quarta-feira, 10 de setembro de 2014

DÉCIMO TERCEIRO: UM IMPORTANTE ALIADO
Consultor Régis Varão/¹

Muitos têm dificuldades para obter superávites orçamentários mensais, até mesmo para equilibrar o orçamento, sem precisar de recorrer aos aparentes benefícios do cartão de crédito ou do cheque especial. Considerando que as taxas de juros estão elevadas e o poder aquisitivo da população vem caindo nos últimos meses devido ao descontrole inflacionário, a situação fica ainda pior, e o desafio aumenta substancialmente.

Ao se aproximar do final do ano, a tentação das lojas e as festividades de natal estimulam as pessoas a gastarem mais, e aumentam as ofertas do setor bancário para que se antecipe o 13º salário. A tentação é grande, afinal de contas, o dinheiro que se espera receber pode ser antecipado e depositado em conta, sem muita burocracia, e na hora que a gratificação natalina for creditada em conta, pela empresa, a dívida será quitada. Duas perguntas: (a) Vale a pena antecipar o 13º que será creditado em poucas semanas ou meses, e pagar caro por isso ? (b) Vale a pena tomar um empréstimo a juros proibitivos para receber o que é seu de direito, apenas por antecipá-lo algumas semanas ?

Se você estiver endividado no cartão de crédito, pagando a fatura mínima, ou pendurado no cheque especial ou ainda tenha adquirido um novo automóvel entre outras aquisições relativamente caras, a resposta às duas perguntas é sim, vale a pena antecipar a gratificação natalina. No entanto, não esqueça que estará pagando mais juros, que podem atingir até 60% a.a. Acredito que não seja uma boa opção, assim, vamos discutir outras possibilidades.

Se o endividamento da família estiver elevado, e a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) mostra isso, pode-se pensar em outras alternativas para a utilização das parcelas da gratificação natalina.

Como o endividamento das famílias vem crescendo nos últimos treze meses, em ago/14 atinge 64%, segundo a PEIC, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), pode-se pensar em alternativas para a utilização da gratificação natalina.

Segundo a PEIC, o forte do endividamento está concentrado em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro, enquanto, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso atingiu 19,2% em ago/14, ante 21,8% observado em ago/13.

De acordo com aquela pesquisa, para famílias com renda até 10 Salários Mínimos (SM), o endividamento atinge cerca de 65% em ago/14, enquanto, para famílias com renda acima de 10 SM, o percentual se aproxima a 58%. Nos últimos meses o cartão de crédito vem liderando como o principal tipo de dívida das famílias brasileiras, e em ago/14 atinge cerca de 76%, seguido de: dívida com carnês (17%), financiamento de carro (13,4%), crédito pessoal (9,6%), financiamento de casa (7,3%), cheque especial (5,3%) e crédito consignado (4,2%). A opção pelo cartão de crédito não poderia ser pior, tendo em vista que essa modalidade pratica os juros mais elevados do mercado.

Para os consumidores em geral, estamos em um período favorável para reduzir a pressão no nível de endividamento, que é o período em que a folha de pagamento vem acrescida da primeira parcela do 13º salário. Os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) receberam a primeira parcela junto com a folha de pagamento de ago/14, valor superior a R$ 43 milhões, beneficiando mais de 27 milhões de aposentados e pensionistas. Uma vantagem adicional, essa parcela vem sem desconto de imposto de renda (IR), que será cobrado quando da liberação da segunda parcela da gratificação natalina, folha de pagamento de nov/14.

A gratificação natalina deve ser vista como uma fonte extra de renda que poderá ser utilizada para compor uma reserva financeira, ou fazer uma poupança etc. No entanto, se a família estiver endividada, o 13º poderá dar uma grande ajuda ao liquidar débitos ou antecipar prestações de empréstimos ou financiamentos.

No entanto, caso a família esteja endividada e ainda não pratica a educação financeira, listo algumas sugestões: anote todos os gastos, inclusive o cafezinho e outras despesas de menor valor; após fazer as anotações detalhadamente, verifique qual é o total das despesas e receitas mensais; estabeleça prioridades, defina um objetivo com metas pré-estabelecidas, e siga o planejado; evite supérfluos e compras por impulso; trabalhe um orçamento pessoal, e crie categorias de despesas, como alimentação, saúde, moradia, transporte, educação, lazer etc; estabeleça uma meta de poupança mensal, isto é, retire antes de qualquer pagamento 10% do salário líquido e faça uma reserva financeira; defina um prazo para conseguir atingir o objetivo desejado, com metas a serem cumpridas; sempre que sair de casa evite promoções, a não ser que esteja em seu planejamento; não saia com talão de cheques e cartão de crédito ao mesmo tempo; fique atento ao valor das prestações, muitas vezes somos iludidos pelo pequeno valor de uma, que se transformam em grandes valores quando juntas, e dão muita dor de cabeça.

Portanto, se estiver com problemas financeiros, use as parcelas do 13º salário para liquidar dívidas, e quebre a rotina dos últimos anos, gaste menos no Natal, de preferência faça amigo oculto com familiares e amigos. Se não estiver endividado, coloque parte da gratificação natalina em uma aplicação financeira, e faça o dinheiro trabalhar para você.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

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