políticos, em especial as CPIs em instalação no Congresso Nacional (BNDES e fundos de pensão) e as dificuldades enfrentadas pelo governo com sua base de sustentação, que indiretamente têm contaminado fortemente a economia como um todo, e afetado as expectativas do mercado.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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