quinta-feira, 31 de agosto de 2017

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR VOLTA A CRESCER EM AGOSTO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) reflete o sentimento dos consumidores com relação à situação atual e as expectativas para os meses futuros.

A confiança dos consumidores volta a crescer após três meses. O, Índice Nacional de Expectativa do Consumidor-INEC, registra 101,6 pontos em ago/17, um incremento de 2,1% ante o mês anterior. Esse aumento não reverte o desempenho negativo do índice nos três meses anteriores (declínio nos meses de maio e jul/17 e estabilidade em junho) e segue em patamar inferior ao registrado no período jan-abr/17 (>102 pontos). O índice é 0,4% inferior ao registrado em ago/16 e está 6,2% abaixo da sua média histórica (108,3 pontos).

A maioria dos componentes do INEC apresenta variação positiva entre julho e ago/17, contribuindo para o crescimento do índice, conforme descrito a seguir:

Componentes do INEC

(a) Expectativa de desemprego: a expectativa de desemprego apresenta elevação de 7,4% em ago/17 (114,4 pontos) ante o mês anterior, e subiu 0,3% na comparação anual, o que reflete a queda do percentual de pessoas que apostam no crescimento do desemprego;

(b) Expectativas de Compras de Bens de Maior Valor: quanto ao indicador, houve alta de 0,1% em ago/17 (109,8 pontos) ante o mês anterior, e registrou queda de 1,2% na comparação anual;

(c) Expectativa de Inflação: o índice registra decréscimo em ambas as bases de comparação, queda de 1,7% em ago/17 (104,6 pontos) na comparação mensal, e declínio de 5,5% frente a ago/16;

(d) Expectativa de Renda Pessoal: o índice apresenta variação positiva de 1,5% em ago/17 (92,2 pontos) ante jul/17, e caiu 2,9% frente a igual período de 2016;

(e) Endividamento: o indicador apresenta elevação de 4,7% em ago/17 (99,3 pontos) ante o mês anterior, e cresceu 4,3% na comparação anual, mostrando que as famílias estão reduzindo o nível de endividamento;

(f) Situação financeira: esse componente apresenta crescimento de 2,2% em ago/17 (90,9 pontos) ante o mês anterior, e incremento de 3,2% com relação a ago/16.

Portanto, a confiança do consumidor permanece inferior ao valor da média histórica, embora em agosto o índice tenha apresentado pequena recuperação, o que é uma sinalização de possível mudança de tendência.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

MELHORA A CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO DO COMÉRCIO
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), apurado e divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), atingiu 103,1 pontos em ago/17, indicando otimismo por parte dos comerciantes, e acima da zona de indiferença (100 pontos). O indicador teve alta de 14,6% na comparação com ago/16 e alta de 1,6% na comparação mensal. O ICEC detecta as tendências do setor, do ponto de vista do empresário do comércio. A amostra utilizada na pesquisa mensal é composta por cerca de 6 mil empresas situadas nas capitais do País.

De acordo com Bruno Fernandes, economista da CNC, “A avaliação das condições atuais impactou positivamente o indicador. A desaceleração da inflação e a redução do custo do crédito vêm preservando o poder de compra das famílias e impulsionando levemente as vendas do comércio no período”.

O subíndice da pesquisa que mede a percepção dos comerciantes sobre as condições correntes (ICAEC) atingiu 74,2 pontos, representando forte elevação de 57,2% com relação ago/16 e aumento de 3,1% na comparação mensal.

A avaliação dos empresários do comércio em relação às condições atuais melhorou em todos os itens, com destaque para a economia e aumento de 103,3% em relação a ago/16. A percepção dos comerciantes em relação ao setor e à própria empresa teve incremento respectivamente de 55% e 37,5%, na comparação anual.

A proporção de comerciantes que avaliam que o desempenho do comércio está melhor em agosto deste ano do que há um ano subiu para 37,2%, ante 19,2% em ago/16.

O único subíndice na zona positiva (>100 pontos), com 146,1 pontos, e que mede as expectativas do empresário do comércio (IEEC) apresentou elevação de 0,8% na comparação mensal, e avanço de 3,5% com relação a ago/16.

A piora nas expectativas para o curto prazo quanto ao desempenho da economia (-4,5%), do comércio (-3%) e da própria empresa (-2%) está associada às incertezas geradas na política para o desempenho da atividade econômica em meses futuros. Contudo, 77% dos entrevistados acreditam que a economia vai melhorar.

