segunda-feira, 6 de julho de 2015

MERCADO CONTINUA PESSIMISTA
Régis Varão/¹

As estimativas do Boletim Focus de 3.7.15, do Banco Central (BCB), para as principais variáveis macroeconômicos apresentaram alterações para este ano na grande maioria dos indicadores pesquisados, exceção para a Taxa Selic, que permanece estável quando comparada ao valor da semana anterior. O Focus divulga pesquisa realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, não refletindo qualquer posicionamento do BCB quanto aos números divulgados:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 3.7.15 elevou para 9,04% a expectativa do índice para 2015, ante 9% observada na semana anterior e 8,46% há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 4.7.14 mantém o IPCA estável em 6,10%, para aquele ano. Em doze meses uma elevação de 2,94 p.p. nas estimativas do índice para 2015. Para 2016, o boletim de 3.7.15 reduz a projeção para 5,45%, de 5,50% observado nas semanas anteriores;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa divulgada hoje corrigiu para 7,42% a projeção do índice para este ano, de 7,37% verificada há uma semana e 7,05% há trinta dias, enquanto o boletim de 4.7.14 mantém 5,50% para 2015. Assim como o IPCA (+2,94 p.p.), o IGP-DI (+1,92 p.p.) também apresentou deterioração das expectativas do mercado nos últimos doze meses. O boletim de 3.7.15 continua projetando variação de 5,50% para 2016, valor mantido inalterado nos últimos 48 meses;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 3.7.15 corrige a projeção da taxa de câmbio para R$/U$3,22 para o final de 2015, enquanto a pesquisa de 4.7.14 estima R$/U$2,50. O Focus divulgado hoje corrige o câmbio para R$/U$3,40, de R$/U$3,37 registrado na semana anterior, para o final de 2016;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 3.7.15, divulgado hoje, mantém estável em 14,50% a.a. a projeção da Taxa Selic para o final deste ano, ante igual valor observado na semana anterior e 14% a.a. verificado há trinta dias, enquanto o boletim de 4.7.14 mantém em 12% a.a. As correções realizadas na Taxa Selic, nos últimos meses, têm levado o mercado a corrigir para cima as expectativas dos juros para o final de 2015, o que é péssimo para os tomadores de crédito. A pesquisa divulgada hoje eleva para 12,06% a.a., de 12% a.a. da semana anterior, os juros para o final de 2016;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 3.7.15 continua corrigindo para baixo, -1,50%, o desempenho do PIB para 2015, ante declínio de 1,49% observado na semana anterior e queda de 1,30% há quatro semanas, enquanto o boletim de 4.7.14 estima alta de 1,50%. Com relação a 2016, o boletim divulgado hoje mantém inalterado em +0,50% o crescimento do PIB. O mau desempenho do PIB no primeiro trimestre deste ano, associado ao crescimento do desemprego, dos juros, do câmbio e da inflação pode pressionar negativamente as expectativas do mercado a serem divulgadas nas próximas pesquisas do Boletim Focus;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de hoje corrigiu para -4,72% o decréscimo do setor industrial para 2015, ante -4% verificado há sete dias e -3,20% há quatro semanas, enquanto o boletim de 4.7.14 projeta variação positiva de 2,10%. Para 2016, a pesquisa desta semana corrige para baixo a expectativa de crescimento da indústria para +1,35%, de +1,50% da semana anterior e igual valor observado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 3.7.15   corrigiu para U$5 bilhões o superávit da balança comercial para este ano, de U$4 bi registrados na semana anterior e U$3,10 bilhões há trinta dias, enquanto o boletim de 4.7.14 estima superávit de U$9,90 bilhões. Para o próximo ano, o Focus divulgado hoje eleva o superávit para U$12,40 bilhões, ante U$ 12 bi da semana anterior e U$ 10 bi observado há quatro semanas;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa Focus divulgada hoje eleva a projeção do IED (U$67 bilhões) para 2015, de U$65,70 bi registrados na semana anterior e U$67,50 bilhões observados há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 4.7.14 projeta U$55 bi. O boletim desta semana mantém a estimativa de IED em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas seis semanas.

Portanto, o aumento dos juros, do desemprego, da inflação e da insatisfação da base parlamentar, associados ao isolamento da presidente Dilma (entrevista do ministro do STF Marco Aurélio, ao Correio Braziliense de 5.7.15), devem elevar o pessimismo dos agentes econômicos e da população em geral, com reflexos negativos nas expectativas do mercado para os próximos meses.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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