VENDAS DO COMÉRCIO
VAREJISTA CAEM EM MAIO
Régis Varão/¹
A Pesquisa Mensal
de Comércio (PMC) realizada e divulgada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 14.7.15,
produz indicadores do comércio varejista
que permitem acompanhar o desempenho do setor e de seus principais segmentos. A
pesquisa trabalha uma amostra com cerca de 5.700 empresas com vinte ou mais
pessoas ocupadas, abrange dez grupos de atividades e está distribuída nas 27
Unidades da Federação.
Em mai/15, o Comércio
Varejista brasileiro apresentou variação negativa de 0,9% no volume de vendas
com relação ao mês anterior, ajustada sazonalmente, registrando o quarto mês
consecutivo de declínio, e caiu 4,5% ante mai/14, acumulando variações de -2,0%
no ano e de -0,5% em 12 meses. Para os mesmos indicadores, a receita nominal de
vendas apresentou variação de 1,9%, 4,1% e de 5,7%, respectivamente.
Com relação ao Comércio
Varejista Ampliado, inclui o varejo e as atividades de veículos, motos, partes
e peças e de material de construção, maio de 2015 permaneceu em queda frente ao
mês anterior com -1,8%, o sexto resultado consecutivo negativo, na série com ajuste
sazonal. Em relação à mai/14, foram registradas variações de -10,4% para o
volume de vendas e -4,2% na receita nominal de vendas. Nos resultados
acumulados, as taxas foram -7% no ano e -5% nos últimos 12 meses, para o volume
de vendas, e -1,1% e 0,8% para a receita nominal, respectivamente.
No quinto mês deste ano, sete
das dez atividades pesquisadas registraram variações negativas para o volume de
vendas, na relação mensal com ajuste sazonal. Comportamento das taxas: combustíveis
e lubrificantes (-0,1%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de
perfumaria e cosméticos (-0,4%); hipermercados, supermercados, produtos
alimentícios, bebidas e fumo (-1,1%); livros, jornais/revistas e papelaria (-2,1%);
móveis e eletrodomésticos (-2,1%); material de construção (-3,8%); e veículos e
motos, partes e peças com -4,6%. As atividades que apresentaram resultados
positivos: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+5,5%);
tecidos, vestuário e calçados (+2,7%); e outros artigos de uso pessoal e
doméstico com +1,7%.
Na comparação mai/15,
ante mai/14, uma queda de 4,5%, sem ajuste sazonal, no volume de vendas, cinco das
oito atividades pesquisadas registraram decréscimos. Atividades que apresentaram
participação negativa no desempenho da taxa global: móveis e eletrodomésticos com
-18,5%; hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,1%);
tecidos, vestuário e calçados com -7,7%; combustíveis e lubrificantes (-4,2%);
e livros, jornais, revistas e papelaria com -11,8%. Equipamentos e material
para escritório, informática e comunicação, com 0,3%; e outros artigos de uso
pessoal e doméstico, com 0,2%, praticamente não pressionaram a taxa geral. A
atividade artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e
cosméticos com +1,8%, exerceu impacto positivo no resultado do varejo.
Em mai/15, o
segmento de móveis e eletrodomésticos, apresentou declínio de 18,5% no volume
de vendas em relação a igual período de 2014, e registrou o maior impacto
negativo na taxa geral do setor varejo. O mau desempenho em maio deste ano reflete
não só a redução da massa de rendimento e o menor ritmo de concessão de crédito,
mas também o fraco desempenho das vendas no Dia das Mães frente a mai/14, este
beneficiado pelo aumento das vendas de televisores para a Copa do Mundo. No
acumulado jan-mai/15 e dos últimos 12 meses, as taxas apresentaram -10,9% e
-6,1%, respectivamente.
