quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

MELHOR INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMILÍAS DESDE 2015
Régis Varão/¹

A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apresentou crescimento de 1,9% em dez/17, na comparação com o mês anterior, e subiu 7,2% na comparação anual, atingindo 81,7 pontos, o maior valor observado em 2017. Apesar do resultado positivo, o índice se mantém em um nível inferior a zona de indiferença de 100 pontos, o que indica uma percepção de insatisfação das famílias com a situação atual.

O nível de confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) registrou  melhora de 1,6% na comparação mensal, enquanto famílias com renda superior a dez salários mínimos (>10 SM) apresentaram incremento de 2,8%. Segundo o relatório da CNC, “O índice das mais ricas se situa em 95,3 pontos e o das demais, em 79 pontos. Os índices desagregados por faixa de renda também continuam abaixo dos 100 pontos”.

De acordo com Juliana Serapio, da CNC, “A melhora gradativa das condições econômicas impulsionou a recuperação da confiança das famílias. A trajetória favorável da inflação, aliada a um leve recuo no custo do crédito e à retomada da massa salarial, vem permitindo um menor comprometimento do orçamento das famílias, liberando uma fatia maior desses recursos para o consumo”.

Na comparação regional, todas registraram desempenho positivo em dez/17, exceto o indicador Renda Atual (-0,5%). A região Nordeste apresentou o maior crescimento no índice geral 3,2%, enquanto a região Sul, registrou queda de 2,9% em relação a nov/17.

A seguir, uma análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Com relação ao mercado de trabalho, esse componente apresentou elevação de 0,6% em dez/17 (109,5 pontos) ante o mês anterior, e subiu 2,7% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em dez/17 em relação ao nível de Emprego Atual subiu para 33,1%, ante 32,9% observado em nov/17.

As regiões Centro-Oeste (139,2 pontos), Norte (129 pontos) e Sul (105,6 pontos) são as mais confiantes em relação ao Emprego Atual, com variações mensais de respectivamente +0,9%, +1,8% e -4%. Já as regiões Sudeste (103 pontos) e Nordeste (102,8 pontos) registraram os menores níveis de confiança. O componente Emprego Atual é o único acima da zona de indiferença.

2. Nível de Consumo Atual:

Esse componente registrou incremento de 2,5% em dez/17  (57,5 pontos) frente ao mês anterior, e apresentou crescimento de 11,2% na comparação anual. De acordo com a CNC, “A maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado (57,8% ante 58,3% em outubro). O índice se situa em 57,5 pontos”. O indicador registra o menor nível entre os componentes do ICF em dez/17, portanto, muito distante da zona de indiferença.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou variação positiva de 1,4% em dez/17 (74,9 pontos) ante o mês anterior, e subiu 11,3% em relação ao mesmo período de 2016. Entre os integrantes do ICF, essa modalidade registrou a terceira maior variação positiva na comparação anual, ante quarta posição observada no mês anterior.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 7,1% em dez/17 (59 pontos), ante o mês anterior, e subiu 15,9% na comparação anual. O indicador registrou a maior variação mensal positiva em dez/17, e o segundo maior crescimento na comparação anual entre os componentes do ICF.

Considerando por faixa de renda, as famílias com renda <10 SM registraram aumento de 7,6% em dez/17 no quesito Momento para Duráveis na comparação mensal, e as com renda >10 SM apresentaram crescimento de 5,5%. Segundo a CNC, “Regionalmente, esse indicador variou de 84,4 pontos (Sul) a 43,2 pontos (Norte)”.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve variação negativa de 0,5% em dez/17 (93,2 pontos) ante o mês anterior, e subiu 3,1% na comparação anual. Esse componente está 10% acima do mínimo atingido em jun/16 quando atingiu 84,9 pontos. Cabe observar que o indicador Renda Atual foi o único entre os integrantes do ICF a registrar variação negativa na comparação mensal. Por outro lado, o valor de dez/17 ficou abaixo apenas dos observados em nov/17 (93,7 pontos) e abr/17 com 93,3 pontos.

6. Perspectiva de Consumo:

Esse componente apresentou elevação de 3,4% em dez/17 (80,2 pontos) frente ao mês anterior e registrou incremento de 21,3% na comparação anual. O indicador apresentou a segunda maior variação positiva na comparação mensal, e o maior crescimento na comparação anual entre os componentes do ICF.

A confiança das famílias com renda <10 SM apresentou crescimento de 3,5% em dez/17 ante novembro, enquanto a confiança das famílias com renda >10 SM registrou elevação de 2,4%.

7. Perspectiva Profissional:

As famílias registraram alta de 1,4% em dez/17 (97,6 pontos) em relação ao mercado de trabalho, na comparação mensal, e foi o único componente do ICF a registrar declínio (-2,9%) na variação anual. O valor do componente em dez/17, foi o maior dos últimos sete meses, mas ainda distante do observado em mar/17  quando atingiu 103 pontos. A melhora do cenário macroeconômico atual tem contribuído positivamente para um melhor desempenho do indicador nos últimos sete meses.

Portanto, o desempenho positivo observado na grande maioria dos componentes do ICF, deve-se a gradativa melhora das condições macroeconômicas, ajudadas pela redução da inflação, dos juros básicos da economia e do desemprego. Por outro lado, o índice continua abaixo da zona de indiferença, indicando recuperação demorada do otimismo das famílias.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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