sexta-feira, 17 de julho de 2015

VENDAS DO COMÉRCIO VAREJISTA CAEM EM MAIO
Régis Varão/¹

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) realizada e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 14.7.15,  produz indicadores do comércio varejista que permitem acompanhar o desempenho do setor e de seus principais segmentos. A pesquisa trabalha uma amostra com cerca de 5.700 empresas com vinte ou mais pessoas ocupadas, abrange dez grupos de atividades e está distribuída nas 27 Unidades da Federação.

Em mai/15, o Comércio Varejista brasileiro apresentou variação negativa de 0,9% no volume de vendas com relação ao mês anterior, ajustada sazonalmente, registrando o quarto mês consecutivo de declínio, e caiu 4,5% ante mai/14, acumulando variações de -2,0% no ano e de -0,5% em 12 meses. Para os mesmos indicadores, a receita nominal de vendas apresentou variação de 1,9%, 4,1% e de 5,7%, respectivamente.

Com relação ao Comércio Varejista Ampliado, inclui o varejo e as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, maio de 2015 permaneceu em queda frente ao mês anterior com -1,8%, o sexto resultado consecutivo negativo, na série com ajuste sazonal. Em relação à mai/14, foram registradas variações de -10,4% para o volume de vendas e -4,2% na receita nominal de vendas. Nos resultados acumulados, as taxas foram -7% no ano e -5% nos últimos 12 meses, para o volume de vendas, e -1,1% e 0,8% para a receita nominal, respectivamente.

No quinto mês deste ano, sete das dez atividades pesquisadas registraram variações negativas para o volume de vendas, na relação mensal com ajuste sazonal. Comportamento das taxas: combustíveis e lubrificantes (-0,1%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,4%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,1%); livros, jornais/revistas e papelaria (-2,1%); móveis e eletrodomésticos (-2,1%); material de construção (-3,8%); e veículos e motos, partes e peças com -4,6%. As atividades que apresentaram resultados positivos: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+5,5%); tecidos, vestuário e calçados (+2,7%); e outros artigos de uso pessoal e doméstico com +1,7%.

Na comparação mai/15, ante mai/14, uma queda de 4,5%, sem ajuste sazonal, no volume de vendas, cinco das oito atividades pesquisadas registraram decréscimos. Atividades que apresentaram participação negativa no desempenho da taxa global: móveis e eletrodomésticos com -18,5%; hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,1%); tecidos, vestuário e calçados com -7,7%; combustíveis e lubrificantes (-4,2%); e livros, jornais, revistas e papelaria com -11,8%. Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com 0,3%; e outros artigos de uso pessoal e doméstico, com 0,2%, praticamente não pressionaram a taxa geral. A atividade artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos com +1,8%, exerceu impacto positivo no resultado do varejo.

Em mai/15, o segmento de móveis e eletrodomésticos, apresentou declínio de 18,5% no volume de vendas em relação a igual período de 2014, e registrou o maior impacto negativo na taxa geral do setor varejo. O mau desempenho em maio deste ano reflete não só a redução da massa de rendimento e o menor ritmo de concessão de crédito, mas também o fraco desempenho das vendas no Dia das Mães frente a mai/14, este beneficiado pelo aumento das vendas de televisores para a Copa do Mundo. No acumulado jan-mai/15 e dos últimos 12 meses, as taxas apresentaram -10,9% e -6,1%, respectivamente.

O segmento hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, declinou 2,1% no volume de vendas em mai/15, ante igual mês de 2014, registrando a segunda maior contribuição negativa na formação da taxa geral do comércio. Quanto aos resultados acumulados, a atividade apresentou variação negativa de 1,6% no ano e nos últimos 12 meses de -0,9%. O desempenho negativo foi influenciado pelo redução do poder de compra da população e devido ao fato de mai/15 contar com um dia útil a menos, frente a mai/14, mesmo com o incremento dos preços de alimentação no domicílio se encontrar inferior a média geral.

A atividade de tecidos, vestuário e calçados, a terceira maior participação negativa na composição do índice agregado do varejo, com declínio de 7,7% em relação a mai/14. Normalmente a atividade reflete positivamente as compras realizadas no Dia das Mães, mas em mai/15 apresentou resultado negativo e abaixo da média geral, mesmo ajudado pelosos preços de vestuário se posicionando abaixo do índice de inflação (variações de 3,4% e 8,5% no acumulado em 12 meses, respectivamente, até maio, segundo IPCA). Em termos acumulados apresentaram retração de -5,0% no ano e -2,8% nos últimos 12 meses.

O Comércio Varejista Ampliado, que inclui o varejo mais os segmentos de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, apresentou na comparação mai/15 ante mai/14, para o volume de vendas, uma variação negativa de 10,4%, taxa acumulada no ano de -7,0% e em doze meses de -5,0%. Este mau desempenho ocorre em função do declínio nas vendas de veículos, motos, partes e peças, cujo resultado interanual foi -22,2%, acumulando no ano taxa de -17,3% e, em 12 meses -13,9%. A redução no segmento foi decorrente, entre outros fatores, da gradual redução dos incentivos via IPI, do menor ritmo na concessão de crédito e da restrição orçamentária das famílias, devido o decréscimo real da massa salarial.

O segmento material de construção apresentou variação negativa, no volume de vendas, de 11,3% frente a mai/14. Em relação aos resultados acumulados, as taxas foram de -5,7% no ano e de -3,6% nos últimos 12 meses, também reflexo da diminuição da renda somada as expectativas negativas sobre o cenário macroeconômico.

Dos 27 estados da federação 25 apresentaram variações negativas no volume de vendas do comércio, na comparação de mai/15 com mai/14, série sem ajuste sazonal, com destaque para o estado da Paraíba, com -13,6%; Goiás com -12,6%; e Amazonas com -11,1%. Quanto às maiores participações negativas na composição da taxa geral do varejo, as variações foram: -9,6% na Bahia; -4,0% em Minas Gerais; -3,5% em São Paulo; e -3,0% no Rio de Janeiro.

Para o volume de vendas, comparando mai/15 com o mês anterior, com ajuste sazonal, os resultados foram negativos para 22 estados, ressaltando-se: Sergipe, com -3,9%; Amazonas (-3,1%); Rondônia (-2,7%); e Paraíba com -1,8%. As maiores taxas positivas foram verificadas em Roraima com 3,9%; Mato Grosso (1,6%); e Tocantins com 1,5%.

Quanto ao varejo ampliado, 26 estados apresentaram decréscimos, em termos de volume de vendas, ante mai/14, com destaque para: Espírito Santo com -21,7%; Rondônia (-17,7%); Acre com -17,6%; e Paraíba com -17,5%. Com relação às maiores participações negativas na taxa geral do comércio varejista ampliado, temos: -13,7% no Rio Grande do Sul; -11,0% no Paraná; -9,1% em Minas Gerais; -8,6% em São Paulo; e -8,1% para Rio de Janeiro.

Portanto, o comercio varejista apresentou desempenho ruim em maio deste ano, devido em grande parte à conjuntura econômica desfavorável, redução do padrão de renda das pessoas, elevado nível de endividamento das famílias e redução do crédito, podendo piorar nos próximos meses, o que pode ser verificado com as estimativas do mercado publicadas semanalmente no Boletim Focus do Banco Central (BCB).

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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