sábado, 18 de julho de 2015

AUMENTAM AS DEMISSÕES NA INDÚSTRIA
Régis Varão/¹

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES) realizada e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 17.7.15, investiga em cerca de 5.500 indústrias, as seguintes variáveis: pessoal ocupado assalariado, admissões, desligamentos, número de horas pagas e valor da folha de pagamento em termos nominais (valores correntes) e reais (deflacionados pelo IPCA).

Em mai/15, o total do pessoal ocupado assalariado na atividade industrial nacional apresentou declínio de 1% frente ao mês imediatamente anterior, na série sem ajustes sazonais, quinta taxa negativa consecutiva, acumulando no período perda de 3,1%. Cabe observar que o decréscimo registrado em mai/15 foi o maior desde fev/09 quando caiu 1,3%. Com os resultados, o índice de média móvel trimestral apontou variação negativa de 0,8% no período mar-mai/15, ante o patamar observado no mês anterior e manteve a trajetória descendente iniciada em abr/13.

Na comparação com mai/14, o emprego industrial mostrou queda de 5,8% em mai/15, 44º resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação e o mais forte desde set/09 com -6,1%. No acumulado jan-mai/15, o total do pessoal ocupado registrou queda de 5%, ritmo de queda mais brando do que o observado no período jan-mar/15 (-4,6%), ambas as comparações ante mesmos períodos de 2014. A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, ao recuar 4,4% em mai/15, manteve a trajetória descendente iniciada em set/13 com -1%.

Comparando mai/15 com igual período de 2014, o contingente de trabalhadores apontou redução em 17 dos 18 ramos pesquisados, com destaque para: máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações com -12,9%, meios de transporte com -11%, produtos de metal (-10,6%), outros produtos da indústria de transformação (-9,6%), calçados e couro com -7,6%, vestuário (-7,5%), máquinas e equipamentos com -7,2%, refino de petróleo e produção de álcool com -7%, metalurgia básica (-6,6%), indústrias extrativas com -5,2%, papel e gráfica (-3,3%), alimentos e bebidas (-3,2%), produtos têxteis com -2,9% e minerais não-metálicos com -2,4%. O único resultado positivo em mai/15 foi verificado no setor de produtos químicos (+0,2%).

No acumulado jan-mai/15, o emprego industrial mostrou queda de 5%, com taxas negativas nos 18 setores pesquisados. As contribuições negativas mais relevantes ficaram com: máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-12,2%), produtos de metal (-9,9%), meios de transporte com -9,5%, outros produtos da indústria de transformação (-8,6%), calçados e couro (-7,4%), refino de petróleo e produção de álcool com -6,8%, metalurgia básica (-6,4%), máquinas e equipamentos (-5,8%), vestuário (-5,1%), indústrias extrativas (-4,4%), papel e gráfica com -3,1%, produtos têxteis (-2,7%) e alimentos e bebidas com -2,1%.

Com relação ao total do pessoal ocupado assalariado e o número de horas pagas na indústria, enquanto o primeiro registrou o quinto resultado negativo consecutivo, o segundo registrou declínio mais intensa desde jan/09. Cabe observar que tais resultados refletem, especialmente, a redução de ritmo da produção industrial desde o trimestre out-dez/13, com queda de 9,7% desde out/13. Nesse mesmo período, o total do pessoal ocupado e o número de horas pagas apresentaram decréscimos: de -7,3% e de -8,2%, respectivamente. O desempenho do índice de média móvel trimestral confirma esse quadro de menor intensidade do mercado de trabalho da indústria, já que esse indicador continuou com desempenho praticamente negativo desde o período jan-jun/13.

Em mai/15, o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria, com ajuste sazonal, mostrou queda de 3,7% frente a abr/15, segunda taxa negativa consecutiva, acumulando no período redução de 4,6%. Vale observar que o recuo registrado em maio foi o mais forte desde jan/13 (-5,3%). No índice de mai/15, verifica-se a influência negativa tanto do setor extrativo (-6,0%), acentuando a queda de 3,5% registrada em abri/15, como da indústria de transformação (-2,6%), que permaneceu caindo pelo quinto mês consecutivo. Com tais resultados, o índice de média móvel trimestral para o total da indústria recuou 1,5% no período mar-mai/15 frente o patamar do mês anterior e continua em trajetória descendente desde fevereiro deste ano.

Na comparação com maio de 2014, o valor da folha de pagamento real mostrou decréscimo de 9,7% em mai/15, com resultados negativos em dezessete dos dezoito ramos investigados, com destaque para: indústrias extrativas (-30,6%), refino de petróleo e produção de álcool (-29,4%), meios de transporte (-15,1%), metalurgia básica (-12%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-11,6), calçados e couro (-10,2%), produtos de metal (-10,1%), outros produtos da indústria de transformação (-8,1%), máquinas e equipamentos (-5,9%), alimentos e bebidas (-5,8%), borracha e plástico (-4,0%) e papel e gráfica (-2,6%). Destaque para os resultados negativos mais acentuados das extrativas e de refino de petróleo e produção de álcool que foram explicados pela elevada base de comparação, já que avançaram, respectivamente, 8,8% e 10,5% em mai/14, influenciados em grande parte pelo pagamento de participação nos lucros e resultados em importante empresa desses setores. A atividade de produtos químicos, com variação de +0,1%, assinalou a única influência positiva em mai/15.

Já no acumulado jan-mai/15, o valor da folha de pagamento real caiu 5,9%, com taxas negativas nas 18 atividades pesquisadas, pressionado, principalmente, pelas quedas de: meios de transporte (-10,6%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-10,6%), refino de petróleo e produção de álcool (-10,6%), indústrias extrativas (-10,5%), produtos de metal (-10,3%), calçados e couro (-9,7%), metalurgia básica (-8,4%), outros produtos da indústria de transformação (-7,2%), máquinas e equipamentos (-4,1%), borracha e plástico (-2,9%), alimentos e bebidas (-2,6%) e papel e gráfica (-2,0%).

Portanto, muito preocupante a quantidade de trabalhadores que perdeu o emprego nos últimos meses, e em especial em maio deste ano (-1%), que apresentou o maior declínio desde fev/09 (-1,3%). Um quadro desanimador se instalou na indústria nacional, que também reduziu a quantidade de horas trabalhadas e o valor da folha de pagamento no quinto mês deste ano. O País atravessa um período de grandes dificuldades e aumento do pessimismo por parte dos principais agentes econômicos, o que pode ser verificado nas expectativas realizadas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicas, e divulgadas semanalmente no Boletim Focus do Banco Central (BCB).

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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