sexta-feira, 12 de setembro de 2014

PESQUISA MENSAL DE COMÉRCIO DE JULHO
Consultor Régis Varão/¹

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada em 11.9.14, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), produz indicadores que permitem acompanhar o desempenho do comércio varejista e de seus principais segmentos. A pesquisa trabalha com uma amostra de cerca de seis mil empresas com vinte ou mais pessoas ocupadas, e abrange dez grupos de atividades.

Em jul/14, o comércio varejista apresentou declínios de 1,1% no volume de vendas e 0,7% na receita nominal, ante o mês anterior, com ajuste sazonal. Quanto ao volume de vendas, o resultado não é observado desde out/08, quando o declínio atingiu 1,1%. Com relação à receita nominal, julho é o segundo mês consecutivo de taxa negativa, após dois anos de crescimento.

Quanto ao comércio varejista ampliado, que contempla o varejo e as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, volta a apresentar crescimento tanto no volume de vendas com 0,8%, quanto para a receita nominal com 1,9%, ambas em relação à jun/14, com ajuste sazonal. Em relação à jul/13, registrou declínios de 4,9% para o volume de vendas e de 1,1% na receita nominal. Nas taxas acumuladas, houve queda de 0,6% no ano e de 1,1% nos últimos 12 meses, para o volume de vendas, e de 5,0% e 6,7% para a receita, respectivamente.

Em relação a jun/14, com ajuste sazonal, 60% das atividades registraram incrementos nas vendas, conforme segue: Veículos e motos, partes e peças (4,3%); Material de construção (3,8%); Livros, jornais, revistas e papelaria (2,1%); Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (0,9%); Combustíveis e lubrificantes (0,8%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,0%); Tecidos, vestuário e calçados (-0,1%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,4%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,3%); e Móveis e eletrodomésticos (-4,1%).

Já na comparação de jul/14 ante jul/13, sem ajuste sazonal, duas atividades apresentaram crescimentos. Em ordem de importância: Móveis e eletrodomésticos (-9,2%); Tecidos, vestuário e calçados (-4,4%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,1%); Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-8,5%); Livros, jornais, revistas e papelaria (-12,4%); Combustíveis e lubrificante (-0,4%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (6,1%); e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (5,9%).

Dos 27 estados, 14 registraram crescimento na comparação jul/14 ante jul/13. Os destaques: Acre (13,2%), Roraima (10,1%), Amapá (7,5%), Alagoas e Rondônia, com 4,7%. Quanto à participação na composição do comércio varejista, temos: Bahia (2,7%); Rio Grande do Sul (1,7%); Rio de Janeiro (0,9%); Ceará (2,4%); e Alagoas, com 4,7%. Já no varejo ampliado, 7 unidades da federação registraram incremento ante jul/13. Os melhores desempenhos, quanto ao volume de vendas: Acre (15,1%); Rondônia (9,6%); Roraima (9,0%); Tocantins (6,6%) e Pará (2,6%). Ainda por estado, os resultados jun/14, com ajuste sazonal, para o volume de vendas, apontam três estados com crescimento: Amapá com 2,2%; Tocantins com 1,5%; e Rio Grande do Sul com 0,5%.

Portanto, o desempenho do varejo em jul/14 reflete, em parte, o cenário desanimador verificado na economia brasileira nos últimos meses. A quantidade de feriados gerados pela Copa do Mundo, o crescente nível de endividamento das famílias, o aumento da inflação e consequente perda de poder aquisitivo da população pode estar pressionando negativamente o setor varejista, conforme apresenta semanalmente o Boletim Focus do Banco Central.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do BACEN. Site www.ravecofinancas.com.

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