sexta-feira, 25 de setembro de 2015

FAMÍLIAS MAIS ENDIVIDADAS EM AGOSTO
Régis Varão/¹

O percentual de famílias com dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 62,7% em ago/15, após dois meses consecutivos de queda, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), a partir de jan/10, em todas as capitais do País e o Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores.

O percentual de famílias endividadas passou de 61,9% em jul/15 para 62,7% em agosto deste ano, tendo apresentado redução de 0,9 p.p. ante ago/14 (63,6%). A elevação do número de famílias com dívidas foi observada em ambas as faixas de renda, até 10 Salários Mínimos (SM) e acima de 10 SM, na comparação mensal, enquanto na comparação anual, nas duas faixas de renda apresentaram tendência declinante.

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso atingiu 22,4% em ago/15, 0,9 p.p. acima do valor observado no mês anterior, e subiu 3,2 p.p. frente à ago/14. Segundo a CNC, “A proporção de famílias com contas ou dívidas em atraso aumentou, em agosto de 2015, pelo sexto mês consecutivo.”

Com relação às famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas, e que permaneceram inadimplentes, houve elevação nas duas bases de comparação (mensal de anual), passando de 8,1% em jul/15 para 8,4% no mês seguinte, e na comparação anual subiu 1,9 p.p. tendo registrado 6,5% em ago/14. O relatório da CNC afirmou que “Adicionalmente, houve piora na percepção das famílias em relação a sua capacidade de pagamento, e o percentual de famílias que disseram não ter condições de pagar suas contas em atraso atingiu o maior patamar desde junho de 2011. Apesar da moderação no crescimento do crédito, a alta do custo do crédito e o cenário menos favorável do mercado de trabalho exerceram impactos negativos nos indicadores de inadimplência.”

Quanto ao nível de endividamento, a proporção de famílias que se declararam muito endividadas subiu de 12,9% em jul/15 para 13,6% em ago/15, enquanto na comparação anual também registrou elevação, ao registrar 11,8% em ago/14. A parcela de famílias que declarou estar mais ou menos endividada saiu de 23,3% em jul/15 para 24% no mês seguinte, mas inferior ao dado observado em ago/14 (24,8%).

Ainda com relação ao nível de endividamento, o percentual de famílias que se declarou estar pouco endividado caiu de 25,7% em jul/15 para 25,1% no mês seguinte, inferior 1,9 p.p. quando comparada a ago/14 (27%). Com relação aos que declararam não terem dívidas desse tipo, o percentual decresceu de 37,9% em jul/15 para 37,1% no mês seguinte, tendo registrado 36% em agosto de 2014.

O cartão de crédito há meses é apontado como o principal tipo de dívida das famílias, tendo em agosto de 2015 atingido 77,7%. O segundo tipo de dívida mais preferido pelas famílias são os carnês de lojas com 16,5%, seguido por financiamento de carro (13,9%), crédito pessoal com 8,7%, financiamento de casa (8,3%), cheque especial com 6,4%, crédito consignado (4,5%), outras dívidas com 2,2% e cheque pré-datado (1,9%).

Com relação às famílias com renda acima de 10 SM, os principais tipos de dívida observados em ago/15 foram: cartão de crédito (73,1%), financiamento de carro (28,2%), financiamento de casa (17,1%), crédito pessoal (10,7%) e cheque especial com 10,5%. Já com relação às famílias com renda até 10 SM, os principais tipos de dívida em ago/15 foram: cartão de crédito (78,7%), carnês de loja (18%), financiamento de carro (10,9%), crédito pessoal (8,2%) e financiamento de casa com 6,4%. O cartão de crédito ocupa sempre o primeiro lugar na preferência das famílias nas duas faixas de renda, enquanto carnês de loja ficam em segundo para os com renda até 10 SM e financiamento de carro ocupa essa posição para os consumidores acima de 10 SM.

Portanto, os juros e inflação elevados, o aumento do desemprego, o crédito mais caro e o atual momento político-econômico desfavorável têm contribuído para pressionar negativamente os indicadores de inadimplência nos últimos meses.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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