terça-feira, 5 de agosto de 2014

EXPECTATIVAS DO MERCADO PARA 2014/2015
Consultor Régis Varão/¹

As projeções para as principais variáveis macroeconômicas divulgadas na pesquisa do Boletim Focus do Banco Central (BCB), de 1.8.14, apresentaram algumas alterações quando comparadas às projeções da semana anterior, bem como quando comparadas a de igual período de 2013, conforme descrição abaixo:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): no boletim de 1.8.14 a expectativa de elevação do IPCA para 2014 é de 6,39%, ante 6,41% divulgada na semana anterior, e sobe de 6,21% em 25.7.14 para 6,24% no último Focus, para o próximo ano. Quando compara as projeções desta semana (6,39%) com as de 2.8.13 (5,87%) para 2014, temos uma variação de +0,52 p.p.;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): no Focus de 1.8.14, a projeção do índice para 2014 apresenta variação positiva de 4,33%, enquanto na semana anterior registra elevação de 4,34%. No Focus desta semana, a projeção para 2015 aponta variação positiva de 5,53%, ante 5,52% observado na semana anterior. Quanto ao Focus de 2.8.13, a projeção do IGP-DI para 2014 está em 5,50%, enquanto no último Focus vai para 5,53%;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): no boletim desta semana, ante a semana anterior, a expectativa para a taxa de câmbio mantém-se inalterada, em R$/U$2,35 e em R$/U$2,50, para o final de 2014 e 2015, respectivamente, enquanto em 2.8.13 está em R$/U$2,30 para 2014, não constando projeção do indicador para 2015;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a projeção para a Meta da Taxa Selic, em fim de período, segundo o boletim Focus de 1.8.14 para o final de 2014, está em 11% a.a. e 12% para o final de 2015, enquanto o boletim da semana anterior apresenta as mesmas taxas para os dois períodos. O boletim de 2.8.13 aponta para uma taxa de 9,25% a.a. para 2014, ante 11% observado para este ano no relatório de 1.8.14;

(e) Produto Interno Bruto (PIB): a projeção de crescimento do PIB para 2014 continua se deteriorando ao longo das últimas semanas, tendo o Focus de 1.8.14 registrado crescimento de 0,86% ante 0,90% observado no relatório da semana anterior, mas mantendo inalterada a elevação de 1,50% para 2015. No Focus de 2.8.13 a projeção de crescimento do PIB para 2014 está em 2,60%, caindo 1,74 p.p. no último boletim, reforçando a expectativa de que a retração no indicador está pressionada pelo desempenho apresentado na indústria nos últimos meses;

(f) Balança Comercial (U$ Bilhões): as projeções do Focus de 1.8.14 comparadas às da semana anterior, apontam estabilidade com superávit de U$2 bilhões para 2014, enquanto para o ano seguinte passa de U$9,40 bi no Focus de 25.7.14 para U$8,50 bi no último Focus, com declínio de U$0,90 bi. O boletim de 2.8.13 a projeção de superávit está em U$8 bi para 2014, não constando projeção para 2015;

Portanto, as medidas adotadas pelo governo são insuficientes para alterar o desempenho declinante do PIB em 2014 e as expectativas de baixo crescimento para 2015. O declínio do PIB está sendo contaminado pelo decréscimo observado na produção industrial ao longo dos últimos meses, e as medidas adotadas não têm apresentado resultados satisfatórios.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

domingo, 3 de agosto de 2014

PRODUÇÃO INDUSTRIAL DE JUNHO
Consultor Régis Varão/¹

A produção industrial em jun/14 recuou 1,4% ante o mês anterior, na série sem ajuste sazonal, configurando o quarto mês consecutivo de queda, acumulando perda de 3,4% no período. Na série sem ajuste sazonal a produção caiu 6,9% quando comparada a igual período de 2013, a quarta taxa consecutiva e a mais elevada desde set/09, quando registrou queda de 7,4%. Os indicadores da indústria foram negativos tanto para o período abr-jun/14 (-5,4%), como para o acumulado no semestre jan-jun/14 (-2,6%), quando comparadas a igual período do ano anterior, respectivamente, segundo pesquisa mensal de produção industrial elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O declínio de 1,4% da atividade industrial no bimestre mai-jun/14 teve predomínio de resultados negativos, alcançando as quatro grandes categorias econômicas e 18 dos 24 ramos pesquisados. Os principais impactos negativos foram observados em veículos automotores, reboques e carrocerias (-12,1%), apresentando o quarto recuo consecutivo com queda acumulada de 22,6% e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-29,6%), com a maior queda desde o início da série histórica, e perda acumulada de 36,7% no bimestre. Esses dois setores fora pressionados nesse mês por paralisações em diversas unidades produtivas, tendo em vista as reduções de jornadas de trabalho e concessão de férias coletivas.

Outras contribuições negativas importantes vieram de: outros equipamentos de transporte (-12,3%), confecção de artigos de vestuário e acessórios (-10,0%), máquinas e equipamentos (-9,4%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-7,4%), produtos têxteis (-6,7%), produtos de borracha e de material plástico (-5,6%), produtos de minerais não-metálicos (-3,4%) e perfumaria, sabões, detergentes, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-3,1%). Dos seis ramos que aumentaram a produção em junho, os de melhores desempenhos foram: coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,6%), produtos alimentícios (2,1%) e bebidas (2,5%).

