CAI O ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM JUNHO
Régis Varão/¹
O percentual de famílias com dívidas entre
cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja,
empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros atingiu 62% em jun/15, 0,4
p.p. abaixo do observado em mai/15 e -0,5 p.p. frente a jun/14, segundo a
Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), com dados coletados em todas as capitais do País,
contemplando cerca de 18 mil consumidores.
Apesar do declínio do percentual de famílias
endividadas no período mai-jun/15, a proporção das famílias com dívidas ou contas
em atraso subiu em jun/15 para 21,3%, ante 21,1% em mai/15 e 19,8% em jun/14.
Quanto às famílias que se declararam sem condições de pagar suas dívidas,
também foram observadas elevações nas duas bases de comparações, chegando a
7,9% em jun/15, ante 7,4% no mês anterior e 6,6% em jun/14.
Entre as famílias com contas ou dívidas em atraso o
tempo médio de atraso foi de 59,6 dias em jun/15, ante 60,8 dias de jun/14.
Segundo o relatório da CNC, “O tempo médio de comprometimento com dívidas entre
as famílias endividadas foi de 7,1 meses, sendo que 25,5% estão comprometidas
com dívidas até três meses, e 33,1%, por mais de um ano. Ainda entre as
famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas
aumentou na comparação anual, passando de 30,3% para 30,5%; e 22,9% delas
afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de
dívidas.”
O declínio do número de famílias endividadas entre
maio e jun/15 foi observado nas duas faixas de renda, até 10 salários mínimos
(SM) e superior a 10 SM, bem como na comparação anual. As famílias que ganham
até 10 SM, o percentual do endividamento atingiu 63,5% em jun/15, ante 63,7% do
mês anterior e 63,9% em jun/14. Já o grupo com renda acima de 10 SM o
percentual de endividamento caiu de 56,2% em mai/15, para 55,2% no mês
seguinte, enquanto em jun/14 o percentual de endividadas no grupo >10 SM era
55,8%.
O percentual de famílias que se declararam muito
endividadas manteve-se estável no período mai-jun/15 com 12,5%, embora tenha
atingido 11,9% em jun/14. A proporção de famílias que declararam estarem mais ou menos
endividadas passou de 23% em mai/15, para 23,2% no mês seguinte, embora tenha chegado a 23,4%
em jun/14. A proporção de famílias que se declaram pouco endividadas caiu de
26,9% em maio para 26,2% em jun/15, ante 27,3% observado em junho do ano
anterior. Famílias que se declararam sem dívidas nas categorias citadas
apresentaram o seguinte comportamento: 37% em jun/14, 37,3% em mai/15 e 37,8% no
mês seguinte. As famílias que não sabem informar a respeito de suas dívidas, o
percentual ficou estável entre maio e jun/15 (0,2%).
Em junho deste ano, o cartão de crédito é apontado como o principal tipo
de dívida por 77,2% das famílias endividadas. Na ordem de preferência, o
segundo tipo de dívida são os carnês de lojas com 16,3%, em terceiro lugar vem o financiamento
de carro com 13,4%, seguido por crédito pessoal com 8,9%, financiamento de casa (7,8%),
cheque especial (6,9%), crédito consignado (4,7%) e cheque pré-datado com 1,6%,
enquanto os que têm outras dívidas (2,5%) e não sabem ou não responderam
totalizam 0,4%. De acordo com a PEIC, “Entre as famílias com renda até
dez salários mínimos, cartão de crédito, por 78,3%, carnês, por 17,5%, e
financiamento de carro, por 10,4% são os principais tipos de dívida apontados.”
Nos últimos meses, essa ordem de preferência manteve-se inalterada, ficando a
liderança com o cartão de crédito, ainda muito distante dos demais.
Embora tenha havido redução do número de famílias
com dívidas, a proporção de famílias endividadas com contas/dívidas em atraso subiu em
jun/15 pela quarta vez consecutiva, registrando o maior índice desde out/13.
Por outro lado, houve piora na percepção das famílias endividadas em relação à
capacidade de pagamento, e o percentual de famílias sem condições de pagar
suas contas em atraso apresentou o maior patamar desde out/11.
Portanto, os problemas por que passam a economia
brasileira, com aumento do desemprego, inflação e juros, têm contribuído para pressionar
negativamente a renda do trabalhador, pressionando para cima os índices de
inadimplência das famílias.
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