quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM SETEMBRO
Consultor Régis Varão/¹

O percentual de endividamento das famílias brasileiras apresentou declínio em set/14 (63,1%) ante o mês anterior (63,6%), embora tenha registrado elevação quando comparada a set/13 (61,4%), segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O percentual de famílias endividadas nas modalidades cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 63,1% em set/14, caindo 0,5 p.p. ante o mês anterior.

Embora tenha havido queda no endividamento das famílias, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso manteve-se estável em 19,2% no período ago-set/14, e declinou quando comparado ao observado em set/13 (20,6%). O percentual de famílias que declarou sem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso, e continuam inadimplentes, caiu de 6,5% em ago/14, para 5,9% em set/14, tendo atingido 7% em set/13.

A redução do número de famílias endividadas em setembro, ante o mês anterior, foi presenciada em ambas as faixas de renda (até 10 SM e +10 SM). Para quem ganha até 10 SM, o percentual de famílias com dívidas caiu para 64,5% em set/14, ante 64,8% em ago/14 e 63,3% em set/14. Já para as famílias com renda acima de 10 SM, o percentual daquelas endividadas caiu para 56,2% em set/14, de 57,6% em ago/14 e atingiu 52,9% em set/13.

De acordo com a pesquisa, “a análise por faixa de renda do percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas em atraso mostrou comportamento semelhante entre os grupos pesquisados em ambas as bases de comparação.” Na faixa de maior renda, o indicador atingiu 2,7% em set/14, ante 3% em ago/14 e 3,3% em set/13. Para até 10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar suas dívidas caiu de 7,3% em ago/14, para 6,7% no mês seguinte.

O número de famílias que se declaram muito endividadas declinou de 11,8% em ago/14 para 11,5% no mês seguinte, ainda inferior ao observado em ago/13 (12,4%). Para aquelas que se declaram mais ou menos endividadas também diminuiu o percentual, passando de 24,8% em ago/14 para 24,3% em set/14, acima do observado em set/13 (23,3%). A proporção de famílias que se declara pouco endividadas subiu para 27,3% em set/14, ante 27% em ago/14 e acima do registrado em set/13 (25,8%).

Nos últimos meses o cartão de crédito tem sido apontado como a principal modalidade de endividamento das famílias, atingindo 75,1% em set/14, ante 75,8% observado no mês anterior e 76,6% em jul/14. Esse tipo de dívida mantém larga distância do segundo colocado, carnês de loja (17,3%), seguido de financiamento de carro (14,1%), crédito pessoal (9,6%), financiamento de casa (8,2%), cheque especial (5,8%), crédito consignado (4,7%), outras dívidas (2,5%) e cheque pré-datado com 1,8%. Cabe observar, por oportuno, que nos últimos meses essa ordem de classificação mantém-se inalterada.

O endividamento das famílias recuou em set/14, após ter alcançado em agosto, o maior patamar do ano. Apesar da moderação observada no consumo das famílias, o aumento de algumas modalidades de crédito, caso do financiamento de imóveis, tem mantido o endividamento das famílias em níveis elevados.

A pesquisa afirma que o cartão de crédito é preferido por 75% das famílias endividadas, enquanto o consignado, que representa menos de 20% do custo do rotativo, é utilizado por menos que 5% das endividadas. Logo, o endividamento com cartão de crédito é uma escolha inoportuna, comprometendo a capacidade de pagamento das famílias, cujos encargos pagos por atraso podem atingir facilmente três dígitos ao ano.

Portanto, o pouco conhecimento em educação financeira, dificulta a percepção das famílias quanto às escolhas de modalidades mais adequadas e baratas de crédito.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com larga experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Ver o site www.ravecofinancas.com.

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