Quanto às grandes categorias econômicas, ante mai/14, bens de consumo duráveis, ao cair 24,9%, assinalou a maior queda desde o início da série e apresentou o quarto declínio consecutivo nessa base de comparação, acumulando queda de 33,3% no período. Os bens de capital (-9,7%), também mostraram forte declínio, e apontou o quarto mês de queda na produção, com perda de 17,9% no acumulado do período. O setor produtor de bens de consumo semi e não duráveis declinou 1,3%, e anulou o incremento de 1,1% acumulada no período abr-mai/14. Os bens intermediários (-0,1%) registraram o terceiro mês consecutivo de declínio na produção, acumulando queda de 1,2% no período.

Em jun/14 na comparação com igual período de 2013, o setor industrial mostrou queda de 6,9%. Entre as atividades, veículos automotores, reboques e carrocerias (-36,3%), com a maior influência negativa na formação da média da indústria, pressionada em parte pela redução na fabricação de automóveis, caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, autopeças e veículos para transporte de mercadorias. Outras contribuições negativas relevantes vieram da redução na produção de máquinas e equipamentos (-14,2%), metalurgia (-12,7%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-25,1%), de produtos de metal (-15,6%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-18,4%), de produtos de borracha e de material plástico (-10,4%), de outros produtos químicos (-6,3%) e de outros equipamentos de transporte (-21,2%). Por outro lado, ante jun/13, entre as cinco atividades que elevaram a produção, os principais impactos vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (9,9%), produtos alimentícios (7,4%), indústrias extrativas (2,9%) e bebidas (9,4%).

Ainda na comparação com jun/13, bens de consumo duráveis (-34,3%) e bens de capital (-21,1%) apresentaram as maiores quedas em jun/14, os maiores recuos entre as grandes categorias econômicas. Os segmentos de bens de consumo semi e não-duráveis (-3,0%) e de bens intermediários (-2,9%) também registraram resultados negativos nesse mês, mas em intensidade menor do que a média nacional (-6,9%).

Os bens de capital, ao recuarem 21,1% em jun/14, registraram o quarto resultado negativo consecutivo no índice mensal, mostrando a queda mais fonte desde ago/09, quando caiu 22,4%. A produção industrial em junho foi influenciada pela redução observada na maior parte dos seus grupamentos, com destaque para o declínio de 31,6% em bens de capital para equipamentos de transporte, pressionado basicamente pela menor fabricação de caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, veículos para transporte de mercadorias, reboques e semirreboques e vagões de passageiros. As outras taxas negativas vieram de bens de capital para fins industriais (-11,8%), agrícola (-15,5%), de uso misto (-8,5%) e para construção (-16,3%), enquanto bens de capital para energia elétrica (8,4%) apontou o único resultado positivo em jun/14.

Na análise trimestral, a indústria recuou 5,4% no segundo trimestre (2T) de 2014, registrando a queda mais forte desde o 3T de 2009 (-8,1%) e reverteu o resultado positivo assinalado no 1T do ano (0,4%), todas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis, que passou de 3,5% no período jan-mar/14 para -19,3% no trimestre seguinte, e bens de capital (de -1,0% para -15,0%) mostraram as principais perdas entre os dois períodos e os resultados negativos mais intensos no 2T de 2014. Já com relação ao primeiro semestre (1S) de 2014, frente a igual período de 2013, o setor industrial apresentou queda de 2,6%. O principal impacto negativo foi observado em veículos automotores, reboques e carrocerias (-16,9%).

Portanto, o desempenho negativo na atividade industrial brasileira ao longo dos últimos meses de 2014, deverá contribuir negativamente para o fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. Por outro lado, a preocupação é que o fraco desempenho do setor industrial não contamine o comércio e o setor agrícola, o que poderia comprometer ainda mais o desempenho do PIB.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

sábado, 2 de agosto de 2014

AS FINANÇAS EM CADA FASE DA VIDA
Consultor Régis Varão/¹

Em cada fase da vida, nossas necessidades mudam, podendo ficar mais dispendiosas com o passar dos anos. Quando se é jovem tempo não é problema, não falta energia e disposição para erros e acertos, mas com o passar dos anos o tempo vira produto escasso, e as decisões sabiamente tomadas há vinte, trinta, quarenta anos renderão bons frutos na maturidade.

O tempo passa e as necessidades de cada fase da vida começam a pressionar, mas normalmente é a partir da adolescência que começamos a nos preocupar com os projetos que envolvem atitudes financeiras e que ajudam a transformar sonhos em projetos reais, levando as pessoas, por suas escolhas e atitudes a um futuro com prosperidade ou não.

Segundo Pedro Carrilho (2013), a maioria das pessoas mede sua situação financeira em função de fatores externos, como o imóvel em que vive, o carro ou o emprego que tem, e se esquece que deveria medir sua situação financeira em função da fase financeira em que se encontra e de seus objetivos pessoais.

Tendo em vista que muitas pessoas têm me perguntado a respeito de fases para iniciar projetos que serão realizados em vinte, trinta, quarenta anos depois, resolvi falar a respeito dessas fases da vida financeira. Alguns podem não se enquadrar, entretanto, podem tomar atitudes financeiras adequadas, na época oportuna, e com certeza aproveitarão os benefícios da decisão.

