terça-feira, 30 de setembro de 2014

EXPECTATIVAS DO CONSUMIDOR MELHORAM EM SETEMBRO
Consultor Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), publicado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), atingiu 109,7 pontos em set/14, ante 108,3 observados em ago/14, e 110,1 registrados em set/13. O índice de setembro reverte, em parte, a queda observada em ago/14, além de ser o segundo maior do ano. Entretanto, quando comparado a jan/14 (113,9), o índice de setembro caiu 3,7%.

O índice de set/14 atingiu valor próximo ao registrado em igual período de 2013, embora 0,4% menor. Os resultados observados nos primeiros nove meses de 2014 mostram declínio na percepção do comportamento do consumidor quando comparados ao final do ano anterior.

Fatores que contribuíram para o crescimento do indicador em set/14:

(a) Expectativa de Inflação: em set/14 atingiu 98,7 pontos, ante 96,3 observados no mês anterior, crescimento de 2,5%, e caiu 4,6% quando comparado a jan/14;

(b) Situação Financeira: subiu para 109,4 pontos em set/14, de 107,1 apresentados em ago/14, alta de 2,2%, mostrando elevação das expectativas positivas quanto ao indicador nos próximos meses. Quando comparada a jan/14, o INEC de setembro registrou decréscimo de 3,5%. O indicador apresenta aumento do número de consumidores que melhoraram suas percepções a respeito do indicador nos últimos três meses;

(c) Endividamento: cresceu 1,4% entre agosto (103,4 pontos) e set/14 (104,8), e apresentou redução de 2,6% ante jan/14 (107,6). O resultado mostra que mais pessoas afirmaram menor endividamento em setembro que nos últimos três meses;

(d) Expectativa de Desemprego: atingiu 116,2 pontos em set/14, ante 115 registrados em ago/14, incremento de 1%, e registrou queda de 11,9% quando comparada a jan/14 (131,9), mas se aproxima do índice verificado em abr/14 (116,5) e jul/14 (116,6);

(e) Expectativa da renda pessoal: subiu para 110,2 pontos em set/14, de 109,4 no mês anterior, crescimento de 0,7%. Quando comparado a jan/14 o INEC de setembro registrou declínio de 4,8%;

(f) Compras de bens de maior valor: entre os demais componentes do INEC, as compras de maior valor apresentaram em set/14 (115,1 pontos) a menor variação positiva (0,7%), ante ago/14 (114,3), e apresentou incremento de 1,9% quando comparada ao primeiro mês deste ano.

Portanto, em setembro deste ano, houve melhora nas expectativas do consumidor, tendo os indicadores Expectativa de inflação (1º) e Situação financeira (2º) liderados o crescimento das expectativas positivas do consumidor ante o mês anterior.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com larga experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

PROJEÇÕES DO MERCADO PARA 2014 E 2015
Consultor Régis Varão/¹

As projeções do mercado para as variáveis macroeconômicas divulgadas no Boletim Focus do Banco Central de 26.9.14, continuam sendo ajustadas semanalmente. O mercado continua pressionando para baixo as estimativas de crescimento do PIB para este ano e para 2015, distanciando-se das projeções realizadas nas últimas semanas e em igual período de 2013:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): no Focus desta semana, a expectativa do mercado para o IPCA este ano atingiu 6,31%, ante 6,30% da semana anterior, e 6,27% há quatro semanas. O boletim de 27.9.13 projetava 5,97% para o índice em 2014. Para 2015, o boletim de 26.9.14 apresentou alta de 6,30%, ante 6,28% da semana anterior, e 6,29% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): no boletim de 26.9.14, a projeção para 2014 caiu para 3,65%, de 3,72% na semana anterior, e 3,65% há quatro semanas, enquanto no Focus de 27.9.13 registrava 5,96%. Para o próximo ano, os dois últimos boletins registraram um IGP-DI estável em 5,50%;

