quinta-feira, 30 de julho de 2015

POEMA EM LINHA RETA
Régis Varão/¹

O atual momento econômico e político brasileiro tem deixado a população e todos os que pagam tributos em dia preocupados e até aterrorizados, e a maioria envergonhados com tamanha incompetência e irresponsabilidade daqueles que deveriam proteger e tratar com respeito o bem público e não utilizá-lo como barganha para fins privados.

Os meios de comunicação, jornais, revistas, blogues e afins, tem-nos brindado vinte quatro horas por dia com uma quantidade imensa de relatos tenebrosos, crimes diversos e a maioria incursos no Código Penal e/ou Código Civil, corrupção desenfreada em todas as esferas públicas, saindo dos municípios, passando pelos estados e chegando a esfera federal, e tudo parece ser normal, seguindo um padrão já esperado e até aceito por uma pequena parte da sociedade.

Pensando nisso e acompanhando o desempenho magnífico pela TV e jornais, dos malfeitores de colarinho branco, injustiçados ou perseguidos, lembrei-me de presentear meus leitores com o interessante, atualíssimo e oportuno Poema em Linha Reta, do escritor português Fernando Pessoa (1888-1935), nascido em Lisboa. Se Pessoa estivesse vivo, assim diria: o Brasil está cheio de “príncipes,” que nunca tiveram um ato ridículo, e que nunca foram senão “príncipes.”

Poema em linha reta
Fernando Pessoa

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os ter amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.”

Portanto, o poema de Fernando Pessoa, representa muito bem parte dos gestores públicos, e mais ainda, nas entre linhas deixa explícito ao bom entendedor, o descalabro porque passam os brasileiros honestos e bem intencionados, que pagam suas obrigações de tributos a carnês de lojas em dia e acreditam em um Brasil melhor, mais justo, mais limpo e menos hipócrita.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 28 de julho de 2015

MERCADO MAIS PESSIMISTA
Régis Varão/¹

As estimativas divulgadas no Boletim Focus do Banco Central (BCB), de 24.7.15, para os principais indicadores macroeconômicos apresentaram alterações para 2015 na maioria das variáveis pesquisados, exceção para a produção industrial e saldo da balança comercial. A pesquisa é semanal, considera informações de cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, e não reflete posicionamento do BCB:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 24.7.15 elevou de 9,15% para 9,23%, em uma semana, a expectativa do índice para 2015, ante 9% observada há quatro semanas, enquanto o boletim de 25.7.14 elevou de 6,12% para 6,21%, na mesma base de comparação, a estimativa do índice para este ano. Em doze meses um incremento de 3,02 p.p. nas estimativas do IPCA para 2015. Para 2016, o Focus divulgado ontem mantém a projeção do índice em 5,40%, frente a 5,50% observada há trinta dias;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim de 24.7.15 corrigiu para 7,69% a projeção do índice para 2015, de 7,64% da semana anterior e 7,37% há quatro semanas, enquanto o de 25.7.14 eleva para 5,52% a expectativa para este ano. Assim como o IPCA (+3,02 p.p.), o IGP-DI (+2,17 p.p.) apresenta deterioração nas estimativas nos últimos doze meses. O Focus de 24.7.15 continua projetando variação de 5,50% para 2016, valor mantido nas últimas 51 semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 24.7.15 eleva a projeção da taxa de câmbio para R$/U$3,25, de R$/U$3,23 verificada na semana anterior, para o final deste ano, enquanto a pesquisa de 25.7.14 mantém em R$/U$2,50. Para o final de 2016, a pesquisa divulgada ontem pelo BCB, mantém o câmbio em R$/U$3,40, valor observado nas últimas três semanas;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa de 24.7.15 reduz para 14,25% a.a. a expectativa dos juros para o final de 2015, ante 14,50% a.a. observada nas últimas três semanas, enquanto o boletim de 25.7.14 mantém em 12% a.a., nas últimas nove semanas. Para 2016, a pesquisa divulgada nesta segunda-feira mantém a expectativa do mercado em 12% a.a.;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 24.7.15 reduz para -1,76%, o crescimento do PIB para 2015, ante -1,70% registrado no boletim anterior e -1,49% há quatro semanas, enquanto o Focus de 25.7.14 estima variação positiva de 1,50%. Com relação a 2016, o boletim divulgado ontem reduz para +0,20% o crescimento do PIB, ante +0,33% divulgado na semana anterior e +0,50 há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana mantém em -5% o decréscimo da indústria para 2015, frente igual valor observado há sete dias e -4% há quatro semanas, enquanto o boletim de 25.7.14 projeta variação positiva de 1,70%. Para o próximo ano, a pesquisa de 24.7.15 reduz o crescimento da indústria para +1,30%, de +1,50% observado no boletim anterior;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 24.7.15 manteve inalterado o superávit da balança comercial em U$6,40 bilhões para este ano, ante U$4 bi registrados há quatro semanas, enquanto o boletim de 25.7.14 reduz a projeção do superávit para U$9,40 bilhões. Para 2016, o Focus divulgado ontem eleva o superávit para U$14,89 bilhões, ante U$ 14 bi da semana anterior e U$ 12 bi observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira reduz a estimativa do IED para U$65,70 bilhões em 2015, de U$66,25 bi da semana anterior e U$65,70 bi há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 25.7.14 projeta U$55 bi. O boletim desta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas nove semanas.

