VENDAS NO VAREJO CONTINUAM
CAINDO
Régis Varão/¹
A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada em 17.9.15 pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), produz indicadores do comércio
varejista que permitem acompanhar o desempenho do setor e de seus principais
segmentos. A PMC trabalha com empresas que possuem 20 ou mais pessoas ocupadas,
tenham receita bruta predominantemente da atividade comercial varejista, abrange
dez grupos de atividades e está distribuída em todas as unidades da federação.
Em julho deste ano, o comércio
varejista apresentou decréscimo de 1% no volume de vendas, ficando praticamente
estável o indicador da receita nominal (0,1%), ambas as comparações em relação
a jun/15, na série livre de sazonalidade. Quanto às vendas, temos o sexto
declínio consecutivo na comparação mensal. Na comparação jul/15 frente a igual mês
do ano anterior, na série sem ajuste sazonal, o varejo indicou, em volume de
vendas, queda de 3,5% ante jul/14, acumulando redução de 2,4% no período
jan-jul/15. A taxa anualizada, acumulado no período ago/14-jul/15, recuou 1,0%
em jul/15, e registrou perda mais forte do que a observada em jun/15 com -0,8%,
mantendo assim a trajetória declinante iniciada em jul/14 com 4,3%. Para esses indicadores,
a receita nominal de vendas apresentou crescimento: 4,2% ante jul/14 e para o
acumulado no ano, e 5,3% no acumulado no período ago/14-jul/15.
O varejo ampliado - inclui o varejo e
as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção - volta
a apresentar crescimento em jul/15 quando comparado ao mês anterior, na série
com ajuste sazonal, para o volume de vendas (0,6%) e para receita nominal
(1,1%). Em relação a jul/14, registrou declínio de 6,8% para as vendas. No acumulado,
os resultados foram -6,5% no ano e -4,9% nos últimos 12 meses.
O declínio de 1% no volume de vendas entre
junho e jul/15, na série com ajuste sazonal, teve predomínio de variações
negativas, alcançando sete dos oito segmentos observados. Quanto aos resultados
temos: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, -5,5%;
Móveis e eletrodomésticos, -1,7%; Livros, jornais, revistas e papelaria, -1,3%;
e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos com -1,1%.
Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo com -1%, maior
peso na estrutura do varejo, e Tecidos, vestuário e calçados, também com
variação de -1%, registram mesma taxa igual da média das vendas no varejo. Combustíveis
e lubrificantes com -0,4% apresentou variação negativa, enquanto Outros artigos
de uso pessoal e doméstico ficou estável com 0% nessa comparação. O comércio
varejista ampliado registrou variação foi positiva de 0,6%, após sete meses de
variações negativas consecutivas. O resultado foi influenciado, em grande
parte, pelo avanço de 5,1% entre jun/15 e o mês seguinte de Veículos e motos,
partes e peças, na medida que Material de construção voltou a recuar com -2,4%,
após subir 5,3% em jun/15.
Em jul/15, varejo caiu 3,5% na
comparação com Jul/14 em seis das oito atividades pesquisadas: Móveis e eletrodomésticos
com -12,8%; Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo
com -2,1%; Tecidos, vestuário e calçados com -8,1%; Combustíveis e lubrificantes
com -3,6%; Livros, jornais, revistas e papelaria com -9,2%; Equipamentos e
materiais para escritório, informática e comunicação com -5,2%. Por outro lado,
Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria; e Outros artigos
de uso pessoal e doméstico, com taxas, respectivamente, de 1,6% e 0,3% foram os
segmentos que apresentaram incrementos das vendas no varejo em relação a jul/14.
Na comparação de jul/15 com igual período do ano
anterior temos os segmentos com desempenho positivo: Artigos farmacêuticos,
médicos, ortopédicos e de perfumaria, +1,6% e Outros artigos de uso pessoal e
doméstico com +0,3%. Em termos de variação acumulada temos: +4,6% e +3,4% no
ano, +6,1% e +5% nos últimos 12 meses. Os preços dos produtos farmacêuticos,
que em 12 meses subiram 6,8%, mais a relevância dos produtos comercializados
são os principais fatores que explicam o desempenho positivo do segmento.
O varejo ampliado registrou queda de
6,8% em jul/15 no volume de vendas, ante jul/14. Este desempenho reflete, por
outro lado, o comportamento das vendas de Veículos, motos, partes e peças, que caiu
13,3% sobre jul/14. As taxas acumuladas foram de -15,3% em sete meses e 13,1%
nos últimos 12 meses. Quanto ao segmento de Material de construção, as
variações para o volume de vendas foram de -7,1% sobre jul/14, e taxas de -5% acumulada
em sete meses e de -3,5% nos últimos 12 meses. Em ambos os segmentos, os
resultados foram pressionados pelo declínio da atividade econômica, redução do
crédito e aumento da inadimplência do consumidor.
Dos 27 estados brasileiros, vinte apresentaram decréscimos
no volume de vendas quando comparado a jun/15, na série com ajuste sazonal. As
taxas variaram de -4,9% no Estado do Amapá a -0,3% em Minas Gerais. No Maranhão,
Mato Grosso do Sul e Distrito Federal o volume de vendas se manteve estável
nessa comparação. Por outro lado, com aumento no varejo temos os seguintes
estados: Roraima +2,7%, Pará +1,6%, Paraíba +1,3% e Amazonas +0,3%.
Com relação a jul/14, a redução das vendas no
varejo alcançou vinte e dois dos 27 estados. Os destaques foram: Amapá com -17,4%
e Alagoas com -11,7%. Quanto à participação na composição da taxa do varejo temos:
São Paulo com -3,8%; Rio de Janeiro com -4,0%; e Rio Grande do Sul com -7,1%.
No varejo ampliado, o decréscimo de 6,8% em relação
a jul/14 foi acompanhada por quase todos os 27 estados. Roraima, com +2,7%, foi
o único que apresentou variação positiva na comparação com jul/14. O desempenho
negativo de São Paulo com -5,1%, Rio Grande do Sul e Paraná, respectivamente
com -12,2% e Rio de Janeiro com -5,5% formam as principais pressões sobre a taxa
agregada do varejo ampliado.
Portanto, o comércio varejista
apresentou desempenho medíocre em julho deste ano, ante o mês anterior e também
em relação a igual período de 2014, devido em grande parte à conjuntura
econômica desfavorável, aumento da inadimplência e redução da oferta de
crédito.
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