(c) Taxa de Câmbio em fim de período (R$/U$): no último Boletim Focus, a expectativa do mercado para a taxa de câmbio em 2014 estava em R$/U$2,35, ante R$/U$2,34 na semana anterior, e R$/U$2,35 há um mês. Ainda para este ano, o boletim de 27.9.13, indicava R$/U$2,40, não constando no documento, projeção para 2015. Os dois últimos Focus projetam para 2015 uma taxa de câmbio de R$/U$2,45, ante R$/U$2,50 observada há um mês;

(d) Taxa Selic em fim de período (% a.a.): a partir do Focus de 30.5.14, a expectativa do mercado para o indicador tem sido mantida em 11% para 2014, enquanto para 2015, vem apresentando ajustes para cima, atingindo 11,38% a.a. no Focus de 26.9.14, ante 11,25% a.a. divulgada no boletim anterior, e 11,75% há quatro semanas. O Focus de 27.9.13 indicava taxa de 9,75% a.a. para este ano, não registrando, naquele boletim, projeção para 2015;

(e) Produto Interno Bruto (PIB): as expectativas elaboradas pelo mercado não param de declinar quanto ao desempenho do PIB para 2014 e 2015. A projeção divulgada em 26.9.14, para este ano, declinou para +0,29%, de +0,30% observada na semana anterior, e atingiu +0,52% há um mês. As decisões do governo pouco contribuem para reduzir o pessimismo do mercado quanto ao crescimento do PIB, ao mesmo tempo que as eleições tem reforçado esse cenário;

(f) Balança Comercial (U$ Bilhões): as projeções divulgadas nos três últimos Focus, para 2014, apontam superávit de U$2,40 bilhões, ante U$2,17 bi observado há quatro semanas, e U$10 bilhões registrados há um ano. Para 2015, os três últimos Boletins Focus estimam superávit de U$9 bilhões, ante U$8 bi verificado há um mês.

O mercado continua ajustando para baixo a expectativa de crescimento do PIB para os 2014 e 2015. A indefinição do cenário político nessas eleições presidenciais e estaduais tem contribuído para manter o pessimismo do mercado quanto ao comportamento da atividade econômica, da inflação, dos juros e da taxa de câmbio para os próximos meses.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com larga experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Ver o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 27 de setembro de 2014

ESTABILIDADE NO DESEMPREGO EM AGOSTO
Consultor Régis Varão/¹

De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação de ago/14 foi estimada em 5%, para as seis regiões metropolitanas pesquisadas - Recife, Salvador, Belo Horizonte (BH), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Porto Alegre (PA) - ficando estatisticamente próxima a taxa do mês anterior (4,9%) e -0,3 p.p. abaixo da observada em ago/13. Foi a menor taxa para um mês de agosto na série histórica.

Com relação à População Economicamente Ativa (PEA), formada por pessoas ocupadas e desocupadas, foi estimada para o conjunto das seis regiões metropolitanas, em 24,4 milhões de pessoas em ago/14, elevando-se 0,9% quando comparada ao mês imediatamente anterior, e permanecendo estável frente a ago/13.

A população desocupada atingiu 1.221 mil pessoas em ago/14, ante 1.182 mil no mês anterior, e 1.296 mil em ago/13, ficando praticamente estável naqueles meses. Na análise regional, comparando ago/14 com o mês anterior, manteve-se estável em todas as regiões, exceto o RJ, que apresentou declínio de 15,8%. Ao comparar agosto deste ano com ago/13, a desocupação decresceu aproximadamente 35% no RJ, subiu 40% em PA, e permaneceu estável nas demais regiões.

Já o total de pessoas ocupadas totalizou 23,1 milhões em ago/14, e cresceu 0,8% em relação ao mês anterior, enquanto o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado atingiu cerca de 12 milhões. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores ficou em R$ 2.055,50 em ago/14, +1,65% acima do observado em jul/14 (R$2.022,04) e +2,48% quando comparado a ago/13 (2.005,72). Na análise regional, comparando ago/14 com o mês anterior, o rendimento cresceu em todas as seis regiões: BH (+4,2%), PA (+2,5%), SP (+1,4%), Salvador (+1,2%), RJ (+1,2%) e Recife (+0,6%). Comparando agosto deste ano com ago/13 temos: RJ (+8,6%), Recife (+3,6%), SP (+1,4%), Salvador (-2,4%), BH (-0,7%) e manteve-se estável em Porto Alegre.

