AUMENTAM AS DÍVIDAS EM ATRASO DAS FAMÍLIAS
Régis Varão/¹
A participação percentual de famílias endividadas em
jul/15 registrou declínio tanto na comparação mensal como em relação a igual
mês do ano anterior, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e
Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo (CNC) com cerca
de 18 mil consumidores e realizada nas capitais do País.
O percentual de famílias endividadas com cartão de
crédito, carnê de loja, cheque especial, cheque pré-datado, empréstimo pessoal,
prestação de carro e seguros atingiu 61,9% em jul/15, praticamente o mesmo
patamar observado no mês anterior (62%), mas inferior ao percentual registrado
em jul/14 com 63%.
Apesar do declínio do endividamento, o percentual
de famílias com dívidas ou contas em atraso atingiu 21,5% em jul/15, de 21,3% no
mês anterior e 18,9% em jul/14. O percentual de famílias que continuavam
inadimplentes, isto é, declararam sem condições de pagar suas contas ou dívidas
em atraso, apresentou incremento ao passar de 6,6% em jul/14, para 7,9% em
jun/15 e 8,1% no mês seguinte.
A redução do número de famílias endividadas no
período jun-jul/15 foi verificada apenas entre as famílias com renda até 10 Salários
Mínimos (SM), embora na comparação anual, as duas faixas de renda (até 10 SM e
acima de 10 SM) apresentaram declínio. As famílias com renda até 10 SM, o
percentual daquelas com dívidas atingiu 63,3% em jul/15, de 63,5% em jun/15 e
64,3% em jul/14. Já com renda superior a 10 SM o percentual de endividamento decresceu
de 57% em jul/14, para 55,2% em jun/15 e 55,4% em jul/15.
O percentual de famílias com contas em atraso
apresentou comportamento distinto nas duas faixas de renda pesquisadas. Na
faixa até 10 SM ficou em 24,1% em jul/15, ante 23,8% no mês anterior e 20,9% em
jul/14. Na faixa superior a 10 SM, o percentual de inadimplentes atingiu 9,8%
em jul/15, ante 10,4% no mês anterior e 9,5% em jul/14.
As famílias que declararam não ter condições de
pagar suas contas em atraso apresentaram os seguintes comportamentos por faixa
de renda: até 10 SM o percentual de famílias com contas em atraso atingiu 9,1%
em jun/15 e subiu para 9,5% em jul/15; e na faixa acima de 10 SM o indicador de
inadimplência alcançou 2,8% em jul/15, de 3,1% no mês anterior e 2,7% em
jul/14.
O percentual de famílias que se declararam muito
endividadas passou de 11,9% em jul/14, para 12,5% em jun/15 e 12,9% em jul/15.
As famílias que declararam estarem mais ou menos endividadas decresceram de 24,5%
em jul/14 para 23,2% em jun/15 e chegou a 23,3% no mês seguinte. A proporção de
famílias que se declaram pouco endividadas caiu de 26,6% em jun/14, para 26,2% em
jun/15 25,7% no mês seguinte. As famílias que se declararam sem dívidas nas
categorias citadas apresentaram o seguinte comportamento: 36,5% em jul/14, 37,8%
em jun/15 e 37,9% em jul/15. As famílias que não sabem informar a respeito de
suas dívidas, o percentual ficou estável em 0,2% nos meses jun-jul/15.
O cartão de crédito continua apontado como o
principal tipo de dívida por 77,4% das famílias endividadas. Na ordem de
preferência, o segundo tipo de dívida são os carnês de lojas com 16,3%, em
terceiro lugar o financiamento de carro (13,5%), seguido por crédito pessoal com
8,6%, financiamento de casa (7,9%), cheque especial (6,9%), crédito consignado
(4,6%) e cheque pré-datado com 1,7%, enquanto os que têm outras dívidas atingiram
2,4% e não sabem ou não responderam totalizam 0,3%. Entre as famílias com renda
até dez salários mínimos, a preferência fica com o cartão de crédito que atinge
77,9%, seguido por carnês de loja com 17,7% e financiamento de carro com 10,6%.
Na faixa acima de 10 SM, continua a preferência pelo cartão de crédito (74,7%),
seguido de financiamento de carro com 27,7% e financiamento de casa (17,2%).
Pelo segundo período consecutivo (junho e jul/15),
o percentual de famílias endividadas decresceu, devido em parte ao crescimento
moderado do crédito em relação a 2014. Segundo o relatório da CNC, “mais uma
vez houve alta do percentual de famílias que relataram endividamento elevado na
comparação anual. As condições menos favoráveis de contratação de novos
empréstimos e de renegociação de dívida, somadas ao recuo dos rendimentos dos
trabalhadores, têm levado a uma piora na percepção das famílias em relação ao
endividamento.”
Portanto, o aumento do desemprego, inflação em
alta, juros crescentes, queda da renda do trabalhador e crédito mais caro, têm pressionado
para cima os índices de inadimplência das famílias.
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