segunda-feira, 14 de setembro de 2015

PIORAM AS EXPECTATIVAS DO MERCADO
Régis Varão/¹

As estimativas do Boletim Focus de 11.9.15, do Banco Central (BCB), foram corrigidas novamente para este ano e o próximo em praticamente todas as variáveis pesquisadas. O relatório é semanal, contempla cerca de 100 instituições financeiras e consultorias, e não reflete posicionamento do BCB:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 11.9.15 corrigiu para 9,28% a estimativa do IPCA para 2015, de 9,29% observada na pesquisa anterior, e 9,32% há quatro semanas. A pesquisa de 12.9.14 manteve estável a projeção do índice em 6,29% nas duas últimas pesquisas para 2015, ante 6,25% há trinta dias. Para 2016, o boletim divulgado hoje elevou a estimativa do índice para 5,64%, de 5,58% da pesquisa anterior, e 5,44% verificada há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa de 11.9.15 elevou a estimativa do índice para 7,77% em 2015, ante 7,75% da semana anterior e 7,67% há trinta dias. O Focus de 12.9.14 manteve em 5,52% a projeção do mercado para 2015, ante 5,50% observado há trinta dias. O boletim de 11.9.15 subiu a estimativa do IGP-DI para 5,57% em 2016, ante 5,50% registrado nas últimas semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 11.9.15 corrige a taxa de câmbio para R$/U$3,70 no final de 2015, de R$/U$3,60 divulgado na semana anterior e R$/U$3,48 há trinta dias. O boletim de 12.9.14 reduziu para R$/U$2,45 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,50 há um mês. Para 2016, a pesquisa Focus divulgada hoje elevou a estimativa do câmbio para R$/U$3,80, ante R$/U$3,70 da pesquisa anterior e R$/U$3,60 estimada há quatro semanas. O câmbio vem apresentando correções altistas nos últimos meses para 2015 e 2016, devido à instabilidade verificada na economia brasileira, o que pressiona as expectativas quanto ao comportamento dos preços futuros;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 11.9.15 manteve em 14,25% a.a. a projeção da Taxa Selic para o final deste ano, valor observado nas últimas sete semanas. O boletim de 12.9.14 reduziu a estimativa da taxa de juros para 11,50% a.a., de 11,63% a.a. divulgado na semana anterior, e 11,75% a.a. há quatro semanas. Para 2016, o Focus de hoje manteve a projeção do mercado em 12% a.a., valor observado nas três semanas anteriores;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 11.9.15 corrige novamente para baixo, -2,55%, o decréscimo do PIB para 2015, ante -2,44% do boletim anterior e -2,01% há quatro semanas, enquanto o Focus de 12.9.14 reduziu a expectativa do mercado para +1,04% em 2015, de +1,20% há trinta dias. Com relação a 2016, a pesquisa desta semana reduz o desempenho do PIB para -0,60%, ante declínio de 0,50% divulgado na semana anterior, e -0,15% observado há quatro semanas. O indicador vem apresentando desempenho negativo nos últimos meses devido ao mau desempenho da atividade econômica, inflação e juros elevados, redução nas vendas do comércio etc, mas também devido ao grau de incertezas da economia e da política nacional;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana estima em -6,20% o declínio da indústria para 2015, ante -6% da semana anterior e -5% há trinta dias, enquanto a pesquisa de 12.9.14 manteve em +1,50% a projeção do mercado para 2015. Para 2º próximo ano, a pesquisa de 11.9.15 reduziu o crescimento da indústria para +0,50%, de +0,72% divulgado na semana anterior e +1% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 11.9.15 elevou o superávit da balança comercial para U$10 bilhões em 2015, ante U$8,90 bi registrados na semana anterior e U$8 bi verificados há trinta dias, enquanto o boletim de 12.9.14 elevou o superávit para U$9 bilhões, de U$8,50 bi da semana anterior e U$8 bi há quatro semanas. Para 2016, o Focus desta semana manteve o superávit em U$20 bi, ante U$ 15,19 bilhões observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 11.9.15 manteve a estimativa do IED em U$65 bilhões para 2015, enquanto o Focus de 12.9.14 elevou para U$57,70 bilhões. A pesquisa desta semana elevou a estimativa do IED para U$64,90 bi em 2016, de U$63,95 bilhões observados na semana anterior e U$65 bi há quatro semanas.

Portanto, o mau desempenho das variáveis macroeconômicas nos últimos meses, associada à instabilidade de ordem política, tem contribuído para elevar o pessimismo do mercado, situação agravada nos últimos dias com a decisão da agência americana de classificação de risco Standard & Poor’s de cortar o grau de investimento do País.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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