MELHORA
A CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO DO COMÉRCIO
Régis
Varão/¹
O Índice de Confiança do
Empresário do Comércio (ICEC), apurado e divulgado
pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), atingiu
103,1 pontos em ago/17, indicando otimismo por parte dos comerciantes, e acima
da zona de indiferença (100 pontos). O indicador teve alta de 14,6% na
comparação com ago/16 e alta de 1,6% na comparação mensal. O ICEC detecta as
tendências do setor, do ponto de vista do empresário do comércio. A amostra
utilizada na pesquisa mensal é composta por cerca de 6 mil empresas situadas
nas capitais do País.
De acordo com Bruno Fernandes,
economista da CNC, “A avaliação das condições atuais
impactou positivamente o indicador. A desaceleração da inflação e a redução do
custo do crédito vêm preservando o poder de compra das famílias e impulsionando
levemente as vendas do comércio no período”.
O subíndice da pesquisa que
mede a percepção dos comerciantes sobre as condições correntes (ICAEC) atingiu
74,2 pontos, representando forte elevação de 57,2% com relação ago/16 e aumento
de 3,1% na comparação mensal.
A avaliação dos empresários do
comércio em relação às condições atuais melhorou em todos os itens, com
destaque para a economia e aumento de 103,3% em relação a ago/16. A percepção
dos comerciantes em relação ao setor e à própria empresa teve incremento respectivamente
de 55% e 37,5%, na comparação anual.
A proporção de comerciantes que
avaliam que o desempenho do comércio está melhor em agosto deste ano do que há
um ano subiu para 37,2%, ante 19,2% em ago/16.
O único subíndice na zona
positiva (>100
pontos), com 146,1 pontos, e que mede as expectativas do empresário do comércio
(IEEC) apresentou elevação de 0,8% na comparação mensal, e avanço de 3,5% com
relação a ago/16.
A piora nas expectativas para o
curto prazo quanto ao desempenho da economia (-4,5%), do comércio (-3%) e da
própria empresa (-2%) está associada às incertezas geradas na política para o
desempenho da atividade econômica em meses futuros. Contudo, 77% dos
entrevistados acreditam que a economia vai melhorar.
O subíndice que mede as
intenções de investimento do comércio (IIEC) registrou crescimento de 1,5% em
ago/17 (88,99 pontos) ante o mês anterior. Na comparação anual, no entanto, o
subíndice subiu 9,2%, puxado pelas intenções de investimento nas empresas
(11,3%), na contratação de funcionários (15,8%) e em estoques (1,7%).
Para 29% dos comerciantes
consultados em agosto deste ano, o nível dos estoques está acima do que
esperavam vender, proporção menor que a apontada em julho (29,4%).
Segundo a CNC, “sinais de
retomada gradual das vendas do varejo no curto prazo fortalecem o cenário de um
desempenho mais favorável em 2017. Apesar de o efeito dos recursos de saques no
FGTS ser temporário, a Confederação estima que o volume de vendas do comércio
ampliado em 2017 deva crescer +1,8%”.
Portanto,
o elevado endividamento das famílias (PEIC de jul/17) e uma crise política sem precedentes
não contribuem para uma recuperação consistente da atividade comercial no curto
prazo. A liberação de mais recursos do FGTS e possível liberação de recursos do
PIS-PASEP podem dar uma folga ao setor, que continua aguardando medidas fortes de
cortes de despesas da máquina pública nas três esferas.
¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças
pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25
anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais,
liderança e conjuntura macroeconômica. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro
nos últimos 34 anos. Economista pós-graduado stricto sensu em economia (UFV e UFPE), é bacharel em direito. Foi
professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central
por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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