quarta-feira, 3 de setembro de 2014

PRODUÇÃO INDUSTRIAL DE JULHO
Consultor Régis Varão/¹

A produção industrial em jul/14 cresceu 0,7% ante o mês anterior, na série sem ajuste sazonal, interrompendo cinco meses consecutivos de declínio. Na série dessazonalizada, ante jul/13, a indústria indicou redução de 3,6% em jul/14, registrando o quinto decréscimo consecutivo nessa base de comparação. A atividade industrial acumulou queda de 2,8% no período jan-jul/14, reforçando o recuo de 2,6% registrado no primeiro semestre de 2014, segundo pesquisa mensal de produção industrial elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O desempenho positivo de 0,7% da produção industrial entre julho e julho teve influência positiva de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (+44,1%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (+8,5%), com o primeiro indicando a maior expansão desde o início da série histórica, e interrompendo quatro meses consecutivos de declínio (-38,1%); e o segundo reduzindo parte da perda de 18,1% acumulada entre maio e jun/14. Esses dois setores apresentaram quedas em jun/14 de 30,5% e de 13,5%, respectivamente, explicadas, em parte, por paralisações em várias unidades produtivas, por causa da diminuição nas jornadas de trabalho e de férias coletivas.

Outros segmentos que ajudaram no desempenho positivo da indústria em jul/14 foram: equipamentos de transporte (+31,3%), máquinas e equipamentos (+7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (+13,1%), outros produtos químicos (+2,4%), confecção de artigos de vestuário e acessórios (+8,6%), produtos farmacêuticos e farmoquímicos (+5%), produtos têxteis (+5,9%), produtos de minerais não-metálicos (+2,5%) e indústrias extrativas (+1,1%). Com exceção do último setor que apresentou crescimento pelo quinto mês consecutivo e acumulou expansão de 4,4% no período, as demais atividades registraram declínios em jun/14: -18,9%, -9,0%, -11,8%, -0,6%, -9,7%, -3,5%, -6,5% e -3,5%, respectivamente.

Com relação às grandes categorias econômicas, comparando jul/14 com jun/13, bens de consumo duráveis (+20,3%), registrou o crescimento mais forte em julho e interrompeu quatro meses seguidos de declínio, registrando queda de 30,9% no período. Os bens de capital com +16,7%, reverteu quatro meses seguidos de queda, com perda acumulada de 19,2% no período. Ainda na mesma base de comparação, jul/14 ante jul/13, a indústria apresentou queda de 3,6%. Maior influência negativa veio de veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuou 22,8%, pressionada em grande parte pelo decréscimo na fabricação de automóveis, caminhões, autopeças, reboques e semirreboques, carrocerias para ônibus e veículos para transporte de mercadorias. Outras participações negativas relevantes no total da indústria: produção de metalurgia (-9,0%), produtos de metal (-13,2%), máquinas e equipamentos (-7,9%), produtos de borracha e material plástico (-10,8%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-8,6%) e produtos alimentícios (-1,2%).

No acumulado jan-jul/14, ante mesmo período de 2013, a atividade industrial apresentou decréscimo de 2,8%. O principal impacto negativo foi observado em veículos automotores, reboques e carrocerias com -17,7%, pressionado, fortemente, pela redução na produção de cerca de 92% dos produtos pesquisados no setor, com destaque para os declínios em automóveis, caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, veículos para transporte de mercadorias e autopeças. Outras importantes contribuições negativas: produtos de metal (-10,8%), metalurgia (-5,6%), máquinas e equipamentos (-5,3%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-7,9%) e outros produtos químicos (-3,7%).

Portanto, o desempenho positivo observado na atividade industrial em julho deste ano, mostra um quadro de rápida melhora no ritmo produtivo, interrompendo uma sequência de quedas de cinco meses. No entanto, cabe ressaltar, que essa variação positiva em jul/14, recupera parte da perda de 3,5% verificada no acumulado entre fevereiro e junho, esperando-se que o fraco desempenho da atividade industrial não interfira ainda mais nas expectativas quanto ao fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Acessar www.ravecofinancas.com.

Nenhum comentário:

Postar um comentário