Portanto, o mercado vem corrigindo semanalmente suas estimativas, tendo em vista o pessimismo quanto ao comportamento da economia brasileira para os próximos doze meses, associado às dificuldades na aprovação do ajuste fiscal proposto pela equipe econômica.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 25 de julho de 2015

CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO INDUSTRIAL EM QUEDA
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) é uma pesquisa mensal divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice é elaborado a partir de uma amostra de 2.951 empresas: 1.159 pequenas, 1.116 médias e 676 grandes. O ICEI e seus componentes variam no intervalo 0 a 100 pontos, enquanto os valores superiores a 50 indicam expectativa otimista, os inferiores a 50 pontos, maior e mais disseminada é a falta de confiança.

Após três meses sem apresentar declínio, a confiança do empresário industrial voltou a cair. O ICEI de jul/15 atingiu 37,2 pontos, 1,7 pontos menor que o registrado no mês anterior. Com a queda, o índice voltou ao menor patamar da série histórica, 0,3 pontos abaixo do registrado em mar/15 (37,5 pontos), o recorde anterior. O índice encontra-se 9,2 pontos abaixo do registrado em julho de 2014 (46,4) e 18,7 pontos abaixo de sua média histórica.

Componentes do ICEI:

(a) Índice de Condições Atuais (ICA): o ICA caiu 2 pontos no período jun-jul/15, para 27,6 pontos (julho), o mais baixo da série. As avaliações das condições atuais tanto da empresa como da economia brasileira continuam negativas. O índice referente à economia brasileira voltou a situar-se abaixo de 20 pontos, enquanto o relativo à própria empresa recuou para o novo piso da série histórica;

(b) Índice de Expectativas (IE): o IE recuou 1,6 ponto em jul/15, ficando em 42,0 pontos, o que demonstra pessimismo quanto aos próximos seis meses. O pessimismo cresceu tanto com relação à economia brasileira como em relação à própria empresa, cujo índice atingiu o menor valor da série.

Os empresários por porte de empresa, região geográfica, segmento e setor industrial, iniciam o segundo semestre deste ano com queda do nível de confiança, o que é confirmado em parte, pelas estimativas que vem sendo realizadas pelo mercado (Boletim Focus).

Nos últimos dois meses finalizados em jul/15, houve queda na confiança para a maioria dos cortes da pesquisa, com poucas exceções. Quanto ao porte as empresas, enquanto empresários de pequenas e médias empresas mostraram elevação da falta de confiança, esta se manteve estável entre os empresários das grandes empresas. Com relação à região geográfica, houve queda na confiança em todas as regiões, exceto na região Norte do País, cujo índice oscilou dentro da margem de erro (queda de 0,7 ponto). Por outro lado, o maior decréscimo foi observado na região Sul com -2,8 pontos.

