AS PROJEÇÕES DO
MERCADO PIORAM A CADA DIA
Régis
Varão/¹
As estimativas do Boletim Focus de 21.8.15, do Banco Central (BCB), para as principais variáveis macroeconômicos continuam apresentando alterações
para este ano e 2016 na maioria das variáveis pesquisadas, exceto juros, saldo
da balança comercial e IED em 2015, e IGP-DI, taxa de câmbio, produção
industrial e IED em 2016. A pesquisa é semanal, contempla cerca de 100 instituições
financeiras e consultorias, e não reflete posicionamento da Autoridade
Monetária. Este relatório analisa oito entre treze variáveis pesquisadas:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 21.8.15 corrigiu para baixo, pela primeira vez nos
últimos meses, a estimativa do IPCA para 2015, passando de 9,32% na pesquisa
anterior para 9,29% no boletim desta semana, e acima dos 9,23% observado há quatro
semanas. A pesquisa de 22.8.14 corrigiu a estimativa do índice para 6,28%,
ante 6,25% da semana anterior para aquele ano. Para 2016, o Focus divulgado nesta
semana elevou a estimativa para 5,50%, de 5,44% do boletim anterior, e de 5,40%
há trinta dias;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa de 21.8.15 elevou a estimativa do índice para 7,69%, em 2015, ante 7,67% da semana
anterior, e 7,69% há quatro semanas. O Focus de 22.8.14 manteve em 5,50%,
valor observado nas últimas semanas. Em doze meses a variação nas projeções do IGP-DI ficou em +2,19 p.p. O boletim de 21.8.15 manteve a estimativa do IGP-DI
para 2016 em 5,50%, valor observado nos últimos doze meses;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de
21.8.15 corrige o
câmbio para R$/U$3,50, de R$/U$3,48 divulgado na pesquisa anterior, e R$/U$3,25
há trinta dias, para o final de 2015. O boletim de 22.8.14 manteve em R$/U$2,50
a estimativa do câmbio para 2015. Para 2016, a pesquisa Focus desta semana
manteve o câmbio em R$/U$3,60, ante R$/U$3,40 há trinta dias. O câmbio vem
apresentando grandes correções altistas nos últimos meses, o que tende a
impactar fortemente os índices de preços;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 21.8.15 manteve em
14,25% a.a. a projeção da Taxa Selic para o final deste ano, valor observado
nas últimas cinco semanas. O boletim de 22.8.14 eleva para 12% a.a., de 11,75%
a.a. divulgado na semana anterior. Para 2016, o Focus desta semana eleva a projeção
do mercado para 12% a.a., de 11,88% a.a. observada na pesquisa anterior;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 21.8.15 corrige para
baixo (-2,06%), o desempenho do PIB para 2015, ante -2,01% do boletim anterior
e -1,76% há quatro semanas, enquanto o Focus de 22.8.14 manteve estável a
projeção de crescimento do PIB em +1,20% para este ano. Com relação a 2016, pela
segunda vez a pesquisa desta semana reduz o desempenho do PIB para valor
negativo (-0,24%), ante declínio de 0,15% observado no Focus anterior, e
variação positiva de 0,20% divulgada há quatro semanas;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta
semana estima em -5,20% o declínio da indústria para 2015, ante -5% dos últimos
boletins, enquanto a pesquisa de 22.8.14 manteve pela quinta semana consecutiva
a estimativa de crescimento da atividade industrial em +1,70% para este ano. Para
2016, a pesquisa de 21.8.15 manteve o
crescimento da indústria em +1%, de +1,30% divulgado há trinta dias;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de
21.8.15 manteve
inalterado o superávit da balança comercial em U$8 bilhões para 2015, ante U$6,40
bi registrados há trinta dias, enquanto o boletim de 22.8.14 manteve o superávit
em U$8 bilhões, de U$9,40 bi há quatro semanas. Para 2016, o Focus desta semana
eleva o superávit para U$16,80 bilhões, ante U$ 15,19 bi da semana anterior e
U$ 14,89 bi observados há um mês;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 21.8.15 manteve a estimativa
do IED em U$65 bilhões para 2015, de U$65,70 bi há trinta dias, enquanto o
Focus de 22.8.14 registrava U$56 bilhões. A pesquisa desta semana mantém a estimativa
de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas treze semanas.
Diversos fatores têm contribuído para a elevação do
pessimismo do mercado, entre eles: retração da atividade econômica, desemprego e juros em alta, queda nas vendas
do comércio, elevação da inadimplência, declínio da atividade industrial,
correções no câmbio, redução nos índices de confiança dos empresários e
consumidores entre outros.
Portanto, associado aos fatores descritos, podemos
considerar os problemas políticos, em especial as CPIs em instalação no
Congresso Nacional (BNDES e fundos de pensão) e as dificuldades enfrentadas
pelo governo com sua base de sustentação, que indiretamente têm contaminado
fortemente a economia como um todo, e afetado as expectativas do mercado.
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