Um percentual elevado de pessoas inicia sua vida financeira próxima aos vinte anos, alguns mais cedo, mas a maioria ainda não terminou o ensino médio ou está iniciando o curso superior. Vamos trabalhar com a seguinte faixa etária:

(a) Até os 20 anos: algumas crianças entre os 7 e 8 anos já demonstram interesse pelo dinheiro,  buscam informações a respeito de preços e até guardam dinheiro para comprar objetos. A infância é a fase propícia para que pais e responsáveis trabalhem conceitos de orçamento e poupança. A importância que os pais atribuem ao dinheiro provavelmente levarão seus filhos a terem as mesmas atitudes no futuro. José dos Santos (2013) apresenta algumas recomendações aos pais: jamais ceder às chantagens, somente dar brinquedos novos em datas importantes, não comprar itens de vestuário de tamanho justo e em grande quantidade, não dar celular na fase inicial da infância, incentivar a criança a participar das reuniões do orçamento familiar, estimular a criança a praticar atividade física e alimentação saudável entre outros. Na adolescência os gastos tendem a aumentar, são mais suscetíveis aos fatores externos, principalmente os ligados à moda e aos do grupo que se inserem. É natural que os pais banquem despesas com educação, alimentação, vestuário, lazer etc. Segundo Cherobim e Espejo (2010), o que não é natural e, infelizmente, acontece muito é um jovem de 14 anos precisar trabalhar para auxiliar a família. A adolescência é uma fase de muita despesa na família, pois o jovem precisa alimentar-se bem, são elevados os gastos com educação, precisa praticar esportes, divertir-se etc. Santos (2013) apresenta as seguintes recomendações aos pais: incentivar o adolescente nas discussões mensais do resultado do orçamento familiar, incentivá-lo a fazer cursos de aprimoramento profissional (informática, língua estrangeira etc), convencê-lo a fazer cursos de finanças pessoais, ajudá-lo na definição da escolha do curso superior etc. De acordo com Murilo Carneiro (2014) ”Isso vai permitir a formação de uma pessoa equilibrada, que conhece a vida e vai ter a opção de escolher o caminho a seguir.” Um curso técnico ou superior que leve a oportunidades de crescimento, com rendimentos dignos é fruto do investimento realizado na vida pessoal, logo, um desses cursos é o mínimo do ponto de vista de investimento pessoal;

(b) Dos 20 aos 30 anos: para muitas pessoas, a vida adulta se inicia com casamento, mas não vamos discutir essa opção, até porque há controvérsia. De acordo com Santos (2013), ”Nessa fase, mais precisamente a partir dos vinte anos, espera-se que o jovem bem orientado na adolescência já esteja estudando em uma faculdade, trabalhando e, no mínimo, conseguindo arcar com suas despesas pessoais.” É a fase em que a pessoa tem rendimentos próprios e é autossustentável. Pedro Carrilho (2013) afirma que essa etapa inicial da vida financeira é uma das mais importantes, pois são cometidos os maiores erros financeiros, e muitas vezes acabam por tirar alguns anos para consertá-los. Nessa fase os ganhos são menores, e aqueles que ainda moram com os pais aumentam a capacidade de poupar. Também pode pensar no próprio negócio, nesse caso, deve consultar o Sebrae. Assim, o foco das finanças deve ser investimento em educação, cursos de idiomas, pós-graduação e outros, é a hora da capacitação. Caso a pessoa não tenha filhos pode correr riscos financeiros, como apostar em aplicações de renda variável e até outras alternativas mais arriscadas. No entanto, o ideal é iniciar o processo de acumulação, guardando parte do que ganha, de preferência o equivalente a um salário bruto mensal por ano;

(c) Dos 30 aos 40 anos: essa é a fase em que começa a construção do patrimônio propriamente dito. É a fase dos grandes projetos financeiros, como a casa própria, o casamento e filhos. Faça reserva financeira de um percentual do salário mensal para essa finalidade. Ao comprar a casa própria, caso tenha alguma reserva dê entrada reduzindo a prestação. Comprometa menos que 30% do orçamento familiar com as prestações da casa própria, em hipótese alguma mais que 30%. Crie o hábito de poupar bônus, prêmios e 13º salário, mantendo uma reserva financeira para emergências. Não exceda a soma de 36 salários mensais brutos da família, reduzindo o esforço na hora de pagar a prestação. Você S/A (edição 189) lembra que nessa fase em que os ciclos de carreira estão mais curtos, a pessoa deve investir em cursos de atualização, e que as reservas financeiras ajudarão. Os projetos de curto prazo ou de menor custo demandam aplicações de baixo risco e menor rendimento como caderneta de poupança ou títulos públicos, estes, uma boa escolha. No entanto, para projetos de 5 anos, as opções mudam, e o mercado de capitais poderia ser uma opção, e após exaustiva pesquisa, fundos multimercados. As Letras de Crédito Agrícolas (LCA) e os títulos do tesouro (Tesouro Direto-STN) vêm apresentando boa rentabilidade, além da liquidez e grande segurança. É interessante um Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), uma modalidade de plano de previdência privada, que possibilita a dedução das contribuições no cálculo do imposto de renda, até um limite de 12% da renda total tributável;