Ainda com relação às pessoas ocupadas em ago/14, por atividade, no período jul-ago/14, foi observada forte elevação no grupo Construção, com alta de 5,1%, e queda de 3,9% nos Serviços domésticos, este, quando comparado a ago/13 recuou 7,2%.

O número de pessoas com carteira assinada no setor privado foi estimado em cerca de 12 milhões em agosto deste ano, nas seis metropolitanas, mostrando-se estável quando comparada ao mês anterior e a igual período de 2013.

Portanto, o incremento apresentado na taxa de desocupação em agosto deste ano (+5%), ficou praticamente estável quando comparado ao mês anterior e a igual período de 2013.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com larga experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Ver o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

ÍNDICE DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR DA FGV
Consultor Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), atingiu 103 pontos em set/14, ante 102,3 pontos observados no mês anterior, e 113,8 pontos registrados em set/13. A alta de 0,7% no entre ago/14 e setembro, vem após um crescimento de 3% em julho e um decréscimo de 4,3% registrado em ago/14.

O relatório afirma que “após um período de queda acentuada da confiança dos consumidores até maio, os resultados se tornaram mais voláteis e por isso devem ser analisados com cautela.” Segundo Viviane Seda, coordenadora da pesquisa da FGV/IBRE, a melhora do indicador em set/14, deve-se à redução do pessimismo com a economia nos meses futuros provavelmente relacionada a uma queda de incertezas com o término do período eleitoral.

Em setembro deste ano, a satisfação dos consumidores com o momento atual caiu, enquanto as expectativas em relação aos meses futuros tornaram-se menos pessimistas. O Índice da Situação Atual (ISA) atingiu 104,8 pontos em set/14, ante 107,2 pontos em agosto (queda de 2,2%), e atingiu o maior nível nos últimos 14 meses em set/13 (120,6 pontos). O Índice de Expectativas (IE) passou de 100,1 pontos em ago/14 para 102,2 pontos no mês seguinte (alta de 2,1%), e atingiu 110,4 pontos em set/13. O registrando de set/14 foi o melhor resultado do IE desde mai/14.

Ainda com relação a set/14, a avaliação negativa dos consumidores com a situação econômica geral continua afetando a satisfação com o momento atual. O indicador que afere o grau de satisfação dos consumidores com a economia atual caiu 4% ante ago/14, chegando a 62,8 pontos, mantendo-se no pior nível desde abr/09, quando atingiu 56,5 pontos. Por outro lado, a proporção de consumidores que avaliam a situação como boa caiu de 12,5% para 11,8%, enquanto a dos que a julgam ruim subiu de 47,1% para 49%.

No que se refere às perspectivas futuras em relação à economia, houve melhora, e o indicador que mede o grau de otimismo com a economia, passou de 90,8 pontos para 95,5 pontos (melhor resultado desde mar/14), elevação de 5,2% no bimestre ago-set/14. O percentual de consumidores na expectativa de melhora cresceu de 21,1% para 23,7%, enquanto os que acreditam em piora caiu de 30,3% para 28,2%.

Portanto, apesar de ter ocorrido pequena melhora no ICC em set/14 (+0,7%), ainda está distante do resultado observado em igual período de 2013 (113,8 pontos), o mesmo ocorrendo com o ISA, que está 15,8 pontos abaixo do indicador de set/13, e do IE que também está 8,2 pontos inferior ao resultado observado há doze meses.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com larga experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Ver o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM SETEMBRO
Consultor Régis Varão/¹

O percentual de endividamento das famílias brasileiras apresentou declínio em set/14 (63,1%) ante o mês anterior (63,6%), embora tenha registrado elevação quando comparada a set/13 (61,4%), segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O percentual de famílias endividadas nas modalidades cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 63,1% em set/14, caindo 0,5 p.p. ante o mês anterior.

Embora tenha havido queda no endividamento das famílias, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso manteve-se estável em 19,2% no período ago-set/14, e declinou quando comparado ao observado em set/13 (20,6%). O percentual de famílias que declarou sem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso, e continuam inadimplentes, caiu de 6,5% em ago/14, para 5,9% em set/14, tendo atingido 7% em set/13.

