PESQUISA
MENSAL DE COMÉRCIO - JUNHO
DE 2014
Consultor Régis Varão/¹
A Pesquisa Mensal
de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), produz indicadores que permitem acompanhar o
desempenho do comércio varejista e seus principais segmentos no mês. A pesquisa
trabalha com uma amostra de 5.700 empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas, e
abrange dez grupos de atividades.
Em jun/14, o
comércio varejista apresentou declínios de 0,7% para o volume de vendas e 0,2% para a
receita nominal, ante o mês anterior, com ajuste sazonal. Na série referente ao
volume de vendas, o resultado volta a ser negativo após incremento observado em
mai/14. Quanto à receita de vendas temos registrado o primeiro mês negativo
desde mai/12.
Nas demais
comparações, tiradas das séries originais, sem ajuste sazonal, o setor varejista
obteve, em termos de volume de vendas, acréscimos de aproximadamente 0,8% sobre
jun/13, e de 4,2% e 4,9% no acumulado do período jan-jun/14 e dos últimos 12
meses, respectivamente. Para os mesmos indicadores, a receita nominal de vendas
registrou variações positivas de 7,4%, 10,5% e de 11,4%, respectivamente.
Com relação ao
comércio varejista ampliado, que contempla o varejo e as atividades de
Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, registrou, pelo
segundo mês consecutivo, variação negativa tanto para o volume de vendas com
-3,6%, quanto para a receita nominal com -3,4%, ambas as taxas em relação a
mai/14, com ajuste sazonal. Comparando com jun/13, apresentou declínios de 6,1%
para o volume de vendas e de 0,1% na receita nominal de vendas. Quanto às taxas
acumuladas, as altas foram de 0,1% no período jan-jun/14 e de 1,9% nos últimos
12 meses, para o volume de vendas, e de 5,7% e 7,4% para a receita nominal,
respectivamente.
Comparando o
segundo trimestre de 2014 (2ºTri14) com o 1ºTri, observa-se redução no setor
varejista, com a taxa passando de 4,5% para 4,0% e queda no varejo ampliado, de
2,1% para -1,8%. Das dez atividades, duas apresentaram resultado superior ao do
trimestre anterior: Outros artigos de uso pessoal e doméstico passaram de 7,5%
para 11,7% e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e
fumo de 2,6% para 4,4%. As outras atividades registraram variações inferiores
ao trimestre anterior: Material de construção de 7,2% para -2,9%; Veículos,
motos, partes, peças de -3,7% para -11,7%; Combustíveis, lubrificantes de 8,1%
para 0,3%; Livros, jornais, revistas e papelaria de -3,7% para -8,7%; Artigos
farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria passou de 12,6% para 7,8%;
Equipamentos, material para escritório, informática e comunicação de -0,7% para
-5,0%; Móveis e eletrodomésticos de 6,5% para 3,8% e Tecidos, vestuário e
calçados de 0,4% para -1,7%.
O primeiro
semestre de 2014 (1ºSem14) apresentou um crescimento de 4,2% em relação ao
1ºSem13, mas inferior ao do 2ºSem13, que atingiu +5,4%. Parte desse desempenho
deve-se à redução no ritmo de crédito e as alíquotas de IPI mais elevadas
incidentes em alguns produtos.
Em Jun/14, nove
entre as dez atividades pesquisadas apresentaram decréscimos para o volume de
vendas, com ajuste sazonal. Em ordem de relevância de taxas: Hipermercados,
supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo +0,6%; Outros artigos de
uso pessoal e doméstico -0,5%; Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de
perfumaria e cosméticos -0,9%; Tecidos, vestuário e calçados -1,0%; Móveis e
eletrodomésticos -2,0%; Combustíveis e lubrificantes -2,3%; Material de
construção -3,9%; Equipamentos e material para escritório, informática e
comunicação -4,2%; Livros, jornais, revistas e papelaria -5,3%; e Veículos e
motos, partes e peças com -12,9%.
