quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

EMPRESÁRIO INDUSTRIAL ENCERRA 2017 MAIS CONFIANTE
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou crescimento de 3,2% em dez/17 quando atingiu 58,3 pontos. Na comparação anual o índice subiu 21,5%. O índice avançou em dezembro tendo em vista uma combinação de melhores condições de negócios e expectativas mais otimistas por parte dos empresários industriais.

O índice encontra-se acima da média histórica de 54,1 pontos, pelo quarto mês consecutivo e apresenta o melhor resultado desde nov/12 quando atingiu 58,4 pontos e o maior valor para um mês de dezembro quando chegou a 61,4 pontos em dez/10.

Componentes do ICEI:

(a) Índice de Condições Atuais-ICA

O ICA subiu 2,7% em dez/17 (52,9 pontos), ante o mês anterior e registrou incremento de 30% na comparação anual. Em dezembro o ICA apresentou o maior nível desde fev/11, quando o índice atingiu 54,2 pontos. O índice vem se afastando da linha divisória de 50 pontos pelo quarto mês consecutivo, indicando que o empresário industrial trabalha com a previsão de melhora cada vez mais relevante das condições atuais de negócios.

As condições atuais com relação a economia brasileira apresentou alta de 3,5% (+1,8 ponto) em dez/17, na comparação mensal, atingindo 52,6 pontos, enquanto na comparação anual subiu 42,2% (+15,6 pontos).

Já as condições atuais com relação às empresas houve crescimento de 2,1% (+1,1 ponto) em dez/17 quando atingiu 53 pontos, ante o mês anterior, enquanto na comparação anual subiu 24,4% (+10,4 pontos).

(b) Índice de Expectativas-IE

O IE mostra o empresário industrial mais otimista com relação ao próximo ano. O índice registrou crescimento de 3,6% (+2,1 pontos) em dez/17 (61 pontos), ante o mês anterior. Segundo o relatório da CNI, o índice registrado em dez/17 “superou o patamar de 60 pontos; a última vez que isso havia ocorrido foi em março de 2013. O índice é 9,4 pontos superior ao de dezembro de 2016”.

Com relação às expectativas da economia brasileira, o índice chegou a 57,9 pontos em dez/17, subindo 4,9% (+1,05 pontos) com relação ao mês anterior, e apesentou elevação de 24,8% (+11,5 pontos) na comparação anual.

Já com relação às expectativas das empresas, o IE atingiu 62,5 pontos em dez/17, ante 61 pontos observados no mês anterior, e 54,3 pontos registrados em dez/16. O índice registrou elevação de 2,5% e 15,1% na comparação mensal e anual, respectivamente.

No segmento industrial o melhor desempenho em dez/17 ficou com a indústria da construção (56,7 pontos) que subiu 4,2% na comparação mensal e 22,5% na anual. Depois temos a indústria extrativa (59,4 pontos) que cresceu 3,3% na comparação mensal e 19,5% na anual. A indústria de transformação (58,6 pontos) apresentou elevação de 3% em dez/17 ante novembro, e cresceu 21,3% na comparação anual.

Com relação ao porte da empresa, o melhor desempenho em dezembro deste ano ficou com as pequenas empresas (55,5 pontos), ao subir 5,5% ante nov/17 e 25% na comparação anual. Segue as grandes empresas (60,2 pontos) com alta de 2,9% em dez/17 frente ao mês anterior e crescimento de 19,7% ante dez/16. O terceiro lugar ficou para as médias empresas (57,1 pontos) que registraram alta de 2% em dez/17 ante o mês anterior e subiram 22,3% na comparação anual.

O ICEI vem melhorando nos últimos seis meses, devido à elevação do otimismo dos empresários quanto ao comportamento das condições de negócios para os próximos meses. A análise das condições atuais e futuras da economia brasileira e das empresas, apresentaram desempenho positivo tanto na comparação mensal quanto na anual.

