ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM SETEMBRO
Consultor Régis Varão/¹
O percentual de endividamento das famílias
brasileiras apresentou declínio em set/14 (63,1%) ante o mês anterior (63,6%),
embora tenha registrado elevação quando comparada a set/13 (61,4%), segundo a
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O percentual de famílias endividadas nas
modalidades cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de
loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 63,1% em set/14, caindo
0,5 p.p. ante o mês anterior.
Embora tenha havido queda no endividamento das famílias,
o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso manteve-se estável em
19,2% no período ago-set/14, e declinou quando comparado ao observado em set/13
(20,6%). O percentual de famílias que declarou sem condições de pagar suas
contas ou dívidas em atraso, e continuam inadimplentes, caiu de 6,5% em ago/14,
para 5,9% em set/14, tendo atingido 7% em set/13.
A redução do número de famílias endividadas em
setembro, ante o mês anterior, foi presenciada em ambas as faixas de renda (até
10 SM e +10 SM). Para quem ganha até 10 SM, o percentual de famílias com
dívidas caiu para 64,5% em set/14, ante 64,8% em ago/14 e 63,3% em set/14. Já
para as famílias com renda acima de 10 SM, o percentual daquelas endividadas
caiu para 56,2% em set/14, de 57,6% em ago/14 e atingiu 52,9% em set/13.
De acordo com a pesquisa, “a análise por faixa de
renda do percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas
contas em atraso mostrou comportamento semelhante entre os grupos pesquisados
em ambas as bases de comparação.” Na faixa de maior renda, o indicador atingiu
2,7% em set/14, ante 3% em ago/14 e 3,3% em set/13. Para até 10 SM, o
percentual de famílias sem condições de quitar suas dívidas caiu de 7,3% em
ago/14, para 6,7% no mês seguinte.
O número de famílias que se declaram muito
endividadas declinou de 11,8% em ago/14 para 11,5% no mês seguinte, ainda
inferior ao observado em ago/13 (12,4%). Para aquelas que se declaram mais ou
menos endividadas também diminuiu o percentual, passando de 24,8% em ago/14
para 24,3% em set/14, acima do observado em set/13 (23,3%). A proporção de
famílias que se declara pouco endividadas subiu para 27,3% em set/14, ante 27%
em ago/14 e acima do registrado em set/13 (25,8%).
Nos últimos meses o cartão de crédito tem sido
apontado como a principal modalidade de endividamento das famílias, atingindo
75,1% em set/14, ante 75,8% observado no mês anterior e 76,6% em jul/14. Esse
tipo de dívida mantém larga distância do segundo colocado, carnês de loja
(17,3%), seguido de financiamento de carro (14,1%), crédito pessoal (9,6%), financiamento
de casa (8,2%), cheque especial (5,8%), crédito consignado (4,7%), outras
dívidas (2,5%) e cheque pré-datado com 1,8%. Cabe observar, por oportuno, que
nos últimos meses essa ordem de classificação mantém-se inalterada.
O endividamento das famílias recuou em set/14, após
ter alcançado em agosto, o maior patamar do ano. Apesar da moderação observada
no consumo das famílias, o aumento de algumas modalidades de crédito, caso do
financiamento de imóveis, tem mantido o endividamento das famílias em níveis
elevados.
A pesquisa afirma que o cartão de crédito é
preferido por 75% das famílias endividadas, enquanto o consignado, que representa
menos de 20% do custo do rotativo, é utilizado por menos que 5% das endividadas.
Logo, o endividamento com cartão de crédito é uma escolha inoportuna, comprometendo
a capacidade de pagamento das famílias, cujos encargos pagos por atraso podem atingir
facilmente três dígitos ao ano.
Portanto, o pouco conhecimento em educação financeira,
dificulta a percepção das famílias quanto às escolhas de modalidades mais adequadas
e baratas de crédito.
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