O subíndice que mede as intenções de investimento do comércio (IIEC) registrou crescimento de 1,5% em ago/17 (88,99 pontos) ante o mês anterior. Na comparação anual, no entanto, o subíndice subiu 9,2%, puxado pelas intenções de investimento nas empresas (11,3%), na contratação de funcionários (15,8%) e em estoques (1,7%).

Para 29% dos comerciantes consultados em agosto deste ano, o nível dos estoques está acima do que esperavam vender, proporção menor que a apontada em julho (29,4%).

Segundo a CNC, “sinais de retomada gradual das vendas do varejo no curto prazo fortalecem o cenário de um desempenho mais favorável em 2017. Apesar de o efeito dos recursos de saques no FGTS ser temporário, a Confederação estima que o volume de vendas do comércio ampliado em 2017 deva crescer +1,8%”.

Portanto, o elevado endividamento das famílias (PEIC de jul/17) e uma crise política sem precedentes não contribuem para uma recuperação consistente da atividade comercial no curto prazo. A liberação de mais recursos do FGTS e possível liberação de recursos do PIS-PASEP podem dar uma folga ao setor, que continua aguardando medidas fortes de cortes de despesas da máquina pública nas três esferas.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Economista pós-graduado stricto sensu em economia (UFV e UFPE), é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA EM JULHO
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas (FGV) caiu 0,3 ponto em jul/17 (82 pontos), confirmando a tendência de queda indicada com o declínio de 1,9 ponto em jun/17.

De acordo com Viviane Bittencourt, Coordenadora da Sondagem do Consumidor (FGV), “A calibragem da confiança dos consumidores tem sido realizada principalmente nos indicadores de expectativas. Enquanto a incerteza estiver elevada, o consumidor deverá permanecer cauteloso na hora de assumir novos gastos de consumo“.

Em julho deste ano, houve piora tanto das avaliações sobre a situação atual quanto das expectativas em relação a meses futuros. O Índice de Situação Atual (ISA) decresceu 0,4 ponto em jul/17 quando chegou a 69,7 pontos, o menor valor desde fev/17, e a quarta queda consecutiva, ante 70,1 pontos observados em jun/17.

O Índice de Expectativas (IE), outro componente do ICC, recuou -0,3 ponto em jul/17 quando atingiu 91,4 pontos, sinalizando aumento do pessimismo em relação à recuperação da economia.

O ICC, por faixa de renda, apresentou o seguinte comportamento:

(a) Até R$2.100,00: registrou elevação de 1,7 ponto em jul/17 ante o mês anterior;
(b) Entre R$2.100,01 e R$4.800,00:  o índice apresentou incremento de 0,4 ponto em jul/17 ante junho;
(c) Entre R$4.800,01 e R$9.600,00: houve declínio de 0,9 ponto na mesma base de comparação;
(d) Acima de R$9.600,00: foi registrado queda de 0,7 ponto em julho deste ano frente ao mês anterior.

O decréscimo observado na confiança dos consumidores foi determinado pela persistência da tendência de piora entre os consumidores com maior poder de compra (renda acima de R$4.800,00), enquanto nas faixas de renda inferiores a R$4.800,00, o resultado verificado em jul/17 andou em direção oposta.

Portanto, a queda do Índice de Confiança do Consumidor em julho deste ano foi influenciada pela piora das perspectivas em relação ao desempenho da economia. Por outro lado, a instabilidade política continua a contribuir negativamente para esse resultado, não havendo sinalização de inversão de expectativas no curto prazo.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

INSEGURANÇA REDUZ COMPETITIVIDADE DAS EMPRESAS
Régis Varão/¹

A Sondagem Especial (Segurança)-SE, de julho desde ano, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria-CNI, indica que “a falta de segurança contribui para reduzir a competitividade das empresas brasileiras. Além dos custos diretos com roubos, furtos ou vandalismo, a indústria também perde produtividade com o desvio de recursos produtivos para atividades de segurança privada e seguros. A falta de segurança também impacta decisões de investimento, prejudicando a economia brasileira como um todo”.

A pesquisa aponta que uma em cada três empresas foi vítima de roubo, furto ou vandalismo em 2016. Entre essas empresas, uma em cada quatro teve perdas superiores a 0,5% do faturamento anual. Com relação ao setor industrial - extrativa, transformação e construção -, a perda com roubo, furto ou vandalismo representa cerca de 0,20% do faturamento bruto, o que contribui para elevar os custos do setor e consequentemente reduzir a competitividade.