Portanto, cabe observar uma melhora das condições de negócios devido ao aumento das expectativas otimistas dos empresários industriais para os próximos meses. Contribuem ainda para esse cenário positivo, a queda da inflação, a redução dos juros básicos da economia e o declínio do desemprego.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
MELHOR INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMILÍAS DESDE 2015
Régis Varão/¹

A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apresentou crescimento de 1,9% em dez/17, na comparação com o mês anterior, e subiu 7,2% na comparação anual, atingindo 81,7 pontos, o maior valor observado em 2017. Apesar do resultado positivo, o índice se mantém em um nível inferior a zona de indiferença de 100 pontos, o que indica uma percepção de insatisfação das famílias com a situação atual.

O nível de confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) registrou  melhora de 1,6% na comparação mensal, enquanto famílias com renda superior a dez salários mínimos (>10 SM) apresentaram incremento de 2,8%. Segundo o relatório da CNC, “O índice das mais ricas se situa em 95,3 pontos e o das demais, em 79 pontos. Os índices desagregados por faixa de renda também continuam abaixo dos 100 pontos”.

De acordo com Juliana Serapio, da CNC, “A melhora gradativa das condições econômicas impulsionou a recuperação da confiança das famílias. A trajetória favorável da inflação, aliada a um leve recuo no custo do crédito e à retomada da massa salarial, vem permitindo um menor comprometimento do orçamento das famílias, liberando uma fatia maior desses recursos para o consumo”.

Na comparação regional, todas registraram desempenho positivo em dez/17, exceto o indicador Renda Atual (-0,5%). A região Nordeste apresentou o maior crescimento no índice geral 3,2%, enquanto a região Sul, registrou queda de 2,9% em relação a nov/17.

A seguir, uma análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Com relação ao mercado de trabalho, esse componente apresentou elevação de 0,6% em dez/17 (109,5 pontos) ante o mês anterior, e subiu 2,7% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em dez/17 em relação ao nível de Emprego Atual subiu para 33,1%, ante 32,9% observado em nov/17.

As regiões Centro-Oeste (139,2 pontos), Norte (129 pontos) e Sul (105,6 pontos) são as mais confiantes em relação ao Emprego Atual, com variações mensais de respectivamente +0,9%, +1,8% e -4%. Já as regiões Sudeste (103 pontos) e Nordeste (102,8 pontos) registraram os menores níveis de confiança. O componente Emprego Atual é o único acima da zona de indiferença.

2. Nível de Consumo Atual:

Esse componente registrou incremento de 2,5% em dez/17  (57,5 pontos) frente ao mês anterior, e apresentou crescimento de 11,2% na comparação anual. De acordo com a CNC, “A maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado (57,8% ante 58,3% em outubro). O índice se situa em 57,5 pontos”. O indicador registra o menor nível entre os componentes do ICF em dez/17, portanto, muito distante da zona de indiferença.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou variação positiva de 1,4% em dez/17 (74,9 pontos) ante o mês anterior, e subiu 11,3% em relação ao mesmo período de 2016. Entre os integrantes do ICF, essa modalidade registrou a terceira maior variação positiva na comparação anual, ante quarta posição observada no mês anterior.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 7,1% em dez/17 (59 pontos), ante o mês anterior, e subiu 15,9% na comparação anual. O indicador registrou a maior variação mensal positiva em dez/17, e o segundo maior crescimento na comparação anual entre os componentes do ICF.

Considerando por faixa de renda, as famílias com renda <10 SM registraram aumento de 7,6% em dez/17 no quesito Momento para Duráveis na comparação mensal, e as com renda >10 SM apresentaram crescimento de 5,5%. Segundo a CNC, “Regionalmente, esse indicador variou de 84,4 pontos (Sul) a 43,2 pontos (Norte)”.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve variação negativa de 0,5% em dez/17 (93,2 pontos) ante o mês anterior, e subiu 3,1% na comparação anual. Esse componente está 10% acima do mínimo atingido em jun/16 quando atingiu 84,9 pontos. Cabe observar que o indicador Renda Atual foi o único entre os integrantes do ICF a registrar variação negativa na comparação mensal. Por outro lado, o valor de dez/17 ficou abaixo apenas dos observados em nov/17 (93,7 pontos) e abr/17 com 93,3 pontos.