A redução do número de famílias endividadas em setembro, ante o mês anterior, foi presenciada em ambas as faixas de renda (até 10 SM e +10 SM). Para quem ganha até 10 SM, o percentual de famílias com dívidas caiu para 64,5% em set/14, ante 64,8% em ago/14 e 63,3% em set/14. Já para as famílias com renda acima de 10 SM, o percentual daquelas endividadas caiu para 56,2% em set/14, de 57,6% em ago/14 e atingiu 52,9% em set/13.

De acordo com a pesquisa, “a análise por faixa de renda do percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas em atraso mostrou comportamento semelhante entre os grupos pesquisados em ambas as bases de comparação.” Na faixa de maior renda, o indicador atingiu 2,7% em set/14, ante 3% em ago/14 e 3,3% em set/13. Para até 10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar suas dívidas caiu de 7,3% em ago/14, para 6,7% no mês seguinte.

O número de famílias que se declaram muito endividadas declinou de 11,8% em ago/14 para 11,5% no mês seguinte, ainda inferior ao observado em ago/13 (12,4%). Para aquelas que se declaram mais ou menos endividadas também diminuiu o percentual, passando de 24,8% em ago/14 para 24,3% em set/14, acima do observado em set/13 (23,3%). A proporção de famílias que se declara pouco endividadas subiu para 27,3% em set/14, ante 27% em ago/14 e acima do registrado em set/13 (25,8%).

Nos últimos meses o cartão de crédito tem sido apontado como a principal modalidade de endividamento das famílias, atingindo 75,1% em set/14, ante 75,8% observado no mês anterior e 76,6% em jul/14. Esse tipo de dívida mantém larga distância do segundo colocado, carnês de loja (17,3%), seguido de financiamento de carro (14,1%), crédito pessoal (9,6%), financiamento de casa (8,2%), cheque especial (5,8%), crédito consignado (4,7%), outras dívidas (2,5%) e cheque pré-datado com 1,8%. Cabe observar, por oportuno, que nos últimos meses essa ordem de classificação mantém-se inalterada.

O endividamento das famílias recuou em set/14, após ter alcançado em agosto, o maior patamar do ano. Apesar da moderação observada no consumo das famílias, o aumento de algumas modalidades de crédito, caso do financiamento de imóveis, tem mantido o endividamento das famílias em níveis elevados.

A pesquisa afirma que o cartão de crédito é preferido por 75% das famílias endividadas, enquanto o consignado, que representa menos de 20% do custo do rotativo, é utilizado por menos que 5% das endividadas. Logo, o endividamento com cartão de crédito é uma escolha inoportuna, comprometendo a capacidade de pagamento das famílias, cujos encargos pagos por atraso podem atingir facilmente três dígitos ao ano.

Portanto, o pouco conhecimento em educação financeira, dificulta a percepção das famílias quanto às escolhas de modalidades mais adequadas e baratas de crédito.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com larga experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Ver o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

CHEQUES DEVOLVIDOS CONTINUAM EM ALTA
Consultor Régis Varão/¹

A inadimplência com cheques atingiu 2,02% em ago/14, o segundo maior nível para um mês de agosto desde o início da série histórica coletada pela Serasa Experian, e iniciada em 1991. A instituição elabora o Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos (ISECSF), uma pesquisa mensal do total de cheques devolvidos por isuficiência de fundos em relação ao total de cheques compensados.

No acumulado jan-ago/14, o percentual de devolução de cheques por insuficiência de fundos atingiu 2,10%, ante 2,05% observado em igual período do ano anterior. Nos primeiros oito meses de 2014 foram devolvidos 10,5 milhões de cheques, para um total de 501,0 milhões compensados.

O mês de ago/14 registrou elevação de 2,02% na quantidade de cheques devolvidos por falta de fundos, ante alta de 2,24% observada no mês anterior, e elevação de 1,87% verificada em ago/13. O crescimento observado em ago/14, só foi inferior, para um mês de agosto, ao registrado em agosto de 2006 (2,04%).

