terça-feira, 2 de setembro de 2014

VANTAGENS E DESVANTAGENS DO CARTÃO DE CRÉDITO
Consultor Régis Varão/¹

Há algumas décadas, compras realizadas eram pagas com dinheiro em espécie, que era a única forma de pagamento. Com o passar dos anos, foram surgindo novas modalidades de liquidação de dívidas, e as pessoas foram se adaptando as facilidades oferecidas pelo sistema bancário, como cartão de débito, evoluindo depois para o cartão de crédito e outras formas sofisticadas de pagamento por meios eletrônicos.

Muito se fala a respeito das desvantagens do cartão de crédito, e pouco de suas inúmeras vantagens, quando utilizado com sabedoria e atenção. Além da praticidade e rapidez na hora da aquisição de bens e serviços, o cartão dá segurança ao portador, que não precisa de dinheiro em espécie ou cheques, e oferece benefícios como a possibilidade de pagar as aquisições à vista para serem pagas em até 40 dias, parcelar compras sem pagar juros, utilizá-lo para saques em caixas eletrônicos, além de contribuir para o acúmulo de milhas, que podem ser trocadas por passagens entre outros benefícios.

A utilização desse cartão pode causar surpresas desagradáveis aos consumidores que o utiliza inadequadamente, podendo levar ao descontrole financeiro, e ao endividamento, sem esquecer, no entanto, que três em cada 10 brasileiros já foram vítimas de fraudes e clonagens.

Quando o consumidor não liquida a fatura integral do cartão no vencimento, e posterga o pagamento do saldo devedor para o próximo mês, sobre este saldo incide elevada taxa de juros, que pode ultrapassar facilmente 200% a.a. É uma modalidade de crédito cara para o consumidor em atraso, sendo a mais elevada do mercado, ultrapassando aos juros cobrados no cheque especial. Para muitos, possuir vários cartões é sinônimo de status, e muitas vezes isso leva ao esquecimento do custo das anuidades. Maiores detalhes a respeito de taxas e dicas a respeito da utilização de cartão de crédito ver o site da Associação Brasileira de Cartões de Crédito-ABECS.

Entretanto, uma parcela razoável da população brasileira tem dificuldade para gerir seus recursos, por falta de conhecimento em educação financeira, planejamento financeiro, orçamento pessoal e familiar etc. A utilização do cartão leva as famílias a adiarem o pagamento da fatura integral no vencimento, gerando um grande problema.

Confirmando o exposto acima, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostra que nos últimos meses o cartão de crédito vem liderando, entre os consumidores, como o principal tipo de dívida, e atinge cerca de 76% das famílias endividadas em ago/14. Embora débitos com cartão de crédito tenham declinado naquele mês quando comparadas a jul/14 (76,6%), está distante dos carnês de loja com 17%, que ocupam o segundo lugar. A PEIC confirma a predileção das famílias endividadas pela modalidade cartão de crédito.

Para facilitar a vida financeira das pessoas, protegendo-os de desagradáveis notícias e noites mal dormidas, listamos algumas dicas quanto à utilização do cartão de crédito:

01. Programe-se financeiramente antes de fazer uma compra, e nunca esqueça que os gastos realizados precisam estar de acordo com o orçamento doméstico, assim, gaste menos do que ganha;

02. Coloque o cartão de crédito no débito em conta, e pague mensalmente o saldo integral da fatura. Evite pagar o valor mínimo, pois a incidência de juros no saldo devedor é o mais elevado do mercado, atingindo três dígitos;

03. Evite vários cartões, pois anuidades são caras. Algumas operadoras as dispensam, desde que solicitadas. Tenha um cartão com vencimento entre 5 e 10 dias após o recebimento do salário etc. Uma pessoa organizada pode ter até dois cartões de bandeiras e vencimentos diferentes, o que permite trabalhar melhor com os prazos;

04. Os bancos são generosos na concessão de limites, logo, negocie um adequado para seu padrão de renda. Concentre-se nos benefícios do cartão e não em suas cores (black, infinite, diamante etc);

05. Se o consumidor não é financeiramente organizado, recomenda-se um limite de crédito no máximo de 25% dos rendimentos líquidos. Se não tem problema financeiro, por precaução, não permita que seus gastos ultrapassem 40% de sua renda líquida mensal;

06. Informe-se qual a melhor data da compra, pois aquisições realizadas próximas ao vencimento podem ir para a fatura do próximo mês, o que gera folga orçamentária;

07. Se na fatura tiver um valor de uma compra desconhecida, reclame imediatamente na administradora antes de quitá-la, e se estiver em débito automático, verifique antes da data do débito;

08. Ao sair de casa com o cartão de crédito não leve junto o talão de cheques, leve um ou outro;

09. O valor do crédito disponível no cartão não é seu, logo, mantenha sempre dinheiro suficiente para quitá-lo. Se o saldo devedor está elevado, evite usar o cartão e renegocie a dívida o quanto antes;

10. Cuidado com compras parceladas, muitos consumidores perdem a exata noção do valor agregado das parcelas, e quando percebem já estão endividados;

11. Não empreste, nem tome emprestado cartão de crédito, e nunca faça compras para terceiros com seu cartão, pois poderá ter grandes aborrecimentos;

12. Evite usar o cartão de crédito quando viajar para fora do Brasil, pois o IOF sobre compras está muito elevado (6,38%), não esquecendo que ainda tem a conversão da taxa de câmbio.

Como podemos observar, o cartão de crédito é prático e muito útil para os que o usam com parcimônia. Facilita a vida do consumidor livrando-o de carregar dinheiro em espécie, além de possibilitar o adiamento do pagamento da fatura. Por outro lado, quando mal utilizado, pode endividá-lo, constrangê-lo e até mesmo se transformar em grande dor de cabeça.

Portanto, mantenha o controle do cartão de crédito, com pagamento integral da fatura, com compras planejadas e dentro do orçamento pessoal, ele pode ser um importante aliado e útil instrumento de consumo, um facilitador do dia-a-dia do consumidor, ajudando a resolver imprevistos, e até o planejamento financeiro pessoal e familiar.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Originalmente, este artigo foi publicado no “Jornal Brasília Notícias”, de ago/14. Site www.ravecofinancas.com.

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