Essa situação vem piorando nos últimos anos. Quase seis em cada dez empresários industriais afirmam que, nos últimos três anos, os roubos, furtos e casos de vandalismo pioraram na região onde se localizam suas empresas. Além das perdas diretas com os crimes, mais de 50% das empresas industriais ainda incorrem em custos com segurança privada e com seguros contra roubo e furto.

O segmento industrial, em média, gasta 0,34% do faturamento com segurança privada e 0,34% em despesas com seguros. Em 2016, a insegurança representou custos de cerca de R$ 27 bilhões para o setor como um todo, somando perdas com roubos/furtos, vandalismo, gastos com seguro e segurança privada. Esses crimes indiretamente impactam as decisões de investimento, prejudicando a economia como um todo, afirmam os empresários ouvidos na pesquisa.

As empresas, por tamanho, vítimas de roubo, furto ou vandalismo em 2016, apresentaram o seguinte comportamento: (a) Pequenas empresas: 26% foram vítimas desses crimes; (b) Médias empresas: o percentual chega a 27%; (c) Grandes empresas: o percentual sobe para 35%.

Entre as empresas industriais, 31% sofreram esses tipos de crimes em 2016. Na extrativa, o percentual chega a 36%, subindo para 38% na construção civil, e declina para 29% na indústria de transformação. Na construção aconteceram mais casos de roubo e furto em canteiros de obras (em 79% das empresas), enquanto na extrativa, 40% das vítimas foram relativas a roubo, furto ou vandalismo, e na indústria de transformação, os tipos de crime são igualmente distribuídos.

A média de perdas para as empresas que foram vítimas desses crimes é de aproximadamente 0,70% do faturamento anual, e a média para a indústria como um todo é cerca de 0,19% do faturamento anual, o que é estimado em R$ 5,8 bilhões.

Entre as empresas industriais, 55% afirmam ter utilizado serviços de segurança privada em 2016, sendo a indústria extrativa a líder na contratação desse tipo de serviço. Segundo o relatório da CNI, “Os seguros contra roubo ou furto representaram mais de 1% do faturamento de cerca de uma em cada seis empresas industriais que contrataram esses serviços em 2016. Entre as empresas que contrataram seguros contra roubo ou furto, o gasto com esse serviço representou 0,63% de seu faturamento anual em 2016. A média total em relação ao faturamento da indústria, considerando também as empresas que não contrataram seguros, foi de cerca de 0,34%, ou R$10,8 bilhões”.

Portanto, a falta de segurança pública no setor industrial brasileiro afeta não apenas o bem estar da população, o empregado do setor e as finanças corporativas, mas tem impacto negativo no crescimento da economia e no nível do emprego ao reduzir a capacidade de investimentos.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

domingo, 20 de agosto de 2017

INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS FICA ESTÁVEL
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF)  da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mantém-se estável em agosto deste ano em comparação com o mês anterior. O índice permanece em nível inferior a 100 pontos, abaixo da zona de indiferença, indicando uma percepção de insatisfação das famílias com a situação atual do País.

A confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) apresentou melhora de 0,4% na comparação mensal, e o das famílias com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM), registrou declínio de 1,6%. Segundo o relatório da CNC, “O índice das famílias mais ricas está em 87,4 pontos; e o das demais, em 75,4 pontos. Os índices abertos por faixa de renda também continuam inferiores dos 100 pontos”.

Na avaliação regional, as regiões Sul, Nordeste e Norte registraram variações mensais positivas. O maior crescimento ocorreu na região Norte, melhora de 2,8% na intenção de consumo, e a pior ficou com o Sudeste, decréscimo de 0,7%.

De acordo com o relatório da CNC, “Ao analisar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), verifica-se que, nos seis primeiros meses de 2017, o saldo entre admissões e desligamentos de trabalhadores no Brasil ficou positivo em 67 mil postos de trabalho. Esse resultado exibe uma recuperação em relação ao mesmo período do ano passado, quando o saldo foi negativo (-513 mil). Os números também confirmam a primeira geração líquida de vagas para esse período desde 2014, quando 669 mil vagas foram criadas”.

Segundo Juliana Serapio da CNC, “Além dos resultados mais favoráveis do mercado de trabalho no curto prazo, a trajetória recente da inflação já abriu as portas para mais quedas nas taxas de juros, fator fundamental para a recuperação das condições de consumo na segunda metade de 2017”. Mais informações a respeito dos juros ver a página do Banco Central.