O endividamento da população vem apresentando elevação nos últimos meses, e segundo economistas da Serasa, “o incremento da inadimplência com cheques revela a crescente dificuldade que o brasileiro está encontrando para honrar seus compromissos financeiros.”

Quanto ao comportamento verificado nas diversas regiões temos:

(a) Região Nordeste: a devolução de cheques em agosto deste ano foi 4,41% com relação ao total de cheques compensados, inferior ao percentual de jul/14 (4,66%), e acima do observado em ago/13 (3,83%). A relação dos estados em ordem decrescente de importância, quanto à devolução de cheques em ago/14: Piauí (13,68%), Sergipe (9,42%), Maranhão (8,31%), Alagoas (7,73%), Paraiba (7,07%), Rio Grande do Norte (6,87%), Ceará (4,41%), Bahia (3,41%) e Pernambuco com 2,74%;

(b) Região Norte: o total de cheques devolvidos em ago/14 atingiu 4,35%, inferior à devolução apresentada no mês anterior (4,50%), enquanto em ago/13, ficou em 4,07%. A seguir, os estados posicionados em ordem decrescente de devolução de cheques em ago/14: Amapá (11,54%), Roraima (11,35%), Acre (10,25%), Tocantins (6,69%), Rondônia (6,16%), Pará (4,77%) e Amazonas em último lugar com apenas 0,94%;

(c) Região Centro-Oeste: os cheques devolvidos em agosto de 2014 atingiram 2,99%, ante 3,44% verificado no mês anterior, e 2,61% observado em ago/13. Em ordem decrescente de importância temos: Mato Grosso (4,55%), Distrito Federal (3,34%), Goiás (3,15%) e Mato Grosso do Sul com 1,67%;

(d) Região Sul: o montante de cheques devolvidos em agosto deste ano ficou em 2,08%, ante 2,19% registrado em jul/14, e 1,77% observado em ago/13. Em ordem decrescente temos: Santa Catarina (2,28%), Rio Grande do Sul (2,09%) e Paraná com 1,92%;

(e) Região Sudeste: a devolução de cheques em ago/14 foi 1,49%, abaixo do percentual observado em jul/14 (1,69%), mas acima da variação positiva registrada em ago/13 (1,47%). Em ordem decrescente de devolução de cheques temos: Espírito Santo (2,14%), Minas Gerais (1,79%), enquanto São Paulo e Rio de Janeiro apresentaram, respectivamente, o percentual de 1,37%.

Portanto, a elevação do montante de cheques por insuficiência de fundos vem aumentando a partir do final do primeiro trimestre deste ano, embora tenha declinado em jun/14. O declínio da atividade econômica, a elevação dos índices de inflação, e o aumento do endividamento das famílias, são fatores que podem estar dificultando os consumidores a cumprirem com suas obrigações financeiras.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com larga experiência em educação financeira, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Ver o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

PROJEÇÕES DO MERCADO PARA 2014 E 2015
Consultor Régis Varão/¹

As projeções para as principais variáveis macroeconômicas divulgadas no Boletim Focus do Banco Central, de 19.9.14, continuam sendo ajustadas quando comparadas às da semana anterior, com os índices de inflação e câmbio subindo e o Produto Interno Bruto-PIB caindo. O mercado continua pressionando para baixo as estimativas de crescimento do PIB para 2014 e 2015, distanciando-se das projeções realizadas em igual período de 2013, conforme descrito:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): no Boletim Focus de 19.9.14, a projeção do IPCA para 2014 subiu para 6,30%, ante 6,29% da semana anterior, 6,27% verificado há quatro semanas, e 5,96% observado em igual período de 2013. Para 2015, o Focus desta semana apresentou o índice declinando para 6,28%, ante 6,29% da semana anterior;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): no Focus de 19.9.14, a expectativa para 2014 declinou para 3,72%, de 3,77% observada na semana anterior, e 3,63% divulgada há quatro semanas, enquanto há um ano registrava 5,91%. Para 2015, os dois últimos boletins registraram declínio do indicador, passando de 5,52% para 5,50%, respectivamente;