(d) Dos 40 aos 50 anos: você já deve ter fontes de rendimento estáveis e provenientes de investimentos realizados anteriormente. O alicerce financeiro está forte e seguro, ainda deve manter um percentual dos ganhos mensais para uma reserva financeira, nesse caso, de três a cinco salários brutos mensais por ano, um valor confortável e que permite alavancar as fontes de rendimentos e continuar a investir. Como provavelmente você está ganhando mais, caso disponha de imóvel financiado, procure antecipar prestações. Os gastos com filhos, principalmente com educação, tendem a aumentar, e tendo reserva financeira utilize-a com cautela. No caso de desemprego, você precisa de uma reserva equivalente a pelo menos seis meses de despesas mensais. Caso se depare com essa situação, enxugue ao máximo as despesas para não sacrificar a faculdade dos filhos. Quanto à previdência privada nunca mexa nela, pois poderá comprometer o planejamento da aposentadoria feito ao longo dos anos;

(e) Dos 50 aos 60 anos: tente reduzir seus gastos e investir um pouco mais já focado na vida pós-aposentadoria. Reserve de 10 a 30% dos ganhos para a previdência privada e continue buscando investimentos seguros como títulos do tesouro e alguns fundos de renda fixa. Você está em uma situação em que já deve ter atingido razoável padrão de renda e conforto para ter qualidade de vida. Você já deverá ter rendimentos de investimentos que correspondam a pelo menos 50% de suas despesas mensais. É importante que nessa fase você faça as coisas que mais lhe dão prazer, sem buscar remuneração. Você S/A afirma que a expectativa de vida é de mais de 74 anos, mas os consultores sugerem fazer um planejamento como fosse viver 90 anos, e lembre-se que nessa fase as despesas médicas subirão, portanto, invista em um bom plano de saúde;

(f) Acima dos 60 anos: segundo José dos Santos (2013), “espera-se que o individuo bem orientado em todas as etapas anteriores da vida tenha construído um patrimônio financeiro que financie, no mínimo, suas necessidades básicas para desfrutar de uma aposentadoria saudável.” Nessa fase, o esforço na formação de patrimônio feito ao longo dos anos deve ser recompensado com uma aposentadoria tranquila, com viagens e mais qualidade de vida. É quando você pode realizar alguns sonhos, conhecer novos lugares, estudar um novo idioma etc. Mesmo aposentado é importante continuar aplicando as regras de poupança e investimento, buscando aplicações com baixo risco. Adote uma segunda carreira numa área que lhe dê prazer, pois além de espantar o tédio ajuda a preservar a poupança. Um novo negócio nessa fase é arriscado, pois são reduzidas as chances de recuperação.

Portanto, infelizmente para muitas pessoas, quando a aposentadoria chega não estão preparadas emocional e financeiramente para esse dia, pois ao longo de suas vidas não pensaram em fazer poupança. Pesquisa indica que 64% dos brasileiros entrevistados nunca pouparam para a aposentadoria, e um terço não tem a intenção de fazê-lo, o que explica a quantidade de pessoas acima de 60 anos ainda na ativa, que não se aposentam por não estarem financeiramente preparadas para essa nova fase. O futuro depende de atitudes que você adota no presente.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar o site http://www.ravecofinancas.com/.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

EXPECTATIVA DO CONSUMIDOR MELHOR EM JULHO
Consultor Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de jul/14, atingiu 109,5 pontos, ante 106,3 pontos observados em jun/14, próximo ao de jul/13 (110 pontos), mas ainda inferior ao registrado em janeiro deste ano (113,9 pontos). No período jun-jul/14, o indicador INEC registrou crescimento de 3%, enquanto jul/14 comparado a jan/14 declinou 3,9%.

O incremento apresentado no indicador de julho, ante junho, reverteu em parte, o declínio observado ao longo de 2014, embora ainda inferior aos patamares registrados em anos anteriores. De acordo com o relatório da CNI, “Excluindo os valores dos primeiros seis meses de 2014, o INEC é o menor desde março de 2009.

Os resultados observados no primeiro semestre deste ano mostram declínio na percepção do comportamento do consumidor brasileiro com relação aos indicadores de inflação, desemprego, renda pessoal e endividamento, enquanto a melhora do INEC em jul/14 é explicada, principalmente, pelas expectativas de inflação, desemprego e na evolução da renda pessoal. As expectativas quanto ao endividamento mantiveram-se estáveis no bimestre jun-jul/14, enquanto compras de bens de maior valor apresenta declínio de 3,3% nas expectativas.

Os fatores que mais contribuíram para a avaliação positiva da população em julho são:

(a) Expectativa de Renda Pessoal: chegou a 110,7 pontos em jul/14, ante 102,8 pontos verificados em jun/14, um aumento de 7,7%, embora tenha atingido 115,8 pontos em jan/14, com queda de 4,4% no período. Esse componente do INEC apresentou o melhor desempenho em jul/14;

(b) Expectativa de Inflação: em jul/14 atingiu 104,2 pontos, ante 97,3 observados no mês anterior, uma elevação de 7,1% no bimestre, com melhora na percepção dos consumidores quanto à esse indicador nos próximos seis meses ante seis meses anteriores;

(c) Expectativa de Desemprego: atingiu 116,6 pontos em jul/14, ante 108,9 registrados no mês anterior, uma alta de 7,1% no período, mas apresentando declínio de 11,6% quando comparada a jan/14 (131,9 pontos), e atingindo o mesmo nível de abr/14 (116,5 pontos);