6. Perspectiva de Consumo:

Esse componente apresentou elevação de 3,4% em dez/17 (80,2 pontos) frente ao mês anterior e registrou incremento de 21,3% na comparação anual. O indicador apresentou a segunda maior variação positiva na comparação mensal, e o maior crescimento na comparação anual entre os componentes do ICF.

A confiança das famílias com renda <10 SM apresentou crescimento de 3,5% em dez/17 ante novembro, enquanto a confiança das famílias com renda >10 SM registrou elevação de 2,4%.

7. Perspectiva Profissional:

As famílias registraram alta de 1,4% em dez/17 (97,6 pontos) em relação ao mercado de trabalho, na comparação mensal, e foi o único componente do ICF a registrar declínio (-2,9%) na variação anual. O valor do componente em dez/17, foi o maior dos últimos sete meses, mas ainda distante do observado em mar/17  quando atingiu 103 pontos. A melhora do cenário macroeconômico atual tem contribuído positivamente para um melhor desempenho do indicador nos últimos sete meses.

Portanto, o desempenho positivo observado na grande maioria dos componentes do ICF, deve-se a gradativa melhora das condições macroeconômicas, ajudadas pela redução da inflação, dos juros básicos da economia e do desemprego. Por outro lado, o índice continua abaixo da zona de indiferença, indicando recuperação demorada do otimismo das famílias.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR FECHA O ANO EM BAIXA
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), atinge 100,5 pontos em dez/17, representando declínio de 0,5% ante nov/17, após a estabilidade observada no mês anterior, e apresenta crescimento de 0,2% na comparação anual.

O indicador alterna movimentos altistas e baixistas nos últimos meses e fecha o ano em nível próximo ao encerramento de 2016, quando atingiu 100,3 pontos em dez/16. O indicador mantém-se em patamar baixo, mostrando decréscimo de 7% ante a média histórica de 108,1 pontos, que vem se repetindo nos últimos três anos.

Importante ressaltar, que todos os índices de expectativa apresentam reduções na comparação mensal, entre 1% na renda pessoal e 5,3% nas expectativas de desemprego. O consumidor encerra 2017 mais preocupado com relação ao desempenho futuro dos preços, emprego e seus rendimentos, ao mesmo tempo que indica a intenção de comprar menos bens de maior valor.

Por outro lado, os índices relacionados às condições financeiras do consumidor apresentam desempenho positivo, caso dos indicadores de situação financeira e de endividamento.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o índice apresenta declínio de 2,6% em dez/17 (104,3 pontos) ante o mês anterior, e registra crescimento de 1,9% na comparação anual, quando atingiu 102,4 pontos em dez/16;

(b) Expectativa de desemprego: o índice apresenta decréscimo de 5,3% em dez/17 (112,3 pontos) ante o mês anterior, e alta de 5,6% na comparação com dez/16 (106,3 pontos). Na comparação mensal e anual a expectativa de desemprego registrou as maiores variações;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: o índice registra variação negativa de 1% em dez/17 (89 pontos) ante o mês anterior, e caiu 2,9% na comparação anual, quando registrou 91,7 pontos em dez/16. O indicador registrou o maior declínio, entre os componentes do INEC, na comparação anual;

(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior Valor: houve variação negativa de 1,3% em dez/17 (112,8 pontos) ante o mês anterior, e registrou crescimento de 1,3% frente a igual período de 2016;

(e) Endividamento: o índice apresenta a segunda maior elevação na comparação mensal, com alta de 3,7% em dez/17 (94,7 pontos) ante novembro, e queda de 1,8% na comparação anual, quando chegou a 96,4 pontos em dez/16;

(f) Situação financeira: esse componente apresenta incremento de 3,8% em dez/17 com 89,3 pontos ante nov/17, e queda de 2,2% com relação a igual período de 2016.

