MERCADO MAIS
PESSIMISTA CORRIGE PROJEÇÕES
Régis
Varão/¹
As estimativas do Boletim Focus de 4.9.15, do Banco Central (BCB), apresentaram correções para 2015 e 2016 em praticamente todas as variáveis
macroeconômicas pesquisadas. O relatório é semanal, contempla cerca de 100 instituições
financeiras e consultorias, e não reflete posicionamento do BCB:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 4.9.15 corrigiu para 9,29% a estimativa do IPCA
para 2015, de 9,28% na pesquisa anterior e de 9,32% há quatro semanas. A
pesquisa de 5.9.14 manteve estável a estimativa do índice em 6,29%
para 2015, ante 6,25% há quatro semanas. Para 2016, o Focus divulgado nesta
semana elevou a estimativa para 5,58%, de 5,51% do boletim anterior, e de 5,43%
há trinta dias;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa de 4.9.15 elevou a estimativa do índice para 7,75% em 2015, ante 7,69% da semana
anterior e 7,66% há trinta dias. O Focus de 5.9.14 reduziu para
5,52% em 2015, ante 5,53% da pesquisa anterior e 5,50% há trinta dias. O boletim
de 4.9.15 manteve a estimativa do IGP-DI para 2016 em 5,50%, valor observado
nos últimos meses;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de
4.9.15 corrige a
taxa de câmbio para R$/U$3,60 para o final de 2015, de R$/U$3,50 divulgado na semana
anterior e R$/U$3,40 há trinta dias. O boletim de 5.9.14 manteve em R$/U$2,49 a
estimativa do câmbio para 2015. Para 2016, a pesquisa Focus desta semana elevou
a taxa de câmbio para R$/U$3,70, ante R$/U$3,60 da pesquisa anterior e R$/U$3,50
há trinta dias. O câmbio vem apresentando grandes correções altistas nos
últimos meses para este ano e o próximo, o que tende a impactar fortemente para
cima as expectativas quanto ao comportamento dos indicadores de inflação;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 4.9.15 manteve em
14,25% a.a. a projeção da Taxa Selic para o final deste ano, valor observado
nas últimas seis semanas. O boletim de 5.9.14 reduz para 11,63% a.a., de 11,75%
a.a. divulgado na semana anterior, e de 12% a.a. observado há quatro semanas. Para
o próximo ano, o Focus desta semana manteve a projeção do mercado em 12% a.a., valor
observado nas pesquisas anteriores;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 4.9.15 corrige fortemente
para baixo, -2,44%, o desempenho do PIB para 2015, ante -2,26% do boletim anterior
e -1,97% há quatro semanas, enquanto o Focus de 5.9.14 manteve estável a
projeção de crescimento do PIB em +1,10% para este ano. Com relação a 2016, a pesquisa
desta semana reduz o desempenho anual do PIB para -0,50%, ante declínio de 0,40%
divulgado no Focus anterior, e 0% observado há quatro semanas. O indicador vem
apresentando decréscimo nos últimos meses devido ao mau desempenho da atividade
industrial, das vendas do comércio, dos juros e preços elevados entre outros;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta
semana estima em -6% o declínio da indústria para 2015, ante -5,57% da semana
anterior e -5,21% há trinta dias, enquanto a pesquisa de 5.9.14 reduziu a estimativa
de crescimento da atividade industrial para +1,50% em 2015. Para 2016, a
pesquisa de 4.9.15 reduziu o crescimento
da indústria para +0,72%, de +0,89% divulgado na semana anterior e +1,15% há trinta
dias;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de
4.9.15 elevou o
superávit da balança comercial para U$8,90 bilhões para 2015, ante U$8 bi
registrados na semana anterior e U$7,70 bi há trinta dias, enquanto o boletim
de 5.9.14 elevou o superávit
para U$8,50 bilhões, de U$8 bi da semana anterior e U$9 bi há quatro semanas. Para
2016, o último Focus eleva o superávit para U$20 bi, ante U$ 16,80 bi da semana
anterior e U$ 15 bi observados há um mês;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 4.9.15 manteve a estimativa
do IED em U$65 bilhões para 2015, enquanto o Focus de 5.9.14 registrava U$56 bilhões.
A pesquisa desta semana reduziu a estimativa do IED para U$63,95 bi para 2016, de
U$65 bilhões observados nas pesquisas anteriores.
Diversos fatores têm contribuído para a elevação do
pessimismo do mercado, entre eles: retração da atividade econômica, desemprego
e juros em alta, queda nas vendas do comércio, elevação da inadimplência,
declínio da atividade industrial, correções no câmbio, redução nos índices de
confiança dos empresários e consumidores entre outros.
Portanto, a retração da atividade econômica, a elevação
dos preços, a alta do desemprego, a queda nas vendas do comércio, os juros elevados
e o rebaixamento do Brasil pela agência americana de classificação de risco Standard & Poor’s deverão contaminar
as expectativas do mercado. A decisão da S&P refletirá em mais desemprego,
mais inflação e retração da atividade econômica, piorando ainda mais o
desempenho dos indicadores macroeconômicos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário