MELHOR
INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMILÍAS DESDE 2015
Régis
Varão/¹
A pesquisa
de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo (CNC), apresentou
crescimento de 1,9% em dez/17, na comparação com o mês anterior, e subiu 7,2%
na comparação anual, atingindo 81,7 pontos, o maior valor observado em 2017. Apesar
do resultado positivo, o índice se mantém em um nível inferior a zona de
indiferença de 100 pontos, o que indica uma percepção de insatisfação das
famílias com a situação atual.
O nível de
confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM)
registrou melhora de 1,6% na comparação
mensal, enquanto famílias com renda superior a dez salários mínimos (>10 SM)
apresentaram incremento de 2,8%. Segundo o relatório da CNC, “O índice das mais
ricas se situa em 95,3 pontos e o das demais, em 79 pontos. Os índices
desagregados por faixa de renda também continuam abaixo dos 100 pontos”.
De acordo
com Juliana Serapio, da CNC, “A melhora
gradativa das condições econômicas impulsionou a recuperação da confiança das
famílias. A trajetória favorável da inflação, aliada a um leve recuo no custo
do crédito e à retomada da massa salarial, vem permitindo um menor
comprometimento do orçamento das famílias, liberando uma fatia maior desses
recursos para o consumo”.
Na
comparação regional, todas registraram desempenho positivo em dez/17, exceto o indicador
Renda Atual (-0,5%). A região Nordeste apresentou o maior crescimento no índice
geral 3,2%, enquanto a região Sul, registrou queda de 2,9% em relação a nov/17.
1. Emprego Atual:
Com
relação ao mercado de trabalho, esse componente apresentou elevação de 0,6% em dez/17
(109,5 pontos) ante o mês anterior, e subiu 2,7% na comparação anual. Por outro
lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em dez/17 em relação
ao nível de Emprego Atual subiu para 33,1%, ante 32,9% observado em nov/17.
As
regiões Centro-Oeste (139,2 pontos), Norte (129 pontos) e Sul (105,6 pontos) são
as mais confiantes em relação ao Emprego Atual, com variações mensais de
respectivamente +0,9%, +1,8% e -4%. Já as regiões Sudeste (103 pontos) e
Nordeste (102,8 pontos) registraram os menores níveis de confiança. O
componente Emprego Atual é o único acima da zona de indiferença.
2. Nível de Consumo Atual:
Esse
componente registrou incremento de 2,5% em dez/17 (57,5 pontos) frente ao mês anterior, e
apresentou crescimento de 11,2% na comparação anual. De acordo com a CNC, “A maior parte das famílias declarou
estar com o nível de consumo menor que o do ano passado (57,8% ante 58,3% em
outubro). O índice se situa em 57,5 pontos”. O indicador registra o menor nível
entre os componentes do ICF em dez/17, portanto, muito distante da zona de
indiferença.
3.
Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):
O
componente Acesso ao Crédito apresentou variação positiva de 1,4% em dez/17 (74,9
pontos) ante o mês anterior, e subiu 11,3% em relação ao mesmo período de 2016.
Entre os integrantes do ICF, essa modalidade registrou a terceira maior
variação positiva na comparação anual, ante quarta posição observada no mês
anterior.
4.
Momento para Duráveis:
O
indicador apresentou elevação de 7,1% em dez/17 (59 pontos), ante o mês
anterior, e subiu 15,9% na comparação anual. O indicador registrou a maior variação
mensal positiva em dez/17, e o segundo maior crescimento na comparação anual
entre os componentes do ICF.
Considerando
por faixa de renda, as famílias com renda <10 SM registraram aumento de 7,6%
em dez/17 no quesito Momento para Duráveis na comparação mensal, e as com renda
>10 SM apresentaram crescimento de 5,5%. Segundo a CNC, “Regionalmente, esse indicador variou
de 84,4 pontos (Sul) a 43,2 pontos (Norte)”.
5.
Renda Atual:
Com
relação a esse componente houve variação negativa de 0,5% em dez/17 (93,2
pontos) ante o mês anterior, e subiu 3,1% na comparação anual. Esse componente
está 10% acima do mínimo atingido em jun/16 quando atingiu 84,9 pontos. Cabe
observar que o indicador Renda Atual foi o único entre os integrantes do ICF a registrar variação negativa na comparação
mensal. Por outro lado, o valor de dez/17 ficou abaixo apenas dos observados em
nov/17 (93,7 pontos) e abr/17 com 93,3 pontos.
6.
Perspectiva de Consumo:
Esse
componente apresentou elevação de 3,4% em dez/17 (80,2 pontos) frente ao mês
anterior e registrou incremento de 21,3% na comparação anual. O indicador
apresentou a segunda maior variação positiva na comparação mensal, e o maior
crescimento na comparação anual entre os componentes do ICF.
A
confiança das famílias com renda <10 SM apresentou crescimento de 3,5% em dez/17
ante novembro, enquanto a confiança das famílias com renda >10 SM registrou elevação
de 2,4%.
7.
Perspectiva Profissional:
As
famílias registraram alta de 1,4% em dez/17 (97,6 pontos) em relação ao mercado
de trabalho, na comparação mensal, e foi o único componente do ICF a registrar declínio (-2,9%) na variação anual. O
valor do componente em dez/17, foi o maior dos últimos sete meses, mas ainda distante
do observado em mar/17 quando atingiu 103
pontos. A melhora do cenário macroeconômico atual tem contribuído positivamente
para um melhor desempenho do indicador nos últimos sete meses.
Portanto,
o desempenho positivo observado na grande maioria dos componentes do ICF, deve-se a gradativa melhora das condições
macroeconômicas, ajudadas pela redução da inflação, dos juros básicos da
economia e do desemprego. Por outro lado, o índice continua abaixo da zona de
indiferença, indicando recuperação demorada do otimismo das famílias.
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