PESSIMISMO DO CONSUMIDOR AUMENTA EM SETEMBRO
Régis Varão/¹
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia-IBRE/FGV, recuou 5,3% em set/15, registrando o menor nível da série histórica
pelo terceiro mês consecutivo.
O ICC atingiu 76,3 pontos em set/15, quando recuou
5,3% ante o mês anterior (80,6), e decresceu 25,9% ante set/14, quando atingiu 103
pontos. A média histórica dos últimos
cinco anos do ICC está em 110,2 pontos, +44,4% quando comparada a set/15. Segundo
Viviane Bittencourt, Coordenadora da Sondagem do Consumidor, “A queda do ICC em
setembro decorre da deterioração dos fatores que vêm determinando a piora das
expectativas ao longo dos últimos 12 meses: enfraquecimento da atividade
econômica, com reflexo crescente no mercado de trabalho, aceleração da inflação
e aumento da incerteza.”
Os consumidores com renda familiar mensal entre R$
2.100,01 e R$ 4.800,00 e acima de R$ 9,6 mil, registraram a maior queda da
confiança em setembro deste ano, com respectivamente -8,4% e -7,4%. Já os
consumidores com renda familiar mensal até R$ 2.100,00 e entre R$ 4.800,01 e R$
9.600,00, apresentaram a menor queda da confiança em set/15, com -2,9% e -1%,
respectivamente. Cabe observar que em todas as faixas de renda, o nível de
confiança atingiu o mínimo histórico dos últimos 10 anos.
O Índice da Situação Atual (ISA) atingiu 67,1
pontos em setembro deste ano, ante 71,4 em ago/15, e 104,8 observado em set/14.
No período ago-set/15, o ISA recuou 6%, atingindo novo mínimo histórico pela
sexta vez em 2015, enquanto com relação a set/14 o ISA recuou 36%.
Já o Índice de Expectativas (IE) atingiu 81,1
pontos em set/15, novo mínimo da série, ante 85,7 no mês anterior, e 102,2
pontos verificados em set/14. No período ago-set/15, o IE declinou 5,4%, e
recuou cerca de 21% quando comparado a set/14 (102,2). O indicador que afere o
grau de satisfação com a situação econômica atual atingiu o mínimo histórico (17,8
pontos), pela primeira vez ficou inferior a 20 pontos. Apenas 3% dos
consumidores afirmam que a situação econômica está “boa”, enquanto 85,2%
respondem estar “ruim”. Considerando o nível de pessimismo atual, apenas 9,3%
dos consumidores brasileiros preveem comprar mais nos próximos seis meses,
enquanto 46,5% dizem que as compras serão menores que as realizadas em seis
meses anteriores.
Portanto, o ICC e seus componentes ISA e IE, têm
apresentando resultados medíocres ao longo dos últimos meses, contaminados em
grande parte pelo incremento do desemprego, aumento da inflação e dos juros, crescimento
do endividamento das famílias e elevação das expectativas negativas do mercado,
conforme apresenta o último Boletim Focus
do Banco Central desta semana.
¹/ Consultor
de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação
financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica.
Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor
Universitário e ex-servidor do Banco Central. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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