Portanto, o comportamento dos índices relacionados às condições financeiras dos consumidores, endividamento e situação financeira, apresentam elevações na comparação mensal, sugerindo que um maior percentual de consumidores esperam melhor situação financeira e menor nível de endividamento.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

AUMENTA A INTENÇÃO DE INVESTIMENTOS DA INDÚSTRIA
Régis Varão/¹

O Indicador de Intenção de Investimentos da Indústria (III), publicado pelo Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), subiu 10,9 pontos no quarto trimestre de 2017 (4Tri17) em relação ao período anterior, chegando a 116 pontos, o maior número desde o 1Tri14 quando atingiu 116,6 pontos. O indicador afere o impulso de investimento da atividade industrial, contribuindo para antecipar tendências do segmento.

De acordo como Aloisio Campelo, da FGV/IBRE, “Com a alta do quarto trimestre, o Indicador de Intenção de Investimentos retoma a trajetória de alta que havia sido interrompida no trimestre anterior. Apesar do bom resultado, o número elevado de empresas prevendo estabilização dos investimentos nos próximos meses sinaliza que parte do setor continua em compasso de espera e que uma aceleração mais expressiva dos investimento dependerá da redução da incerteza econômica e política”.

Este é o terceiro trimestre consecutivo em que a proporção de empresas/indústria de transformação prevendo investir mais nos próximos 12 meses ultrapassou a das que projetam investir menos, o que não era verificado desde 2014. Entre o 3Tri17 (21,1%) e o 4Tri17 (26,6%) houve elevação da quantidade de empresas industriais que programam investir mais. Ao longo dos últimos trimestres, esse indicador apresentou o seguinte comportamento: 4Tri12 (47,1%), 4Tri13 (42,3%), 4Tri14 (29,8%), 4Tri15 (15,7%), 4Tri16 (17,8%) e subindo fortemente para 26,6% no último trimestre de 2017.

Cabe observar que a pesquisa consulta as empresas quanto ao grau de certeza em relação à execução do plano de investimento para os próximos 12 meses. No 4Tri17, a proporção de empresas consultadas com relação à certeza de investirem atingiu 26,8% ante 28,2% observado no trimestre anterior, mas acima do registrado no 4Tri16 (23%). Cabe observar que esses percentuais foram bem superiores no 4Tri14 (52,3%) e no 4Tri15 (34,5%).

A proporção elevada de empresas com incertezas quanto à execução do plano de investimento sugere instabilidade no ambiente econômico e político, como demonstra os números a seguir: 4Tri14 (16%), 4Tri15 (19,9%), 4Tri16 (28,6%) e 4Tri17 (25,3%). Nos dois últimos trimestre de 2016 e 2017, houve um pequeno declínio, embora o percentual ainda mantenha-se alto.

Portanto, embora tenha aumentado a intenção de investimentos da indústria de transformação no último trimestre deste ano ante o período anterior, o grau de certeza das empresas quanto à execução do plano de investimentos para os próximos doze meses caiu no 4Tri17 com relação ao trimestre anterior. Cabe observar, que o grau de incerteza das empresas quanto aos investimentos para igual período também caiu na mesma base de comparação. O grande responsável por esse fraco desempenho pode ser creditado ao ambiente econômico e político instável.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

AUMENTA A EXPECTATIVA DE VIDA DO BRASILEIRO
Régis Varão/¹

A expectativa de vida do brasileiro chega a 75,8 anos para uma pessoa nascida em 2016. Enquanto os homens têm expectativa de 72,2 anos, as mulheres têm 79,4 anos, isto é, as mulheres vivem mais que os homens cerca de 7 anos, o que não é pouco, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com relação as Unidades da Federação, a maior expectativa de vida foi observada em Santa Catarina com 79,1 anos, acima da média nacional (75,8 anos), enquanto o estado do Maranhão registrou a menor expectativa com 70,6 anos, muito abaixo da média. Uma pessoa idosa que completasse 65 anos em 2016 teria a maior expectativa de vida (20,1 anos) no Espírito Santo, enquanto em Rondônia, uma pessoa com 65 anos em 2016 teria mais 15,9 anos.

Quanto a diferença por sexo, a população idosa do sexo masculino do Espírito Santo teria mais 18,2 anos e a do sexo feminino mais 21,8 anos. Já com relação as menores expectativas de vida, temos os idosos do sexo masculino do Piauí, com mais 14,6 anos, e as mulheres de Rondônia com mais 17,1 anos.

A expectativa de vida do brasileiro era de 45,5 anos em 1940, sendo 48,3 anos para as mulheres e 42,9 anos para os homens. Entre 1940 e 1960, o País reduziu pela metade a taxa bruta de mortalidade passando de 20,9 óbitos em cada mil habitantes para 9,8 por mil. Assim, a expectativa de vida ao nascer em 1960 era de 52,5 anos. Em 76 anos (de 1940 a 2016), a expectativa de vida subiu 30,3 anos atingindo 75,8 anos.

Um indivíduo ao completar 50 anos em 1940, tinha uma expectativa de vida de 19,1 anos, vivendo em média 69,1 anos. Com a redução da mortalidade no período, uma pessoa de 50 anos, em 2016, teria uma expectativa de mais 30,3 anos, podendo chegar em média aos 80,3 anos, ou seja, 11,2 anos a mais que o mesmo cidadão da mesma idade em 1940.

A pesquisa do IBGE afirmar que um homem de 20 anos tinha 4,5 vezes mais chance de não completar 25 anos que uma mulher na mesma idade em 2016. Afirma ainda, “Este fenômeno pode ser explicado pela maior incidência dos óbitos por causas externas ou não naturais, que atingem com maior intensidade a população masculina”.

De acordo com a pesquisa, “a partir de 1980, as mortes associadas às causas externas ou não naturais, que incluem os homicídios, suicídios, acidentes de trânsito, afogamentos, quedas acidentais etc., passaram a desempenhar um papel de destaque, de forma negativa, sobre a estrutura por idade das taxas de mortalidade, particularmente dos adultos jovens do sexo masculino”. Por outro lado, entre 1940 e 2016, diminuiu a mortalidade feminina da população de 15 a 49 anos de idade.

O relatório afirma que em 1940, de cada mil pessoas que chegavam aos 65 anos de idade, 259 atingiriam os 80 anos ou mais. “Em 2016, de cada mil idosos com 65 anos, 628 completariam 80 anos. As expectativas de vida ao atingir 80 anos foram de 10,2 e 8,5 anos para mulheres e homens, respectivamente. Em 1940, estes valores eram de 4,5 anos para as mulheres e 4,0 anos para os homens”.

A maior expectativa de vida entre as Unidades da Federação foi em Santa Catarina com 79,1 anos, seguida pelo Espírito Santo, Distrito Federal e São Paulo, todos com valores acima de 78 anos. Estados com expectativa acima da média nacional: Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. A menor expectativa de vida foi encontrada no Maranhão com 70,6 anos.

Portanto, temos que ficar atentos para podermos aproveitar esse ganho extra de vida. Temos que nos preparar financeiramente para as situações não previstas e que demandarão recursos financeiros, como acidentes diversos, doença em família etc. Assim, faça uma reserva financeira e economize no dia a dia para aproveitar esse ganho de vida extra.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

AUMENTA O ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM NOV/17
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas apresentou elevação em novembro deste ano ante o mês anterior, e em relação a nov/16. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso diminuiu entre outubro e nov/17, enquanto o percentual que afirmou sem condições de pagar suas contas ficou estável na comparação anual. Na comparação anual, houve elevação em ambos os indicadores de inadimplência, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O percentual de famílias que relataram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro/casa e seguro atingiu 62,2% em nov/17, uma elevação de 0,4 p.p. frente a out/17 e alta de 2,6 p.p. ante nov/16.