Portanto, o nível de confiança do empresariado industrial brasileiro vem caindo ao longo dos últimos meses, e essa percepção vem se disseminando pelo ambiente industrial no primeiro semestre de 2015.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central. Visite o site www.ravecofinancas.com.
INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS CAI EM JULHO
Régis Varão/¹

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) calculado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), é um indicador antecedente que objetiva antecipar o potencial de vendas do comércio, e afere, com precisão, a avaliação que os consumidores fazem dos aspectos: capacidade de consumo atual e de curto prazo, nível de renda doméstico, condições de crédito, segurança no emprego e qualidade de consumo presente e futuro.

Os resultados do ICF podem ser avaliados considerando o grau de satisfação e insatisfação dos consumidores. É uma análise mensal feita com 18 mil questionários, e mostra os indicadores de compra a prazo, nível de consumo atual, perspectiva de consumo e momento para duráveis. Um ICF abaixo de 100 pontos indica percepção de insatisfação, enquanto acima, com limite de 200 pontos, indica o grau de satisfação com seu emprego, renda e capacidade de consumo.

O ICF apresentou decréscimo de 5,3% (86,9 pontos) em julho deste ano e -27,9% ante jul/14, e permanece abaixo de 100 pontos, isto é, continua inferior à zona de indiferença, indicando uma percepção de insatisfação com a atual situação econômica do País. O nível de confiança das famílias com renda abaixo de 10 salários mínimos (SM) mostrou queda de 5,1% na comparação mensal, enquanto as com renda acima de 10 SM também apresentaram declínio de 6,5%. O índice das famílias mais ricas está em 85,1 pontos, e o das demais, em 87,4 pontos.

Na mesma base de comparação, os dados regionais mostraram que a maior redução ocorreu no Centro-Oeste (7,9%), em que o índice permanece inferior a 100 pontos, em conjunto com todas as regiões, com exceção da Nordeste, que atingiu 104,5 pontos. A avaliação menos desfavorável ocorreu na Norte, com alta de 0,2%.

Quanto ao mercado de trabalho, em jul/15, o componente Emprego Atual (EA) apresentou decréscimos de 2,9% em relação a junho e 13,5% na comparação com jul/14. O percentual de famílias que se sentem mais segura em relação ao EA, quesito vem caindo a cada mês e no mês anterior registrava 36,4%, é de 35,2%. As regiões Centro-Oeste com 131,7 pontos, Nordeste com 119,5 e Norte com 117,9 têm as famílias mais confiantes em relação ao EA, com variações mensais de -3,9%, -1,1% e 0,2%, na ordem respectiva. Por outro lado, as regiões Sul (115,9) e Sudeste (101,8) registraram menor nível de confiança. O índice geral e os regionais ainda estão acima da zona de indiferença (100 pontos).

Com relação ao Nível de Consumo Atual foram registrados declínios de 4,4% em relação a jun/15 e 32,5% frente a jul/14. A maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o de 2014. O índice está em 67,2 pontos, abaixo do nível de indiferença.

O alto custo do crédito e o elevado nível de endividamento permanecem como os principais fatores do enfraquecimento na intenção de compras a prazo. O item Acesso ao Crédito registrou quedas mensais e anuais, de 7% e 34,4%, respectivamente, atingindo 85 pontos, o menor nível da série.

O item Momento para Duráveis apresentou declínio de 8,4% em jul/15, ante o mês anterior. Em relação a 2014 o componente recuou 43,4%. A taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas e divulgada pelo Banco Central, está em um patamar elevado. A taxa estava em 56,13% a.a. na divulgação referente a abril, e em mai/15 registrou 57,27%, maior valor da série. A maior parte das famílias em jul/15 (66%), ante 62,9% em junho considera o momento atual desfavorável para aquisição de bens duráveis.

Por corte de renda, as famílias com renda até 10 salários mínimos (SM) declinaram 8,7% no quesito Momento para Duráveis na comparação mensal, e as com renda acima de 10 SM, apresentaram também queda de 7,1%. Regionalmente, esse indicador variou de 80,5 pontos na região Sul a 48,5 pontos no Norte.