A seguir, uma análise sucinta dos componentes do indicador ICF:

1. Emprego Atual:

Esse componente apresentou queda de 0,4% em ago/17 (107,2 pontos), ante o mês anterior e subiu 4,8% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras quanto ao nível de Emprego Atual é de 31,3%, o mesmo valor registrado em jul/17.

As regiões mais confiantes em relação ao Emprego Atual são: Centro-Oeste (136,6 pontos), Norte (123 pontos) e Sul (112,7 pontos), com variações mensais respectivas de -0,4%, +2,1% e +0,1%. As regiões Nordeste (105,6 pontos) e Sudeste (97,2 pontos) registraram menor nível de confiança. O índice geral e os regionais, exceto o região Sudeste, estão acima da zona de indiferença (100 pontos).

2. Nível de Consumo Atual:

Esse indicador apresentou decréscimo de 0,8% em ago/17 (54,2 pontos), ante o mês anterior e subiu 22,5% na comparação anual, o terceiro melhor desempenho entre os componentes do ICF na comparação anual. O relatório da CNC afirma que “a maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado (59,3% em agosto ante 58,6% em julho)”.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou crescimento de 1,4% em ago/17 (71,4 pontos) frente ao mês anterior, e subiu 11,5% em relação a ago/16, registrando a maior variação anual da série. O valor médio do período jun-ago/17 ficou em 70,4 pontos contra a média de 69,8 pontos observada no trimestre anterior. Melhora na intenção de consumo das famílias pode ter contribuído para o aumento no trimestre jun-ago/17.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 0,4% em agosto deste ano (51,9 pontos), ante o mês anterior, mas subiu 23,7% na comparação com ago/16, registrando o segundo maior crescimento entre os componentes do ICF na comparação anual, e o nono incremento positivo.

A liberação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e declínio dos juros pelo Banco Central nos últimos meses, podem estar colaborando para elevação da disposição das famílias quanto ao consumo. Cabe ressaltar, no entanto, que o endividamento das famílias está elevado como indica a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC de jul/17. Segundo a pesquisa, o percentual de famílias endividadas atingiu 57,1% em jul/17, enquanto o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso chegou a 24,2% naquele mês.

Por corte de renda, as famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) registraram crescimento de 0,5% no componente Momento para Duráveis na comparação mensal, e as com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM) registraram queda de 0,4%. Na avaliação regional, esse indicador variou de 72,9 pontos no Sul a 29,1 pontos na região Norte.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve elevação de 0,4% em ago/17 (90,9 pontos), ante o mês anterior e subiu 6,6% na comparação anual. A partir de dez/16, exceto jan/17 com 89,5 pontos, o indicador marcou acima de 90 pontos, acompanhado apenas de Emprego Atual e Perspectiva Profissional, com valores superiores a 105 pontos e 95 pontos, respectivamente.

6. Perspectiva de Consumo:

Esse componente apresentou declínio de 1,5% em ago/17 (69,6 pontos) frente ao mês anterior e registrou o maior incremento (+29,9%) entre os componentes do ICF na comparação anual, a décima primeira variação anual positiva desde ago/14. Na comparação mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram queda de 0,8% e as com renda >10 SM declinaram 4,5%.

7. Perspectiva Profissional:

O componente Perspectiva Profissional apresentou alta de 0,5% em ago/17 (96 pontos) na comparação mensal, e subiu 2,1% quando comparado a ago/16. A pequena melhora das condições atuais da economia brasileira pode estar influenciando positivamente o comportamento do indicador.

Portanto, as expectativas favoráveis quanto ao desempenho da atividade econômica para os próximos meses, a queda da inflação e dos juros básicos da economia, mais a melhora do desemprego, podem estar contribuindo para elevar o nível de confiança das famílias.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 19 de agosto de 2017

CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO INDUSTRIAL MELHORA
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete o nível de confiança dos empresários industrias quanto à situação atual e as expectativas para os próximos seis meses. Os indicadores variam no intervalo entre 0 e 100, com os valores acima de 50 indicando melhora da situação ou expectativa otimista.

Em agosto deste ano, a confiança do empresário industrial apresentou crescimento, após dois meses de declínio. O ICEI atingiu 52,6 pontos em ago/17, elevação de 2 pontos ante jul/17. Assim, o índice se afastou da linha divisória de 50 pontos e melhorou quanto à confiança do empresariado.