Comparando jun/14
contra igual período de 2013, na série sem ajuste sazonal, quatro das oito
atividades do setor varejista apresentaram crescimentos. Os resultados, por
ordem de relevância foram: +7,9% para Outros artigos de uso pessoal e
doméstico; +7,7% para Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de
perfumaria; +0,5% para Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios,
bebidas e fumo; +0,1% para Móveis e eletrodomésticos; -12,1% para Livros,
jornais, revistas e papelaria; -7,0% para Equipamentos e materiais para
escritório, informática e comunicação; -2,5% para Tecidos, vestuário e
calçados; e -3,0% para Combustíveis e lubrificantes.
Outros artigos de
uso pessoal e doméstico exerceram o maior impacto na formação da taxa do
varejo, com variação de 7,9% no volume de vendas em relação a jun/13. Em termos
acumulados, a taxa para o 1ºSem14 foi da ordem de 9,6% e para os últimos 12
meses, de 10,2%. Esta atividade, por englobar os segmentos de lojas de
departamentos, ótica, joalheria, artigos esportivos, brinquedos etc, foi menos
impactada pela redução da carga horária decorrente da Copa do Mundo. Artigos
farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, ficou com a segunda maior
participação na taxa geral do varejo, cresceu 7,7% ante jun/13, e taxas
acumuladas de 10,1% no semestre e de 10,8% nos últimos 12 meses. O
comportamento dos preços dos produtos farmacêuticos, que em 12 meses subiu 4,1%
contra 6,5% do índice geral, segundo IPCA, são um dos principais fatores
explicativos do desempenho positivo do segmento.
Em jun/14, o
comércio varejista ampliado registrou em relação a mai/14 variação de -3,6%
para o volume de vendas ajustados sazonalmente e de -6,1% ante jun/13. Este
desempenho reflete, sobretudo, o comportamento das vendas de Veículos, motos,
partes e peças, que apresentou redução de -12,9% ante mai/14 com ajuste
sazonal, e -18,7% ante jun/13. A taxas acumuladas da atividade foram de -7,9%
no período jan-jun/14 e -4,3% nos últimos 12 meses. Além da redução do número
de dias úteis, o desempenho da atividade também foi influenciado pelo menor
ritmo do crédito e pelo comprometimento da renda das famílias, provocando
desaceleração do consumo.
Entre as 27
Unidades da Federação 17 apresentaram resultados positivos ante jun/13. Os
destaques em variações positivas do volume de vendas: Acre +15,0%; Rondônia
+9,9%; Roraima +9,1%; Paraíba +7,4%; e Ceará +7,2%. Quanto à participação na
taxa geral do Comércio Varejista, destacaram-se: Rio de Janeiro +4,4%; Ceará
+7,2%; Bahia +2,7%; Paraíba +7,4% e Maranhão com +6,2%.
Quanto ao varejo
ampliado, entre as 27 Unidades da Federação 6 registraram desempenho positivos.
As maiores variações no volume de vendas foram: Acre +5,1%, Paraíba +4,9%,
Rondônia +4,2%; Minas Gerais +3,4% e Ceará com +2,8%. Em termos de impacto no
resultado do setor, os destaques foram: Minas Gerais +3,4%; Ceará +2,8%;
Paraíba +4,9%; Rondônia +4,2% e Acre com +5,1%. Ainda por estado, os resultados
com ajuste sazonal para o volume de vendas indicam cinco estados com
incrementos, na comparação mês/mês anterior: Paraíba +3,9%; Maranhão +1,6%; Rio
de Janeiro +0,5%; Rondônia +0,2% e Roraima com +0,1%.
Portanto, o setor
varejista caiu 0,7% em jun/14 nas vendas e 0,2% na receita ante o mês anterior,
e apresentou o primeiro mês negativo desde mai/12, enquanto o varejo ampliado
registrou declínios de 3,6% e 3,4% para vendas e receitas, na mesma base de
comparação. Segmentos como Veículos, motos, partes e peças e Material de
construção foram importantes para o desempenho negativo do varejo em jun/14, o
que pode estar associado à elevação da taxa de juros e aumento da inadimplência
nos últimos meses. O comportamento do varejo pode estar refletindo o desempenho
da economia brasileira, o que pode ser observado nas consecutivas reduções
semanais das expectativas de crescimento do PIB por parte do mercado, Boletim Focus do BCB, para 2014 e com
projeção de fraco desempenho do indicador para o próximo ano.
¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante,
Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor
Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.