domingo, 20 de agosto de 2017

INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS FICA ESTÁVEL
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF)  da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mantém-se estável em agosto deste ano em comparação com o mês anterior. O índice permanece em nível inferior a 100 pontos, abaixo da zona de indiferença, indicando uma percepção de insatisfação das famílias com a situação atual do País.

A confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) apresentou melhora de 0,4% na comparação mensal, e o das famílias com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM), registrou declínio de 1,6%. Segundo o relatório da CNC, “O índice das famílias mais ricas está em 87,4 pontos; e o das demais, em 75,4 pontos. Os índices abertos por faixa de renda também continuam inferiores dos 100 pontos”.

Na avaliação regional, as regiões Sul, Nordeste e Norte registraram variações mensais positivas. O maior crescimento ocorreu na região Norte, melhora de 2,8% na intenção de consumo, e a pior ficou com o Sudeste, decréscimo de 0,7%.

De acordo com o relatório da CNC, “Ao analisar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), verifica-se que, nos seis primeiros meses de 2017, o saldo entre admissões e desligamentos de trabalhadores no Brasil ficou positivo em 67 mil postos de trabalho. Esse resultado exibe uma recuperação em relação ao mesmo período do ano passado, quando o saldo foi negativo (-513 mil). Os números também confirmam a primeira geração líquida de vagas para esse período desde 2014, quando 669 mil vagas foram criadas”.

Segundo Juliana Serapio da CNC, “Além dos resultados mais favoráveis do mercado de trabalho no curto prazo, a trajetória recente da inflação já abriu as portas para mais quedas nas taxas de juros, fator fundamental para a recuperação das condições de consumo na segunda metade de 2017”. Mais informações a respeito dos juros ver a página do Banco Central.

A seguir, uma análise sucinta dos componentes do indicador ICF:

1. Emprego Atual:

Esse componente apresentou queda de 0,4% em ago/17 (107,2 pontos), ante o mês anterior e subiu 4,8% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras quanto ao nível de Emprego Atual é de 31,3%, o mesmo valor registrado em jul/17.

As regiões mais confiantes em relação ao Emprego Atual são: Centro-Oeste (136,6 pontos), Norte (123 pontos) e Sul (112,7 pontos), com variações mensais respectivas de -0,4%, +2,1% e +0,1%. As regiões Nordeste (105,6 pontos) e Sudeste (97,2 pontos) registraram menor nível de confiança. O índice geral e os regionais, exceto o região Sudeste, estão acima da zona de indiferença (100 pontos).

2. Nível de Consumo Atual:

Esse indicador apresentou decréscimo de 0,8% em ago/17 (54,2 pontos), ante o mês anterior e subiu 22,5% na comparação anual, o terceiro melhor desempenho entre os componentes do ICF na comparação anual. O relatório da CNC afirma que “a maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado (59,3% em agosto ante 58,6% em julho)”.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou crescimento de 1,4% em ago/17 (71,4 pontos) frente ao mês anterior, e subiu 11,5% em relação a ago/16, registrando a maior variação anual da série. O valor médio do período jun-ago/17 ficou em 70,4 pontos contra a média de 69,8 pontos observada no trimestre anterior. Melhora na intenção de consumo das famílias pode ter contribuído para o aumento no trimestre jun-ago/17.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 0,4% em agosto deste ano (51,9 pontos), ante o mês anterior, mas subiu 23,7% na comparação com ago/16, registrando o segundo maior crescimento entre os componentes do ICF na comparação anual, e o nono incremento positivo.

A liberação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e declínio dos juros pelo Banco Central nos últimos meses, podem estar colaborando para elevação da disposição das famílias quanto ao consumo. Cabe ressaltar, no entanto, que o endividamento das famílias está elevado como indica a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC de jul/17. Segundo a pesquisa, o percentual de famílias endividadas atingiu 57,1% em jul/17, enquanto o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso chegou a 24,2% naquele mês.

Por corte de renda, as famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) registraram crescimento de 0,5% no componente Momento para Duráveis na comparação mensal, e as com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM) registraram queda de 0,4%. Na avaliação regional, esse indicador variou de 72,9 pontos no Sul a 29,1 pontos na região Norte.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve elevação de 0,4% em ago/17 (90,9 pontos), ante o mês anterior e subiu 6,6% na comparação anual. A partir de dez/16, exceto jan/17 com 89,5 pontos, o indicador marcou acima de 90 pontos, acompanhado apenas de Emprego Atual e Perspectiva Profissional, com valores superiores a 105 pontos e 95 pontos, respectivamente.

6. Perspectiva de Consumo:

Esse componente apresentou declínio de 1,5% em ago/17 (69,6 pontos) frente ao mês anterior e registrou o maior incremento (+29,9%) entre os componentes do ICF na comparação anual, a décima primeira variação anual positiva desde ago/14. Na comparação mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram queda de 0,8% e as com renda >10 SM declinaram 4,5%.

7. Perspectiva Profissional:

O componente Perspectiva Profissional apresentou alta de 0,5% em ago/17 (96 pontos) na comparação mensal, e subiu 2,1% quando comparado a ago/16. A pequena melhora das condições atuais da economia brasileira pode estar influenciando positivamente o comportamento do indicador.

Portanto, as expectativas favoráveis quanto ao desempenho da atividade econômica para os próximos meses, a queda da inflação e dos juros básicos da economia, mais a melhora do desemprego, podem estar contribuindo para elevar o nível de confiança das famílias.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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