Vale observar que, em jul/17, o indicador encontrava-se praticamente próximo dos 50 pontos, ou seja, não indicava confiança ou ausência dela. Embora tenha registrado crescimento em ago/17, o ICEI permanece inferior a sua média histórica de 54 pontos, mantendo-se em nível aquém do necessário para estimular o investimento na atividade industrial.

Com relação ao porte das empresas, temos o seguinte comportamento: (a) Grandes Empresas: apresentaram o melhor desempenho em ago/17 (54,5 pontos), ante 52,3 no mês anterior e 53,1 em ago/16; (b) Médias Empresas registraram o segundo melhor desempenho com 51,4 pontos em agosto deste ano, ante 49,6 pontos em jul/17 e 50,7 em agosto de 2016; (c) Pequenas Empresas: o índice registrou 50 pontos em ago/17, ante 47,9 no mês anterior, e 48,9 pontos em agosto do ano passado.

O ICEI aumentou no período jul-ago/17 basicamente devido à melhor avaliação do empresariado a respeito das condições atuais e das expectativas futuras, os dois componentes do índice:

(a) O Índice de Condições Atuais-ICA passou de 44,2 pontos em jul/17 para 46,5 pontos no mês seguinte. Com esse aumento, o índice voltou ao patamar registrado entre março e jun/17, período em que o índice oscilou entre 43 e 43,3 pontos. Cabe registrar que o valor de agosto foi o mais elevado em 2017.

Embora ainda abaixo da linha divisória (50 pontos), sinal de piora na percepção dos empresários quanto às condições correntes dos negócios, esse patamar não era atingido desde dez/13, quando o ICA registrou 46,8 pontos. Na comparação com ago/16, o índice registra crescimento de 4,3 pontos, e sobe 5,8 pontos na comparação com dez/16.

Com relação a percepção dos empresários, o ICA com relação à Economia Brasileira registrou 43,6 pontos em ago/17, ante 41,1 pontos em julho e 39,9 pontos observados em ago/16.

Já o ICA com relação à Empresa atingiu 48,2 pontos em agosto deste ano, frente a 45,9 pontos verificados no mês anterior, e 4,7 acima do valor observado em ago/16 (43,5 pontos). Na comparação anual foi a variação positiva mais elevada.

(b) Já o Índice de Expectativas-IE aumentou 2 pontos na comparação com jul/17 e alcançou 55,8 pontos em ago/17. O IE mostra otimismo do empresário para os próximos seis meses, embora ligeiramente menor do que o observado em ago/16 quando atingiu 56,2 pontos. Nessa comparação, o índice recua 0,4 ponto, mas na comparação com dez/16 (51,6 pontos) apresenta incremento de 4,2 pontos.

Com relação à expectativa dos empresários quanto à Economia Brasileira, o índice chegou a 51,2 pontos em ago/17, ante 47,9 pontos observado no mês anterior e 52,3 pontos registrados ago/16. Um declínio de 1,1 ponto na comparação anual.

Já com relação à expectativa dos empresários quanto à Empresa, o indicador atingiu 58,1 pontos em agosto deste ano, frente a 56,7 pontos verificados em jul/17, e -0,1 ponto abaixo do observado em ago/16 (58,2 pontos). Na comparação anual foi o menor declínio apresentado dos componentes do índice.

Portanto, houve uma melhora satisfatória no índice de confiança do empresário industrial em agosto de 2017, devido basicamente a avaliação da situação atual que melhorou tanto na comparação mensal quanto na anual, embora com relação às expectativas dos empresários, a melhora restringe-se à avaliação mensal.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O HOMEM QUE PENSA QUE PODE
Régis Varão/¹

Próximo ao dia dos pais, resolvi transcrever um poema de Walter D. Wintle, escrito por volta de 1905 intitulado Thinking, também conhecido como The Man Who Thinks He Can, traduzido para o português como “O HOMEM QUE PENSA QUE PODE”.

O HOMEM QUE PENSA QUE PODE

Se pensa que é um derrotado,
você será derrotado.
Se não pensar: “quero a qualquer custo!”,
não conseguirá nada.
Mesmo que você queira vencer,
se pensa que não vai conseguir,
a vitória não sorrirá para você.

Se fizer as coisas pela metade,
você será fracassado.
Nós descobrimos neste mundo
que o sucesso começa pela intenção da gente
e tudo se determina pelo nosso espírito.

Se pensa que é um fracassado,
você se torna como tal.
Se almeja atingir uma posição mais elevada,
deve, antes de obter a vitória,
dotar-se da convicção de que
conseguirá infalivelmente.

