DÉCIMO TERCEIRO: UM
IMPORTANTE ALIADO
Consultor
Régis Varão/¹
Muitos têm dificuldades para obter superávites
orçamentários mensais, até mesmo para equilibrar o orçamento,
sem precisar de recorrer aos aparentes benefícios do cartão de crédito ou do
cheque especial. Considerando que as taxas de juros estão elevadas e o poder
aquisitivo da população vem caindo nos últimos meses devido ao descontrole
inflacionário, a situação fica ainda pior, e o desafio aumenta
substancialmente.
Ao se aproximar do final do ano, a tentação
das lojas e as festividades de natal estimulam as pessoas a gastarem
mais, e aumentam as ofertas do setor bancário para que se antecipe o 13º
salário. A tentação é grande, afinal de contas, o dinheiro que se espera
receber pode ser antecipado e depositado em conta, sem muita burocracia, e na
hora que a gratificação natalina for creditada em conta, pela empresa, a dívida
será quitada. Duas perguntas: (a) Vale a pena antecipar o 13º que será
creditado em poucas semanas ou meses, e pagar caro por isso ? (b) Vale a pena
tomar um empréstimo a juros proibitivos para receber o que é seu de direito,
apenas por antecipá-lo algumas semanas ?
Se você estiver endividado no cartão
de crédito, pagando a fatura mínima, ou pendurado no cheque especial ou
ainda tenha adquirido um novo automóvel entre outras aquisições relativamente
caras, a resposta às duas perguntas é sim, vale a pena antecipar a gratificação
natalina. No entanto, não esqueça que estará pagando mais juros, que podem
atingir até 60% a.a. Acredito que não seja uma boa opção, assim, vamos discutir
outras possibilidades.
Se o endividamento da família estiver elevado, e a Pesquisa
de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) mostra isso, pode-se pensar em outras
alternativas para a utilização das parcelas da gratificação natalina.
Como o endividamento
das famílias vem crescendo nos últimos treze meses, em ago/14 atinge 64%,
segundo a PEIC, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), pode-se pensar em alternativas para a utilização
da gratificação natalina.
Segundo a PEIC, o forte do endividamento está
concentrado em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de
loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro, enquanto, o percentual
de famílias com contas ou dívidas em atraso atingiu 19,2% em ago/14, ante 21,8%
observado em ago/13.
De acordo com aquela pesquisa, para famílias com renda
até 10 Salários Mínimos (SM), o endividamento atinge cerca de 65% em ago/14,
enquanto, para famílias com renda acima de 10 SM, o percentual se aproxima a
58%. Nos últimos meses o cartão de crédito vem liderando como o principal tipo
de dívida das famílias brasileiras, e em ago/14 atinge cerca de 76%, seguido
de: dívida com carnês (17%), financiamento de carro (13,4%), crédito pessoal
(9,6%), financiamento de casa (7,3%), cheque especial (5,3%) e crédito
consignado (4,2%). A opção pelo cartão de crédito não poderia ser pior, tendo
em vista que essa modalidade pratica os juros mais elevados do mercado.
Para os consumidores em geral, estamos em um
período favorável para reduzir a pressão no nível de endividamento, que é o
período em que a folha de pagamento vem acrescida da primeira parcela do 13º
salário. Os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) receberam a primeira parcela junto com a folha de
pagamento de ago/14, valor superior a R$ 43 milhões, beneficiando mais de 27
milhões de aposentados e pensionistas. Uma vantagem adicional, essa parcela vem
sem
desconto de imposto de renda (IR), que será cobrado quando da liberação da
segunda parcela da gratificação natalina, folha de pagamento de nov/14.
A
gratificação natalina deve ser vista como uma fonte extra de renda que poderá
ser utilizada para compor uma reserva financeira, ou
fazer uma poupança etc. No entanto, se a família estiver endividada, o 13º
poderá dar uma grande ajuda ao liquidar débitos ou antecipar prestações de
empréstimos ou financiamentos.
No entanto, caso a família esteja endividada e
ainda não pratica a educação
financeira, listo algumas sugestões: anote todos os gastos, inclusive o
cafezinho e outras despesas de menor valor; após fazer as anotações
detalhadamente, verifique qual é o total das despesas e receitas mensais;
estabeleça prioridades, defina um objetivo com metas pré-estabelecidas, e siga
o planejado; evite supérfluos e compras por impulso; trabalhe um orçamento
pessoal, e crie categorias de despesas, como alimentação, saúde, moradia,
transporte, educação, lazer etc; estabeleça uma meta de poupança mensal, isto
é, retire antes de qualquer pagamento 10% do salário líquido e faça uma reserva
financeira; defina um prazo para conseguir atingir o objetivo desejado, com
metas a serem cumpridas; sempre que sair de casa evite promoções, a não ser que
esteja em seu planejamento; não saia com talão de cheques e cartão de crédito
ao mesmo tempo; fique atento ao valor das prestações, muitas vezes somos
iludidos pelo pequeno valor de uma, que se transformam em grandes valores
quando juntas, e dão muita dor de cabeça.
Portanto, se estiver com problemas financeiros, use
as parcelas do 13º salário para liquidar dívidas, e quebre a rotina dos últimos
anos, gaste menos no Natal, de preferência faça amigo oculto com familiares e
amigos. Se não estiver endividado, coloque parte da gratificação natalina em
uma aplicação financeira, e faça o dinheiro trabalhar para você.
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