(d) Situação Financeira: o indicador atingiu 109,9 pontos em jul/14, de 104,4 pontos observados em jun/14 (+5,3%), mostrando elevação das expectativas positivas para os próximos três meses ante os três meses anteriores. As expectativas para a situação financeira do consumidor está mais favorável em jul/14 do que no mês anterior, mas abaixo do índice registrado em jan/14 (113,4), quando apresentou declínio de 3,1%. Segundo a pesquisa a maior avaliação desse indicador também contribuiu para a melhora do INEC em julho, refletindo um menor número de consumidores que perceberam piora na sua situação financeira nos últimos três meses;

(e) Endividamento: esse indicador manteve-se estável no bimestre jun-jul/14, quando atinge 105,1 pontos, e apresenta declínio de 2,3% ante jan/14 (107,6 pontos). O resultado indica que um maior número de pessoas afirmou estar menos endividada em julho do que nos últimos três meses;

(f) Compras de bens de maior valor: diferentemente dos demais componentes do INEC esse indicador atinge 110,2 pontos em jul/14,  ante 114 pontos em jun/14, e apresenta declínio de 3,3% no bimestre, o que aponta redução na expectativa de consumo desses bens para os próximos seis meses com relação aos seis meses anteriores.

Devemos ficar atentos às avaliações quanto ao comportamento futuro dos componentes do INEC, principalmente dos indicadores de compras de bens de maior valor e de endividamento das famílias. Por outro lado, o mês de julho ajudou a reverter temporariamente queda do INEC nos primeiros seis meses do ano, embora não possa configurar mudança de tendência.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

EXPECTATIVAS DO MERCADO PARA 2014/2015
Consultor Régis Varão/¹

As projeções para as principais variáveis macroeconômicas divulgadas na pesquisa do Boletim Focus do Banco Central (BCB), de 25.7.14, apresentaram poucas alterações quando comparadas às projeções da semana anterior, registrando ajustes nas expectativas para o IPCA em 2014 e em 2015, e para o PIB deste ano. O quadro é pouco animador quando as projeções são comparadas às divulgadas há doze meses, conforme descrição abaixo:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): no boletim de 25.7.14 a expectativa de elevação do IPCA para 2014 é de 6,41%, ante 6,44% divulgada na semana anterior, e sobe de 6,12% para 6,21% para 2015, no período. Quando se compara as projeções desta semana (6,41%) às de 26.7.13 (5,88%) para 2014, temos uma variação de +0,53 p.p.;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): no Focus de 25.7.14, a projeção do índice para 2014 apresenta recuo na semana, atingindo 4,34%, enquanto o boletim da semana anterior registra elevação de 4,49%. No Focus desta semana, a projeção para 2015 aponta variação positiva de 5,52%, ante 5,50% observado no boletim da semana anterior. Quanto ao Focus de 26.7.13, a projeção do IGP-DI para 2014 está em 5,50%, enquanto no Focus um ano depois fica em 4,34%;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): no relatório Focus desta semana, ante a semana anterior, a expectativa para a taxa de câmbio mantém-se inalterada, em R$/U$2,35 e em R$/U$2,50, para o final de 2014 e 2015, respectivamente, enquanto no boletim de 26.7.13 está em R$/U$2,30 para 2014. Nesse boletim não existe projeções da variável para 2015;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a projeção para a Meta da Taxa Selic, em fim de período, segundo o boletim Focus de 25.7.14 para o final de 2014, está em 11% a.a. e 12% para o final de 2015, enquanto o boletim da semana anterior apresenta os mesmos valores para os dois períodos. Já o boletim de 26.7.13 aponta para uma taxa de 9,25% a.a. para 2014, ante 11% observado para este ano no último relatório;

(e) Produto Interno Bruto (PIB): no boletim Focus desta semana a projeção de crescimento do PIB para 2014 continua se deteriorando, ante a semana anterior, declinando de 0,97% no Focus de 18.7.14, para 0,90% em 25.7.14, retração de 0,07 p.p., enquanto para 2015 o crescimento manteve-se inalterado em 1,50% no período. Por outro lado, em apenas doze meses, Focus de 26.7.13, a projeção de crescimento do PIB para este ano cai de 2,60% para 1,50%, reforçando a expectativa de que a retração na atividade econômica pode piorar;

(f) Balança Comercial (U$ Bilhões): as projeções do Focus de 25.7.14 comparadas às da semana anterior, apontam estabilidade com superávit de U$2 bilhões para 2014 e U$9,80 bi para 2015, enquanto no boletim de 26.7.13 a projeção de superávit está em U$8,92 bi para 2014, não existindo nesse boletim projeção para 2015;

As projeções apresentadas nos últimos dois Focus/BCB para as variáveis macroeconômicas apresentam estabilidade para o câmbio, a taxa de juros e para o superávit comercial, enquanto apresentaram declínio para preços. Quanto ao PIB, a projeção do mercado para 2014 mais uma vez apresenta retração, o que vem preocupando fortemente os setores privado e público.

Portanto, apesar do declínio nas projeções do PIB para 2014, com expectativas de baixo crescimento para o ano seguinte, segundo apontam os últimos boletins Focus, as medidas adotadas pelo governo têm sido inócuas, tendo em vista que continuam contemplando segmentos específicos da sociedade. No final da semana passada o BCB autorizou a liberação de parte dos depósitos compulsórios com o objetivo de estimular o consumo, e tentar reverter expectativas declinantes para a atividade econômica. Estímulos ao consumo já vêm sendo adotadas há anos pelo governo, com poucos efeitos consistentes no médio e longo prazo, apenas resolvendo problemas momentâneos, mas podendo gerar impacto negativo nos índices de preços.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

sábado, 26 de julho de 2014

ÍNDICE DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR
Consultor Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para jul/14, publicado esta semana, avançou cerca de 3% (106,9 pontos) ante o mês de jun/14 (103,8 pontos), mas inferior 2,6% ao observado em jul/13 quando atingiu 109,7 pontos.