(c) Taxa de Câmbio em fim de período (R$/U$): no boletim desta semana, a expectativa do mercado para 2014 está em R$/U$2,34, ante R$/U$2,30 observado na semana anterior, e R$/U$2,35 registrado há quatro semanas. Ainda para este ano, o boletim de 20.9.13, indicava R$/U$2,40, não constando no documento, projeção para 2015. Os dois últimos Focus projetam para 2015 taxa de R$/U$2,45, ante R$/U$2,50 observado há quatro semanas;

(d) Taxa Selic em fim de período (% a.a.): os três últimos Focus apresentam, para 2014, estabilidade nas projeções do mercado (11% a.a.), enquanto para 2015, nos dois últimos boletins a expectativa declina de 11,50% a.a. para 11,25% a.a. Há um ano o Focus apontava 9,75% a.a. para 2014, não constando, naquele boletim, projeção para 2015;

(e) Produto Interno Bruto (PIB): as projeções do mercado para o desempenho do PIB para 2014 e 2015 continuam sendo ajustadas para baixo. A expectativa divulgada no Focus de 19.9.14, para 2014, declinou para +0,30%, de +0,33% observada na semana anterior, e de +0,70% verificada há quatro semanas. As últimas projeções da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico-OCDE para o crescimento do PIB brasileiro, +0,3% em 2014 e +1,4% para 2015, contribuíram ainda mais para o pessimismo do mercado, quanto às possibilidades de mudança de trajetória da atividade econômica para este ano e para 2015;

(f) Balança Comercial (U$ Bilhões): as projeções divulgadas nos dois últimos Focus, para 2014, apontam superávit de U$2,40 bilhões, ante U$2,50 bi observado há quatro semanas, e U$10 bilhões há doze meses. Para 2015, os dois últimos Focus estimam superávit de U$9 bilhões, ante U$8 bi verificado há quatro semanas.

O mercado continua ajustando para baixo a expectativa de crescimento do PIB para 2014 e 2015. Por outro lado, a indefinição do fator eleições tem contribuído para manter o pessimismo do mercado quanto ao desempenho da atividade econômica, da taxa de juros, da inflação e da taxa de câmbio este ano e no próximo.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

PRAZERES QUE PROPORCIONAM SATISFAÇÃO PESSOAL
Consultor Régis Varão/¹

Nas últimas semanas tenho participado de discussões, que se iniciam com temas ligados às eleições que acontecerão em vinte dias. De vez em quando, para minha tristeza, sou obrigado a ouvir a defesa “convincente” que é feita de candidatos ficha suja, com o argumento do “rouba, mas faz.”

Em termos práticos, as próximas eleições, pouco ou nenhum impacto terão no dia-a-dia do cidadão, em geral preocupado em pagar suas contas, trocar de carro entre outros, tendo em vista que o retorno da inflação e os juros cada vez mais elevados têm contribuído para elevar o endividamento e reduzir o poder aquisitivo da população. Muitos se recusam a assistir aos programas eleitorais, e é aí que mora o perigo, podemos eleger pessoas despreparadas e muito candidato ficha suja, o que não será nenhuma novidade.

Nos últimos anos, muito se tem falado de qualidade de vida, felicidade e educação financeira, principalmente nos ambientes corporativos, e os programas de treinamento do setor público e privado corroboram com essa afirmação. Tentando contribuir com o tema, busquei em Oscar Wilde: para inquietos, de Allan Percy, uma lista de coisas que podem melhorar, a baixo custo, o bem estar.

Segundo Oscar Wilde, “Os prazeres mais intensos que a vida nos proporciona são grátis ou exigem muito pouco dinheiro,” logo, podemos ter prazer e alegria fazendo coisas simples, tais como:

01. Ouça música, pois ajuda a relaxar;
02. Dê flores a quem não as espera;
03. Veja o por do sol, o de Brasília é fantástico;
04. Dance pela casa, ajuda a relaxar e queima gordura;
05. Leia um romance, existem excelentes autores brasileiros;
06. Pratique uma boa ação ajudando um desconhecido;
07. Visite um amigo ou parente sem avisá-lo;
08. Tome banho de mar à luz da lua;
09. Cuide de um bebê, pode ser um filho, sobrinho etc;
10. Seja amável com os outros, cumprimente-os;
11. Converse com o vizinho;
12. Procure escutar o ruído das plantas após regá-las;
13. Mergulhe numa piscina em um dia de muito calor;
14. Acaricie seu animal de estimação;
15. Comemore e agradeça o dia de hoje;
16. Seja humilde sem falsa modéstia;
17. Tenha sempre atitude positiva.