As famílias mostraram piora nas perspectivas em relação ao mercado de trabalho na comparação mensal, queda de 3,6%. Em relação a jul/14 o componente registrou recuo de 12%. A maior parte das famílias (48% ante 49,3% em junho) ainda considera positivo o cenário para os próximos seis meses, mas esse indicador vem caindo a cada mês. O índice ficou em 103,7, um nível ainda favorável de satisfação.

O item Perspectiva de Consumo apresentou queda de 8,5% em relação a jun/15. Na comparação anual o índice apresentou recuo de 39,7%, com 75,9 pontos. Na comparação mensal, as famílias com renda até 10 SM mostraram queda de 7,8%, e aquelas com renda acima de 10 SM, redução de 12,3%.

As regiões Nordeste (104,1 pontos) e Norte com 98,1 lideram o ranking regional de otimismo em relação ao consumo. Analisando as condições atuais e as perspectivas futuras da economia doméstica, a expectativa da CNC é que o volume de vendas do varejo apresente caia 1,1% em 2015.

Portanto, as famílias têm optado pelo cartão de crédito, o que é uma escolha ruim, tendo em vista os elevados encargos pagos por atrasos etc. A desinformação e a falta de conhecimento de fundamentos de economia e de finanças pessoais, tem levado o brasileiro a escolher as piores opções para endividarem-se, caindo sempre nas mesmas armadilhas financeiras.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

AUMENTAM AS DÍVIDAS EM ATRASO DAS FAMÍLIAS
Régis Varão/¹

A participação percentual de famílias endividadas em jul/15 registrou declínio tanto na comparação mensal como em relação a igual mês do ano anterior, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) com cerca de 18 mil consumidores e realizada nas capitais do País.

O percentual de famílias endividadas com cartão de crédito, carnê de loja, cheque especial, cheque pré-datado, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros atingiu 61,9% em jul/15, praticamente o mesmo patamar observado no mês anterior (62%), mas inferior ao percentual registrado em jul/14 com 63%.

Apesar do declínio do endividamento, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso atingiu 21,5% em jul/15, de 21,3% no mês anterior e 18,9% em jul/14. O percentual de famílias que continuavam inadimplentes, isto é, declararam sem condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso, apresentou incremento ao passar de 6,6% em jul/14, para 7,9% em jun/15 e 8,1% no mês seguinte.

A redução do número de famílias endividadas no período jun-jul/15 foi verificada apenas entre as famílias com renda até 10 Salários Mínimos (SM), embora na comparação anual, as duas faixas de renda (até 10 SM e acima de 10 SM) apresentaram declínio. As famílias com renda até 10 SM, o percentual daquelas com dívidas atingiu 63,3% em jul/15, de 63,5% em jun/15 e 64,3% em jul/14. Já com renda superior a 10 SM o percentual de endividamento decresceu de 57% em jul/14, para 55,2% em jun/15 e 55,4% em jul/15.

O percentual de famílias com contas em atraso apresentou comportamento distinto nas duas faixas de renda pesquisadas. Na faixa até 10 SM ficou em 24,1% em jul/15, ante 23,8% no mês anterior e 20,9% em jul/14. Na faixa superior a 10 SM, o percentual de inadimplentes atingiu 9,8% em jul/15, ante 10,4% no mês anterior e 9,5% em jul/14.

As famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas em atraso apresentaram os seguintes comportamentos por faixa de renda: até 10 SM o percentual de famílias com contas em atraso atingiu 9,1% em jun/15 e subiu para 9,5% em jul/15; e na faixa acima de 10 SM o indicador de inadimplência alcançou 2,8% em jul/15, de 3,1% no mês anterior e 2,7% em jul/14.

O percentual de famílias que se declararam muito endividadas passou de 11,9% em jul/14, para 12,5% em jun/15 e 12,9% em jul/15. As famílias que declararam estarem mais ou menos endividadas decresceram de 24,5% em jul/14 para 23,2% em jun/15 e chegou a 23,3% no mês seguinte. A proporção de famílias que se declaram pouco endividadas caiu de 26,6% em jun/14, para 26,2% em jun/15 25,7% no mês seguinte. As famílias que se declararam sem dívidas nas categorias citadas apresentaram o seguinte comportamento: 36,5% em jul/14, 37,8% em jun/15 e 37,9% em jul/15. As famílias que não sabem informar a respeito de suas dívidas, o percentual ficou estável em 0,2% nos meses jun-jul/15.

