segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

AUMENTA O ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM NOV/17
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas apresentou elevação em novembro deste ano ante o mês anterior, e em relação a nov/16. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso diminuiu entre outubro e nov/17, enquanto o percentual que afirmou sem condições de pagar suas contas ficou estável na comparação anual. Na comparação anual, houve elevação em ambos os indicadores de inadimplência, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O percentual de famílias que relataram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro/casa e seguro atingiu 62,2% em nov/17, uma elevação de 0,4 p.p. frente a out/17 e alta de 2,6 p.p. ante nov/16.

Apesar do endividamento das famílias ter subido em novembro deste ano, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu em nov/17 na comparação mensal, saindo de 26% em out/17 para 25,8% no mês seguinte. A inadimplência das famílias apresentou elevação em nov/17 frente a nov/16, quando o indicador chegou a 24,4% do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso, portanto continuam inadimplentes, ficou estável em 10,1% no período out-nov/17, e registrou elevação em relação aos 9,5% observado em nov/16.

Foi verificado crescimento do total de famílias endividadas apenas na faixa com renda até dez salários mínimos (<10 SM). Já na comparação anual, ambas as faixas de renda (<10 SM e >10 SM) registraram elevação. Para as famílias que recebem <10 SM, o percentual de famílias com dívidas chegou a 63,7% em nov/17, ante 63,2% observado em out/17 e 61,2% em nov/16. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias endividadas caiu de 54,6% em out/17 para 54,5% no mês seguinte. Em nov/16, o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda chegou a 51,5%.

O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendências distintas entre os dois grupos de renda pesquisados. Na comparação mensal, houve redução do indicador apenas na faixa de renda <10 SM, enquanto na comparação anual, houve elevação em ambas as faixas de renda. Na faixa de renda <10 SM, o percentual com contas/dívidas em atraso caiu de 29,3% em out/17 para 29,1% em nov/17. Em nov/16, 27,5% das famílias na faixa de renda <10 SM haviam declarado ter contas/dívidas em atraso, enquanto no grupo de renda >10 SM, o percentual de inadimplência atingiu 11,7% em nov/17, ante 11,5% em out/17 e 10,9% verificado em nov/16.

Na análise por faixa de renda das famílias que declararam sem condições de pagar as contas em atraso também foram observados comportamentos distintos entre os grupos pesquisados, na comparação mensal. Na faixa de maior renda (>10 SM), o indicador atingiu 3,2% em nov/17, ante 3,7% registrado no mês anterior e 3% em nov/16. Com relação ao grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar suas dívidas cresceu de 11,8% em out/17 para 12% no mês seguinte. Com relação a nov/16, houve crescimento de 0,7 p.p.

O percentual de famílias que se declararam muito endividadas ficou estável no período out-nov/17 (14,6% do total), e na comparação anual, subiu 0,1 p.p. Na comparação entre nov/16 e nov/17, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada cresceu de 21,1% em nov/16 para 23% em nov/17, enquanto a parcela que se declarou pouco endividada passou de 24% para 24,6% naquela base de comparação.

O tempo médio de atraso, entre as famílias com contas/dívidas em atraso, foi 64,2 dias em nov/17, ante 63,3 dias observados em nov/16. Segundo o relatório da CNC, “O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi de 7,1 meses, sendo que 24,4% delas estão comprometidas com dívidas até três meses; e 32,3%, por mais de um ano. Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas aumentou na comparação anual, passando de 29,9% em novembro de 2016 para 30,6% em outubro de 2017, e 23,8% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas”.

O cartão de crédito continua apontado como o principal tipo de dívida, tendo a preferência de 76,9% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja (16,7%), financiamento de carro (10,4%),  crédito pessoal (10,2%), financiamento de casa (8,1%), cheque especial (6%), crédito consignado (5,6%) e cheque pré-datado com 1,3%. Nas faixas de renda pesquisadas, dívidas com cartão de crédito tem a preferência das famílias endividadas. Para faixa de renda <10 SM, o carnê de loja lidera na segunda posição com 18% das preferências, enquanto para famílias com renda >10 SM o segundo lugar fica com financiamento de carro 19,1%.

O percentual de famílias com dívidas voltou a crescer na comparação mensal, com cinco altas consecutivas. O percentual de famílias que relatam endividamento elevado ficou estável na comparação mensal, embora tenha registrado pequena elevação na comparação anual.

Portanto, a redução da inflação, dos juros, do desemprego e a lenta recuperação da renda do trabalho tem contribuído para a recuperação gradual de algumas modalidades de crédito, embora o endividamento das famílias continue muito elevado. Cabe observar que a preferência das famílias pelo cartão de crédito, como forma de endividamento, demonstra absoluto desconhecimento de regras básicas de educação financeira.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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