Portanto, ter uma boa qualidade de vida e viver bem não é difícil, é apenas uma questão de atitude, embora a maioria das pessoas esteja preocupada com suas atividades profissionais, e esquecem que atitudes simples no dia-a-dia podem melhorar a saúde física e mental delas.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

EXPECTATIVAS DO MERCADO PARA 2014 E 2015
Consultor Régis Varão/¹

As projeções realizadas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicas divulgadas no Boletim Focus do Banco Central, referentes à 12.9.14, continuam sendo ajustadas quando comparadas aos dados da semana anterior. O mercado continua reduzindo essas estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto-PIB para 2014 e 2015, distanciando-se, ainda mais, das expectativas divulgadas em igual período de 2013, conforme descrito abaixo:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): no Boletim Focus de 12.9.14, a projeção do índice para 2014 continua em 6,29% pela segunda semana consecutiva, ante 6,25% observado há quatro semanas, e 5,90% registrado há doze meses. Para 2015, o IPCA mantém-se inalterado em 6,29% nas últimas três semanas;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): no Focus de 12.9.14, a expectativa do mercado para 2014 declinou para 3,77%, de 3,80% observada na semana anterior, e 3,89% divulgada há quatro semanas, enquanto há um ano registrava 5,80%. Para 2015, os dois últimos boletins mantém o indicador inalterado em 5,52%, ante 5,50% há quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio em fim de período (R$/U$): no boletim desta semana, a expectativa do mercado para 2014 é R$/U$2,30, ante R$/U$2,33 da semana anterior, e R$/U$2,35 há quatro semanas. Ainda para 2014, o boletim de 13.9.13, indica R$/U$2,40, não constando, naquele boletim, projeção para 2015. O Focus de 12.9.14 projeta para o final de 2015 taxa de R$/U$2,45, ante R$/U$2,49 da semana anterior, e R$/U$2,50 há quatro semanas;

(d) Taxa Selic em fim de período (% a.a.): de acordo com os três últimos Focus, para 2014, o mercado projeta 11% a.a., enquanto para 2015, nos dois últimos boletins a expectativa declina de 11,63% a.a. para 11,50% a.a. Há um ano o Focus apontava 9,75% a.a. para 2014, não constando, naquela publicação, projeção para 2015. Com relação a 2015, o Focus de 12.9.14 indica taxa de 11,50% a.a., ante 11,63% a.a. da semana anterior;

(e) Produto Interno Bruto (PIB): as expectativas do mercado para o crescimento do PIB em 2014 e 2015 continuam sendo ajustadas para baixo. A projeção do Focus de 12.9.14, para 2014, declina para +0,33%, de +0,48% observada na semana anterior, e de +0,79% há quatro semanas. Em quatro semanas a expectativa do mercado para o crescimento do PIB decresceu 0,46 p.p. Para 2015, o último Focus estima crescimento de +1,04%, ante +1,10% da semana anterior. Hoje, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico-OCDE divulgou as estimativas de crescimento para as principais economias desenvolvidas, e reduziu sua projeção de crescimento do PIB brasileiro para +0,3% em 2014, e +1,4% para 2015. A projeção da OCDE ficou abaixo das expectativas do mercado para 2014, e um pouco acima para 2015. A redução nas projeções do mercado para o crescimento do PIB em 2014 e 2015 deve continuar, tendo em vista que o governo não tem conseguido mudar esse quadro;

(f) Balança Comercial (U$ Bilhões): as projeções divulgadas no Focus de 12.9.14, para 2014, apontam superávit de U$2,40 bilhões, ante U$2,41 bi na semana anterior, e U$10 bilhões há doze meses. Para 2015, o último Focus estima superávit de U$9 bilhões, ante U$8,5 bi do boletim anterior.