O cartão de crédito continua apontado como o principal tipo de dívida por 77,4% das famílias endividadas. Na ordem de preferência, o segundo tipo de dívida são os carnês de lojas com 16,3%, em terceiro lugar o financiamento de carro (13,5%), seguido por crédito pessoal com 8,6%, financiamento de casa (7,9%), cheque especial (6,9%), crédito consignado (4,6%) e cheque pré-datado com 1,7%, enquanto os que têm outras dívidas atingiram 2,4% e não sabem ou não responderam totalizam 0,3%. Entre as famílias com renda até dez salários mínimos, a preferência fica com o cartão de crédito que atinge 77,9%, seguido por carnês de loja com 17,7% e financiamento de carro com 10,6%. Na faixa acima de 10 SM, continua a preferência pelo cartão de crédito (74,7%), seguido de financiamento de carro com 27,7% e financiamento de casa (17,2%).

Pelo segundo período consecutivo (junho e jul/15), o percentual de famílias endividadas decresceu, devido em parte ao crescimento moderado do crédito em relação a 2014. Segundo o relatório da CNC, “mais uma vez houve alta do percentual de famílias que relataram endividamento elevado na comparação anual. As condições menos favoráveis de contratação de novos empréstimos e de renegociação de dívida, somadas ao recuo dos rendimentos dos trabalhadores, têm levado a uma piora na percepção das famílias em relação ao endividamento.”

Portanto, o aumento do desemprego, inflação em alta, juros crescentes, queda da renda do trabalhador e crédito mais caro, têm pressionado para cima os índices de inadimplência das famílias.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

PESSIMISMO DO MERCADO CONTINUA ELEVADO
Régis Varão/¹

As previsões apresentadas no Boletim Focus de 17.7.15, do Banco Central (BCB), para os principais indicadores macroeconômicos apresentaram alterações para 2015 em grande parte dos índices pesquisados, exceto para o câmbio, juros e produção industrial que permanecem estáveis ante os valores verificados na semana anterior. A pesquisa é semanal, considera informações fornecidas por cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, e não reflete posicionamento do BCB:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 17.7.15 elevou de 9,12% para 9,15%, em uma semana, a expectativa do índice para 2015, ante 8,97% observada há quatro semanas, enquanto o boletim de 18.7.14 corrige para 6,12% a estimativa do índice para aquele ano. Em doze meses um incremento de 3,03 p.p. nas estimativas do IPCA para 2015. Para 2016, o Focus divulgado hoje reduz a projeção do índice para 5,40% (-0,04 p.p.), frente a 5,50% há trinta dias, na comparação semanal;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim de 17.7.15 corrigiu para 7,64% a projeção do índice para 2015, de 7,51% da semana anterior e 7,31% há trinta dias, enquanto o de 18.7.14 mantém em 5,50% a variação para este ano. Assim como o IPCA (+3,03 p.p.), o IGP-DI (+2,14 p.p.) apresenta deterioração nas estimativas nos últimos doze meses. O Focus de 17.7.15 continua projetando variação de 5,50% para 2016, valor mantido nos últimos 50 meses;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 17.7.15 mantém a projeção da taxa de câmbio em R$/U$3,23 para o final de 2015, enquanto a pesquisa de 18.7.14 mantém em R$/U$2,50. Para o final de 2016, a pesquisa divulgada hoje mantém o câmbio em R$/U$3,40, valor observado nas últimas semanas;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa de 17.7.15 mantém em 14,50% a.a. a expectativa dos juros para o final deste ano, ante mesmo valor observado na semana anterior e 14,25% a.a. verificado há trinta dias, enquanto o boletim de 18.7.14 mantém em 12% a.a. Para 2016, a pesquisa divulgada esta semana reduz a estimativa dos juros para 12% a.a., de 12,25% a.a. observada na semana anterior;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 17.7.15 corrige para baixo o desempenho do PIB para 2015 em -1,70%, ante -1,50% do boletim anterior e -1,45% há quatro semanas, enquanto o Focus de 18.7.14 estima variação positiva de 1,50%. Com relação a 2016, o boletim divulgado hoje reduz para +0,33% o crescimento do PIB, ante +0,50% da semana anterior e +0,70 há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana mantém em -5% o decréscimo da indústria para 2015, frente a mesmo valor observado há sete dias e -3,10% há quatro semanas, enquanto o boletim de 18.7.14 projeta variação positiva de 1,70%. Para o próximo ano, a pesquisa de 17.7.15 corrige para +1,50% a expectativa de crescimento da indústria, de +1,40% da semana anterior e +1,50% há quatro semanas;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 17.7.15 corrigiu para U$6,40 bilhões o superávit da balança comercial para este ano, de U$5,50 bi registrados na semana anterior e U$3,10 bilhões há quatro semanas, enquanto o boletim de 18.7.14 estima superávit de U$9,80 bilhões. Para 2016, o Focus divulgado hoje eleva o superávit para U$14 bilhões, ante U$ 13 bi da semana anterior e U$ 11 bi observados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira eleva a projeção do IED para U$66,25 bilhões em 2015, de U$66 bi da semana anterior e U$66,50 bi há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 18.7.14 projeta U$55 bi. O boletim desta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas oito semanas.

