terça-feira, 26 de agosto de 2014

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR É A MENOR DESDE 2009
Consultor Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado esta semana, após avançar no período jun-jul/14, mostrou recuo de 4,3% em ago/14 (102,3 pontos), ante o mês anterior (106,9), atingindo naquele mês o menor nível desde abr/09 ao registrar 99,7 pontos, e bem abaixo do observado em ago/13 (112,9).

Segundo Viviane Seda, da FGV/IBRE, a confiança do consumidor diminui e decepciona aqueles que esperavam a reversão da tendência de queda iniciada há dois anos. O resultado foi influenciado pela insatisfação dos consumidores com o estado geral da economia. Seda, no informe anterior, ao se referir a alta do ICC em jul/14 afirmou: “a elevação no índice de confiança do consumidor é uma boa notícia, mas parte do resultado pode ter sido influenciado pelos acontecimentos observados em torno das festividades da Copa do Mundo nas cidades pesquisadas.”

A avaliação dos consumidores em ago/14, tanto em relação à situação atual quanto as expectativas em relação aos meses futuros registraram piora. O Índice da Situação Atual (ISA) passou de 113,0 pontos em jul/14 para 107,2 no mês seguinte, declinando 5,1% no período, o menor índice desde mai/09 (103,0), enquanto em ago/13 atingiu 118,6 pontos. Já o Índice de Expectativas (IE), que afere as expectativas em relação aos meses futuros, passou de 101,2 em jul/14 para 100,1 pontos em agosto, um decréscimo de 1,1%, menor nível desde mar/09 (97,6 pontos), e chegou a 110,1 pontos em ago/13.

De acordo com a Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV/IBRE, de ago/14, “O indicador que mede o grau de satisfação dos consumidores com a economia no momento recuou 13,6% em relação a julho, ao passar de 75,7 para 65,4 pontos, pior resultado desde abril de 2009 (56,5). A proporção de consumidores que avaliam a situação como boa diminuiu de 16,7% para 12,5%, enquanto a dos que a julgam ruim aumentou de 41% para 47,1%.”

Quanto às expectativas para os próximos meses, as previsões dos consumidores também foram pessimistas a respeito da economia. O indicador que aferea o grau de otimismo com a economia declinou 3,9%, atingindo 90,8 pontos, enquanto a parcela de consumidores estimando melhora caiu de 22,9% para 22,1%, e a dos que projetam piora subiu de 28,4% para 30,3% (+1,9 p.p.).

Portanto, a insatisfação do brasileiro com relação ao mercado de trabalho derrubou o ICC em ago/14 ante o mês anterior. A análise desfavorável sobre o ritmo atual de abertura de vagas pressionou negativamente a avaliação do consumidor brasileiro a respeito da economia como um todo. O desempenho do ICC no período jun-jul/14 decorreu dos efeitos benéficos da Copa do Mundo, e que agora o impacto do evento inexiste. Entretanto, o atual cenário econômico desfavorável pode pressionar negativamente os indicadores futuros do ICC.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

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