O mercado tem reduzido sistematicamente a expectativa de crescimento do PIB para 2014 e 2015, nada indicando alteração desse quadro. A divulgação das projeções da OCDE, ajustando para baixo o crescimento do PIB, reforça o pessimismo existente no mercado quanto do desempenho do indicador em 2014, afastando, assim, qualquer possibilidade de mudança de perspectiva.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

PESQUISA MENSAL DE COMÉRCIO DE JULHO
Consultor Régis Varão/¹

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada em 11.9.14, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), produz indicadores que permitem acompanhar o desempenho do comércio varejista e de seus principais segmentos. A pesquisa trabalha com uma amostra de cerca de seis mil empresas com vinte ou mais pessoas ocupadas, e abrange dez grupos de atividades.

Em jul/14, o comércio varejista apresentou declínios de 1,1% no volume de vendas e 0,7% na receita nominal, ante o mês anterior, com ajuste sazonal. Quanto ao volume de vendas, o resultado não é observado desde out/08, quando o declínio atingiu 1,1%. Com relação à receita nominal, julho é o segundo mês consecutivo de taxa negativa, após dois anos de crescimento.

Quanto ao comércio varejista ampliado, que contempla o varejo e as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, volta a apresentar crescimento tanto no volume de vendas com 0,8%, quanto para a receita nominal com 1,9%, ambas em relação à jun/14, com ajuste sazonal. Em relação à jul/13, registrou declínios de 4,9% para o volume de vendas e de 1,1% na receita nominal. Nas taxas acumuladas, houve queda de 0,6% no ano e de 1,1% nos últimos 12 meses, para o volume de vendas, e de 5,0% e 6,7% para a receita, respectivamente.

Em relação a jun/14, com ajuste sazonal, 60% das atividades registraram incrementos nas vendas, conforme segue: Veículos e motos, partes e peças (4,3%); Material de construção (3,8%); Livros, jornais, revistas e papelaria (2,1%); Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (0,9%); Combustíveis e lubrificantes (0,8%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,0%); Tecidos, vestuário e calçados (-0,1%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,4%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,3%); e Móveis e eletrodomésticos (-4,1%).

Já na comparação de jul/14 ante jul/13, sem ajuste sazonal, duas atividades apresentaram crescimentos. Em ordem de importância: Móveis e eletrodomésticos (-9,2%); Tecidos, vestuário e calçados (-4,4%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,1%); Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-8,5%); Livros, jornais, revistas e papelaria (-12,4%); Combustíveis e lubrificante (-0,4%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (6,1%); e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (5,9%).

Dos 27 estados, 14 registraram crescimento na comparação jul/14 ante jul/13. Os destaques: Acre (13,2%), Roraima (10,1%), Amapá (7,5%), Alagoas e Rondônia, com 4,7%. Quanto à participação na composição do comércio varejista, temos: Bahia (2,7%); Rio Grande do Sul (1,7%); Rio de Janeiro (0,9%); Ceará (2,4%); e Alagoas, com 4,7%. Já no varejo ampliado, 7 unidades da federação registraram incremento ante jul/13. Os melhores desempenhos, quanto ao volume de vendas: Acre (15,1%); Rondônia (9,6%); Roraima (9,0%); Tocantins (6,6%) e Pará (2,6%). Ainda por estado, os resultados jun/14, com ajuste sazonal, para o volume de vendas, apontam três estados com crescimento: Amapá com 2,2%; Tocantins com 1,5%; e Rio Grande do Sul com 0,5%.

Portanto, o desempenho do varejo em jul/14 reflete, em parte, o cenário desanimador verificado na economia brasileira nos últimos meses. A quantidade de feriados gerados pela Copa do Mundo, o crescente nível de endividamento das famílias, o aumento da inflação e consequente perda de poder aquisitivo da população pode estar pressionando negativamente o setor varejista, conforme apresenta semanalmente o Boletim Focus do Banco Central.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.