A luta pela vida nem sempre é vantajosa
aos fortes nem aos espertos.
Mais cedo ou mais tarde quem cativa a vitória
é aquele que crê plenamente:
Eu conseguirei!

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
AUMENTA A CONFIANÇA DO BRASILEIRO NAS PESSOAS
Régis Varão/¹

O nível de confiança dos brasileiros aumenta quanto mais próximo da convivência diária é o grupo avaliado, cresce entre familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho e, por último, nas pessoas em geral, afirma a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira-RBS, da Confederação Nacional da Indústria-CNI. Enquanto 91% dos entrevistados afirmam ter muita ou alguma confiança em pessoas da família, 78% confiam muito nos amigos, 67% nos vizinhos, 67% nos colegas de trabalho/escola e apenas 59% na maioria das pessoas. A confiança aumentou nos últimos cinco anos, principalmente para os grupos sociais mais distantes, como maioria das pessoas e colegas de trabalho e escola, afirma a pesquisa.

Cabe observar que a melhoria na confiança em colegas de trabalho ajuda a desenvolver trabalho em grupo e o aumento da confiança nas pessoas em geral pode, no longo prazo, contribuir para diminuir a burocracia, com a queda da necessidade de comprovações e garantias, afirma a pesquisa.

Segundo o relatório da CNI, “Apesar da melhora da confiança em grupos sociais definidos, a grande maioria dos brasileiros (91%) acredita que a maioria das pessoas querem tirar vantagem ao invés de agir de maneira correta. Essa percepção aumentou entre 2012 e 2017, provavelmente influenciada pelos seguidos escândalos de corrupção”.

De acordo com a pesquisa, a confiança dos brasileiros é maior nas pessoas que pertencem a grupos sociais mais próximos:

(a) Com relação a família: 55% afirmam ter muita confiança e 36% alguma confiança (total de 91%);
(b) Com relação a amigos:  25% tem muita confiança e 53% alguma confiança (78%);
(c) Com relação a vizinhos: 15% tem muita confiança e 52% alguma confiança (67%);
(d) Com relação a colegas de trabalho/escola: 14% tem muita confiança e 53% alguma confiança (67%); e
(e) Com relação a maioria das pessoas: 6% tem muita confiança e 53% tem alguma confiança (total de 59%).

Nos últimos cinco anos, entre 2012 e 2017, a confiança dos brasileiros aumentou para a maioria dos grupos sociais avaliados. O único grupo em que se verifica declínio da confiança é o de pessoas da família, para o qual o percentual de muita confiança caiu 18 p.p., de 73% para 55% naquele período:

(a) Com relação a família: o indicador muita confiança decresceu de 73% em 2012 para 55% em 2017, -18 p.p.;
(b) Com relação a amigos: o indicador muita confiança subiu de 18% em 2012 para 25% em 2017, +7 p.p.;
(c) Com relação a vizinhos: o indicador cresceu de 11% em 2012 para 15% em 2017, +4 p.p.;
(d) Com relação a colegas de trabalho/escola: subiu de 9% em 2012 para 14% em 2017, +5 p.p.; e
(e) Com relação a maioria das pessoas: o indicador muita confiança manteve-se estável em 6% em 2012 e 2017.

Entre os brasileiros, a pesquisa afirma - dados de mar/17 - que 91% acreditam que a maioria das pessoas quer tirar vantagem, ao invés de agir de maneira correta, apenas 7%. Em set/12, o percentual que acreditava que a maioria das pessoas quer tirar vantagem estava em 82%, enquanto 16% agiam de maneira correta. A resposta sobre a forma de agir do brasileiro pode estar sendo influenciada pelos escândalos de corrupção nos últimos anos, que atingem pessoas do governo, parlamentares e empresas públicas e privadas.

As regiões Norte/Centro-oeste, que em 2012 apresentavam maior percentual de entrevistados que acreditava que a maioria das pessoas age de maneira correta, caiu 17 p.p., passando de 26% para 9% na atual pesquisa. Com essa retração, essas regiões empatam com as demais regiões do país, quando considerada a margem de erro da pesquisa.

Portanto, em cinco anos, temos uma piora da percepção em relação à forma de agir do brasileiro e quanto à confiança do brasileiro para grupos sociais, ressaltando, no entanto, que embora a pesquisa indique melhora da confiança em grupos sociais definidos, um percentual elevadíssimo de 91% acredita que a maioria das pessoas querem tirar vantagem ao invés de agir de maneira correta.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.