Segundo Viviane Seda, da FGV/IBRE, a elevação no índice de confiança do consumidor é uma boa notícia, mas parte do resultado pode ter sido influenciado pelos acontecimentos observados em torno das festividades da Copa do Mundo nas cidades pesquisadas. Ainda de acordo com Seda, “Para se confirmar uma tendência mais consistente de alta, será necessário aguardar os próximos resultados.”

A satisfação do consumidor em julho em relação à situação atual apresentou elevação significativa, enquanto as expectativas frente aos meses seguintes ficaram apenas um pouco mais otimistas. O Índice da Situação Atual (ISA) passou de 109,6 pontos em jun/14 para 113 no mês seguinte, elevando-se 3,1%, enquanto registra 110,3 pontos em jul/13. Já o Índice de Expectativas (IE), que afere as expectativas em relação aos meses seguintes, passou de 100,7 pontos em jun/14 para 101,2 em julho, um crescimento de 0,5%, enquanto atinge 107 pontos em jul/13.

De acordo com a Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV/IBRE, de Julho de 2014, “A avaliação sobre a situação econômica geral contribuiu com mais de 50% para o resultado favorável do ICC no mês. O indicador que mede o grau de satisfação dos consumidores com a economia no melhor resultado desde março passado (76,1). A proporção de consumidores que avaliam a situação como boa aumentou de 14,1% para 16,7%, enquanto a dos que a julgam ruim diminuiu de 44,5% para 41,0%.”

Quanto às expectativas para os próximos meses, as previsões dos consumidores foram menos pessimistas a respeito das finanças pessoais, e o indicador que mede o grau de otimismo em relação à situação financeira da família registrou alta de 1,6%, chegando a 129,1 pontos. A parcela de consumidores projetando melhora para os meses seguintes atingiu 35,2% em julho, apresentando elevação de 1,3 p.p. ante o mês anterior (33,9%), e a dos consumidores que preveem piora caiu 0,7 p.p. chegando a 6,1%.

Portanto, os resultados positivos relativos à confiança do consumidor em julho deste ano, provavelmente estão vinculados ao fator Copa do Mundo, que contribuiu para o resultado do ICC (+3%), embora a avaliação dos consumidores quanto às condições futuras tenham apresentado pequena variação no otimismo (+0,5%). Apesar de sondagens realizadas em outros setores não terem apresentado desempenho satisfatório, o resultado do ICC-FGV sugere pequena retomada no consumo das famílias para os próximos meses, após desaceleração observada a partir de nov/13.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

EXPECTATIVAS DO MERCADO PARA 2014/2015
Consultor Régis Varão/¹

As projeções para as principais variáveis macroeconômicas divulgadas em 20.7.14 na pesquisa do Boletim Focus do Banco Central do Brasil (BCB), mostraram um cenário de estabilidade quando comparadas aos dados divulgados na semana anterior, mas desanimador quando comparadas às projeções divulgadas há doze meses, conforme descrição abaixo:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): no boletim Focus de 18.7.14 a expectativa de crescimento do IPCA para 2014 indica elevação de 6,44% e 6,12% para 2015, com queda de 0,32 p.p. no período, enquanto no Focus de 11.7.14 o índice cai de 6,48% em 2014 para 6,10% em 2015, queda de 0,38 p.p. em doze meses. Já o Focus de 19.7.13 indica um IPCA de 5,87% para 2014, ante alta de 0,57 p.p. para o mesmo período no boletim desta semana;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): no boletim de 18.7.14, a projeção de crescimento sobe de 4,49% em 2014 para 5,50% em 2015, crescimento de 1,01 p.p. no período, enquanto o Focus de 11.7.14 indica crescimento de 5,04 para este ano e 5,50% para 2015, uma variação de +0,46 p.p. O boletim de 19.7.13 aponta um IGP-DI de 5,50% para este ano, ante +4,49% observado no Focus de 18.7.14;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): no Focus de 18.7.14 a expectativa para o indicador, no final de 2014 está em R$/U$2,35 e em R$/U$2,50 para 2015, enquanto no boletim de 11.7.14 passa de R$/U$2,39 no final de 2014 para R$/U$2,50 no ano seguinte. O relatório de 19.7.13 indica uma taxa de câmbio de R$/U$2,30 para o final de 2014, ante R$/U$2,35 para aquele ano no boletim desta semana;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a projeção para a Meta da Taxa Selic, em fim de período, segundo o Focus de 18.7.14 para o final de 2014 está em 11% a.a. e 12% no final de 2015, enquanto o boletim da semana anterior apresenta os mesmos valores para os dois períodos. Já o boletim de 19.7.13 aponta para uma taxa de 9,38% a.a. para 2014, ante incremento de 11% para este ano no último relatório;