O segmento hipermercados,
supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, declinou 2,1% no volume
de vendas em mai/15, ante igual mês de 2014, registrando a segunda maior
contribuição negativa na formação da taxa geral do comércio. Quanto aos resultados
acumulados, a atividade apresentou variação negativa de 1,6% no ano e nos
últimos 12 meses de -0,9%. O desempenho negativo foi influenciado pelo redução
do poder de compra da população e devido ao fato de mai/15 contar com um dia
útil a menos, frente a mai/14, mesmo com o incremento dos preços de alimentação
no domicílio se encontrar inferior a média geral.
A atividade de tecidos,
vestuário e calçados, a terceira maior participação negativa na composição do
índice agregado do varejo, com declínio de 7,7% em relação a mai/14. Normalmente
a atividade reflete positivamente as compras realizadas no Dia das Mães, mas em
mai/15 apresentou resultado negativo e abaixo da média geral, mesmo ajudado pelosos
preços de vestuário se posicionando abaixo do índice de inflação (variações de
3,4% e 8,5% no acumulado em 12 meses, respectivamente, até maio, segundo IPCA).
Em termos acumulados apresentaram retração de -5,0% no ano e -2,8% nos últimos
12 meses.
O Comércio
Varejista Ampliado, que inclui o varejo mais os segmentos de veículos, motos,
partes e peças e de material de construção, apresentou na comparação mai/15 ante
mai/14, para o volume de vendas, uma variação negativa de 10,4%, taxa acumulada
no ano de -7,0% e em doze meses de -5,0%. Este mau desempenho ocorre em função
do declínio nas vendas de veículos, motos, partes e peças, cujo resultado
interanual foi -22,2%, acumulando no ano taxa de -17,3% e, em 12 meses -13,9%.
A redução no segmento foi decorrente, entre outros fatores, da gradual redução
dos incentivos via IPI, do menor ritmo na concessão de crédito e da restrição orçamentária
das famílias, devido o decréscimo real da massa salarial.
O segmento material
de construção apresentou variação negativa, no volume de vendas, de 11,3% frente
a mai/14. Em relação aos resultados acumulados, as taxas foram de -5,7% no ano
e de -3,6% nos últimos 12 meses, também reflexo da diminuição da renda somada
as expectativas negativas sobre o cenário macroeconômico.
Dos 27 estados da
federação 25 apresentaram variações negativas no volume de vendas do comércio,
na comparação de mai/15 com mai/14, série sem ajuste sazonal, com destaque para
o estado da Paraíba, com -13,6%; Goiás com -12,6%; e Amazonas com -11,1%.
Quanto às maiores participações negativas na composição da taxa geral do
varejo, as variações foram: -9,6% na Bahia; -4,0% em Minas Gerais; -3,5% em São
Paulo; e -3,0% no Rio de Janeiro.
Para o volume de
vendas, comparando mai/15 com o mês anterior, com ajuste sazonal, os resultados
foram negativos para 22 estados, ressaltando-se: Sergipe, com -3,9%; Amazonas
(-3,1%); Rondônia (-2,7%); e Paraíba com -1,8%. As maiores taxas positivas foram
verificadas em Roraima com 3,9%; Mato Grosso (1,6%); e Tocantins com 1,5%.
Quanto ao varejo ampliado,
26 estados apresentaram decréscimos, em termos de volume de vendas, ante mai/14,
com destaque para: Espírito Santo com -21,7%; Rondônia (-17,7%); Acre com
-17,6%; e Paraíba com -17,5%. Com relação às maiores participações negativas na
taxa geral do comércio varejista ampliado, temos: -13,7% no Rio Grande do Sul; -11,0%
no Paraná; -9,1% em Minas Gerais; -8,6% em São Paulo; e -8,1% para Rio de
Janeiro.
Portanto, o
comercio varejista apresentou desempenho ruim em maio deste ano, devido em
grande parte à conjuntura econômica desfavorável, redução do padrão de renda
das pessoas, elevado nível de endividamento das famílias e redução do crédito,
podendo piorar nos próximos meses, o que pode ser verificado com as estimativas
do mercado publicadas semanalmente no Boletim Focus do Banco Central (BCB).
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