MERCADO CONTINUA
PESSIMISTA
Régis
Varão/¹
As estimativas do Boletim Focus de 3.7.15, do Banco Central (BCB), para as
principais variáveis macroeconômicos apresentaram alterações para este ano na grande
maioria dos indicadores pesquisados, exceção para a Taxa Selic, que permanece estável
quando comparada ao valor da semana anterior. O Focus divulga pesquisa realizada
semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais,
não refletindo qualquer posicionamento do BCB quanto aos números divulgados:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 3.7.15 elevou para 9,04% a expectativa do índice para
2015, ante 9% observada na semana anterior e 8,46% há quatro semanas, enquanto a
pesquisa de 4.7.14 mantém o IPCA estável em 6,10%, para
aquele ano. Em doze meses uma elevação de 2,94 p.p. nas estimativas do índice
para 2015. Para 2016, o boletim de 3.7.15 reduz a projeção para 5,45%, de 5,50%
observado nas semanas anteriores;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa divulgada hoje corrigiu para 7,42% a projeção do índice para
este ano, de 7,37% verificada há uma semana e 7,05% há trinta dias, enquanto o boletim
de 4.7.14 mantém 5,50%
para 2015. Assim como o IPCA (+2,94 p.p.), o IGP-DI (+1,92 p.p.) também
apresentou deterioração das expectativas do mercado nos últimos doze meses. O boletim
de 3.7.15 continua projetando variação de 5,50% para 2016, valor mantido
inalterado nos últimos 48 meses;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de
3.7.15 corrige a projeção
da taxa de câmbio para R$/U$3,22 para o final de 2015, enquanto a pesquisa de 4.7.14
estima R$/U$2,50. O Focus divulgado hoje corrige o câmbio para R$/U$3,40, de
R$/U$3,37 registrado na semana anterior, para o final de 2016;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 3.7.15, divulgado
hoje, mantém estável em 14,50% a.a. a projeção da Taxa Selic para o final deste
ano, ante igual valor observado na semana anterior e 14% a.a. verificado há
trinta dias, enquanto o boletim de 4.7.14 mantém em 12% a.a. As correções
realizadas na Taxa Selic, nos últimos meses, têm levado o mercado a corrigir
para cima as expectativas dos juros para o final de 2015, o que é péssimo para os
tomadores de crédito. A pesquisa divulgada hoje eleva para 12,06% a.a., de 12%
a.a. da semana anterior, os juros para o final de 2016;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 3.7.15 continua corrigindo
para baixo, -1,50%, o desempenho do PIB para 2015, ante declínio de 1,49% observado
na semana anterior e queda de 1,30% há quatro semanas, enquanto o boletim de
4.7.14 estima alta de 1,50%. Com relação a 2016, o boletim divulgado hoje mantém
inalterado em +0,50% o crescimento do PIB. O mau desempenho do PIB no primeiro
trimestre deste ano, associado ao crescimento do desemprego, dos juros, do câmbio
e da inflação pode pressionar negativamente as expectativas do mercado a serem
divulgadas nas próximas pesquisas do Boletim Focus;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de
hoje corrigiu para -4,72% o decréscimo do setor industrial para 2015, ante -4% verificado
há sete dias e -3,20% há quatro semanas, enquanto o boletim de 4.7.14 projeta variação
positiva de 2,10%. Para 2016, a pesquisa desta semana corrige para baixo a
expectativa de crescimento da indústria para +1,35%, de +1,50% da semana
anterior e igual valor observado há trinta dias;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de
3.7.15 corrigiu para U$5 bilhões o superávit
da balança comercial para este ano, de U$4 bi registrados na semana anterior e U$3,10
bilhões há trinta dias, enquanto o boletim de 4.7.14 estima superávit de U$9,90
bilhões. Para o próximo ano, o Focus divulgado hoje eleva o superávit para U$12,40
bilhões, ante U$ 12 bi da semana anterior e U$ 10 bi observado há quatro
semanas;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa Focus divulgada hoje eleva a projeção do IED (U$67 bilhões) para
2015, de U$65,70 bi registrados na semana anterior e U$67,50 bilhões observados
há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 4.7.14 projeta U$55 bi. O boletim
desta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado
nas últimas seis semanas.
Portanto, o aumento dos juros, do desemprego, da
inflação e da insatisfação da base parlamentar, associados ao isolamento da
presidente Dilma (entrevista do ministro do STF Marco Aurélio, ao Correio
Braziliense de 5.7.15), devem elevar o pessimismo dos agentes econômicos e da
população em geral, com reflexos negativos nas expectativas do mercado para os
próximos meses.
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