Portanto, as correções realizadas em algumas das mais importantes variáveis macroeconômicas, como índices de preços e PIB, decorrem em grande parte do mau desempenho da economia brasileira nos últimos meses e das dificuldades enfrentadas pelo governo na aprovação do ajuste fiscal.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 18 de julho de 2015

AUMENTAM AS DEMISSÕES NA INDÚSTRIA
Régis Varão/¹

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES) realizada e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 17.7.15, investiga em cerca de 5.500 indústrias, as seguintes variáveis: pessoal ocupado assalariado, admissões, desligamentos, número de horas pagas e valor da folha de pagamento em termos nominais (valores correntes) e reais (deflacionados pelo IPCA).

Em mai/15, o total do pessoal ocupado assalariado na atividade industrial nacional apresentou declínio de 1% frente ao mês imediatamente anterior, na série sem ajustes sazonais, quinta taxa negativa consecutiva, acumulando no período perda de 3,1%. Cabe observar que o decréscimo registrado em mai/15 foi o maior desde fev/09 quando caiu 1,3%. Com os resultados, o índice de média móvel trimestral apontou variação negativa de 0,8% no período mar-mai/15, ante o patamar observado no mês anterior e manteve a trajetória descendente iniciada em abr/13.

Na comparação com mai/14, o emprego industrial mostrou queda de 5,8% em mai/15, 44º resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação e o mais forte desde set/09 com -6,1%. No acumulado jan-mai/15, o total do pessoal ocupado registrou queda de 5%, ritmo de queda mais brando do que o observado no período jan-mar/15 (-4,6%), ambas as comparações ante mesmos períodos de 2014. A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, ao recuar 4,4% em mai/15, manteve a trajetória descendente iniciada em set/13 com -1%.

Comparando mai/15 com igual período de 2014, o contingente de trabalhadores apontou redução em 17 dos 18 ramos pesquisados, com destaque para: máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações com -12,9%, meios de transporte com -11%, produtos de metal (-10,6%), outros produtos da indústria de transformação (-9,6%), calçados e couro com -7,6%, vestuário (-7,5%), máquinas e equipamentos com -7,2%, refino de petróleo e produção de álcool com -7%, metalurgia básica (-6,6%), indústrias extrativas com -5,2%, papel e gráfica (-3,3%), alimentos e bebidas (-3,2%), produtos têxteis com -2,9% e minerais não-metálicos com -2,4%. O único resultado positivo em mai/15 foi verificado no setor de produtos químicos (+0,2%).