Apesar do endividamento das famílias ter subido em novembro deste ano, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu em nov/17 na comparação mensal, saindo de 26% em out/17 para 25,8% no mês seguinte. A inadimplência das famílias apresentou elevação em nov/17 frente a nov/16, quando o indicador chegou a 24,4% do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso, portanto continuam inadimplentes, ficou estável em 10,1% no período out-nov/17, e registrou elevação em relação aos 9,5% observado em nov/16.

Foi verificado crescimento do total de famílias endividadas apenas na faixa com renda até dez salários mínimos (<10 SM). Já na comparação anual, ambas as faixas de renda (<10 SM e >10 SM) registraram elevação. Para as famílias que recebem <10 SM, o percentual de famílias com dívidas chegou a 63,7% em nov/17, ante 63,2% observado em out/17 e 61,2% em nov/16. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias endividadas caiu de 54,6% em out/17 para 54,5% no mês seguinte. Em nov/16, o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda chegou a 51,5%.

O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendências distintas entre os dois grupos de renda pesquisados. Na comparação mensal, houve redução do indicador apenas na faixa de renda <10 SM, enquanto na comparação anual, houve elevação em ambas as faixas de renda. Na faixa de renda <10 SM, o percentual com contas/dívidas em atraso caiu de 29,3% em out/17 para 29,1% em nov/17. Em nov/16, 27,5% das famílias na faixa de renda <10 SM haviam declarado ter contas/dívidas em atraso, enquanto no grupo de renda >10 SM, o percentual de inadimplência atingiu 11,7% em nov/17, ante 11,5% em out/17 e 10,9% verificado em nov/16.

Na análise por faixa de renda das famílias que declararam sem condições de pagar as contas em atraso também foram observados comportamentos distintos entre os grupos pesquisados, na comparação mensal. Na faixa de maior renda (>10 SM), o indicador atingiu 3,2% em nov/17, ante 3,7% registrado no mês anterior e 3% em nov/16. Com relação ao grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar suas dívidas cresceu de 11,8% em out/17 para 12% no mês seguinte. Com relação a nov/16, houve crescimento de 0,7 p.p.

O percentual de famílias que se declararam muito endividadas ficou estável no período out-nov/17 (14,6% do total), e na comparação anual, subiu 0,1 p.p. Na comparação entre nov/16 e nov/17, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada cresceu de 21,1% em nov/16 para 23% em nov/17, enquanto a parcela que se declarou pouco endividada passou de 24% para 24,6% naquela base de comparação.

O tempo médio de atraso, entre as famílias com contas/dívidas em atraso, foi 64,2 dias em nov/17, ante 63,3 dias observados em nov/16. Segundo o relatório da CNC, “O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi de 7,1 meses, sendo que 24,4% delas estão comprometidas com dívidas até três meses; e 32,3%, por mais de um ano. Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas aumentou na comparação anual, passando de 29,9% em novembro de 2016 para 30,6% em outubro de 2017, e 23,8% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas”.

O cartão de crédito continua apontado como o principal tipo de dívida, tendo a preferência de 76,9% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja (16,7%), financiamento de carro (10,4%),  crédito pessoal (10,2%), financiamento de casa (8,1%), cheque especial (6%), crédito consignado (5,6%) e cheque pré-datado com 1,3%. Nas faixas de renda pesquisadas, dívidas com cartão de crédito tem a preferência das famílias endividadas. Para faixa de renda <10 SM, o carnê de loja lidera na segunda posição com 18% das preferências, enquanto para famílias com renda >10 SM o segundo lugar fica com financiamento de carro 19,1%.

O percentual de famílias com dívidas voltou a crescer na comparação mensal, com cinco altas consecutivas. O percentual de famílias que relatam endividamento elevado ficou estável na comparação mensal, embora tenha registrado pequena elevação na comparação anual.

Portanto, a redução da inflação, dos juros, do desemprego e a lenta recuperação da renda do trabalho tem contribuído para a recuperação gradual de algumas modalidades de crédito, embora o endividamento das famílias continue muito elevado. Cabe observar que a preferência das famílias pelo cartão de crédito, como forma de endividamento, demonstra absoluto desconhecimento de regras básicas de educação financeira.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.