CONFIANÇA DO CONSUMIDOR É A MENOR DESDE 2009
Consultor Régis Varão/¹
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado esta semana, após avançar no período jun-jul/14, mostrou
recuo de 4,3% em ago/14 (102,3 pontos), ante o mês anterior (106,9), atingindo
naquele mês o menor nível desde abr/09 ao registrar 99,7 pontos, e bem abaixo
do observado em ago/13 (112,9).
Segundo Viviane Seda, da FGV/IBRE, a confiança do
consumidor diminui e decepciona aqueles que esperavam a reversão da tendência
de queda iniciada há dois anos. O resultado foi influenciado pela insatisfação dos
consumidores com o estado geral da economia. Seda, no informe anterior, ao se
referir a alta do ICC em jul/14 afirmou: “a elevação no índice de confiança do
consumidor é uma boa notícia, mas parte do resultado pode ter sido influenciado
pelos acontecimentos observados em torno das festividades da Copa do Mundo nas
cidades pesquisadas.”
A avaliação dos consumidores em ago/14, tanto em
relação à situação atual quanto as expectativas em relação aos meses futuros registraram
piora. O Índice da Situação Atual (ISA) passou de 113,0 pontos em jul/14 para 107,2
no mês seguinte, declinando 5,1% no período, o menor índice desde mai/09 (103,0),
enquanto em ago/13 atingiu 118,6 pontos. Já o Índice de Expectativas (IE), que
afere as expectativas em relação aos meses futuros, passou de 101,2 em jul/14
para 100,1 pontos em agosto, um decréscimo de 1,1%, menor nível desde mar/09 (97,6
pontos), e chegou a 110,1 pontos em ago/13.
De acordo com a Sondagem de Expectativas do
Consumidor, da FGV/IBRE, de ago/14, “O indicador que mede o grau de satisfação
dos consumidores com a economia no momento recuou 13,6% em relação a julho, ao
passar de 75,7 para 65,4 pontos, pior resultado desde abril de 2009 (56,5). A proporção
de consumidores que avaliam a situação como boa diminuiu de 16,7% para 12,5%,
enquanto a dos que a julgam ruim aumentou de 41% para 47,1%.”
Quanto
às expectativas para os próximos meses, as previsões dos consumidores também foram
pessimistas a respeito da economia. O indicador que aferea o grau de otimismo
com a economia declinou 3,9%, atingindo 90,8 pontos, enquanto a parcela de
consumidores estimando melhora caiu de 22,9% para 22,1%, e a dos que projetam
piora subiu de 28,4% para 30,3% (+1,9 p.p.).
Portanto,
a insatisfação do brasileiro com relação ao mercado de trabalho derrubou o ICC
em ago/14 ante o mês anterior. A análise desfavorável sobre o ritmo atual de abertura
de vagas pressionou negativamente a avaliação do consumidor brasileiro a
respeito da economia como um todo. O desempenho do ICC no período jun-jul/14 decorreu
dos efeitos benéficos da Copa do Mundo, e que agora o impacto do evento inexiste.
Entretanto, o atual cenário econômico desfavorável pode pressionar
negativamente os indicadores futuros do ICC.
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