(e) Produto Interno Bruto (PIB): no Focus desta semana a projeção para o crescimento do PIB continua se deteriorando para 2014 ao indicar elevação de 0,97% e alta de 1,50% para 2015, enquanto no boletim de 11.7.14 a expectativa de crescimento está em 1,05% para 2014, mantendo-se estável para o próximo ano. O Focus de 19.7.13 projeta crescimento de 2,60% para 2014, enquanto o relatório de 18.7.14 indica por sua vez, que o crescimento do PIB foi ajustado para baixo (+0,97%) para 2014, reforçando a expectativa de forte retração na atividade econômica no ano;

(f) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim Focus de 18.7.14 aponta para superávit de U$2 bilhões em 2014 e U$9,80 bi em 2015, enquanto o de 11.7.14 aponta para U$ 2,01 bilhões neste ano, e U$9,40 bilhões em 2015. O boletim de 19.7.13 indica superávit de U$8 bi em 2014, declinando no boletim de 18.7.14 para U$2 bilhões em 2014, registrando forte retração;

Portanto, com relação às variáveis macroeconômicas analisadas, as projeções das últimas duas semanas apresentaram comportamento estável. No entanto, houve piora na percepção do mercado quanto ao comportamento futuro desses indicadores, mais especificamente quanto aos indicadores de PIB, taxa de juros, inflação do consumidor e balança comercial, ao mesmo tempo que o fator eleições contribui para dificultar a adoção de medidas por parte do governo para tentar resgatar a economia desse desânimo generalizado.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

PESQUISA MENSAL DE COMÉRCIO - MAI0 DE 2014
Consultor Régis Varão/¹

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), produz indicadores que permitam acompanhar o desempenho do comércio varejista e seus principais segmentos. A pesquisa trabalha com uma amostra de 5.700 empresas que têm 20 ou mais pessoas ocupadas, e abrange dez grupos de atividades. As séries são ajustadas sazonalmente e consideram o efeito calendário, feriados de carnaval, páscoa e corpus christi além da identificação de outliers.

A PMC abrange dez grupos de atividades, sendo que oito têm receitas geradas basicamente na atividade de varejo, e as duas restantes (Veículos e motocicletas, partes e peças e Material de construção), abrangem atividades do varejo e atacado.

Em maio deste ano, o comércio varejista brasileiro registrou variações de +0,5% ante abr/14, com ajuste sazonal, para o volume de vendas e cresceu 1% para a receita nominal. Quanto à mai/13, os crescimentos foram de 4,8% para as vendas e 11,4% na receita nominal, enquanto no acumulado jan-mai/14 e dos últimos 12 meses, as taxas ficaram em 5,0% e 4,9% para as vendas, e em 11,2% e 11,7% para a receita nominal, respectivamente.

O Comércio Varejista ampliado, que contempla o varejo e as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, apresentou variação negativa em mai/14 para o volume de vendas (-0,3%) e crescimento para a receita nominal (+0,4%). Em relação à mai/14 houve acréscimo de 0,9% para as vendas e 7% na receita nominal. No ano e nos últimos 12 meses, os incrementos foram de 1,4% e 2,2%, para o volume de vendas, e de 6,9% e 7,8% para a receita nominal, respectivamente.

Em mai/14, oito das dez atividades pesquisadas apresentaram variações positivas para as vendas, na relação com o mês anterior com ajuste sazonal. O segmento de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação registrou elevação de 2,4%; Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,4%); Livros, jornais, revistas e papelaria (1,9%); Móveis e eletrodomésticos (1,8%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,2%); Tecidos, vestuário e calçados (0,5%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,1%); Combustíveis e lubrificantes (0,1%); Material de construção (-0,3%); e Veículos e motos, partes e peças com -1,09%.

Na comparação de mai/14 ante mai/13, seis das oito atividades do varejo apresentaram aumento nas vendas, segundo a relação: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo subiu 3,1%; Outros artigos de uso pessoal e doméstico 12,4%; Móveis e eletrodomésticos 8,3%; Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos 10%; Combustíveis e lubrificantes 1,9%; e Tecidos, vestuário e calçados 1,9%. Os decréscimos foram para Livros, jornais, revistas e papelaria com -3,2%; e Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação com -2,8%.

Comparando mai/14 a igual período de 2013, todas as Unidades da Federação apresentaram desempenho positivo, sendo que as principais elevações ficaram com os estados do Acre (16,5%); Tocantins (14,4%); Rondônia (14,1%); Amapá (10,1%) e Ceará (9,3%). Considerando os pesos dos estados e suas taxas, temos: São Paulo (3,4%); Rio de Janeiro (5,2%); Rio Grande do Sul (5,7%); Bahia (7,9%) e Minas Gerais com 3,7%.

No Varejo Ampliado (dez grupos), no volume de vendas, vinte e cinco das vinte e sete Unidades da Federação apresentaram incrementos, segundo a ordem: Acre (15,8%); Rondônia (14,8%); Paraíba (14,3%); Tocantins (10,5%) e Amazonas (9,3%), e os estados de São Paulo (-4,0%) e Paraná (-2,3%) registraram declínio.

