PIORAM AS EXPECTATIVAS
DO MERCADO
Régis
Varão/¹
As estimativas do Boletim Focus de 11.9.15, do Banco Central (BCB), foram corrigidas
novamente para este ano e o próximo em praticamente todas as
variáveis pesquisadas. O relatório é semanal, contempla cerca de 100 instituições
financeiras e consultorias, e não reflete posicionamento do BCB:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 11.9.15 corrigiu para 9,28% a estimativa do IPCA
para 2015, de 9,29% observada na pesquisa anterior, e 9,32% há quatro semanas. A
pesquisa de 12.9.14 manteve estável a projeção do índice em 6,29%
nas duas últimas pesquisas para 2015, ante 6,25% há trinta dias. Para 2016, o boletim
divulgado hoje elevou a estimativa do índice para 5,64%, de 5,58% da pesquisa
anterior, e 5,44% verificada há um mês;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa de 11.9.15 elevou a estimativa do índice para 7,77% em 2015, ante 7,75% da semana
anterior e 7,67% há trinta dias. O Focus de 12.9.14 manteve em 5,52%
a projeção do mercado para 2015, ante 5,50% observado há trinta dias. O boletim
de 11.9.15 subiu a estimativa do IGP-DI para 5,57% em 2016, ante 5,50%
registrado nas últimas semanas;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de
11.9.15 corrige a
taxa de câmbio para R$/U$3,70 no final de 2015, de R$/U$3,60 divulgado na semana
anterior e R$/U$3,48 há trinta dias. O boletim de 12.9.14 reduziu
para R$/U$2,45 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,50 há um mês. Para
2016, a pesquisa Focus divulgada hoje elevou a estimativa do câmbio para
R$/U$3,80, ante R$/U$3,70 da pesquisa anterior e R$/U$3,60 estimada há quatro
semanas. O câmbio vem apresentando correções altistas nos últimos meses para 2015
e 2016, devido à instabilidade verificada na economia brasileira, o que pressiona
as expectativas quanto ao comportamento dos preços futuros;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 11.9.15 manteve em
14,25% a.a. a projeção da Taxa Selic para o final deste ano, valor observado
nas últimas sete semanas. O boletim de 12.9.14 reduziu a
estimativa da taxa de juros para 11,50% a.a., de 11,63% a.a. divulgado na
semana anterior, e 11,75% a.a. há quatro semanas. Para 2016, o Focus de hoje manteve
a projeção do mercado em 12% a.a., valor observado nas três semanas anteriores;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 11.9.15 corrige novamente
para baixo, -2,55%, o decréscimo do PIB para 2015, ante -2,44% do boletim
anterior e -2,01% há quatro semanas, enquanto o Focus de 12.9.14 reduziu a expectativa
do mercado para +1,04% em 2015, de +1,20% há trinta dias. Com relação a 2016, a
pesquisa desta semana reduz o desempenho do PIB para -0,60%, ante declínio de 0,50%
divulgado na semana anterior, e -0,15% observado há quatro semanas. O indicador
vem apresentando desempenho negativo nos últimos meses devido ao mau desempenho
da atividade econômica, inflação e juros elevados, redução nas vendas do
comércio etc, mas também devido ao grau de incertezas da economia e da política
nacional;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta
semana estima em -6,20% o declínio da indústria para 2015, ante -6% da semana
anterior e -5% há trinta dias, enquanto a pesquisa de 12.9.14 manteve em +1,50%
a projeção do mercado para 2015. Para 2º próximo ano, a pesquisa de 11.9.15 reduziu o crescimento
da indústria para +0,50%, de +0,72% divulgado na semana anterior e +1% há trinta
dias;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de
11.9.15 elevou o
superávit da balança comercial para U$10 bilhões em 2015, ante U$8,90 bi
registrados na semana anterior e U$8 bi verificados há trinta dias, enquanto o boletim
de 12.9.14 elevou o superávit
para U$9 bilhões, de U$8,50 bi da semana anterior e U$8 bi há quatro semanas. Para
2016, o Focus desta semana manteve o superávit em U$20 bi, ante U$ 15,19 bilhões
observados há um mês;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 11.9.15 manteve a estimativa
do IED em U$65 bilhões para 2015, enquanto o Focus de 12.9.14 elevou para U$57,70
bilhões. A pesquisa desta semana elevou a estimativa do IED para U$64,90 bi em
2016, de U$63,95 bilhões observados na semana anterior e U$65 bi há quatro
semanas.
Portanto, o mau desempenho das variáveis
macroeconômicas nos últimos meses, associada à instabilidade de ordem política,
tem contribuído para elevar o pessimismo do mercado, situação agravada nos
últimos dias com a decisão da agência americana de classificação de risco Standard & Poor’s de cortar o grau
de investimento do País.
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