AUMENTA O
ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM NOV/17
Régis
Varão/¹
O total de
famílias brasileiras endividadas apresentou elevação em novembro deste ano ante
o mês anterior, e em relação a nov/16. O percentual de famílias com contas ou dívidas
em atraso diminuiu entre outubro e nov/17, enquanto o percentual que afirmou
sem condições de pagar suas contas ficou estável na comparação anual. Na
comparação anual, houve elevação em ambos os indicadores de inadimplência, segundo
a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da
Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O percentual
de famílias que relataram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de
crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro/casa
e seguro atingiu 62,2% em nov/17, uma elevação de 0,4 p.p. frente a out/17 e alta
de 2,6 p.p. ante nov/16.
Apesar do
endividamento das famílias ter subido em novembro deste ano, o percentual de
famílias com dívidas ou contas em atraso caiu em nov/17 na comparação mensal,
saindo de 26% em out/17 para 25,8% no mês seguinte. A inadimplência das famílias
apresentou elevação em nov/17 frente a nov/16, quando o indicador chegou a
24,4% do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas ou
dívidas em atraso, portanto continuam inadimplentes, ficou estável em 10,1% no
período out-nov/17, e registrou elevação em relação aos 9,5% observado em
nov/16.
Foi verificado
crescimento do total de famílias endividadas apenas na faixa com renda até dez
salários mínimos (<10 SM). Já na comparação anual, ambas as faixas de renda (<10
SM e >10 SM) registraram elevação. Para as famílias que recebem <10 SM, o
percentual de famílias com dívidas chegou a 63,7% em nov/17, ante 63,2% observado
em out/17 e 61,2% em nov/16. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual
de famílias endividadas caiu de 54,6% em out/17 para 54,5% no mês seguinte. Em nov/16,
o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda chegou a 51,5%.
O percentual
de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendências distintas entre
os dois grupos de renda pesquisados. Na comparação mensal, houve redução do
indicador apenas na faixa de renda <10 SM, enquanto na comparação anual, houve
elevação em ambas as faixas de renda. Na faixa de renda <10 SM, o percentual
com contas/dívidas em atraso caiu de 29,3% em out/17 para 29,1% em nov/17. Em
nov/16, 27,5% das famílias na faixa de renda <10 SM haviam declarado ter
contas/dívidas em atraso, enquanto no grupo de renda >10 SM, o percentual de
inadimplência atingiu 11,7% em nov/17, ante 11,5% em out/17 e 10,9% verificado
em nov/16.
Na análise por
faixa de renda das famílias que declararam sem condições de pagar as contas em
atraso também foram observados comportamentos distintos entre os grupos
pesquisados, na comparação mensal. Na faixa de maior renda (>10 SM), o
indicador atingiu 3,2% em nov/17, ante 3,7% registrado no mês anterior e 3% em
nov/16. Com relação ao grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem
condições de quitar suas dívidas cresceu de 11,8% em out/17 para 12% no mês
seguinte. Com relação a nov/16, houve crescimento de 0,7 p.p.
O percentual
de famílias que se declararam muito endividadas ficou estável no período
out-nov/17 (14,6% do total), e na comparação anual, subiu 0,1 p.p. Na
comparação entre nov/16 e nov/17, a parcela que declarou estar mais ou menos
endividada cresceu de 21,1% em nov/16 para 23% em nov/17, enquanto a parcela
que se declarou pouco endividada passou de 24% para 24,6% naquela base de comparação.
O tempo
médio de atraso, entre as famílias com contas/dívidas em atraso, foi 64,2 dias
em nov/17, ante 63,3 dias observados em nov/16. Segundo o relatório da CNC, “O
tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi de
7,1 meses, sendo que 24,4% delas estão comprometidas com dívidas até três
meses; e 32,3%, por mais de um ano. Ainda entre as famílias endividadas, a
parcela média da renda comprometida com dívidas aumentou na comparação anual,
passando de 29,9% em novembro de 2016 para 30,6% em outubro de 2017, e 23,8%
delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com
pagamento de dívidas”.
O cartão de
crédito continua apontado como o principal tipo de dívida, tendo a preferência
de 76,9% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja (16,7%), financiamento
de carro (10,4%), crédito pessoal (10,2%),
financiamento de casa (8,1%), cheque especial (6%), crédito consignado (5,6%) e
cheque pré-datado com 1,3%. Nas faixas de renda pesquisadas, dívidas com cartão
de crédito tem a preferência das famílias endividadas. Para faixa de renda <10
SM, o carnê de loja lidera na segunda posição com 18% das preferências,
enquanto para famílias com renda >10 SM o segundo lugar fica com financiamento
de carro 19,1%.
O percentual
de famílias com dívidas voltou a crescer na comparação mensal, com cinco altas
consecutivas. O percentual de famílias que relatam endividamento elevado ficou
estável na comparação mensal, embora tenha registrado pequena elevação na
comparação anual.
Portanto, a
redução da inflação, dos juros, do desemprego e a lenta recuperação da renda do
trabalho tem contribuído para a recuperação gradual de algumas modalidades de
crédito, embora o endividamento das famílias continue muito elevado. Cabe
observar que a preferência das famílias pelo cartão de crédito, como forma de
endividamento, demonstra absoluto desconhecimento de regras básicas de educação
financeira.
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