ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS AUMENTA EM AGOSTO
Consultor Régis Varão/¹
O endividamento das famílias brasileiras vem apresentando
elevação nos últimos meses, subindo para 63% em jul/14, e atingindo 63,6% em
agosto, o maior percentual observado nos últimos treze meses, segundo a
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O percentual de famílias endividadas entre cheque
pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo
pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 63,6% em ago/14, elevando-se 0,6
p.p. em relação ao mês anterior. O percentual de famílias com contas ou dívidas
em atraso passou de 18,9% em jul/14 para 19,2% em agosto, inferior ao observado
em ago/13 (21,8%). A pesquisa aponta que o percentual de famílias que
declararam não terem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso, e que
permanecem inadimplentes caiu de 6,6% em jul/14 para 6,5% em agosto, ante 7%
observado em ago/13.
Segundo a PEIC, “O aumento do número de famílias
endividadas, na comparação com o mês imediatamente anterior, foi observado em
ambos os grupos de renda pesquisados.” Na comparação anual, o aumento se deu
apenas para o grupo de renda acima de 10 SM (salários mínimos), e para as
famílias da faixa de renda inferior, o indicador manteve-se inalterado.
Ainda de acordo com a pesquisa, para famílias que
ganham até 10 SM, o percentual de famílias com dívidas atingiu 64,8% em ago/14,
ante 64,3% em jul/14 e 64,8% em ago/13. Para as famílias com renda superior a
10 SM, o percentual de famílias endividadas subiu de 57% em jul/14 para 57,6%
em ago/14, enquanto em ago/13, o percentual de famílias endividadas nesse grupo
de renda ficou em 54,7%.
O número de famílias que se declara muito
endividadas manteve-se praticamente estável entre jul/14 (11,9%) e ago/14
(11,8%), mas abaixo do observado em ago/13 (13,3%). O percentual de famílias
que se declara mais ou menos endividadas subiu de 24,5% em julho para 24,8% em
ago/14, acima 1 p.p. do observado em ago/13. A proporção de famílias que se
declara pouco endividadas subiu para 27% em ago/14, ante 26,6% em jul/14, e acima
1,1 p.p. do verificado em ago/13.
Nos últimos meses o cartão de crédito vem liderando
como o principal tipo de dívida, e em ago/14 atinge 75,8% das famílias
endividadas. Embora tenha declinado quando comparado a jul/14 (76,6%), posiciona-se
distante da dívida com carnês (17%), segundo colocado. Em terceira posição o financiamento
de carro (13,4%), seguido de crédito pessoal (9,6%), financiamento de casa
(7,3%), cheque especial (5,3%) e crédito consignado (4,2%). Cabe observar que
nos últimos meses essa ordem de classificação mantém-se inalterada.
Segundo a PEIC, para famílias com renda até 10 SM, cartão
de crédito (76,9%), carnês (18,1%), financiamento de carro (10,4%) e crédito
pessoal (9,2%) foram os principais tipos de dívida apontados. Já para famílias
com renda acima de 10 SM, os principais tipos de dívida em ago/14 foram: cartão
de crédito (71,4%), financiamento de carro (27,1%), financiamento de casa
(15,7%) e carnês (11,8%).
O endividamento com cartão de crédito tem custo
elevado, pois além de comprometer a capacidade de pagamento das famílias,
interfere negativamente na qualidade de vida delas, tendo em vista que os encargos
cobrados por atraso atingem dois dígitos ao mês, ultrapassando com folga três
dígitos ao ano.
Considerando os sete mais importantes tipos de
dívida apresentados na pesquisa, nos meses de julho e agosto deste ano, o
endividamento com cartão de crédito (-0,8 p.p.), crédito consignado (-0,4 p.p.),
financiamento de casa (-0,3 p.p.) e crédito pessoal (-0,2 p.p.) apresentaram os
maiores declínios. Por outro lado, nas dívidas com carnês (+0,7 p.p.) e
financiamento de carro (+0,2 p.p.) foram registradas incrementos no período, sendo,
o cheque especial, o único a manter-se inalterado no período.
O desconhecimento de educação financeira,
planejamento financeiro e até mesmo de rudimentos de matemática financeira tem prejudicado
as famílias no que se refere à elevada participação do cartão de crédito como
principal tipo de dívida familiar, tendo em vista os juros praticados no
segmento, enquanto o crédito consignado, que pratica juros relativamente
baixos, vem declinando em participação na dívida das famílias ao longo dos últimos
meses.
Portanto, o conhecimento de ferramentas básicas de finanças
pessoais, além de contribuir para reduzir o nível de endividamento das
famílias, indiretamente melhora a qualidade de vida das pessoas, e ajuda a
elevar a produtividade da economia como um todo.
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