AUMENTAM AS DEMISSÕES
NA INDÚSTRIA
Régis Varão/¹
A Pesquisa Industrial
Mensal de Emprego e Salário (PIMES) realizada e divulgada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 17.7.15, investiga em cerca de 5.500 indústrias,
as seguintes variáveis: pessoal ocupado assalariado, admissões, desligamentos,
número de horas pagas e valor da folha de pagamento em termos nominais (valores
correntes) e reais (deflacionados pelo IPCA).
Em mai/15, o total
do pessoal ocupado assalariado na atividade industrial nacional apresentou declínio
de 1% frente ao mês imediatamente anterior, na série sem ajustes sazonais,
quinta taxa negativa consecutiva, acumulando no período perda de 3,1%. Cabe
observar que o decréscimo registrado em mai/15 foi o maior desde fev/09 quando
caiu 1,3%. Com os resultados, o índice de média móvel trimestral apontou
variação negativa de 0,8% no período mar-mai/15, ante o patamar observado no mês
anterior e manteve a trajetória descendente iniciada em abr/13.
Na comparação com
mai/14, o emprego industrial mostrou queda de 5,8% em mai/15, 44º resultado
negativo consecutivo nesse tipo de comparação e o mais forte desde set/09 com -6,1%.
No acumulado jan-mai/15, o total do pessoal ocupado registrou queda de 5%,
ritmo de queda mais brando do que o observado no período jan-mar/15 (-4,6%),
ambas as comparações ante mesmos períodos de 2014. A taxa anualizada, índice acumulado
nos últimos doze meses, ao recuar 4,4% em mai/15, manteve a trajetória
descendente iniciada em set/13 com -1%.
Comparando mai/15
com igual período de 2014, o contingente de trabalhadores apontou redução em 17
dos 18 ramos pesquisados, com destaque para: máquinas e aparelhos eletroeletrônicos
e de comunicações com -12,9%, meios de transporte com -11%, produtos de metal
(-10,6%), outros produtos da indústria de transformação (-9,6%), calçados e couro
com -7,6%, vestuário (-7,5%), máquinas e equipamentos com -7,2%, refino de petróleo
e produção de álcool com -7%, metalurgia básica (-6,6%), indústrias extrativas com
-5,2%, papel e gráfica (-3,3%), alimentos e bebidas (-3,2%), produtos têxteis com
-2,9% e minerais não-metálicos com -2,4%. O único resultado positivo em mai/15
foi verificado no setor de produtos químicos (+0,2%).
No acumulado jan-mai/15,
o emprego industrial mostrou queda de 5%, com taxas negativas nos 18 setores pesquisados.
As contribuições negativas mais relevantes ficaram com: máquinas e aparelhos eletroeletrônicos
e de comunicações (-12,2%), produtos de metal (-9,9%), meios de transporte com -9,5%,
outros produtos da indústria de transformação (-8,6%), calçados e couro
(-7,4%), refino de petróleo e produção de álcool com -6,8%, metalurgia básica
(-6,4%), máquinas e equipamentos (-5,8%), vestuário (-5,1%), indústrias
extrativas (-4,4%), papel e gráfica com -3,1%, produtos têxteis (-2,7%) e alimentos
e bebidas com -2,1%.
Com relação ao
total do pessoal ocupado assalariado e o número de horas pagas na indústria,
enquanto o primeiro registrou o quinto resultado negativo consecutivo, o
segundo registrou declínio mais intensa desde jan/09. Cabe observar que tais
resultados refletem, especialmente, a redução de ritmo da produção industrial
desde o trimestre out-dez/13, com queda de 9,7% desde out/13. Nesse mesmo
período, o total do pessoal ocupado e o número de horas pagas apresentaram decréscimos:
de -7,3% e de -8,2%, respectivamente. O desempenho do índice de média móvel
trimestral confirma esse quadro de menor intensidade do mercado de trabalho da
indústria, já que esse indicador continuou com desempenho praticamente negativo
desde o período jan-jun/13.
Em mai/15, o valor
da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria, com ajuste sazonal,
mostrou queda de 3,7% frente a abr/15, segunda taxa negativa consecutiva,
acumulando no período redução de 4,6%. Vale observar que o recuo registrado em
maio foi o mais forte desde jan/13 (-5,3%). No índice de mai/15, verifica-se a
influência negativa tanto do setor extrativo (-6,0%), acentuando a queda de
3,5% registrada em abri/15, como da indústria de transformação (-2,6%), que
permaneceu caindo pelo quinto mês consecutivo. Com tais resultados, o índice de
média móvel trimestral para o total da indústria recuou 1,5% no período
mar-mai/15 frente o patamar do mês anterior e continua em trajetória descendente
desde fevereiro deste ano.
Na comparação com maio
de 2014, o valor da folha de pagamento real mostrou decréscimo de 9,7% em mai/15,
com resultados negativos em dezessete dos dezoito ramos investigados, com
destaque para: indústrias extrativas (-30,6%), refino de petróleo e produção de
álcool (-29,4%), meios de transporte (-15,1%), metalurgia básica (-12%), máquinas
e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-11,6), calçados e couro
(-10,2%), produtos de metal (-10,1%), outros produtos da indústria de
transformação (-8,1%), máquinas e equipamentos (-5,9%), alimentos e bebidas
(-5,8%), borracha e plástico (-4,0%) e papel e gráfica (-2,6%). Destaque para
os resultados negativos mais acentuados das extrativas e de refino de petróleo
e produção de álcool que foram explicados pela elevada base de comparação, já
que avançaram, respectivamente, 8,8% e 10,5% em mai/14, influenciados em grande
parte pelo pagamento de participação nos lucros e resultados em importante
empresa desses setores. A atividade de produtos químicos, com variação de +0,1%,
assinalou a única influência positiva em mai/15.
Já no acumulado
jan-mai/15, o valor da folha de pagamento real caiu 5,9%, com taxas negativas
nas 18 atividades pesquisadas, pressionado, principalmente, pelas quedas de: meios
de transporte (-10,6%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de
comunicações (-10,6%), refino de petróleo e produção de álcool (-10,6%), indústrias
extrativas (-10,5%), produtos de metal (-10,3%), calçados e couro (-9,7%), metalurgia
básica (-8,4%), outros produtos da indústria de transformação (-7,2%), máquinas
e equipamentos (-4,1%), borracha e plástico (-2,9%), alimentos e bebidas
(-2,6%) e papel e gráfica (-2,0%).
Portanto, muito
preocupante a quantidade de trabalhadores que perdeu o emprego nos últimos
meses, e em especial em maio deste ano (-1%), que apresentou o maior declínio desde
fev/09 (-1,3%). Um quadro desanimador se instalou na indústria nacional, que
também reduziu a quantidade de horas trabalhadas e o valor da folha de
pagamento no quinto mês deste ano. O País atravessa um período de grandes
dificuldades e aumento do pessimismo por parte dos principais agentes
econômicos, o que pode ser verificado nas expectativas realizadas pelo mercado
para as principais variáveis macroeconômicas, e divulgadas semanalmente no Boletim Focus do Banco Central (BCB).
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