No acumulado jan-mai/15, o emprego industrial mostrou queda de 5%, com taxas negativas nos 18 setores pesquisados. As contribuições negativas mais relevantes ficaram com: máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-12,2%), produtos de metal (-9,9%), meios de transporte com -9,5%, outros produtos da indústria de transformação (-8,6%), calçados e couro (-7,4%), refino de petróleo e produção de álcool com -6,8%, metalurgia básica (-6,4%), máquinas e equipamentos (-5,8%), vestuário (-5,1%), indústrias extrativas (-4,4%), papel e gráfica com -3,1%, produtos têxteis (-2,7%) e alimentos e bebidas com -2,1%.

Com relação ao total do pessoal ocupado assalariado e o número de horas pagas na indústria, enquanto o primeiro registrou o quinto resultado negativo consecutivo, o segundo registrou declínio mais intensa desde jan/09. Cabe observar que tais resultados refletem, especialmente, a redução de ritmo da produção industrial desde o trimestre out-dez/13, com queda de 9,7% desde out/13. Nesse mesmo período, o total do pessoal ocupado e o número de horas pagas apresentaram decréscimos: de -7,3% e de -8,2%, respectivamente. O desempenho do índice de média móvel trimestral confirma esse quadro de menor intensidade do mercado de trabalho da indústria, já que esse indicador continuou com desempenho praticamente negativo desde o período jan-jun/13.

Em mai/15, o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria, com ajuste sazonal, mostrou queda de 3,7% frente a abr/15, segunda taxa negativa consecutiva, acumulando no período redução de 4,6%. Vale observar que o recuo registrado em maio foi o mais forte desde jan/13 (-5,3%). No índice de mai/15, verifica-se a influência negativa tanto do setor extrativo (-6,0%), acentuando a queda de 3,5% registrada em abri/15, como da indústria de transformação (-2,6%), que permaneceu caindo pelo quinto mês consecutivo. Com tais resultados, o índice de média móvel trimestral para o total da indústria recuou 1,5% no período mar-mai/15 frente o patamar do mês anterior e continua em trajetória descendente desde fevereiro deste ano.

Na comparação com maio de 2014, o valor da folha de pagamento real mostrou decréscimo de 9,7% em mai/15, com resultados negativos em dezessete dos dezoito ramos investigados, com destaque para: indústrias extrativas (-30,6%), refino de petróleo e produção de álcool (-29,4%), meios de transporte (-15,1%), metalurgia básica (-12%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-11,6), calçados e couro (-10,2%), produtos de metal (-10,1%), outros produtos da indústria de transformação (-8,1%), máquinas e equipamentos (-5,9%), alimentos e bebidas (-5,8%), borracha e plástico (-4,0%) e papel e gráfica (-2,6%). Destaque para os resultados negativos mais acentuados das extrativas e de refino de petróleo e produção de álcool que foram explicados pela elevada base de comparação, já que avançaram, respectivamente, 8,8% e 10,5% em mai/14, influenciados em grande parte pelo pagamento de participação nos lucros e resultados em importante empresa desses setores. A atividade de produtos químicos, com variação de +0,1%, assinalou a única influência positiva em mai/15.

Já no acumulado jan-mai/15, o valor da folha de pagamento real caiu 5,9%, com taxas negativas nas 18 atividades pesquisadas, pressionado, principalmente, pelas quedas de: meios de transporte (-10,6%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-10,6%), refino de petróleo e produção de álcool (-10,6%), indústrias extrativas (-10,5%), produtos de metal (-10,3%), calçados e couro (-9,7%), metalurgia básica (-8,4%), outros produtos da indústria de transformação (-7,2%), máquinas e equipamentos (-4,1%), borracha e plástico (-2,9%), alimentos e bebidas (-2,6%) e papel e gráfica (-2,0%).

Portanto, muito preocupante a quantidade de trabalhadores que perdeu o emprego nos últimos meses, e em especial em maio deste ano (-1%), que apresentou o maior declínio desde fev/09 (-1,3%). Um quadro desanimador se instalou na indústria nacional, que também reduziu a quantidade de horas trabalhadas e o valor da folha de pagamento no quinto mês deste ano. O País atravessa um período de grandes dificuldades e aumento do pessimismo por parte dos principais agentes econômicos, o que pode ser verificado nas expectativas realizadas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicas, e divulgadas semanalmente no Boletim Focus do Banco Central (BCB).

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.