FAMÍLIAS MAIS ENDIVIDADAS EM AGOSTO
Régis Varão/¹
O percentual de famílias com dívidas entre cheque
pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo
pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 62,7% em ago/15, após dois meses consecutivos
de queda, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do
Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), a partir de jan/10, em todas as capitais do País
e o Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores.
O percentual de famílias endividadas passou de
61,9% em jul/15 para 62,7% em agosto deste ano, tendo apresentado redução de
0,9 p.p. ante ago/14 (63,6%). A elevação do número de famílias com dívidas foi
observada em ambas as faixas de renda, até 10 Salários Mínimos (SM) e acima de
10 SM, na comparação mensal, enquanto na comparação anual, nas duas faixas de
renda apresentaram tendência declinante.
O percentual de famílias com dívidas ou contas em
atraso atingiu 22,4% em ago/15, 0,9 p.p. acima do valor observado no mês
anterior, e subiu 3,2 p.p. frente à ago/14. Segundo a CNC, “A proporção de famílias
com contas ou dívidas em atraso aumentou, em agosto de 2015, pelo sexto mês
consecutivo.”
Com relação às famílias que declararam não ter
condições de pagar suas dívidas, e que permaneceram inadimplentes, houve
elevação nas duas bases de comparação (mensal de anual), passando de 8,1% em
jul/15 para 8,4% no mês seguinte, e na comparação anual subiu 1,9 p.p. tendo
registrado 6,5% em ago/14. O relatório da CNC afirmou que “Adicionalmente, houve
piora na percepção das famílias em relação a sua capacidade de pagamento, e o
percentual de famílias que disseram não ter condições de pagar suas contas em
atraso atingiu o maior patamar desde junho de 2011. Apesar da moderação no
crescimento do crédito, a alta do custo do crédito e o cenário menos favorável
do mercado de trabalho exerceram impactos negativos nos indicadores de
inadimplência.”
Quanto ao nível de endividamento, a proporção de
famílias que se declararam muito endividadas subiu de 12,9% em jul/15 para
13,6% em ago/15, enquanto na comparação anual também registrou elevação, ao
registrar 11,8% em ago/14. A parcela de famílias que declarou estar mais ou
menos endividada saiu de 23,3% em jul/15 para 24% no mês seguinte, mas inferior
ao dado observado em ago/14 (24,8%).
Ainda com relação ao nível de endividamento, o
percentual de famílias que se declarou estar pouco endividado caiu de 25,7% em
jul/15 para 25,1% no mês seguinte, inferior 1,9 p.p. quando comparada a ago/14
(27%). Com relação aos que declararam não terem dívidas desse tipo, o
percentual decresceu de 37,9% em jul/15 para 37,1% no mês seguinte, tendo
registrado 36% em agosto de 2014.
O cartão de crédito há meses é apontado como o
principal tipo de dívida das famílias, tendo em agosto de 2015 atingido 77,7%. O
segundo tipo de dívida mais preferido pelas famílias são os carnês de lojas com
16,5%, seguido por financiamento de carro (13,9%), crédito pessoal com 8,7%,
financiamento de casa (8,3%), cheque especial com 6,4%, crédito consignado (4,5%),
outras dívidas com 2,2% e cheque pré-datado (1,9%).
Com relação às famílias com renda acima de 10 SM,
os principais tipos de dívida observados em ago/15 foram: cartão de crédito (73,1%),
financiamento de carro (28,2%), financiamento de casa (17,1%), crédito pessoal (10,7%)
e cheque especial com 10,5%. Já com relação às famílias com renda até 10 SM, os
principais tipos de dívida em ago/15 foram: cartão de crédito (78,7%), carnês
de loja (18%), financiamento de carro (10,9%), crédito pessoal (8,2%) e
financiamento de casa com 6,4%. O cartão de crédito ocupa sempre o primeiro
lugar na preferência das famílias nas duas faixas de renda, enquanto carnês de
loja ficam em segundo para os com renda até 10 SM e financiamento de carro
ocupa essa posição para os consumidores acima de 10 SM.
Portanto, os juros e inflação elevados, o aumento
do desemprego, o crédito mais caro e o atual momento político-econômico
desfavorável têm contribuído para pressionar negativamente os indicadores de
inadimplência nos últimos meses.
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