Portanto, embora tenha havido elevação generalizada do varejo restrito, vale registrar que parte do desempenho mais forte em abr/14 é devido à base de comparação mais elevada, já que a Páscoa ocorreu em abr/14 e em mar/13. O desempenho do varejo nos primeiros cinco meses deste ano apresenta pequeno declínio quando comparado a igual período do ano anterior, o que pode, no médio prazo afetar a empregabilidade no setor, com reflexos negativos na economia como um todo.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.
ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM JULHO/14
Consultor Régis Varão/¹

O endividamento das famílias brasileiras continua elevado, e apesar de apresentar crescimento em jul/14, ante o mês anterior, mantém-se abaixo do registrado em jun/13, devido, em parte, a uma postura de maior cautela das famílias quanto ao endividamento, segundo informa a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

A PEIC de julho, informa que o percentual de famílias endividadas atingiu 63% em jul/14, ante 62,5% no mês anterior, próximo ao registrado em mai/14 (62,7%), mas distante do observado em jul/13 (65,2%). Embora tenha apresentado incremento de 0,5 p.p. entre jun/14 e jul/14, o nível de endividamento das famílias manteve-se em patamar elevado, acima de 62%.

Com relação à proporção de famílias endividadas, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso declinou para 18,9% em jul/14, de 19,8% observado em jun/14, e de 22,4% em jul/13. Embora com declínio de 0,9 p.p. entre junho e jul/14, um percentual próximo de 20% é relativamente elevado, explicado possivelmente pelo pouco conhecimento das famílias no que ser refere a pagamentos de juros, multas e outros, pagos sobre os saldos de dívidas não quitadas. A pesquisa aponta que o percentual de famílias que declararam que não terão condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que permaneceram inadimplentes apresentou estabilidade na comparação mensal e reduziu-se na relação anual, atingindo 6,6% em jul/14, ante 6,6% em jun/14 e 7,4% em julho do ano anterior.

Com relação a análise por faixa de renda do percentual das famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas em atraso, os dados da PEIC apresentaram comportamento distinto entre os grupos pesquisados. Na faixa de renda mais elevada, acima de 10 salários mínimos (SM), o indicador atingiu 2,7% em jul/14, ante 2,3% em jun/14 e 1,8% em jul/13. Para o de renda mais baixa, até 10 SM, o percentual dessas famílias manteve-se praticamente estável ao recuar de 7,8% em jun/14 para 7,6% em jul/14.

O número de famílias que se declararam muito endividadas manteve-se estável em 11,9% entre junho e jul/14, mas abaixo do observado em jul/13 (13,3%). O percentual de famílias que se declararam mais ou menos endividadas subiu para 24,5% em jul/14, de 23,4% do mês anterior, e igual ao observado em jul/13 (24,5%). A proporção de famílias que se declararam pouco endividada caiu para 26,6% em jul/14, ante 27,3% verificado em jun/14, e manteve-se estável em 27,3% em jul/13.

O cartão de crédito continua liderando por tipo de dívida, se posicionado como um dos principais fatores de endividamento das famílias, atingindo 76,6% das famílias em jul/14, ante 76,1% observado no mês anterior, mantendo-se há alguns meses nesse patamar. Para famílias com renda até 10 SM, o percentual sobe para 77,7% em jul/14, e para as de renda acima de 10 SM atinge 71,7% naquele mês, que é percentual elevado para qualquer nível de renda.

O endividamento com cartão de crédito tem custo elevado, comprometendo a qualidade de vida das famílias, pois os encargos cobrados por atraso devido ao pagamento mínimo da fatura levam a cobranças de juros de dois dígitos mensais, ultrapassando com folga três dígitos ao ano.

Os carnês, o segundo principal tipo de dívida, apresentaram estabilidade no período jun-jul/14, atingindo 16,3% em jul/14, ante 16,4% em jun/14. Em julho, nas famílias com renda até 10 SM, as dívidas com carnês participam com 17,3%, enquanto acima de 10 SM atingem 11,7%, o que pode retratar a preferência das famílias de menor padrão de renda por essa modalidade de endividamento.

No terceiro tipo de dívida está o financiamento de carro com 13,2% em jul/14, frente a 13,4% verificado no mês anterior. Nessa modalidade, para as famílias com mais de 10 SM o percentual atinge 26,8% em jul/14, enquanto para famílias até 10 SM chega a 10,3%.

O crédito pessoal é o quarto colocado por tipo de dívida, mantendo-se estável em junho e jul/14 com 9,8%, respectivamente. Na sequência, temos o Financiamento de casa com 7,6% em jul/14, ante 7,7% observado no mês anterior, contribuindo para a manutenção nesse patamar os estímulos governamentais dados ao segmento. Em sexto lugar, e não menos importante, o cheque especial que atinge 5,3% em jul/14, frente a 5,2% registrado no mês anterior.

Dos seis mais importantes tipos de dívida apresentados na PEIC, considerando o período jun-jul/14, o cartão de crédito além de liderar por tipo de endividamento ainda apresentou elevação de 0,5 p.p. no período, atingindo 76,6% em jul/14, carnês apresentou declínio (-0,1 p.p.), financiamento de carro (-0,2 p.p.), crédito pessoal mante-se estável com 9,8% e financiamento de casa (-0,1 p.p.) e cheque especial subiu 0,1 p.p.

O endividamento das famílias está diretamente associado aos poucos conhecimentos de educação financeira, podendo ser trabalhado se houver engajamento do setor público nos três níveis - federal, estadual e municipal - e de empresas públicas e privadas com campanhas educativas tratando do assunto.

Todos ganham com uma sociedade consciente de seus direitos e deveres, e o conhecimento das ferramentas de educação financeira contribui diretamente para elevar a produtividade dos trabalhadores dos diversos setores da economia e também dos lucros corporativos.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar http://www.ravecofinancas.com.